O terceiro mandato tem nome

Carlos Chagas

Poucos companheiros poderão exprimir tão bem o PT quando o ex-ministro José Dirceu. Apesar de afastado do Congresso e do ministério, o ex-chefe da Casa Civil dedica-se com força total ao diálogo com os principais líderes do partido, percorrendo permanentemente os estados. Este ano já esteve em vinte deles, alguns por quatro ou cinco vezes.

Pois é de José Dirceu a observação  definitiva a respeito da sucessão presidencial: “o terceiro mandato chama-se Dilma Rousseff. Não há hipótese da continuação do presidente Lula no governo,  até porque ele rejeita qualquer articulação nesse sentido. Muito menos haverá prorrogação de mandatos.”

Outra afirmação dele  é de que se por acaso José Serra for eleito, coisa em que não acredita, o PT e o presidente Lula passarão sem qualquer trauma  o poder, como já aconteceu em alguns estados e prefeituras de capital. A democracia está consolidada no país, completamente afastada a possibilidade de golpes ou sucedâneos.

Dilma Rousseff vence as etapas necessárias à sua candidatura,  acrescenta Dirceu, informando que no segundo semestre ela deverá apresentar seu plano de governo, exprimindo continuidade. Continuísmo, jamais. A chefe da Casa Civil surpreendeu,  antecipando  percentuais de apoio, nas pesquisas, que se imaginava só se registrariam no final do ano.

O presidente Lula, para seu antigo auxiliar, é maior do que o PT, na medida em que aglutina outros partidos. Sua popularidade ultrapassa a de qualquer de seus antecessores porque governa para a sociedade, priorizando os mais pobres sem esquecer as elites. Assim, supõe que o empresariado ficará com Dilma, nas eleições de 2010, assim como a imensa maioria das massas.

A existência de montes de grupos e alas no PT, com denominações específicas, é considerada natural, por José Dirceu, evidência da democracia interna. O importante é que depois dos debates e discussões, tomada a decisão, todos se unem em torno dela. Dois movimentos que não de conformaram com essa diretriz acabaram saindo, até porque seriam expulsos. No caso, formaram o Psol e o PT do B.

O PMDB é o PMDB…

Análise das principais questões políticas e econômicas do país foi feita por José Dirceu em entrevista à  TV Educativa do Paraná.  Ele concorda com o presidente Lula sobre a necessidade do apoio do PMDB ao governo e à sua candidata, aceitando que o PT venha a se compor com o maior partido nacional em muitos estados. Onde não houver condição, porém, candidatos de lá e de cá disputarão as preferências populares, abrindo até dois palanques para a candidatura de Dilma Rousseff. Tudo dentro do maior respeito.

Reconhece que parte do PMDB,em São Paulo, inclina-se por apoiar José Serra, mas a grande maioria do partido fechará com o governo.  Michel Temer é um nome respeitável para compor a chapa oficial, mas essa questão será decidida no devido tempo pela candidata e pelo PT.

Um desabafo de José Dirceu refere-se ao seu julgamento perante o Supremo Tribunal Federal, junto com outros acusados no processo do mensalão. Ele já foi absolvido em outros casos, na primeira instância, e gostaria que o foro especial não existisse, mas como é o que manda a lei, curva-se a ela. Seus planos são para retornar ao Congresso, quando desimpedido.

Intervenção polêmica

Outra vez o Tribunal Superior Eleitoral atropela a vontade popular. O governador do Tocantins, Marcelo Miranda, acaba de ser condenado á perda do mandato, por abuso de poder na campanha eleitoral de 2006. Assim como fez com Jackson Lago, do Maranhão, e Cássio Cunha Lima, da Paraíba, o Poder Judiciário revoga a decisão do eleitorado. Dessa vez, porém, em função de meandros da lei, não assumirá o segundo colocado nas eleições. Caso o Supremo Tribunal federal confirme a sentença do TSE, caberá à Assembléia Legislativa indicar o novo governador.

Outro governador que se encontra na linha de tiro da Justiça é Ivo Cassol, de Rondônia. Luiz Henrique, de Santa Catarina, escapou. Até porque, para disputar a reeleição, licenciou-se.

Sofreu mas não recuou

Quinta-feira o senador Pedro Simon sofreu, na intimidade,  antes de pronunciar discurso pedindo a renúncia de  José Sarney da presidência do Senado. São amigos, respeitam-se e pertencem ao mesmo partido, o PMDB. Mesmo assim, o senador gaúcho foi em frente e exigiu que o colega deixasse a função, com base nas denúncias que a imprensa divulga há semanas. Simon entendeu que Sarney havia perdido as condições de apurar e punir excessos praticados no Senado, alguns envolvendo parentes dele.

Endossada até pelo presidente Lula, circula a versão anunciada pelo presidente do Senado de que tudo acontece por ele pregar o apoio do PMDB ao governo e à candidatura de Dilma Rousseff. O raciocínio só não bate quando se sabe que senadores do PT são acusados de envolvimento na campanha contra Sarney. Coisas da política…

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