O Brasil e a parceria com a Frana

Guilhermina Lavos Coimbra
Membro das Comisses Permanentes de Direito Internacional e de Direito Constitucional do IAB

extremamente lgica, comercial e poltica, principalmente, a parceria militar com a Frana. O Brasil inclusivo, mas, no se deixa influenciar. A Frana e o Brasil se unem, no contra este ou aquele pas: o Brasil se une para fugir da dependncia e de toda e qualquer forma de influncia.

Por questes de segurana, na poca em que o mundo era dividido em esferas de influncia entre a URSS e os EUA o Brasil, por razes histricas e geogrficas, foi classificado como um dos aliados menores satlites, aqueles que no tm luz prpria sem nenhuma vantagem para o Brasil.

Terminada a bi-polaridade de poderes, os satlites se colocaram na incomoda posio de subordinao hegemonia Norte-Americana. A tendncia apontava para um poder multipolar, cada grupo com um lder e seus satlites. Com relaes de satlites a Colmbia e o Peru aprofundaram as suas ligaes de dependncia com os EUA. A Venezuela, o Equador e a Bolvia idem, atravs de alianas desequilibradas, com a Rssia.

Impossvel para o Brasil, continuar satlite, dissimulando conhecimentos cientficos, tecnolgicos e dissimulando o conhecimento dos seus recursos naturais energticos, os quais urgiam por uma destinao utilitria, em benefcio da populao brasileira.

A partir da, no houve mais nenhum subterfgio, nenhuma dissimulao: o Brasil no satlite, o Brasil tem luz prpria. Entenda-se como luz prpria, os recursos naturais energticos do subsolo brasileiro: urnio, nibio (So Gabriel da Cachoeira) ltio, berilo, outros minerais nucleares e hidrocarbonetos: petrleo, gs e outros. Desde ento, a disputa pelo controle dos recursos naturais brasileiros ficou bvia sem qualquer razo para contemporizar. As desconfianas pr-existentes, tornaram-se verdadeiras.

No Brasil, a necessidade de parcerias viveis e confiveis se fez patente. O Brasil passou a tender em optar pela Frana, formando um bloco onde os parceiros tm a mesma importncia. A Frana secular – jamais dissimulou e sempre procurou no se submeter a hegemonias.

A Frana, um dos pases mais sofisticados tecnologicamente do mundo, entretanto, no dispe de base fsica para conseguir, sem alianas, ser um dos polos de poder mundial. O Brasil, pas continental, com mercado crescente, enorme produo agrcola, biocombustveis, pr-sal, as maiores jazidas de urnio do planeta e com a Amaznia para conservar e explorar – tornou-se para a Frana, o parceiro ideal.

Como nenhum bloco pode ser significativo sem os recursos naturais de um pas continente, o Brasil poderia ser o parceiro ideal para qualquer outra potncia tecnolgica sem base fsica. Mas, o Brasil escolheu a Frana.

A Frana visa o acesso a recursos naturais escassos no mundo, entre os quais, o urnio. A Frana uma potncia nuclear. Na parceria, houve interesse estratgico do Brasil: a certeza da transferncia de tecnologia que propiciar o avano almejado, na rea nuclear brasileira.

Quanto transferncia de tecnologia, j foi dito e provado com fatos ao longo de mais de quarenta anos, durante os quais, o Brasil conseguiu tecnologia nuclear prpria (atravs da MGB) independente de qualquer acordo de transferncia de tecnologia jamais transferida que a to enaltecida transferncia de tecnologia no existe.

A transferncia tecnolgica entre concorrentes comerciais nacionais e internacionais significa dar facilidades ao concorrente (ou, seja, entregar o mapa da mina do ouro

aos concorrentes) e disto ningum duvida mais. Transferncia de tecnologia no mais justificativa para se assinar contratos comerciais nacionais e internacionais. Transferncia de tecnologia argumento utilizado, de um modo geral, pelos desavisados (?) intermedirios, interessados na assinatura do contrato.

Mas, a Frana tem uma tecnologia preciosa, desconhecida do Brasil, que no a prejudicar, de modo algum, se transferida. Trata-se da administrao dos rejeitos nucleares. Em uma das cidades francesas, o lixo atmico processado a olho nu, protegido por paredes envidraadas, ponto turstico francs.

O Governo do Brasil fechou uma grande parceria com a Frana: no se comprometeu, de modo algum, a ser mero fornecedor de urnio in natura, para nenhum bloco regional, por mais amigo, forte e poderoso que seja.

O Governo Brasileiro acertou na estratgia: a parceria Brasil-Frana formar um novo centro de poder, com parceiros iguais e complementares. Viva a Frana e viva ao Brasil: inclusivo e amigo, o Brasil merece respeito.

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