O que disse a presidente Dilma sobre a Proclamação da República

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Acílio Lara Resende

Inicio estas linhas semanais com duas entrevistas: no “Programa do Jô” (Soares), a do governador de Pernambuco, Eduardo Campos, pré-candidato à Presidência da República em 2014 e, hoje, aliado da ex-senadora Marina Silva; no programa “Roda Viva”, a do jornalista Cid Benjamim, integrante do MR-8 à época da resistência armada à ditadura militar e autor do livro (recém-lançado) “Gracias a la Vida”, suas memórias de militante. A longa entrevista do socialista terminou perto das três horas da madrugada.

Exausto, recolhi-me um tanto intrigado com o jeito “sonhático” (um vocábulo novo) tanto de um quanto de outro. O jornalista, finalmente, deixou o PT, partido que ajudou a fundar, depois de ser candidato por ele quatro vezes, tanto a vereador quanto a deputado estadual. Desligou-se e se mandou para o PSOL. O governador ainda acredita que se entenderá com Marina…

Cid, que trabalhou no “Jornal do Brasil”, ao lado de Augusto Nunes (coordenador do programa “Roda Viva”), curiosamente, considera Fernando Gabeira – o de hoje, não o de ontem – conservador. Gabeira seria conservador porque teve a coragem de dizer que não seria honesto se dissesse agora que, na ditadura militar, ele e seu grupo lutaram pela democracia? Ou será porque Gabeira reconheceu que ele e seus companheiros lutaram por um regime semelhante ao de Cuba?

O assunto principal, e que pode interessar a você, leitor, só poderia ser nossa aviltada República, transformada hoje em meio de bons negócios. Sua proclamação foi saudada desta maneira pela presidente Dilma Rousseff, em seu Twitter: “Hoje (referindo-se ao último dia 15), comemoramos o 124º aniversário da Proclamação da República. A origem da palavra República nos ensina muito. A palavra República vem do latim e significa ‘coisa pública’. Ser presidente da República significa, exatamente, zelar e proteger a ‘coisa pública’, cuidar do bem comum, prevenir e combater a corrupção. Significa – disse Dilma – governar para todos, num governo do povo, para o povo e pelo povo”.

“ESTAMOS JUNTOS”

Enquanto o ex-presidente Lula, segundo notícias dos jornais, no dia da República, saudou os companheiros José Dirceu e José Genoino com a expressão “estamos juntos”, a presidente foi fundo em sua mensagem. Dilma teria se manifestado em seu nome ou em nome, também, do seu criador? Por que a fala da presidente às vésperas do recolhimento à prisão de personagens tão importantes na história do partido que a adotou? Ou esse é o jeito de tratar aqueles que, embora importantes no partido, não a ajudariam em nada eleitoralmente?

Depois de afirmar que nada diria sobre a decisão do STF (“Quem sou eu para comentar uma decisão do Supremo?”), o ex-presidente Lula voltou às cargas e, finalmente, esclareceu que só falará sobre o mensalão quando o julgamento acabar. “Agora”, emendou, “quem fala são os advogados”, escapando, uma vez mais, de um episódio que, sem nenhuma dúvida, precisava ser abordado por ele com coragem. A história ficará capenga se não puder contar com sua contribuição…

“O 15 de novembro”, segundo o jornalista e escritor Laurentino Gomes, “é uma data sem prestígio no calendário cívico brasileiro. Ao contrário do Sete de Setembro, Dia da Independência, comemorado em todo o país com desfiles escolares e militares, o feriado da Proclamação da República é uma festa tímida”. E ignorada.

A decisão do STF (sem atropelos ou ilegalidades) e as palavras da presidente (serão para valer?) poderão mudar essa tradição. (transcrito de O Tempo)

2 thoughts on “O que disse a presidente Dilma sobre a Proclamação da República

  1. Lula vai falar sobre o Mensalão? Ele tbém prometeu que quando largasse o governo se dedicaria a provar que o Mensalão não existiu. Falar o que sobre o Mensalão se ele não sabia de nada.

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