Nos bastidores, o MDB está apoiando Alckmin e vai “cristianizar” Meirelles

Resultado de imagem para Meirelles na convenção do mdb

Apoio do MDB a Meirelles não tem a menor consistência

Pedro do Coutto

O MDB, ao escolher Meirelles como seu candidato, na realidade busca somar pontos para Alckmin, livrando-o do peso negativo representado pelo governo Michel Temer. A candidatura de Meirelles, que não sabe da articulação, tem esse objetivo no quadro eleitoral. De fato, como todas as pesquisas têm indicado, o apoio do presidente da República será um argumento forte para as oposições. São várias as oposições, porém o Centrão joga para salvar o ex-governador de São Paulo da condição de ser o candidato do Planalto. O MDB, partido de Temer vai cristianizar o ex-ministro da Fazenda.

Os mais jovens devem estranhar o termo cristianização e o verbo cristianizar. Sua origem remete às eleições de 1950, disputadas por Getúlio Vargas, Eduardo Gomes, Cristiano Machado e João Mangabeira. O PSD, que era o partido amplamente majoritário, homologou Cristiano Machado como seu candidato. Mas na verdade apoiou Getúlio Vargas, do PTB. Tanto assim que Juscelino Kubitschek e Amaral Peixoto, ambos do PSD, elegeram-se governadores de Minas e do antigo estado do Rio naquele pleito.

O VERBO FICOU – O PSD, de fato, estava com Vargas, mas havia lançado Cristiano. Um lance para dividir as correntes que rejeitavam a volta do velho ditador ao Palácio do Catete. Abertas as urnas, a manobra tornou-se evidente. Cristiano Machado, que era deputado federal por Minas, foi nomeado por Vargas para embaixador junto ao Vaticano. O tempo passou e o verbo ficou.

Este ano, as eleições de outubro para presidente da República apresentam contradições entre as legendas. Por isso, como destacou Gustavo Uribe na Folha de São Paulo de ontem, ocorrem vários acordos partidários em diversos estados que não se vinculam aos apoios das legendas no plano federal. Em 7 estados, por exemplo, MDB e PDT são aliados nas disputas para governos estaduais.

O caso de São Paulo destaca-se dos demais: Marcio França, do PSB, apoia Alckmin, porém disputa o governo estadual contra João Dória, que é do PSDB. Um terceiro candidato, Paulo Skaf, corre pelo MDB e é presidente licenciado da Fiesp. Coisas da política.

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PEDIDOS DE APOSENTADORIA VÃO AUMENTAR

Reportagem de Edna Simão, no Valor, edição de ontem, focaliza o déficit da Previdência Social, que está atingindo 92,3 bilhões de reais, dos quais 53,5 relativos aos empregados urbanos e 38,2 bilhões ao setor rural. Provavelmente, acho eu, a quantidade dos pedidos de aposentadoria vai aumentar depois das eleições de outubro, uma vez que a sombra da reforma deve se projetar para o próximo governo em 2019.

Acredito numa hipótese que tem base na lógica dos fatos. Não se trata apenas de reformar para produzir reflexos nas aposentadorias dos trabalhadores. Melhor será se o governo resolver cobrar as dívidas que empresas urbanas e rurais acumulam na área do INSS.

A sonegação também deve inevitavelmente ser combatida, ao invés de pressão sobre os vencimentos dos aposentados e pensionistas.

8 thoughts on “Nos bastidores, o MDB está apoiando Alckmin e vai “cristianizar” Meirelles

  1. Além disso Pedro Couto a classe política precisa sensibilizar-se que mesmo que tenha que se opor a forças alienígenas; precisa ser criados vagas nas indústrias.
    Ao invés disso, desmobilizamos um segmento importante de construção naval/offshore, mandando todas nossas obras para o exterior, depois de sobejamente termos demonstrado capacidade técnica e operacional de fazermos tais obras.
    O setor, não é importante por si só; e sim pelo segmento de navipeças e tudo que gira em função dos estaleiros.
    PS: Por ordem superior de quem, não sei; mas sei que o processo de exportação das obras começou no governo Dilma com a presidente Graça Foster mandando obras para o exterior.
    PS: A China agradece; mas, não penhoradamente, que eles não se penhoram.

  2. Os especialistas em eleições não assistem TV aberta. Não frequentam terminal de ônibus. Não batem papo com o Claudião do posto e a Marcinha da padoca.

    No começo do ano o discurso era “a economia vai melhorar e com isso um candidato reformista, que dê continuidade ao governo Temer, terá grande chance de emplacar”.

    Incontáveis matérias com a palavra “retomada” no título. O mercado financeiro celebrava. Mas era só sair na rua, longe dos guetos dos ricaços, para ver o aumento das placas de “Aluga-se”.

    A retomada não veio, a pauta de Temer foi rejeitada.

    Em uma única coisa os experts acertaram, inicialmente: o eleitor em 2018 quer o novo.

    Pois bem: em 2018, o novo são Haddad e Manuela.

    Haddad e Manuela fazem Geraldo Alckmin e Ana Amélia parecerem os velhinhos vilões da novela. Ultrapassados, cinzentos, ranzinzas.

    E Ciro e Marina? Coadjuvantes, jamais protagonistas.

    E Bolsonaro? É o típico capanga falastrão da novela!

    Para completar, Haddad e Manuela têm ao seu lado um vovô do bem. Injustiçado. Que já fez muito pelos pobres. E hoje promete retornar para trazer os bons tempos pro povo. Lima Duarte como o padim Lula!

    A TV, a fé e o marketing nos ensinam que a esperança sempre vence. Que o bem está do lado dos belos. Que o novo é melhor que o velho. Propostas, promessas, isso é tudo detalhe.

    A gente escolhe as coisas muito mais pelo coração do que pela razão. Uma imagem fala mais que mil palavras. A foto diz tudo. O casal 20 sorrindo, Lula abençoando. O Brasil Novo, feliz de novo!

    E é por isso que Haddad e Manuela vão ganhar

    https://goo.gl/vW2ya2

  3. Vamos ser realista, o lula adade danavila, não ganham nem dentro do partido, o pmdb idem, lula queimou a ponte com ciro, por medo dele roubar-lhe o rebanho(sinal que ciro tem capacidade),marina agua morna, sobrou para o grande acordo o alkimim, é esse o candidato do establishment, tem o rabo preso como todos, Sobrou Ciro e Bolsonaro do lado contrario, mas ciro se mostra submisso ao lula a toda hora.
    A campanha das penas alugadas está em marcha e a todo vapor.

  4. A sonegação “também” inevitavelmente deve ser não, caro comentarista, antes de qualquer tipo de pressão sobre os vencimentos dos aposentados, moralmente e legalmente, essa deve ser a principal iniciativa dos poderes constituídos. Que país é esse?

  5. Meu caro Pedro não continue em suas matérias que há rombo na previdencia vide CPI no senado que terminou em novembro do ano passado desmentindo imprensa e governos.

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