Maluf no Supremo contra ficha-limpa

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Não esconde que o projeto ficha-limpa é inconstitucional, e vai defender isso no Supremo. E se baseará no voto (vencido) de um ministro do Supremo, Marco Aurélio Mello.

Duas alegações contidas na Constituição: 1 – A lei só retroage para beneficiar e não para prejudicar. 2 – Modificação eleitoral, terá de ser aprovada 1 ano antes da eleição.

Vários advogados já estão trabalhando para Maluf, maravilhosamente pagos, sem que o ex precise recorrer aos “442 milhões de dólares que NÃO TEM NO EXTERIOR”.

Maluf já começará o julgamento com 2 votos contra dos ministros do Supremo, que votaram no TSE. E principalmente com o PRESTÍGIO de 1 MILHÃO E 600 MIL CIDADÃOS que exigiram o ficha-limpa.

Os perigos do “já ganhou

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Carlos Chagas

Um fantasma ronda a campanha de Dilma Rousseff: o “já ganhou”, que ela própria tenta exorcizar em meio à precipitada euforia de montes de companheiros. É incontestável a prevalência da candidata nas pesquisas. Sua ascensão acontece de forma lenta e segura, desde que rompeu a barreira de um dígito, ultrapassando agora os índices de José Serra. Continuando as coisas como vão, estará eleita em outubro, ainda que contar com a vitória no primeiro turno pareça prematuro.

Diante dessa perspectiva, porém, ergue-se o “já ganhou”, principal fator e maior praga a assolar tantas candidaturas pretensamente vitoriosas, na crônica de eleições passadas. Porque muitos de seus partidários extrapolam resultados futuros e deixam de empenhar-se como deveriam. Já se disse mil vezes que pesquisas não ganham eleições. Representam a tendência do eleitor num determinado momento, mesmo devendo, pela lógica, desdobrar-se no mesmo rumo. Como política não tem lógica, faz muito bem Dilma Rousseff de conter seus auxiliares, aliados e simpatizantes, até com certa rispidez.

A experiência de eleições anteriores exprime um alerta. Em 2006 ninguém imaginava Geraldo Alckmin chegando ao segundo turno, mas chegou, obrigando o Lula a desdobrar-se na campanha. Em 2002 foi a mesma coisa, sendo José Serra o adversário, acrescendo que em determinado momento Ciro Gomes despontava como favorito. Ou alguém duvida de que na revisão constitucional de 1993 o Congresso reduziu os mandatos presidenciais de cinco para quatro anos, e sem reeleição, por medo do Lula ganhar em 1994, pois parecia imbatível, apesar de em seguida derrotado por Fernando Henrique?

Por essas e outras o “já ganhou” em favor de Dilma surge como um fantasma capaz de desmontar estruturas tidas como sólidas, fazendo muito bem a candidata em reunir seus assessores e até, se necessário, passar-lhes um pito. Comemoração, só depois da apuração…

Pensar só em Minas?

No fim de semana, oficializado candidato ao Senado pelo PPS, em coligação com o PSDB, o ex-presidente Itamar Franco afirmou aos repórteres que “só pensa em Minas”, uma espécie de esnobada na candidatura presidencial de José Serra. O diabo é se esse estado de espírito também for partilhado pelo candidato à outra vaga de senador, o ex-governador Aécio Neves. Porque as Gerais foram novamente desconsideradas por São Paulo. Primeiro quando José Serra rejeitou a proposta de Aécio pela realização de uma prévia no PSDB, para decidir quem seria o candidato presidencial. Depois, ao ser descartada a hipótese de Itamar tornar-se o candidato à vice-presidência na chapa do ex-governador paulista. É bom os tucanos tomarem cuidado, porque sem Minas, não chegarão a lugar algum…

Dornelles (indiretamente) fez detonar a decisão do TSE

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Pedro do Coutto

A decisão do Tribunal Superior Eleitoral que na quinta-feira, por seis votos a um, estabeleceu que a Lei Ficha Limpa está valendo já para as eleições deste ano, e atinge todos os candidatos condenados por tribunais colegiados antes mesmo de sua vigência, sem dúvida alguma foi detonada indiretamente por uma iniciativa do senador Francisco Dorneles.

Na tramitação final do projeto de iniciativa popular que reuniu mais de um milhão e setecentas mil assinaturas, o parlamentar propôs emenda de redação (que não era de redação, mas de conteúdo) alterando um tempo de verbo para decretação de inelegibilidades. A iniciativa foi interpretada como no sentido de habilitar o deputado Paulo Maluf a disputar a reeleição, pois ainda não fora condenado após a entrada em vigor da nova lei. Gerou o efeito contrário.

Provocou indignação geral, acendeu o sinal de alarme no convés da Justiça Eleitoral, eliminou a perspectiva de vir a ser escolhido vice na chapa de José Serra, e terminou levando o TSE a detonar a matéria, legislando interpretativamente sobre ela. Resultado direto: Maluf ficou inelegível. Dificilmente o Supremo modificará o que o TSE resolveu. Garotinho também se tornou inelegível. Tem recurso para o STF, se o TRE mantiver o julgamento de uma de suas câmaras. Mas o prazo corre contra ele.

A convenção do PR está marcada para 27, domingo. O prazo máximo para homologação de sua candidatura acaba no dia 30 deste mês. Está em cima.

A situação de Maluf é ainda mais difícil que a do ex-governador do Rio de Janeiro. Garotinho foi condenado pela Justiça Eleitoral. Maluf acumula condenações. A mais forte nos Estados Unidos, país que inclusive decretou sua prisão. Ele não pode sair do Brasil, em face dos tratados que os EUA mantêm com a maioria dos países do mundo. Ele também, segundo revelou o Citibank de Genebra, e confirmou o Citibank de Caiman, no canal da Mancha, é titular de uma conta bloqueada de 442 milhões de dólares. Nega possuir tal soma de depósitos inexplicáveis.

A mudança do tempo de verbo dos que tenham sido para os que forem condenados terminou não o favorecendo, mas efetivamente funcionando contrariamente a ele. Sobretudo porque o relator da decisão do TSE, ministro Ricardo Levandowsky, opinou com base no prevalecimento do espírito da lei no caso de dúvida. Com isso viu seu ponto de vista aceito e consagrado por maioria das mais amplas. Maluf deve tentar o rumo do STF. Mas é dificílimo que venha obter êxito.

A pressão social foi – e é – muito forte em favor do Ficha Limpa e faz com que os atingidos terminem tentando remar contra a maré. Assim, os quase 800 mil votos que Maluf arrebatou nas eleições de 2006 terão que ser redistribuídos entre outros candidatos. Perde a legenda do PP, desfalcada de seu grande puxador de sufrágios. Perderá também um dos candidatos à presidência da República que não poderá contar com esta fração. Mesmo que apóie Dilma ou Serra, o seu poder de injetar votos para aquele pelo qual optar ficará bastante diminuído. Mas esta é outra questão.

O essencial é que a Lei Ficha Limpa pegou firme. E, talvez em conseqüência da emenda Dorneles, em vez de vigorar a partir de 2012, passou a vigorar já para este ano. Seria melhor, para Maluf, que o senador fluminense não tivesse feito nada.

O governo mente. A Previdência brasileira não tem déficit. Ao contrário, seu superávit é espantoso. Confira aqui.

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Nogueira Lopes

O governo vive a alegar que a Previdência está em déficit e por isso não pode reajustar condignamente as aposentadorias e pensões. Mas não existe déficit, nunca existiu. Quem faz essa espantosa revelação é a Associação Nacional dos Auditores Fiscais da Receita Federal do Brasil (Anfip).

Todo ano, os auditores divulgam um importante trabalho, denominado Análise da Seguridade Social, e desmontam essa mentira do déficit da Previdência Social. O mais recente levantamento da Anfip mostra, por exemplo, que de 2000 a 2008 houve superávit total de R$ 392,2 bilhões, pois esta foi a diferença entre o total das receitas da Seguridade Social e o total das despesas.

Ainda segundo os auditores fiscais da Receita, no primeiro semestre de 2009 a Previdência teve superávit de R$ 20,04 bilhões, ou seja, arrecadadas todas as receitas de custeio e pagas todas as despesas com assistência social, previdência e saúde, sobrou todo este dinheiro.

Os planos de saúde não tomam jeito

Estimulada pela inércia da tal Agência Nacional de Saúde, a ganância dos planos de saúde chegou a tal ponto que foi criado um Plantão Judiciário no Fórum do Rio, 24 horas (inclusive finais de semana e feriados), exclusivamente para resolver problemas relativos a atendimento médico negado pelas seguradoras, que inclusive acabam de ganhar do governo um novo reajuste dos preços das mensalidades.

Se você ou alguém que conheça tiver necessidade de uma cirurgia de emergência ou colocação de prótese, e o plano de saúde não quiser liberar a cirurgia, recorra a esse Plantão Judiciário. Serão fornecidas todas as orientações de como proceder e, se for necessário, eles mesmos farão contato com o hospital e o plano para solucionar o problema.

Anotem os telefones, coloquem na memória dos celulares: (21) 3133-4144 e 2588-4144. E vamos fazer pressão para que esse tipo de Plantão Judiciário seja criado em todo o país.

Como medir a riqueza de uma nação?

Diante da realidade da previdência e dos planos de saúde no Brasil, devemos lembrar o grande intelectual escocês Adam Smith, que viveu no século XVIII e é considerado o pai da Economia moderna. “A riqueza de uma nação se mede pela riqueza do povo e não pela riqueza dos governantes”, dizia ele. E de lá para cá, nada mudou.

A Intervenção Federal em Brasília

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José Carlos Werneck

O Supremo Tribunal Federal julgará, nesta quarta-feira, o pedido feito, pelo Procurador-Geral da República, Roberto Gurgel, de Intervenção Federal no Distrito Federal.

O processo foi colocado, em pauta, pelo presidente do STF, Cezar Peluso, e será apreciado, na última sessão deste semestre, do tribunal, que no dia seguinte entrará em recesso.

As razões para a urgente medida de intervenção federal, em Brasília foram sobejamente mostradas, em magnífico artigo do jornalista Carlos Chagas, publicado sábado último nesta Tribuna da Imprensa.

Mas sempre é bom voltar ao assunto para que se tenha idéia da necessidade de, que o pedido do Procurador-Geral, seja aceito pelo Supremo.
Brasília vive atualmente os piores dias de toda sua história desde a inauguração em 21 de abril de 1960.

A segurança pública está abandonada. A cidade está sem transportes públicos, devido a ganância dos empresários do setor. Faltam vagas, pessoal e remédios nos hospitais e postos de saúde do governo, a rede oficial de ensino foi relegada ao abandono.

Até a Esplanada dos Ministérios, um dos cartões-postais da Capital da República, foi transformada em banheiro público, por índios, que ali estão acampados, bem em frente aos prédios do ministério da Justiça e do Congresso Nacional. Enfim uma cidade abandonada, sem que as autoridades tomem quaisquer providências para melhorar a qualidade de vida de seus governados que pagam impostos e trabalham honestamente.

Enquanto um governo omisso fecha os olhos a tantos e tão graves problemas a população do Distrito Federal, sofre calada e segue seu caminho.
Realmente a situação é grave e para verificar essa gravidade basta que se visite um hospital, uma unidade de saúde, uma escola pública ou simplesmente, se saia às ruas e pergunte a alguém o que acha da situação.

Num momento em que se fala tanto do “clamor popular”, do “interesse do eleitor” e que o “Projeto Ficha-Limpa” é posto em prática já para as próximas eleições, mesmo, que para isto se ignore um dos princípios basilares do Direito, qual seja a anterioridade da Lei, não há do que se falar em direitos daqueles que chegaram ao poder, usando de artifícios um tanto heterodoxos.

Por tudo isto, os ministros da mais Alta Corte de Justiça do País terão uma enorme responsabilidade, ao examinarem, na quarta-feira, o pedido da Procuradoria-Geral da República, de intervenção Federal na Capital do Brasil. É nesses doutos magistrados, que a população de Brasília confia e deposita suas últimas esperanças de melhores dias.

Empregador e a chance zero na ação trabalhista

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Roberto Monteiro Pinho

No ano passado a Organização Internacional do Trabalho (OIT), em alerta comunidade global, informou que o mundo vai ter mais de 1 bilhão de indivíduos desnutridos, (quase a população da China), com um aumento na ordem de 100 milhões somente neste ano, e segundo a entidade a crise mundial foi a responsável pelo agravamento desta situação.

A Organização das Nações Unidas para a Agricultura e Alimentação – FAO emite anualmente um relatório sobre a segurança alimentar no planeta, e ela adverte as nações que pela primeira vez em toda a história da humanidade a barreira de 1 bilhão de seres humanos sofrendo de desnutrição alimentar será superada, um marco que não deve ser comemorado, ao contrário, exige medidas sérias, urgentes e efetivas. O aumento do número de desnutridos somente em 2009 deve ser na ordem de 11%, o que significa 1,02 bilhões de pessoas com fome no mundo. Já neste mesmo ano registrou 239 milhões de desempregados ao redor do mundo, os números tiveram como suporte as informações do Fundo Monetário Nacional (FMI), sobre a recessão econômica.

De acordo com o relatório da OIT, os países desenvolvidos, nos quais começou a atual crise financeira e econômica, serão os que mais demitirão. Enquanto os números do inquietante quadro mundial do desemprego e a fome acelera, os meios jurídicos para resolver controvérsias nas relações de trabalho continuam apegado ao sistema medieval, colonial e avesso a rápida solução, e neste capítulo o judiciário trabalhista brasileiro, muita está e dever, conforme corroboram seus dados estatísticos revelados somente após o funcionamento do Conselho Nacional de Justiça.

Na ótica dos técnicos do governo, para isso é preciso incentivar a produção, e para poder produzir tem que existir consumo, este tripé, consumo/produção/trabalho, não pode andar separados sob risco de mergulhar o Estado na pobreza, em suma uma classe produtora (empresários), necessita da mão-de-obra para produzir riqueza, e por conseqüência, traz o consumo que diminui a pobreza no país, encontrara a solução para fecundar esta filosofia econômica, requer cuidados, um deles é o fim do estatismo laboral, imposto pela justiça do trabalho, onde um processo de pequena monta, ou de valor infinitamente superior tem o mesmo tratamento na prestação jurisdicional.

O termo conciliar nesta especializada soa como um atrevimento à estabilidade dos integrantes da JT, que entendem (erroneamente) de que a resistência agregada ao formato abrupto na execução e no processo de conhecimento trará solução do conflito. Muito se questiona se isso não ocorre equivocadamente, estimando que os juizes laboristas alcançariam melhores índices de produtividade. Este é o impasse que norteia o ponto de equilíbrio entre o judiciário trabalhista e a sociedade, de um lado a ditadura judiciário (principalmente no 1° grau), insubordinado aos ditames das jurisprudências, e protegidos pelo isolamento da sociedade leiga, que não lhe é permitido o acesso a este judiciário que se transfigurou em elitista. O fato é que o sistema intervencionista do estado não consegue dar ao trabalhismo a liberdade que ele necessita para a livre negociação do capital/trabalho?

O governo federal, compromissado com o FMI e o Banco Mundial, faz-de-conta com a reforma trabalhista, no entanto devido nosso sistema eleitoral, pressionado pelas correntes políticas de esquerda, o presidente Lula da Silva, legisladores, magistrados trabalhistas e o capitalismo ancoraram na reforma, por puro interesse político/corporativo, assim pouco se avançou na direção concretas em busca de soluções realisticas e profícuas para a sociedade.

Sem chance de solucionar o conflito oferecido pelo empregado, o empregador, não contando com a compreensão do estado/juiz, se depara com o maior de todos os males, o da ingratidão de um segmento, mantido pelo fato de existir na estrutura de Estado o segmento terciário da produção, (serviços), onde a força de trabalho, que não pode ser devolvida, precisa ser compensada pelo salário. Este fenômeno com “zero” de chance para solucionar o conflito, faz com que este segmento empregador, adquira melhores ferramentas de prevenção, a possíveis demandas na JT, mas o micro e pequeno empregador, não tendo acesso a este dispositivo, de torna a presa fácil das decisões trabalhistas que infernizam o universo laboral.

É por isso que com toda vênia, estamos diante de um quadro explicito totalitário de judiciário laboral que sob a égide do protecionismo ao hipossuficiente, concede excessiva liberdade para o julgador estatal. Esta patente que reforma trabalhista não é concluída propositalmente, existe uma nebulosa envolvendo seu desenvolvimento e finalização.

Maradona caminha para BI: dentro e fora do campo

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Apesar de superior, e muito, individual e coletivamente, nos primeiros 9 minutos o México teve três chances de gol, sendo que uma na trave. Maradona recomendou calma, a seleção aceitou, equilibrou o jogo.

Tranqüilizada, a Argentina recebeu um presente de Deus, quando o árbitro validou o primeiro gol, DUPLAMENTE impedido. Messi, cada vez mais parecido com o jovem Dustin Hoffman, em “A Primeira Noite de um Homem”, estava impedido quando deu a bola para Tevez, este IMPEDIDÍSSIMO, o goleiro saíra, e ele, SOZINHO.

Logo a seguir, outro presente, só que legítimo, foi do zagueiro adversário.

O jogo já finalizado, no início do segundo tempo, Tevez acertou um chute de fora da área, tão violento, que nem a Jabulani esperava.

***

PS – No sábado, Argentina-Alemanha, às 11 da manhã. A seleção de Maradona favorita. Pelo menos para mim, que espero uma final Brasil-Argentina.

PS2 – Nenhuma predileção, apenas depois de ver 9 Copas nos países onde se realizavam, na televisão quero atração nova. E nada melhor do que uma final, que em 80 anos JAMAIS aconteceu.

Inglaterra-Alemanha: futebol não aparece, Inglaterra desaparece. Apesar dos 5 gols, monotonia.

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Há muito venho dizendo: 2010 será a repetição da monotonia e mediocridade de 1994. Nenhuma emoção, apenas instantes de emoção. Como os jogos estão sempre 0 a 0 ou 1 a 0, a angústia e o interesse se concentram no gol ou num gol salvador. Que muitas vezes não vem ou chega na prorrogação.

O primeiro gol da Alemanha, inédito: o goleiro botou a bola em jogo, atravessou o campo inteiro, não tocou em ninguém, caiu dos pés de Kloze, que marcou. O segundo, hilariante, divorciado do futebol: sem ângulo, o jogador da Alemanha chutou entre as pernas do goleiro.

A Inglaterra, aos 35, faz o primeiro gol, falha espantosa da zaga alemã, o inglês cabeceou tranqüilo. 1 minuto depois, a Inglaterra empata, a bola atravessa metade do gol, o árbitro olha para o auxiliar, este devolve, não validam o empate.

Deviam chamar imediatamente a Scotland Yard, mas também não chamaram em 1966, quando a vilã era a própria Inglaterra. Num lance polêmico, mas menos clamoroso do que o de agora.

Acaba o primeiro tempo, confusão, contradição e contemporização, só que nada disso é futebol.

Aos 22 minutos, mais 1 gol esquisito: o goleiro entrega ao zagueiro, ela vai até o gol adversário, passando por 7 jogadores, sem ser tocada por nenhum inglês. Dois minutos depois, a Alemanha faz o quarto, dando a partida como liquidada.

De uma certa maneira, a Alemanha voltou ao jogo da estreia, quando fez 4 a 0 contra a Austrália, mas estacionou. A Inglaterra confirmou a mediocridade que se esperava dela, embora se o segundo GOL, LEGÍTIMO, tivesse sido V-A-L-I-D-A-D-O, tudo poderia ter ficado diferente.

Apesar de alguns comentaristas, não houve show algum. E essa Alemanha favorecida pelo árbitro, não ganha da Argentina. (Que joga dentro de 4 horas).

Mundial de vôlei: duas vitórias
do Brasil sobre a Holanda

No sábado, ontem, Brasil 3 a 1, normal. Hoje, a Holanda vencia por 2 sets a 0, o Brasil reagiu e venceu por 3 a 2. A Holanda fez 1 ponto, mas o Brasil marcou 2 e a vitória. Continua na liderança.

José Serra jamais será presidente. Que compensação o povo receberá, se o único candidato ficar sendo Dilma? Com Marina na vice, pelo menos duas mulheres.

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Para desgosto do povo brasileiro, a eleição será plebiscitária, como sempre desejou o presidente Lula. Se o voto não fosse obrigatório, teríamos a maior abstenção da História da República, que depois de 121 anos, “continua não sendo a dos nossos sonhos”. (Frase pronunciada pelo notável Saldanha Marinho, um dos grandes Propagandistas da República).

Diretor do jornal diário “A Republica”, Saldanha Marinho foi eleito senador na Constituinte (falsa) de 15 de novembro de 1890. Na luta entre Deodoro e Floriano, o primeiro foi “eleito” presidente (indireto) em 25 de fevereiro de 1891, e 1 hora mais tarde, Floriano era feito vice. Mas não pararam de brigar, o que faziam desde a Guerra do Paraguai.

No dia 23 de novembro do mesmo ano de 1891, Floriano derrubou Deodoro, mandou prender muita gente, ministros, juizes, parlamentares, incluindo o senador Saldanha Marinho,. Este estava discursando no Senado, quando um assessor lhe passou um bilhete, dizendo, “policiais estão aí para prendê-lo”.
Saldanha mostrou o bilhete ao plenário estarrecido, e explicou: “Os senhores me desculparão, tenho que suspender o discurso, não gosto de deixar policiais esperando”. E pronunciou a frase lapidar sobre a República, que muitos repetem sem citar o autor.

No mesmo dia, empossado, Floriano devia fazer eleição no máximo em 60 dias, estava na Constituição. Floriano se manteve no Poder como se fosse definitivo. Rui Barbosa começou tremenda campanha para a CONVOCAÇÃO DA ELEIÇÃO. Floriano mandou prendê-lo. Rui teve que ir para o EXÍLIO, primeiro na Argentina, depois Uruguai e Inglaterra. Voltaria com Prudente presidente, e em 1896 seria novamente eleito senador.

Gosto sempre de lembrar fatos históricos, antes de entrar nos acontecimentos do dia. 90 por cento dos presidentes não representavam coisa alguma, duas ditaduras sanguinárias, várias Constituições FORJADAS, sem apoio do povo. Mais autênticas, as de 1946 e de 1988. E assim mesmo, a de 1946 não completou 18 anos, foi assassinada antes da maioridade.

Agora nos encaminhamos para nova eleição, tão falsa quanto quase todas as outras. Dentro de 3 meses e 6 dias estaremos escolhendo um presidente. Escolhendo? Entre um candidato que não ganhará de jeito algum (Serra), e outro (Dilma) que deve ganhar por ausência total de oportunidade de perder. E a única opção será (Marina) a candidata verde e sem restrições. Sua contribuição (?) será o segundo turno, que confirmará inteiramente o primeiro.

Não estou dizendo isso por causa da pesquisa publicada há poucos dias, dando 45 por cento dos votos a Dilma e 38 a Serra. Todos sabem que não acredito em pesquisa, e podem relembrar o que acabou de acontecer na Colômbia. Davam o candidato de Uribe (presidente) e o de oposição, em “empate técnico”. Veio a eleição, o candidato do governo teve 65 por cento dos votos, o da oposição, 29 por cento. Há!Ha!Ha!

Por outro lado, quem me acompanha, tem certeza e conhecimento do que digo desde 2002: “SERRA JAMAIS SERÁ PRESIDENTE”. Não mudou por pouco que seja. Mas não pensem que votarei em Dilma, cumprirei meu dever, embora já esteja liberado há tanto tempo que minha memória mal acompanha.

Só um insensato votaria num ensaio de ditadura, tendo conhecido duas, uma pior do que a outra. A de 1937 apenas acompanhei, a idade não permitia mais do que isso. A segunda foi intensa, dura e atrabiliária, participação diária, excetuados naturalmente os tempos sem LIBERDADE, que infelizmente foram muitos, sem um momento de fuga ou deserção.

Eleição no Brasil é uma farsa, fraude, falsificação. 29 partidos, 17 sem nenhuma representação, mas cada um recebe do Fundo Partidário mais ou menos 2 milhões anuais, ganham (ou gastam?) tempo de televisão e não são obrigados a lançarem candidatos presidenciais.

Se fossem obrigados, o cidadão-contribuinte-eleitor teria vastíssimas opções, e então no segundo turno, decidirIa entre dois candidatos. Isso do ponto de vista coletivo ou partidário.

Na escolha individual, nenhuma vantagem para Serra ou para Dilma, os dois são rigorosamente iguais, a não ser pela diferenças congênitas ou genitais. Mas que não favorecem em nada a vida do cidadão.

Como Serra não ganhará mesmo, não perderemos tempo a analisá-lo, já escrevi tanto sobre ele em todos os cargos que ocupou, que não há o que repetir. Não acredito nele um instante que seja. Portanto, deixemo-lo caminhar para o ostracismo silencioso, ele que esteve sempre no ostracismo retumbante e exibicionista.

E Dona Dilma não é nem um pouco melhor ou merece mais confiança do que ele. Tem mentido tanto e tão burramente, sobre suas próprias atuações passadas, que é impossível estabelecer quando fala a verdade ou utiliza a “menas” verdade. E até nos títulos e na formação, é tão enganosa, que é impossível acreditar nela quando olha o relógio e diz que é MEIA NOITE ou MEIO DIA, no caso de estarmos num recinto fechado e escuro.

***

PS – Temos que reconhecer que as falhas humanas no Brasil, são agravadas pela falta de partidos, são muitos mas não funcionam, e o SISTEMA (ou regime) político é impossível de funcionar.

PS2 – Aparentemente, o regime no Brasil é igual ao dos EUA, PRESIDENCIALISMO. Só que na Matriz, esse Presidencialismo é BIPARTIDÁRIO, e mais o voto independente, que existiu no Brasil até a Constituinte de 1933.

PS3 – Aqui é PRESIDENCIALISMO PLURIPARTIDÁRIO. Então, para obter maioria em 513 deputados e 81 senadores, o presidente (qualquer que seja ele) tem que NEGOCIAR DIARIAMENTE OU NÃO GOVERNA.

PS4 – Por causa disso, Lula teve que ACUMULAR 37 ministérios ou não teria como satisfazer a todos. Nisso Lula não pode ser culpado, embora tenha errado acima do permitido ou admitido.

PS5 – O PLURIPARTIDARISMO é a representação e a instalação do PLURIPARTIDARISMO-CORRUPTO. Não há como fugir disso. E não há ditadura mais aberta ou ostensiva do que a da CORRUPÇÃO. Só que física, essa não tortura.

PS6 – O que não quer dizer que a ditadura da TORTURA não seja também CORRUPTA. Não sou admirador do frasista Churchill. Mas esta, dele, é intransferível. “A democracia é o pior dos regimes. Excetuados, naturalmente, todos os outros”.

PS7 – Não é este repórter que insiste na impossibilidade de Serra ser eleito. A fragilidade do ex-governador é demonstrada por ele mesmo, correligionários e apaniguados. Basta ver o tempo perdido para indicação do vice.

PS8 – Ninguém quer ser, quando aceita é vetado, caso de Marco Maciel e Sérgio Guerra, vejam só: presidente do partido e descartado. Sem falar em Aécio, durante muito tempo, “candidato único”, mas sem sequer “querer ouvir”.

PS9 – Só os que aceitam são os que têm mandatos garantidos até 2014, como Dornelles e agora Alvaro Dias. Dornelles perdeu a chance por causa da emenda disparatada, Alvaro Dias sofrendo restrição por um anão do DEM.

Ps10 – E uma candidatura presidencial “conduzida” por Sergio Guerra (que nao se reelege para o Senado) e pelo filho de Cesar Maia, que disparate.

PS11 – Por favor, façam reverência e um grande benefício ao Estado do Rio: escolham cabralzinho para vice de Serra. Como este não ganha mesmo, ficamos todos, o país e o estado, livres deste inútil-enriquecido-ilicitamente.

PS12 – Quem tem mandato até 2014, aceita, a artimética é simples: troca 4 anos do Senado por 4 anos da vice. E não se arrisca: se perder (vai perder) continua no cargo atual.

NÃO DEIXEM DE LER AMANHÃ:
Respondendo a “seguidores”: a verdadeira
história do roubo do cofre da amante de Ademar.
Dilma não participou, não sabem nem onde
fica Santa Tereza.


Em homenagem à ABI

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Carlos Chagas

Quando fundada, a ABI chamava-se Caixa de Crédito e nascia como uma espécie de INSS privado, para garantir a sobrevivência de jornalistas que a idade impedia de continuarem trabalhando e careciam de ajuda da família ou de empregos públicos, condenados à Santa Casa da Misericórdia.

Naqueles idos,cem anos atrás, havia duas categorias de jornalistas: os ricos e nobres, que se dedicavam à atividade como trampolim para ingressarem na política e na literatura, despreocupados com a remuneração e até dispostos a investir parte de suas fortunas para a exaltação do próprio ego.

Mas existiam também os profissionais que teimavam em viver de reportagens, tidos como cidadãos de segunda classe, sempre recebendo vales e, não raro, apelando para “cavações” e outros expedientes.

A criação da ABI marca o divisor de águas na medida em que, mesmo sem aspirar a manter suas famílias com os recursos advindos dos incertos salários, perceberam que sem eles a imprensa não sobreviveria. Em termos militares, eram a Infantaria, os soldados que, longe dos Estados-Maiores, sustentavam a existência das efêmeras folhas impressas de forma rudimentar, mas disputadas pelo cidadão comum. Não foi por coincidência que Gustavo de Lacerda havia sido sargento de um corpo militar em Santa Catarina, visionário a imaginar que um dia a profissão de jornalista se igualaria a outras em voga na sociedade, do tipo medicina, engenharia e advocacia. O primeiro passo seria cuidar dos estropiados e dos abandonados, através da contribuição espontânea dos que se encontravam na ativa.

No passado, como ainda hoje, os jornalistas sofreram a intolerância dos patrões, dos donos dos panfletos, empenhados em mantê-los como meros serviçais a serviço de seus interesses e proibidos de ter opinião, tanto quanto de cultivar a ética.

Quando substituí o inesquecível Pompeu de Souza na representação da ABI em Brasília, tendo o príncipe de todos nós sido eleito senador por Brasília, lembrei-me de que, anos antes, durante visita do presidente Prudente de Morais, neto, à capital federal, coube-me exprimir a reivindicação dos jornalistas aqui sediados, pela criação de um escritório mais próximo dos três poderes da União. Já doente, ele interpelou-me dizendo: “menino, não me pressione! E se eu aceitar a proposta, quem será o nosso representante?” Com a irreverência que marca nossa petulância, respondi: “ele está a seu lado, na mesa principal, presidente.”

Era o saudoso Pompeu de Souza, então diretor do grupo Abril em Brasília, inovador da imprensa nacional, no Diário Carioca, ao trazer o lead, dos Estados Unidos, junto com o banimento dos fios na paginação arcaica, da exclusividade das notícias internacionais na primeira página e das manchetes pomposas onde se lia “O Excelentíssimo Senhor General Eurico Dutra foi substituído pelo Excelentíssimo Senhor General Góes Monteiro à frente do Ministério da Guerra”. Pompeu escandalizou o Rio e o país ao publicar a manchete “Sai Dutra, Entra Góes”.

Apesar das ironias, dos protestos e das invejas, os jornais tiveram que seguir as lições do mestre, cabelos brancos sempre desalinhados, movendo-se permanentemente, olhando os meninos nos olhos mas sem jamais deixar de ouvi-los, primeiro, para ensiná-los, depois.

O CDDPH, Conselho de Defesa dos Direitos da Pessoa Humana, havia sido criado por decreto do então presidente João Goulart, como instrumento capaz de insurgir-se diante da prepotência do poder público e da iniciativa privada, em tudo o que significasse opressão às liberdades fundamentais, entre elas o direito de opinião. Por isso a ABI havia sido incluída entre seus membros natos, assim como a OAB, a Procuradoria Geral da União, as Universidades Públicas, o Congresso e outras instituições.

O problema é que, com o golpe militar, o CDDPH custou a ser instalado. Foi, no final do governo Castello Branco, mas castrado. As denúncias examinadas não podiam ser divulgadas, muito menos as decisões adotadas. Mais ainda, a composição foi alterada para que o governo tivesse maioria na hora na hora das votações. Assim, centenas de lesões aos direitos humanos, a começar pela tortura perpetrada por instituições oficiais, eram sistematicamente arquivadas, apesar dos protestos da ABI e da OAB, entre outros.

Na época chegou a prosperar a tese de que as entidades representativas da sociedade deveriam desligar-se do CDDPH, em sinal de protesto. Prevaleceu o raciocínio do dr. Barbosa Lima Sobrinho, então presidente da ABI, de que não deveríamos entregar os últimos espaços de que ainda dispúnhamos. Melhor seria protestar e ver os protestos derrotados do que não poder protestar.

Pompeu de Souza passou a comparecer às reuniões do Conselho, primeiro bissextas, por razões óbvias dos detentores do poder, depois mensais,pela pressão da sociedade. Quando ele se elegeu senador, coube ao dr. Barbosa indicar-me para substituí-lo. Jamais sucedê-lo, como fiz questão de frisar.

Dezoito anos se passaram, tornei-me, involuntariamente, o decano do CDDPH. Não que isso fizesse alguma mudança, mas, quando veio a democracia, alterou-se o pêndulo do poder.

Recordo-me que ainda nos tempos do general João Figueiredo, presidia as sessões o então ministro da Justiça, Ibrahin Abi-Ackel, empenhado na política de abertura democrática e, por isso, inclinado á elucidação de quantas denúncias eram trazidas, em termos de massacre dos direitos humanos. Com o governo José Sarney, o novo ministro, Fernando Lyra, trouxe ao debate a extinção do lixo autoritário, a começar pelo reconhecimento de estarem caducos dispositivos da Lei de Imprensa e da Lei de Segurança Nacional, em especial depois da Constituição de 1988, quando já era ministro Paulo Brossard.

O CDDPH cresceu de importância, não havia mais a proibição de a imprensa assistir os debates.O mesmo aconteceu com Oscar Correia e, no governo Fernando Collor, com Bernardo Cabral. Há que fazer justiça, Jarbas Passarinho assumiu o ministério da Justiça e, em momento algum, cerceou as atividades daquela instituição, transformada no grande foro de debate a respeito dos horrores do passado e, por que não dizer, também do presente. Porque a autoridade policial, nos estados, era a mesma de antes, arbitrária, atrabiliária e violenta. Com Maurício Correia, na administração Itamar Franco, aconteceram execráveis excessos: dos massacres do Carundiru, em São Paulo, a Vigário Geral, no Rio. O CDDPH deslocou-se para abrir inquéritos e investigar responsabilidades. Sem recursos, diga-se, a ponto de passarmos 24 horas em São Paulo, sem direito a um único cafezinho, ouvindo os sobreviventes da chacina perpetrada no presídio pela Polícia Militar.

Importa referir um episódio daqueles dias. Transcorria a sucessão presidencial de 1994 e a ABI, em conjunto com a Rede Manchete, promoveu no Rio um debate entre os candidatos. A casa da liberdade unia-se à casa do otimismo. Coube-me mediar o entrevero. À última hora, Fernando Henrique Cardoso, do PSDB, pretextou uma indisposição e não compareceu. Como represália, fez o mesmo Orestes Quércia, do PMDB. Mesmo assim, os demais estiveram presentes, do Lula a Esperidião Amim e ao dr. Enéias.

O dr.Barbosa Lima Sobrinho, mesmo entrado em anos, permaneceu durante as quatro horas de transmissão direta presidindo a sessão. Pouco depois realizou-se uma dessas pesquisas tão a gosto do público e das empresas de consulta popular. Na pergunta sem indução sobre quem deveria ser o novo presidente do Brasil, venceu o dr. Barbosa. Se tivessem indagado sobre quem deveria ser o vice-presidente, com certeza daria Adolpho Bloch…

A mesma postura de defesa da liberdade mantiveram os integrantes do Conselho e os novos ministros, com o governo Fernando Henrique: Nelson Jobim, Renan Calheiros, Íris Rezende e Aloísio Nunes Ferreira.

Com o governo Lula, o CDDPH foi transformado em secretaria especial da presidência da República, dirigido pelo deputado Nilmário Miranda, eterno representante do PT na luta pelos direitos humanos.

Já me fazia demais, após dezoito anos representando a Associação Brasileira de Imprensa em Brasília. Aproveitei-me dos resultados de mais uma recente e democrática eleição para a presidência de nossa casa e, tendo vencido a chapa de oposição, liderada por Maurício Azedo, não esperei quinze minutos. Por carta, demiti-me do cargo de chefe da representação da ABI em Brasília. Naquele ano, por coincidência, aposentei-me depois de 25 anos ininterruptos de professor titular de Ética e Legislação nos Meios de Comunicação e de História da Imprensa, na Universidade de Brasília, onde, por desígnios do destino, havia substituído Pompeu de Souza. Durante aquele quarto de século, fui honrado com a escolha para Paraninfo ou Patrono das turnas de formandos por 38 vezes.

Surpreendi-me quando, ao renunciar ao CDDPH, fui saudado por Nilmário Miranda e por uma menina de nove anos. Era minha neta mais nova, à qual coube entregar-me um diploma e uma medalha. Em ambas, a inscrição de “Pela Luta da Liberdade, Até o Fim”.

Dilma prossegue subindo, Serra continua descendo

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Pedro do Coutto

Na noite de quarta-feira, o Jornal da Band divulgou o resultado de mais uma pesquisa nacional do Ibope, realizada de 19 a 21 de junho, apontando 40 pontos para Dilma Roussef contra 35 de José Serra. Marina Silva registrou 9%. Dez por cento encontram-se indecisos em matéria de intenção de voto, 6% dispõem-se (hoje) a anular o sufrágio ou votar em branco.

O levantamento foi feito sob patrocínio da Confederação Nacional da Indústria e apresenta alterações de porte em relação àquela feita há praticamente um mês. O IBOPE assinalava então um empate de 37 a 37 entre os principais adversários. Na ocasião, registrava uma aceleração da ex-chefe da Casa Civil em relação à pesquisa que a havia precedido. Como em questões de pesquisas não basta ver os números, mas também ver nos números, constata-se que Roussef vem subindo, Serra descendo. Dilma saltou de 37 para 40 pontos. Serra recuou de 37 para 35.

A candidata do presidente Lula encontra-se em tendência ascendente, o candidato da oposição (que contraditoriamente não se opõe ao governo) situa-se em escala descendente. Este movimento é que se torna essencial quando se analisa pesquisas e rumos eleitorais. Pelo ritmo que os fatos vêm apresentando, Dilma vencerá no primeiro turno nas urnas em outubro. Previsão, aliás, feita por Elena, minha mulher, mesmo antes de Dilma começar a decolar rumo ao Planalto. Royalties para ela. Percebeu o quadro antes de mim, logo ao início da campanha. Mantido o panorama visto da ponte, para citar Arthur Miller, Roussef vence no primeiro turno marcado para 3 de Outubro.

Há sintomas clássicos indicando tal desfecho antes da hora limite. Primeiro, feita pelo Ibope uma simulação para o segundo turno, Dilma teria 45% contra 38 do ex governador de São Paulo. Com isso fica nítido que ela arrebate mais votos de Marina Silva do que ele. Em segundo lugar, a aprovação do governo Lula atingiu nada menos que 85%, um recorde absoluto que impede politicamente a atuação dos oposicionistas. Em terceiro, cresceu de 58 para 72% a faixa dos que estão com Lula para o que der e vier e passaram a saber com certeza que Dilma é a sua candidata.

Esta realidade sintetiza bem uma face da comunicação brasileira. Aliás uma parcela de incomunicação humana, parecida com aquela que deu atmosfera à filmografia italiana da década de 60, especialmente a produzida por Fellini e Antonioni. Mas isto é outro assunto.

Deixando a magia da arte e retornando a realidade do voto, verificamos que o maior conhecimento de que Dilma é a candidata de Lula coincide com sua ascensão nas pesquisas. Como o patamar de 72 degraus de certeza, sem dúvida é um bom índice, mas estará longe do teto, a impressão que dá é a de que no próximo levantamento quanto maior for a informação a respeito do tema, melhor será para Roussef. Isso de um lado.

De outro, a simulação para um eventual segundo turno ao apontar 38 para Serra repete o percentual que ele alcançou ao perder para Lula em 2002. Há pouco falei em teto. Falo novamente. A impressão que tenho é que 38 pontos é o teto de Serra. Não passa calor humano, tampouco emoção. Faz tudo certo, a exemplo de Hillary Clinton na convenção do Partido Democrata. Só que não empolga e com isso não agrega, muito menos arrebata. Serra reflete a imagem do candidato distante e difícil. Sobretudo para si próprio.

Brasil e Portugal nas Copas, Wagner Montes, EUA e Gana

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Lily:
“Helio, não foi só em 1966 que Portugal venceu o Brasil. Derrotou outras vezes.”

Comentário de Helio Fernandes:
Desculpe, Lily, tratávamos apenas de jogos de Copa do Mundo. Fora daí existem muitos confrontos, sem maior importância.

Wagner Montes ganharia a eleição?

Saulo:
“Jornalista, se Garotinho não for candidato, existe possibilidade de se consolidar a candidatura a governador de Wagner Montes? E poderia ganhar a eleição?”

Comentário de Helio Fernandes:
O problema, Saulo, é que o Wagner não se decide entre o emprego e a candidatura. Em outras oportunidades, ele já conversou comigo sobre essa decisão.

E não é fácil, realmente, essa escolha entre um excelente emprego permanente e uma vitória (digamos que ganhe) acidental. Ele vive (muito bem) apenas do emprego, daí eu não poder nem aconselhá-lo, ou melhor, até apoio não se candidatar.

Quando às possibilidades de vitória, duas vezes ele esteve na frente dos adversários, até mesmo (ou seria principalmente?) do cabralzinho.

“Senti um enorme preconceito”

Arnaldo Gomes:
“Jornalista, não nasci nos Estados Unidos nem em Gana, mas senti um enorme preconceito na sua surpresa de que esses dois países poderão chegar à semifinal da Copa. Você transfere a convicção anti-globalizante, para o esporte?”

Comentário de Helio Fernandes:
É evidente que não, Arnaldo. Se fosse, seria apenas sobre um país. Gana não tem nada com isso. Manifestei minha surpresa (quase estarrecimento), com a possível colocação de um desses países. Que não melhoraram nada, os outros é que enfraqueceram barbaramente. Uma indicação: torcerei por Gana.

Caiu muito o Ibope da Globo

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Brasil-Coreia do Norte, índice de 44 por cento, recorde absoluto. Brasil-Portugal, 40 cravado. Quem entende? Pesquisa vale pouco ou houve desinteresse mesmo?

Que seleção

O Brasil vem confirmando mesmo: a seleção é composta de 5 efetivos e 18 reservas. Quando esses efetivos foram reduzidos para três, saindo logo Robinho e Kaká, foi o que seu viu. Contra o Chile, segunda-feira, não deveria haver susto ou temor.

Mas com essa seleção, nenhuma confiança. Embora tenhamos ganho desse mesmo Chile, na casa deles, o Estádio Monumental. (Dez anos depois, em 1972, transformaram esse estádio numa câmara de tortura. O Maracanã, pelo menos, foi poupado desse destino).

O atabalhoado (?) percurso da seleção do Uruguai

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Estreou com um 0 a 0 contra a desmoralizada França. Já classificado junto com o México, resultado pífio. Cumpriu tabela com um 3 a 0 mínimo na seleção do Parreira.

Hoje, quem acreditava em surpresa enfrentando a já satisfeita Coreia do Sul? Pois o Uruguai só fez o gol da vitória quando faltavam 8 minutos para o fim.

Agora, na sexta-feira, o Uruguai enfrenta Gana ou EUA, (estão jogando agora) e se vencer, estará nas quartas. Ou então EUA ou Gana. Ha!Ha!Ha! Que Copa. É o que venho dizendo, antes de 11 de junho: é a repetição da mediocridade de 1994.

França futebol, a REVOLUÇAO da SELEÇÃO. Negros, imigrantes, multidões de gente discriminada, salários baixíssimos, incompetência e “maquiavelismo” de Sarcozy.

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O povão da Itália “sentiu” a derrota, mas não foi surpresa. A seleção vinha mal, terminar sem vitória e em último lugar, doeu, mas era esperado.
Já na França, a crise que se instalara no país, antes mesmo da surpreendente eleição da direita (fora de moda a “classificação” ideológica) de Sarkozy.

Os ingredientes (negros, imigrantes, salários, discriminação), ganharam primeiras páginas, atingiram o coração do próprio governo. Houve de tudo além da derrota, que poderia ser o de menos.

Os jogadores não eram os melhores, mas não são os mais culpados. Deram até uma boa justificativa, embora injustificável: “Não acreditávamos que a França fosse tão atingida pela eliminação”. E realmente não foi, afinal em 19 Copas a França só venceu uma, em casa e favorecida por circunstâncias inesperadas.

A França, depois da tremenda catástrofe que foi a derrota para a Alemanha na Segunda Guerra Mundial, (Paris foi invadida em 22 de abril de 1940, mal começara a luta) ficou durante muito tempo dividida entre comunistas e socialistas.

(Excetue-se a eleição de De Gaulle, chamado para salvar a França em 1958 e reeleito em 1967, com Mitterrand enfrentando-o sob protesto, não queria dividir o país. De Gaulle ganhou a primeira por 54% contra 46%. Na segunda, em 1967, Mitterrand se recusou a concorrer).

De Gaulle renunciou em 1969, Mitterrand continuou não querendo concorrer, o que só faria em 1974, (perdendo para D’Estaing) e em 1981, ganhando do próprio D’Estaing no Poder. Reeleito em 1988, ganharia novamente em 1995, não fosse o câncer que o matou.

Mas esse câncer não liquidou apenas Mitterrand, acabou com as lideranças de esquerda. O Poder foi para o conservador Chirac, não queriam que fosse reeleito, concordaram reduzindo seu mandato de 7 para 5 anos. Ainda assim queria outro período, não conseguiu.

Mas depois dele veio o fim do mundo, que é Sarkozy, não conservador, mas reacionário mesmo. Surpreendente, porque os franceses sempre votavam neles mesmos, nos seus direitos, salários, e até levando em consideração as horas de trabalho semanal.

Tudo isso explodiu na Copa do Mundo. Embora a França não seja uma escola de futebol nem tenha a tradição desse esporte, a seleção é paixão nacional. E o ultraje e até a vergonha de toda a França, surgiu com a forma clamorosa da classificação.

A França inteira envergonhada (e até revoltada) com o gol de mão de Henry. Uma parte do país lutava para que a própria França pedisse à Fifa, a repetição do jogo que eliminou a Irlanda. Os presidentes das Federações, que dominam o esporte na França, se insurgiram, defenderam “isso é do esporte”.

A repercussão no mundo, abalou a França. E aí entraram com grande importância, o que chamei de “ingredientes” da revolta-revolução. Depois, tudo se agravaria, com a formação da seleção, a convocação que era o que existia, mas aumentaria o clamor. O que foi isso?

O que hoje se transforma em conflito, e ganha manchetes e provoca protestos reacionários: “a convocação de negros e imigrantes, que não representam a França”. Apelam para o falso “nacionalismo”, usam a derrota para firmar e fixar privilégios, abusando do que não têm o Poder.

Durante a convocação, a França e a seleção estavam divididas. Levaram Henry (autor do gol com a mão da classificação), mas a ordem era não escalá-lo. O que irritou os jogadores, fazendo com que chocassem a direção e o time. A partir daí, tudo o que aconteceu.

***

PS – Mesmo antes do segundo e do terceiro jogo, a ministra dos Esportes fazia intervenção, por ordem direta do presidente. Conseqüência: a expulsão de Anelke, depois dos palavrões ditos “na cara” do treinador.

PS2 – É evidente que ninguém contribuiu para a derrota, dentro do campo. Mas fora ele, foram criados fatores e episódios que não permitiam a vitória.

PS3 – Agora, o esporte foi dominado pela política, perdão, politicalha. E Sarkozy procura recuperar a popularidade que nunca teve, mostrando visivelmente a impopularidade do presidente, e consequentemente do governo.

PS4 – Tudo está sendo decidido no palácio Élysée. Precisamente onde, no dia 12 de julho de 1998, com 48 horas de antecedência, se comemorava de forma entusiasmada, a data nacional do dia 14.

PS5 – Comemoravam por causa do futebol que agora sacode, revolta e movimenta o pais. Sarkozy não esconde, “temos que fazer uma REVOLUÇÃO (textual) no futebol e nos esportes”.

PS6 – E não se surpreendam que a crise da França fora do futebol, seja aumentada e contaminada pelos que querem se aproveitar.

PS7 – E no centro de tudo, o que era sussurrado antes e agora ficou público, não demora a ganhar manchetes. Palavra de ordem de Sarkozy: “Existem negros demais no futebol”. A França imortal está precisando COM URGÊNCIA de uma Lei Afonso Arinos contra o racismo.

Intervenção, pelo amor de Deus

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Carlos Chagas

Brasília virou um caos. As greves sucedem-se como as ondas do mar na praia. Esta semana a cidade ficou sem ônibus, numa escandalosa manobra dos proprietários das empresas para conseguir aumento no preço das passagens, aliás, as mais caras de todas as capitais. Motoristas e trocadores foram usados pelos patrões mais ou menos como as mãos do gato, para tirar as castanhas do fogo. Prejudicada foi a população que não possui carro, mas teve pior: os responsáveis pelo metrô, em vez de aumentarem o número das composições, paralisaram as estações na hora de maior movimento, solidários com os vigaristas das empresas de ônibus.

A polícia civil também está de greve, tornando uma aventura ficar na rua depois do sol, nas cidades satélites e até no Plano Piloto. Aumentaram os assaltos e os seqüestros-relâmpago. Para quem pensa refugiar-se na Esplanada dos Ministérios, supostamente um lugar seguro, vem a surpresa: desde abril que mais de oitenta índios encontram-se acampados nos jardins fronteiros ao Congresso e ao ministério da Justiça. Dormem em barracas, lavam roupa e preparam suas refeições numa sujeira sem par. A única colaboração do poder público foi instalar três banheiros-químicos, por sinal não utilizados porque nos irmãos silvícolas preferem mesmo a natureza.

Na próxima quarta-feira, com mais de três meses de atraso, o Supremo Tribunal Federal deve examinar o pedido de intervenção federal em Brasília, feito pelo Procurador Geral da República. Os políticos locais são contra, alegando ter havido uma eleição suplementar para governador, já que o  titular foi preso e o substituto renunciou. O diabo é que foi eleito com o voto dos nove deputados distritais flagrados recebendo dinheiro sujo de um secretario do antigo governo, fruto de doações de empresas vinculadas à corrupção.

Só a intervenção federal resolverá, até para interromper as atividades do Legislativo local e evitar que nas eleições de outubro a quadrilha afastada volte ao poder, conforme indicam as pesquisas. O presidente Lula lava as mãos, ou até opina contra a medida, fazendo o mesmo o seu partido, o PT. Desde a inauguração que o Distrito Federal não vive lambança igual, cabendo à mais alta corte nacional de justiça dar um paradeiro no caos. Dará?

A dúvida do segundo turno

Muita gente começa a apostar na vitória de Dilma Rousseff ainda no primeiro turno das eleições. Pode ser prematura a previsão, mas a verdade é que numa simulação para o segundo turno, a candidata conquistou 45% das preferências, contra 38% de José Serra.

Até agora, os partidos trabalham com a segunda votação, mas daqui para outubro muita coisa pode acontecer. No ninho dos tucanos aumenta o diapasão das críticas a Aécio Neves, que não aceitou compor a chapa do ex-governador de São Paulo. Seria uma aliança respeitável, envolvendo os dois maiores eleitorados do país. Há quem ainda espere uma reviravolta, como também aqueles que imaginam a chegada próxima dos ETs.

Argumenta-se ser o segundo turno uma nova eleição, o que parece correto. Como correta, da mesma forma, a impressão de que as urnas, quando começam a falar, não costumam mudar…

Lento demais, Brasil teve atuação medíocre

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Pedro do Coutto

Foi sem dúvida uma atuação medíocre, nada criativa, a da Seleção Brasileira contra Portugal na sexta-feira. Saída de bola extremamente lenta, isso contribuiu para facilitar a dura marcação portuguesa que, no primeiro tempo, defendeu-se com nove homens. Concentrava sempre três onde estava a bola e, jogando pelo meio congestionado, não encontrávamos espaço para desenvolver os ataques. Foram poucas nossas investidas que proporcionaram perigo real. Exceção do chute enviesado de Nilmar não encontramos o caminho do gol tão esperado.

Portugal iniciou a partida temendo a Seleção de Ouro. Fechava-se em copas e tentava contratacar em lances isolados. Tanto assim, como a narração da Globo revelou, tivemos praticamente 70% de posse de bola. Mas, como todos viram, não aproveitamos esta vantagem. Sem Robinho, que não se encontrava em plenas condições, não abríamos nossa ofensiva pelo flanco esquerdo. Restava Maicon pelo flanco direito. O treinador português sentiu isso e reforçou a marcação sobre ele. Maicon havia se tornado a alternativa da Seleção para chegar ao gol. Mas a estrada da vitória , ao contrário do que ocorreu contra a Coreia do Norte, estava fechada.

A alternativa seria o lateral receber e tocar rápido o meio onde Júlio Batista deveria atuar. Digo deveria porque ele se apagou completamente. Dunga deveria tê-lo substituído no início do segundo tempo. Mas não o fez. Fica para a próxima. Restou Daniel Alves. Foi bem. Entretanto atirou de longe demais e os chutes não estavam calibrados. Felipe Melo mais uma vez se transtornou e o nosso técnico agiu bem substituindo-o. Deveria ter tomado a mesma decisão relativamente a Kaká na partida contra a Costa do Marfim. Se Kaká não tivesse sido expulso naquele jogo, no de sexta-feira estaria presente. Não acontecendo assim, teve que entrar Batista.

Penso eu que estava excessivamente nervoso sentindo o peso da camisa e da responsabilidade. Nervoso encontrava-se também o zagueiro Juan ao interceptar um passe para Cristiano Ronaldo com a mão. Levou cartão amarelo, mas podia ter levado um vermelho e nos desfalcaria. É um excelente jogador, experiente, mas não esteve bem contra Portugal. É um erro empenhar-se desta forma. Isso porque o jogador que leva um cartão, a partir desse momento retrai-se naturalmente, teme receber o segundo, e assim deixa de entrar nas bolas divididas.

Com base na minha antiga experiência de espectador – (acompanho futebol desde 1941, famoso Fla-Flu da Lagoa) – tenho a impressão que aconteceu algo não muito bom na concentração, véspera da partida, ou no próprio vestiário. A equipe perdeu a naturalidade que apresentou contra a Costa do Marfim e também a serenidade. Felipe Melo, novamente, seria expulso se Dunga não houvesse feito sua substituição.

Pode ser que o clima (na concentração) não estivesse bom em conseqüência dos fatos da semana, desentendimento entre Dunga e a reportagem da Rede Globo, com algum reflexo paralelo. O fato é que havia na atmosfera algum tipo de preocupação. Talvez uma sombra no túnel que separa o vestiário do gramado. A Seleção de Ouro não foi bem. Mas para nós o empate foi um bom negócio. Não apenas porque nos classificamos em primeiro lugar na chave, mas, sobretudo – reconheçamos – porque até 40 minutos do segundo tempo Portugal ameaçava mais. Bem perto do final voltamos a atacar, mas o grito de gol não pode sair. Vamos em frente, vamos melhorar e conquistar o hexa.

Amanhã será outro dia.

Brasil e Portugal esperam mais 4 horas para conhecer o adversário

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O primeiro tempo, instável, sujeito a chuvas e trovoadas. Uma bola na trave, dois gols perdidos primariamente, também dois cartões amarelos, mais do que merecidos.

Merecidíssimo o resultado de 0 a 0, que “recompensou” a atuação das duas seleções no primeiro tempo. O surpreendente foi a animosidade quase hostilidade, mais do que visível entre as seleções. Por que esse clima?
Não precisavam de pontos ou classificações, Portugal e Brasil só esperando (por mais 4 horas) o nome do adversário. E não tinham a menor garantia do que seria melhor para Brasil ou Portugal. Enfrentar o Chile, Suíça ou Espanha? Era apenas isso que disputavam.

Com toda sinceridade jornalística: sempre que enfrentar a seleção do Brasil, a de Portugal será apenas coadjuvante. Todas as vezes que jogarem o Brasil vencerá, Com a exceção de 1966, quando perdemos por 3 a 1.

Mas foi menos mérito deles (uma boa seleção, diga-se) do que incompetência dos nosso dirigentes. Campeões em 1958 e 1962, acreditavam que a seleção “duraria” mais 4 anos, não “durou”. Perdemos também para a Hungria.

***

PS – Hoje Portugal se julgava protagonista, como sempre é coadjuvante. Vinha de um empate de 0 a 0 com a Costa do Marfim, depois uma vitória arrasadora de 7 a 0 contra a Coreia do Norte. Mesmo assim, hoje não passou de coadjuvante.

Conversa com leitores: Dunga é mesmo poliglota? Gabeira tem chance no RJ? Cid Gomes está reeeleito? E o juro vai aumentar?

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Mateus Silva:
“Helio, o Dunga fala mesmo essas línguas que você indicou? Pensei que falasse mal e mal o português.”

Comentário de Helio Fernandes:
Jogou 3 anos no Japão, 4 na Alemanha (o Jorginho jogou 5 anos e fala muito pior), mas 3 na Espanha, já falava o francês, ficou um tempo lá. À medida que o tempo vai passando, mais fácil vai ficando.

Campeão em 1994, veio rapidamente para o Brasil, ficou pouco mais de 10 anos “perambulando” e se alfabetizando.

Agora, ganhando ou perdendo, vem se despedir e leva outros 10 anos por lá.

Nada de novo no Ceará

Aurélio Nonato:
“Meu caro, você diz com tanta segurança, o Cid Gomes está mesmo reeleito?”

Comentário de Helio Fernandes:
Pode ganhar até no primeiro turno. Não tinha adversário, lançaram um concorrente, é como se não tivesse acontecido nada.

“Ninguém suporta o Cabral”

Norma de Almeida:
“Helio, não quero te incomodar, adoro você, só queria saber. Há possibilidade do Gabeira ser eleito? Ninguém suporta mais esse Cabral, que você muito justamente só cita no diminutivo, abraços”.

Comentário de Helio Fernandes:
Norma, com toda sinceridade: está difícil, porque o quadro de candidatos não está completo. Como você e quase todos, é impossível admitir mais 4 anos desse enriquecido ilicitamente, e quase analfabeto. Assim que ficar mais razoável, examino. Por enquanto, é só esperança.

E o juro continua subindo

Jorge Taboada:
“Helio, você acha que o juro aumentará antes do fim do ano. Não percebem que o Brasil vai à falência, apesar de tanto que mentem. Meus parabéns por tudo.”

Comentário de Helio Fernandes:
Jorge, não precisa esperar muito, julho está chegando, e nesse mês, mais 0,75% para banqueiros e seguradoras nacionais e estrangeiros. Faça o cálculo, 0,75% sobre 2 trilhões.

A incógnita do vice. Dona Dilma escolheu um sem voto e sem credibilidade. Serra não sabe o que fazer, parece esperar Aécio. E a República começou com o vice derrubando o efetivo.

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Parece maldição da República. Começou sem efetivo e sem vice, um marechal nomeado “chefe do Governo Provisório”, o que se repetiu em 1930, quando o que se prometia era uma “revolução-revolucionária”, que não aconteceu.

(Em 1964, Castelo Branco enganou Juscelino, se reuniu com ele, garantiu mentirosamente, como era do seu estilo, hábito e costume: “Presidente, se eu assumir como PROVISÓRIO, não posso garantir a eleição de 1965, e o senhor, desde já, é o grande favorito”).

JK foi ingênuo, mas na verdade, o que o poderia fazer? Quando pediu aos seus amigos do PSD e PTB para votarem no general golpista, surpresa total. Mas depois compreenderam que não havia o que fazer, como duvidar da palavra de um general-marechal, que dizia, “só quero manter a estabilidade do país”.

Para garantir a própria palavra, (perdão, falta de palavra) Castelo ali mesmo, (junto de JK, Amaral Peixoto, Negrão de Lima) convidou José Maria Alckmin para vice-presidente. Mas logo meses depois cassava e mandava prender Juscelino, numa das traições mais vergonhosas da História de República.

Logo na IMPLANTAÇÃO (e não PROMULGAÇÃO, como insistem alguns) a República começou golpeada. Nos EUA, a República, depois da Constituinte de 1787/1788, elegeu o presidente pelo voto direto. Aqui só fomos eleger o presidente e o vice, 1 ano, 3 meses e 8 dias depois da República, e assim mesmo pelo voto indireto, que é a negação do povo.

Depois de derrubar Deodoro, o vice Floriano ficou 3 anos no cargo, violentando a Constituição. A de 1891 determinava: “Vagando o cargo de presidente até a METADE DO MANDATO, o vice assume e promove eleição direta dentro de 60 dias”. Floriano assumiu, ficou 3 anos e zombou de todos. (Ironizando, gozando e obrigando Rui Barbosa a se exilar).

Depois se firmou o hábito de indicar um presidente, (sem concorrentes) de um estado GRANDE e o vice de um estado PEQUENO. (O primeiro vice foi da Bahia, o que pode se repetir agora).

Logo depois assumiu o presidente de Minas com o vice do Estado do Rio, Nilo Peçanha. O que modificou a História da República. Grande inimigo de Rui Barbosa, o vice empossado fez tudo para derrubar o grande brasileiro.

Os vices continuaram assumindo, quase num número igual aos efetivos. Até chegarmos a Sarney, que assumiu o mandato inteiro de Tancredo. E agora, 25 anos DEPOIS DA SORTE HISTÓRICA, quase aos 80 anos, Sarney queria novamente o cargo, seria o BIVICE da República. Felizmente não conseguiu.

Depois do mandato inteiro ocupado por Sarney, veio Collor, o primeiro presidente eleito pelo voto direto depois do golpe de 1964. Que não exerceria nem a metade do mandato. Seguindo o substituto de Collor, surgiu a reeeleição, comprada por FHC a 500 mil por cabeça.

Agora temos uma eleição tão tumultuada quanto tantas outras, e a controvérsia e a contradição dos dois lados: vice aleatórios, sem representar coisa alguma. Temer foi a primeira inutilidade, que segundo se diz há muitos anos, “está a uma batida de coração da Presidência”. Mesmo diante dessa realidade, consagram essa inutilidade.

E do outro lado, Serra não consegue indicar ninguém. Obcecado pela indicação de Aécio, o ex-governador de São Paulo não percebeu que o ex-governador de Minas não aceitaria ser vice de UM CANDIDATO QUE NÃO VAI GANHAR.

***

PS – Desligado de Aécio e “honrando” o compromisso com o DEM, (que iria ser representado por Arruda), Serra praticamente se fixou no deputado José Carlos Aleluia. Da Bahia, do DEM e corretíssimo, foi muito bem recebido.

PS2 – Mas surgiu o corporativismo para favorecer Sergio Guerra, Já tendo anunciado que não tentaria a reeleição ao Senado por falta de votos, se contentando com um lugar de deputado, veio a grande surpresa.

PS3 – O próprio presidente do PSDB, que anunciou, “não tenho votos para me reeleger”, foi apresentado como CANDIDATO A VICE DE SERRA. Torpedeava todos os acordos e mostrava publicamente a vocação suicida da candidatura Serra.

PS4 – Ainda não está torpedeado o candidato da Bahia nem convalidado o nome de Pernambuco. Mas só a dúvida, demonstra toda a incerteza e indecisão do PSDB.

PS5 – Só para mostrar a indisposição dos presidentes em relação aos vices, um exemplo dos EUA. Ronald Reagan sofreu um atentado gravíssimo, teve que ser operado.

PS6 – Quando os médicos se preparavam, chegou o procurador-geral da República: “Presidente, como o senhor tem que tomar anestesia geral, precisa passar o cargo ao vice”. (Bush pai, que estava presente).

PS7 – Reagan perguntou aos médicos: “Posso ser operado sem anestesia geral?”. Depois de 20 minutos, os médicos garantiram, “pode”. Reagan foi operado. É a maldição dos vices.