Pacheco recorre a argumentos falsos para salvar Bolsonaro da CPI dos pastores do MEC

Charge do Zé Dassilva (nsctotal.com.br)

Pedro do Coutto

O presidente do Senado, Rodrigo Pacheco, recorreu a argumentos falsos para tentar justificar a sua posição pelo adiamento dos trabalhos da CPI sobre a corrupção dos pastores do MEC que transacionavam liberação de verbas do FNDE com prefeitos municipais.

A CPI, requerida pelo senador Randolfe Rodrigues, tinha mais assinaturas do que as necessárias para a sua instalação e não cabia a Pacheco fazer juízo de valor. Pacheco disse que a proximidade das eleições prejudicaria os trabalhos e que dificultaria com que depoentes fossem ouvidos e senadores comparecessem. Nada disso é da sua competência.

PARCIALIDADE – O funcionamento da CPI significa na prática e não na suposição. Rodrigo Pacheco agiu com parcialidade propondo que a CPI seja instalada após as eleições de outubro. O fez para salvar o governo do risco dos reflexos que o escândalo provocaria ainda mais junto ao eleitorado do país.

Uma vergonha a decisão que mancha a sua atuação como presidente do Congresso. Ficou mal diante da opinião pública. O episódio revela o medo que o governo tem diante da CPI dos pastores que em nome de Deus praticavam as maiores heresias.

NA CÂMARA, OUTRO ESCÂNDALO – Na Câmara, a atuação do presidente da Casa, Arthur Lira, proporcionou maior velocidade à promulgação da emenda mista dos combustíveis, do Auxílio-Brasil, da isenção de impostos. Tudo misturado em um só propósito, o de refletir a favor do governo. Danilo Forte retirou a emenda que incluía no festival de auxílios, um deles voltado para os motoristas do Uber, além dos caminhoneiros, taxistas e do aumento do vale-gás.

O episódio, tanto no Senado quanto na Câmara, mas sobretudo no Planalto, foi mais um desastre da série que se verifica no país, com etapas se sucedendo, todas não somente inconstitucionais, mas contra a essência da própria Carta Magna do país.

Na edição de terça-feira da Folha de S. Paulo, Hélio Schwartsman analisa o problema e termina o seu artigo lembrando a bomba fiscal que Bolsonaro deixará para o seu sucessor a partir de janeiro de 2023. É preciso também considerar um aspecto ainda pior; pela primeira vez na história do Brasil se aprova uma emenda constitucional com o apoio de todos os deputados e senadores, com exceção de José Serra, com prazo limitado de seis meses.

GOLPES NO PIX – Não bastassem os golpes praticados no mercado financeiro, atingindo pessoas pouco informadas sobre o tema, incluindo o caso das bitcoins, agora também os falsários e ladrões deslocam-se para o Pix. A reportagem excelente é de Natalie Vanz Bettoni, Folha de S. Paulo desta quarta-feira, revela as tramas ilegais e as promessas de lucratividade altíssimas com a transferência de recursos através do sistema Pix de uma conta para a outra.

Estão sendo usados o Instagram e o Twitter, e o Banco Central, mais uma vez, não tomou providência voltada para a segurança das aplicações e dos clientes. O delegado da Divisão de Crimes Cibernéticos de São Paulo, Thiago Chinellato, explica na reportagem os truques usados pelos falsários e a forma de defesa diante de tais investidas.

O sistema inclui lavagem de recursos ilegais e tal manobra pode representar envolvimento criminal das pessoas que aderem a mais esse golpe que se projeta no país.

FOME NO PAÍS –  Na noite de terça-feira, no programa Em Pauta, da GloboNews, foi debatido a fome no país, que atinge 33 milhões de brasileiros e brasileiras, daí porque a oposição concordou votar pelo aumento do Auxílio-Brasil. O aumento da fome no país, digo, é uma consequência da política do ministro Paulo Guedes aceita por Bolsonaro.

A fome é uma consequência lógica da calamidade que se pratica. Os preços sobem sem parar. Os salários ou perdem para a inflação ou encontram-se congelados. Como fazer frente às despesas? Agora mesmo, foi aprovado um aumento de 15% dos planos de saúde e uma revisão das mensalidades por faixa etária, que não estava prevista no contrato inicial. O resultado só pode ser um desastre social. A fome é o começo.

7 thoughts on “Pacheco recorre a argumentos falsos para salvar Bolsonaro da CPI dos pastores do MEC

  1. Rodrigo Pacheco, atual presidente do Senado, não está a altura do cargo .
    Na CPI da Saúde/ Covid, ele só instalou a Comissão, devido a decisão do STF. Agora, manobrou para instalar a CPI dos Pastores do MEC, após as eleições. Nunca se viu tamanha manobra fora dos trilhos democráticos. O direito da Minoria foi rasgado por Pacheco. Por exemplo: se houver segundo turno em novembro, os trabalhos da futura CPI do MEC, só teria 1 mês para funcionar, já que em uma nova legislativa, que começará em fevereiro de 2023 e janeiro suas excelências estão de férias, na realidade a CPI foi para o ralo da política.
    Maquiavél, diante dessa gente, é um anjo de candura.

    • A oposição/ Minoria no Senado entrou com Ação no Supremo requerendo a instalação da CPI imediatamente.
      O Relator sorteado foi o Ministro André Mendonça. Que azar do senador Randolf Rodrigues. Na vida como na política, não se pode ganhar todas.

  2. O que se diz nos bastidores, com certa dose de razão é o seguinte: depois dessa PEC fora de todos os ritos processuais, que demandam discussões na Comissão de Constituição e Justiça, para mudar o texto Constitucional com a barriga e com prazo de três meses, fica aberto o caminho para mudar a Carta Magna ao Bel prazer do ditador de plantão.
    O Congresso deu um tiro no pé. Se Dilma soubesse que era tão fácil assim, teria dado suas pedaladas fiscais a rodo e em contrapartida liberaria o Orçamento Secreto. Mas, Dilma não era do ramo, chegou lá, por escolha exclusiva de Lula, que se gaba de ser um prêmio Nobel da política. Trata-se de mais do mesmo.

  3. Tínhamos o golpista do Tinder, agora foram acrescidos os golpistas do Bitcoins e os golpistas do PIX.
    Os golpistas do Bitcoins usam a arma da ambição dos investidores para enriquecerem rapidamente, esquecendo se, que não existe milagres no mercado financeiro. Seria melhor fazer como Paulo Guedes, o ministro da Economia, que ganhou muito dinheiro nas offshore das Ilhas Virgens Britânicas e o presidente do Banco Central aplicou no Panamá e nas ilhas virgens também, diversificando as aplicações. Ora, só tem falsário no ramo dos Bitcoins. Acreditar nesses encantadores de serpentes é o mesmo que cair no Conto do Paco ou nas roletas roubadas dos cassinos de Las Vegas.

    Já no caso dos PIX, essa invenção do governo Bolsonaro, o fato é grave, porque os bandidos estão sequestrando as pessoas e obrigando a transferir somas vultosas de dinheiro para os malandros. Também agem através do telefone, sob os mais incríveis argumentos, enganando os incautos e inocentes, que acreditam nas histórias e passam seu dinheiro, nas chaves enviadas pelos criminosos.
    Ninguém age para barrar esse bando de criminosos. Estamos vivendo uma era do cada um por si e o criador por todos. É golpista para todo lado.

  4. A fome no Brasil, cresceu sob o comando da Economia pelo ministro Guedes. Ele não convive muito bem com as pautas humanitárias. No auxílio Emergência, queria pagar somente 300 reais. O presidente da Câmara na época, Rodrigo Maia liderou um movimento para subir o valor boara 500 reais. Bolsonaro, com seu faro político e não querendo dar palanque para seu desafeto na Câmara dos Deputados, subiu o valor para 600 reais. Guedes fez beicinho, mas teve que engolir. O único ser, que ele teme, é o presidente Bolsonaro, que tem a caneta para demitir aquele que não entrega nada de bom para a Economia.
    A Carestia está atingindo os mais pobres, com severidade. Inclusive a classe média também sofre as consequências da inflação. E o aumento dos Planos de Saúde já apontam uma retirada dessa classe por falta de capacidade de pagar as mensalidades, e a migração para o SUS. Uma vergonha. Ao invés de aumentar a participação do povo, estão afastando os clientes. Mas, o SUS está tendo uma redução dos investimentos e causando um caos nos hospitais públicos, aonde faltam remédios, roupas de cama e até funcionários de maneira geral. Guedes gostaria, que tudo fosse explodido, como queria fazer com o INSS para implantar o Sistema de Capitalização falido no Chile, na qual Guedes ajudou a implantar lá, quando trabalhava no governo Pinochet.
    Que fazer? Acho que nada, pois estamos de pés e mãos atados e alguns se fazem de ouvidos moucos. Não ouvem os ruídos da catástrofe e do tsunami, que está por vir.

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