Os caciques do PMDB têm medo de índios

Carlos Chagas

Os caciques do PMDB passaram o sábado e o domingo  pendurados no telefone, procurando  convencer deputados e senadores do partido a protelar sua chegada  a Brasília, esta semana. Nada de estarem na capital hoje à noite ou amanhã bem cedo. Mesmo sem ser evangélicos, deveriam dedicar a Jesus preciosas horas de oração, em seus estados, para só desembarcarem aqui depois do meio-dia ou, de preferência,  à noite, nessa terça-feira.

A sugestão envolve a tentativa de  ausência da maior parte das bancadas na parte da manhã, em especial evitando as  dependências do Congresso.

Por que? Porque amanhã, a partir de 10 horas,  na sala da Comissão de Constituição e Justiça do Senado, em sessão dirigida pelo presidente de honra do PMDB, Paes de Andrade,  estará oficialmente deflagrada  a campanha pelo lançamento de uma candidatura própria à presidência da República.  E com direito à presença do candidato,  já proposto  em Curitiba há uma semana, o governador Roberto Requião.

Michel Temer, José Sarney, Romero Jucá, Henrique Eduardo Alves, Edison Lobão, Geddel Vieira Lima e outros líderes do partido fogem de Requião como o diabo da  cruz. Mesmo convidados, não foram à capital do Paraná, mas como agora é o governador que vem a Brasília, buscam da mesma forma boicotá-lo. Ficarão em casa, pretendendo que a maioria dos parlamentares do partido façam o mesmo. A candidatura própria pode pegar. A vacina “Dilma” parece não estar fazendo efeito, não obstante circular com fartura. Assim, para os caciques do PMDB,  o remédio é assustar seus  índios, mesmo quando são eles os medrosos.

No distrito Federal, só intervenção  ou impeachment

O escândalo da Caixa de Pandora,  eclodido semana passada em Brasília,  conduz a uma de duas: ou o governo Lula promove a  intervenção federal na administração José Roberto Arruda ou as instituições da sociedade civil iniciam a abertura de processo de impeachment contra o governador.

O que não  dá é para certos  deputados distritais,  alguns participantes do governo e o próprio Arruda permanecerem em silêncio depois de a Polícia Federal haver revelado em detalhes o espetáculo explícito de distribuição de dinheiro a integrantes da Câmara local, em troca de seus votos. Trata-se de uma repetição do mensalão, ainda que em círculo  mais  restrito, caracterizando um mensalinho.

A Constituição prevê a intervenção,  na dependência do Congresso Nacional, assim como entidades do tipo Ordem dos Advogados do Brasil poderão  iniciar processo de afastamento do governador,  por  improbidade, formação de quadrilha, peculato e outras acusações.

As conseqüências políticas serão tão explosivas quanto as criminais. Está denunciado o  único governador do DEM, antes  cotado para candidato à vice-presidência da República na chapa do PSDB. Caso não se defenda nem  apresente sólidos argumentos contra imagens e gravações divulgados com fartura pela imprensa, estará não apenas afastado das cogitações nacionais, mas até derrotado na tentativa de reeleger-se, ano que vem. Isso se não vier a perder o mandato…

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