O PSDB pode estar resolvendo problemas, reinventando a “república velha”. Em vez de um mineiro depois de um paulista, um mineiro e um paulista, juntos e a esperança de ficarem para sempre.

A pedido de Serra, o governador Aécio foi conversar com ele. Motivo: o paulista fez um apelo ao mineiro: “Concorde em fazer chapa comigo. Ganharemos, tomarei posso em 2011 com 69 anos, sairei com 73”.

Aécio ficou esperando, Serra completou: “Não quero ficar o fim da vida disputando outro mandato, será a tua vez. Você está com 50 anos, quando acabar meu mandato, você estará com 55 anos, será eleito e reeleito, sairá com 63 anos”.

Aécio não disse nem que sim nem que não, mas Serra contou que sua reação era positiva e favorável ao acordo. Estaremos voltando à “república velha”, não com um depois do outro, e sim ao mesmo tempo?

A Primeira República, que já nasceu ultrapassada e dominada pelos militares, ganhou merecidamente a denominação de “república velha”. Os “Propagandistas da República”, que começaram a campanha ao lançar o jornal diário “A República”, em 1860, ficaram fora de tudo, desde o 15 de novembro de 1889. Foram portanto 29 anos perdidos. Naquela época, naquela época.

Se contarmos a partir de Pedro Álvares Cabral até 1930 ou desse golpe de 1930 até hoje, avançamos muito pouco. Como queremos falar apenas do início da sucessão de 2010, basta dizer o seguinte: os 3 primeiros presidentes da República foram paulistas, o último em 1930, também paulista.

(É lógico que os dois “marechais das Alagoas”, entram na História apenas para confundi-la, tumultuá-la, destroçá-la, não para construí-la. Deodoro nunca entendeu porque chegou a presidente. Floriano jamais pôde aceitar a idéia de não ter ficado para sempre. Derrubou o companheiro de golpe, voltaram a ser os coronéis inimigos irreconciliáveis da Guerra do Paraguai).

Depois de 1930, portanto completando agora 80 anos, o Brasil se dividiu em duas ditaduras, (36 anos) e a posse de vices que não se elegeram. Essa é a República sem sangue que implantamos e não promulgamos.

Quando falo em República sem sangue, lembro que quase todas no mundo ocidental, ficaram marcadas por guerras civis intermináveis e inacreditáveis. A República da França, que vinha quase que imortalizada por aquelas três palavras maravilhosas e insubstituíveis, levou 10 anos de assassinatos históricos.

De tal maneira, que Napoleão, em 1789 ainda com 18 anos e na Escola militar de Saint Cyr, pôde completar 28 anos e tomar conta da República. Na Espanha o povo elegeu um presidente que tomou posse mas não governou, com o país tiranizado por quase 50 anos de Franco, que mesmo morrendo, levou a monarquia novamente ao Poder. É uma monarquia do tipo, “reina mas não governa”, mas não deixa de ser monarquia.

No Brasil tudo era pacífico, porque os presidentes escolhiam seus sucessores. Todos concordavam, não havia protesto desde que fossem paulistas ou mineiros. Só houve uma ligeira alteração em 1909, quando o mineiro Afonso Pena morreu, assumiu o fluminense Nilo Peçanha, que levou ao poder outro marechal, para evitar que Rui Barbosa se elegesse.

A série ininterrupta foi interrompida pela morte desse mineiro, e em 1918 de um paulista, que não permitiram que as sucessões continuassem.

Depois de cada ditadura vinha um período “de transição”, que era chamado de r-e-d-e-m-o-c-r-a-t-i-z-a-ç-ã-o, ou seja, a volta de uma d-e-m-o-c-r-a-c-i-a, que só existiu mesmo na teoria ou na imaginação.

Agora, a disputa se dá depois que os presidentes se elegem e reeelegem, e infelizmente (para eles) não conseguem o terceiro mandato. Estamos vivendo esse período.

A confusão é total, embora não confessem nem admitam. O presidente que está no Poder, pretende continuar, por si ou por herdeiros truculentos. A oposição que não se opõe, circula entre um paulista também truculento e um mineiro meio trêfego peralta.

Se desunem permanentemente, só aparentam uma união que não confessam mas tramam em encontros secretos ou sigilosos, se forem para se sobrepor e não para se contrapor. Não têm criatividade mas apresentam ambição suficientemente desvairada para permitir um acordo que não cumprirão. Isso, se forem eleitos, mistificando o cidadão-contribuinte-eleitor.

* * *

PS – Esse é o quadro que tenta se sustentar. Ou se armar, para superar a vocação i-n-i-n-t-e-r-r-u-p-t-a do outro. Só que não há nada definido. Nem estabelecido quem é que assumirá o Poder. Num prazo que será definido depois de cumprida a primeira parte dessa novela. Que República.

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