O melhor de todos os tempos no esporte: farsa, fantasia, farisaísmo

De tempos em tempos, surge essa idéia de classificar ou identificar o melhor de todas as épocas e sobre todos os outros. A polêmica surge e ressurge agora no tênis, por causa de Federer e o tênis. Isso aconteceu, acontece e vai continuar acontecendo nos mais diversos tempos e esportes, sem um pingo de verdade, realidade ou credibilidade.

Ontem, Federer ganhou Wimbledon precariamente, (comento no final o jogo de 4 horas e 16 minutos), passou a ser chamado “o maior de todos os tempos”.  Ha! Ha! Ha! Estavam lá alguns iguais a ele: Sampras, Agassi, McEnroe, Connors, Borg e outros. E se alguém pode ser chamado de MAIOR mesmo, também estava lá: Rod Laver.

Grande jogador, sem dúvida, Federer nem é o melhor do seu tempo, esse é Nadal. Com 22 anos contra os 27 de Federer, se o joelho não o atrapalhar vai ultrapassá-lo em tudo.

Simplesmente recorrendo à memória, desde os 12 anos quando, digamos, comecei a viver e a me interessar por tudo, façamos a divisão por tempos e épocas, destruindo o mito e a lenda desse “melhor de todos os tempos”, apenas nos esportes, e naturalmente não em todos, só os mais populares.

Jesse Owens, gênio do atletismo, em Berlim 1936, ganhou 5 medalhas de ouro, fez para os 100 metros, marca inesquecível. Foi o melhor, hoje totalmente ultrapassado. O que ninguém vai fazer melhor do que ele: desmoralizou Hitler e sua tese do “ariano puro”, obrigou o ditador a fugir do belo Estádio de Berlim.

Zatopek foi o grande maratonista do seu tempo. Aos 44 anos, não pôde resistir ao “apelo” do Partido Comunista, voltou, tirou segundo, perdendo para um garoto etíope, Pituba, que nos 10 quilômetros jogou longe o tênis e ganhou descalço. Hoje o genial Zatopek chegaria em que lugar?

Quando Johnny Weismuller fez 100 metros abaixo de 1 minuto na natação, ninguém acreditava. Virou mito, entro no cinema, ganhou fama e dinheiro dando vida a Tarzan. Hoje com as provas ganhas pelos maiôs e não por atletas, quem se lembra dele? Mas foi o maior do seu tempo, o que não podem é estender para “todos os tempos”, isso não existe.

Quando o boxe era popularíssimo no mundo, chamado de “nobre arte”, nos primeiros anos do século XX, surgiu Gene Tuney, tido como o maior do mundo. Entre ele, (aristocrata, quando jovem da turma de Jackeline Kennedy, depois com um filho senador), até o mais jovem campeão do mundo, Mike Tyson, saído de um reformatório para a gloria e o destino, nenhuma diferença. Foram grandes e invencíveis, na época deles, não em todos os tempos.

Entre eles, dois gigantescos campeões do boxe: Joe Louis e Muhammad Ali. O primeiro, prejudicado pela Segunda Guerra Mundial, não existiam lutas. E Muhammad, lenda, mito e ídolo pela sua convicção, coragem e resistência, de “não ir matar no Vietnã gente que nem conheço”. Os 4, fantásticos, cada um com 25 anos de diferença do outro.

Na NBA (o popularíssimo basquete americano), o cineasta Spike Lee acaba de fazer um documentário (magnífico) sobre Kobe Bryant, “o melhor de todos os tempos”. É possível que seja o melhor em atividade. Mas está aí vivíssimo, Michael Jordan, muito melhor. Além de outros, insuperáveis em sua época.

E chegamos ao esporte popular, o futebol, que grifou e grafou Pelé como o melhor de todos os tempos, o que não é de jeito algum. Como o futebol tem 11 jogadores e milhares de times, é ainda mais difícil ou impossível destacar O MELHOR DE TODOS OS TEMPOS. Pelé é apenas um deles.

Mas, como ele, existem muitos. Maradona, Garrincha, Di Stefano, Puskas, Paulo César Carpeggiani, Romário, Domingos da Guia, Gerson, Rivelino, Fausto, Platini, até Beckembauer, quantos deixarei de citar por total impossibilidade? Além do mais, Pelé não ganhou uma Copa “sozinho”, como Garrincha, em 1962, e Maradona, em 1986. Pelé, grande jogador e campeão de disparates fora de campo, “administrou” sua vida de tal maneira que tem a glória e a conta bancária de um gênio.

PS- Ontem em Wimbledon, não houve jogo de tênis e sim duelo de aces. Federer marcou 50 e Roddick 37, quase não houver troca de bolas. Além das 4 horas e 16 minutos (já citadas), os números absurdos e abusivos. 99 games, 2 tiebreaks, e o último ponto que é “longo”, decidido em 16 a 14.

PS2- Rigorosamente verdadeiro. Roddick poderia ter ganho em 3 sets. Ganhou o primeiro, o segundo foi para o tiebreak, Roddick vencia por 6/2 e sacando, jogou 6 bolas para o alto, algumas fora da quadra. O terceiro set também foi para o tiebreak, idem, idem. O resto é “marca fantasia”, como está escrito na Coca-Cola.

PS3- Pra não dizer que não falei de flores: quem é o mais corrupto de todos os tempos no Senado? Os que  renunciaram para NÃO serem cassados? Ou os que ficaram, mesmo cassados pela opinião pública?

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