Operador de Cabral fecha delação e diz que Pezão recebia mesada de até R$ 150 mil

O ex-governador do Rio Luiz Fernando Pezão chega à sede da Justiça Federal no Centro do Rio para prestar depoimento, na tarde desta terça-feira, ao juiz Marcelo Bretas Foto: Guilherme Pinto / Agência O Globo

Pezão chega à sede da Justiça Federal para prestar o depoimento

Rayanderson Guerra e Pedro Medeiros
O Globo

Em depoimento ao juiz Marcelo Bretas, da 7ª Vara Federal Criminal, um dos operadores do ex-governador Sérgio Cabral (MDB), Sérgio de Oliveira Castro, confirmou que o ex-governador Luiz Fernando Pezão recebia mesada de propina, de R$50 mil a R$150 mil durante as gestões de Cabral.

Serjão — como o operador é conhecido — afirmou que ele era responsável por entregar as “sacolas” e “envelopes” de propina em dinheiro vivo nas mãos do ex-governador e aos integrantes do esquema de fraudes na Secretaria de Obras do governo do estado.

NA FORMA DA LEI – O interrogatório do ex-governador Pezão estava marcado para esta terça-feira, mas o depoimento foi adiado por Bretas para o início de fevereiro. Como Serjão fechou acordo de delação, Bretas decidiu aplicar o entendimento do Supremo Tribunal Federal (STF) de que réus delatados devem ser ouvidos após réus delatores e interrogou apenas o operador de Cabral.

Castro fechou acordo de delação com o Ministério Público Federal (MPF) em setembro do ano passado e a informação foi divulgada nesta terça-feira.

Pezão, que deixou a prisão há cerca de um mês, é acusado na operação Boca de Lobo de receber, junto com outros 13 réus, cerca de R$ 39 milhões em propina a partir do primeiro mandato do ex-governador do Rio Sérgio Cabral.

DESDE O INÍCIO – Segundo o operador, a propina começou a ser entregue a Pezão no segundo mês da primeira gestão de Cabral. Serjão conta que o dinheiro era entregue em mãos e que Pezão não conferia os valores porque “já sabia do se tratava”.

— Além de Pezão e Cabral, o então secretário de Casa Civil Régis Fichtner recebia R$ 50 mil, o Hudson Braga (subsecretário de Obras), R$ 50 mil, Wilson Carlos (ex-secretário de Governo), R$ 30 mil. Vez por outra tinha um plus, um extra, quando a obra acabava mais rápido — disse em depoimento.

Serjão afirmou ainda que parte do dinheiro era entregue por Vivaldo Filho, conhecido como Fiel, que trabalhava para os irmãos Renato e Marcelo Chebar, doleiros responsáveis pelas contas de Cabral. O delator também disse que o pagamento era feito sempre entre os dias 15 e 20 de cada mês:

RECLAMAÇÃO – “Nunca acumulou. Eram programadas para serem pagas do dia 15 até o dia 20. Se passasse muito, tinha reclamação. Dia 15 a 20 eu pagava o Pezão”, afirmou.

Na investigação, a Polícia Federal sustenta que Pezão assumiu a liderança da organização criminosa que atuou por mais de uma década no Palácio Guanabara, sede do governo estadual. Policias federais acusam Pezão de receber R$ 40 milhões da propina paga ao grupo entre 2007 e 2014. Em uma das frentes, ele cobraria “taxa” de até 8% em contratos do Estado.

Pezão é acusado de ter operado um esquema de corrupção próprio, que teria começado quando ele ainda era vice-governador e secretário de Obras.

MUITO DINHEIRO – Ele teria recebido R$ 150 mil mensais em propinas, pagas em 85 parcelas por Cabral, entre março/abril de 2007 e março/abril de 2014. O valor incluiria até 13º, segundo o relato de um delator. O objetivo seria favorecer empreiteiras que mantinham contratos para grandes obras do Estado.

Ao deixar a Justiça Federal, no Centro do Rio, o advogado de Pezão, Flávio Mirza, afirmou que as acusações são falsas. Mirza afirmou que o ex-governador vai esclarecer as denúncias no interrogatório.

“Estamos trabalhando para demonstrar a erronia dessas acusações”, disse.

MÁFIA DOS ÔNIBUS – O ex-governador também é acusado de receber propinas da Fetranspor durante um ano, a partir de junho de 2014, que chegaram a R$ 11,4 milhões (R$ 14,6 milhões em valores atuais). Os valores variavam mensalmente entre R$ 350 mil e R$ 3 milhões. Os pagamentos, segundo a denúncia, foram feitos pelo ex-diretor da Fetranspor, José Carlos Lavouras, por intermédio do doleiro Alvaro Novis.

Na denúncia, a então procuradora-geral da República (PGR), Raquel Dodge, também afirma que o governador teria recebido R$ 240 mil, divididos em oito parcelas, de empresas fornecedoras de alimentação para a Secretaria estadual de Administração Penitenciária e para o Degase. A propina era dada para que faturas em atraso fossem pagas pelos órgãos. A negociação teria sido intermediada pelo subsecretário de Comunicação, Marcelo Santos Amorim, casado com uma sobrinha do governador.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
O nome dele é Pezão, mas pode ser chamado também de Mão Grande e Goela Enorme. E está solto… Enquanto isso, aquele pobre que roubou uma fatia de carne continua preso. E ainda dizem que todos são iguais perante a lei. (C.N.)

2 thoughts on “Operador de Cabral fecha delação e diz que Pezão recebia mesada de até R$ 150 mil

  1. Até hoje não sei porque o tribunal de contas, não fiscalizou as cotações das construções das pontes estaiadas e aluguéis de módulos das UPAs.
    O dia que investigarem, aí vai pegar índices alarmantes de corrupção.
    Mas como diz meu caro amigo CN, QUEM SE INTERESSA??

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