O passado foi duro mas deixou seu legado, dizia em versos Cora Coralina

Imagem relacionadaPaulo Peres
Site Poemas & Canções

A poeta Cora Coralina, pseudônimo de Ana Lins dos Guimarães Peixoto Bretas (1880-1985), nasceu em Goiás Velho. Mulher simples, doceira de profissão, tendo vivido longe dos grandes centros urbanos, alheia a modismos literários, produziu uma obra poética rica em motivos do cotidiano, conforme o belo poema “Assim eu vejo a vida”, no qual aceitou as contradições como lições para aprender a viver.

ASSIM EU VEJO A VIDA
Cora Coralina

A vida tem duas faces:
Positiva e negativa.
O passado foi duro
mas deixou o seu legado
Saber viver é a grande sabedoria.
Que eu possa dignificar
Minha condição de mulher,
Aceitar suas limitações
E me fazer pedra de segurança
dos valores que vão desmoronando.
Nasci em tempos rudes.
Aceitei contradições
lutas e pedras
como lições de vida
e delas me sirvo.
Aprendi a viver.

5 thoughts on “O passado foi duro mas deixou seu legado, dizia em versos Cora Coralina

  1. “Aprendi a viver
    Aceitando as contradições”.
    – Respeito ao Pai e a Mãe.
    Educação e Civismo. Categoria de Mulher. Poeta e Poetisa. Verso e Prosa. Um doce na Poesia.

  2. “O QUE É VIVER BEM”
    Por Cora Coralina

    Um repórter perguntou à Cora Coralina o que é viver bem?

    Ela disse-lhe: “Eu não tenho medo dos anos e não penso em velhice. E digo prá você, não pense.

    Nunca diga estou envelhecendo, estou ficando velha. Eu não digo. Eu não digo estou velha, e não digo que estou ouvindo pouco. É claro que quando preciso de ajuda, eu digo que preciso.

    Procuro sempre ler e estar atualizada com os fatos e isso me ajuda a vencer as dificuldades da vida. O melhor roteiro é ler e praticar o que lê.

    O bom é produzir sempre e não dormir de dia.

    Também não diga prá você que está ficando esquecida, porque assim você fica mais.

    Nunca digo que estou doente, digo sempre: estou ótima.

    Eu não digo nunca que estou cansada. Nada de palavra negativa. Quanto mais você diz estar ficando cansada e esquecida, mais esquecida fica. Você vai se convencendo daquilo e convence os outros. Então silêncio!

    Sei que tenho muitos anos. Sei que venho do século passado, e que trago comigo todas as idades, mas não sei se sou velha não. Você acha que eu sou?

    Posso dizer que eu sou a terra e nada mais quero ser. Filha dessa abençoada terra de Goiás.

    Convoco os velhos como eu, ou mais velhos que eu, para exercerem seus direitos. Sei que alguém vai ter que me enterrar, mas eu não vou fazer isso comigo.

    Tenho consciência de ser autêntica e procuro superar todos os dias minha própria personalidade, despedaçando dentro de mim tudo que é velho e morto, pois lutar é a palavra vibrante que levanta os fracos e determina os fortes. O importante é semear, produzir milhões de sorrisos de solidariedade e amizade.

    Procuro semear otimismo e plantar sementes de paz e justiça. Digo o que penso, com esperança. Penso no que faço, com fé. Faço o que devo fazer, com amor.
    Eu me esforço para ser cada dia melhor, pois bondade também se aprende.”

    “Mesmo quando tudo parece desabar, cabe a mim decidir entre rir ou chorar, ir ou ficar, desistir ou lutar; porque descobri, no caminho incerto da vida, que o mais importante é o decidir.”

  3. Cora Coralina era uma mulher iluminada, quanta sensibilidade, e era sincera. O que ela escrevia vinha direto do coração. E pensar que vivia em um ambiente rural, sem nenhum incentivo à cultura, especialmente, poesia. E até o Drummond ficou encantado com ela.
    Nasceu poeta!

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