O povão continua de fora

Carlos Chagas

Encerrado o Carnaval, esperar o quê das multidões? Jamais algum entusiasmo, mesmo pequeno, com relação ao processo sucessório presidencial e a preparação para as  demais eleições. O povão não está nem aí para o  longínquo mês de outubro.

Apesar de marcada para sábado a principal reunião comemorativa dos trinta anos do PT, é mínima a atenção nacional voltada para o pronunciamento que Dilma Rousseff fará. Até porque, pelas informações fluindo do partido, a candidata deverá  limitar-se a mais referências e elogios ao governo Lula e suas realizações. Teria cedido a primazia de abordar o futuro aos companheiros, tanto para não comprometer-se antes de ouvir os aliados, com o PMDB à frente, quanto porque faltam-lhe diretrizes concretas a respeito do que fazer, se eleita. Prefere aguardar um  pouco  mais para ver cristalizados seus propósitos. Sabe que pouco adiantará, nos palanques e nas telinhas, repetir que dará continuidade à obra do primeiro-companheiro. Tem consciência da necessidade de possuir sua própria plataforma, mas age corretamente ao ganhar um pouco mais de tempo.

Por tudo isso, eleições continuam tema restrito aos caciques partidários e à mídia. Mesmo os institutos de pesquisa parece que refluíram. Qualquer consulta feita nos últimos dias limitou-se a conhecer as preferências relativas à Mangueira, aos Unidos da Tijuca ou à Portela.

Cadeia merecida mas sofrida

Tudo na vida desperta seus contrários, demonstrava Hegel. Fogo e gelo, por exemplo. Bem  e mal. Dia e noite.

Ninguém  duvida de terem agido como deviam o Superior Tribunal de Justiça  e o Supremo Tribunal Federal. O governador José Roberto Arruda deveria  mesmo ter ido para a cadeia, tamanha a desfaçatez de, depois da roubalheira promovida em Brasília, ainda haver tentado corromper testemunhas.

É preciso, no entanto, olhar para o reverso da medalha. Poucos governantes passaram pelo que ele passa. Desceu  do céu para o inferno. De uma situação onde era reverenciado e  adulado, a outra onde sua maior regalia consiste em ficar quinze minutos diários ao sol. Do poder quase absoluto que detinha, passa à fragilidade integral.

Psicólogos e  psiquiatras conseguirão descrever com mais precisão e intensidade esse drama, mas a todos será dado  imaginar  o sentimento  do ser humano. Revolta? Auto-comiseração? Arrependimento? Perplexidade ou ímpetos de vingança? Cada um que se coloque no lugar do governador para  imaginar o que ele sente.

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