O Exército não tem dinheiro para alimento, o presidente Lula quer comprar armamento por que não lutar para conquistar as duas coisas?

A notícia de que o Exército (digamos as Forças Armadas) resolvera fazer meio expediente às segundas-feiras, por falta de recursos para alimentação, teve enorme repercussão. Já se sabia (pelo menos alguns) que pelo mesmo motivo já não havia expediente total também às sextas-feiras. Juntando os dois fatos, a gravidade da questão se aprofundou.

Um Exército que não tem dinheiro para comprar pão, café, carne, arroz, feijão, tudo que é necessário e indispensável para manter seus homens, não pode pensar em comprar armamento. Como esse equipamento pode ou poderá ser manejado por homens famintos que sempre tiveram no Exército, casa, comida e roupa lavada, esperavam completar 18 anos para se incorporarem ao Exército?

Os mais atingidos não serão os oficiais e sim os soldados, cabos e sargentos, que formam a grande maioria do Exército. Não é de hoje que o Exército tem nos que prestam o serviço militar a sua base, mas também não é de hoje que o Exército vem cortando soldados por falta de dinheiro.

Foi Olavo Bilac, extraordinário poeta, Nacionalista, Abolicionista e Propagandista da República, que teve a idéia do Serviço Militar Obrigatório. Preocupado com o analfabetismo de multidões, e o desemprego e a fome de milhares, principalmente no interior, que deram a ele a idéia de propor ao Exército a convocação dos jovens aos 18 anos, pois isso serviria a todos e ao país.

Surpreendentemente a idéia caiu no terreno fértil e logo prosperou quando Bilac ficou preso na Fortaleza de Lage. Perseguido pelo presidente Marechal Floriano (que seguia à risca o que Tancredo Neves definiu como “homens que guardam ódio no freezer”), foi demitido e preso. Na Fortaleza conheceu muitos militares, importantes chefes, a idéia ganhou vida e começou a surgir.

Em 1899, há 110 anos, Bilac veio para as ruas mostrar a todos a importância do Serviço Militar Obrigatório. Com enorme convicção, convenceu a todos.

Na ditadura Vargas, os soldados chegaram a 300 mil. Ganhavam 21 cruzeiros, moravam e comiam nos quartéis, andavam de graça nos trens. É bem verdade que até a formação da FEB (que foi para a Itália), passavam o dia montando e desmontando um velho FM que não servia para nada. Muitos soldados estudavam e houve uma época em que chegavam a generais “montando praça”.

Na segunda ditadura, esse número foi reduzido drasticamente, exatamente pela mesma razão do corte de expediente de agora: falta de dinheiro.

Os Exércitos têm a sagrada missão de lutar. Mas para isso, precisam de armas e de homens. Armas envelhecidas e homens esfomeados não servem para coisa alguma. Em alguma esquina, na encruzilhada da vida chega um momento que o homem tem que lutar. Lutar no Exército ou fora dele, lutar por convicção, lutar sem armamento ou alimento, mas lutar.

Luta-se por convicção, contra alguma coisa, pelo direito de não votar pela continuidade, mas lutar. Alguns homens lutam por obrigação, outros só lutam forçados, muitos lutam para defender direitos adquiridos, lutam para que esses direitos não sejam suprimidos. Luta-se contra a fome, contra a miséria, luta-se por questão de caráter e de temperamento, luta-se contra a injustiça, o arbítrio, a prepotência.

Luta-se até como o revolucionário espanhol que comprou uma metralhadora e lutava por conta própria. Talvez fosse esse o verdadeiro lutador, sem empresários, sem chefes, sem mandantes, lutando pelo que lhe parecia mais correto, usando sua força interior para consolidar o que seus princípios e sua consciência lhe impunham.

***

PS- O Presidente Lula devia lutar pela ampliação do Serviço Militar Obrigatório, a junção do povo civil com o povo militar.

PS2- Lula podia criar uma espécie de “bolsa” para equipar e armar o Exército, alimentar seus homens. Sem constrangimento, presidente, essa é a bandeira. Lute para desfraldá-la e consolidá-la.

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