Comentarista reclama que o enriquecimento ilícito da filha de Serra foi esquecido aqui no blog.

O assíduo comentarista René Amaral Jr. faz importante reclamação contra o blog, em termos bem-humorados: “Seo Claudio Newton, gostaria de saber sua opinião sobre o milagre da multiplicação do patrimônio de mais de 50.000% em 4 meses (cinquenta mil por cento em quatro meses) da empresa da filha do ssERRA, Verônica, em sociedade com a irmã do Daniel Dantas, também Verônica. Não preciso nem postar link, basta googlar Verônica Dantas, Verônica Serra e 56.000% em 4 meses!
Seria de bom alvitre que o senhor aprendesse a dar em Chico e Francisco com o mesmo porrete, como costumava fazer o Seo Élcio Fernandes
”.

É muito fácil constatar que Claudio Newton não está mesmo agradando. Como é que tem a coragem de criticar os filhos de Alfredo Nascimento e de Lula, mas esquece a filha querida de Serra? É uma falha intolerável, sobretudo porque, aqui no blog da Tribuna, durante a campanha eleitoral, o enriquecimento ilícito da filha de José Serra foi denunciado insistentemente por Helio Fernandes.

Não foi por outro motivo, aliás, que Serra fez declarações mais do que contidas, na época em que Antonio Palocci apareceu subitamente enriquecido, o que parece estar em moda hoje, apesar do hilário “Código de Conduta Ética” recentemente baixado pelo governador Sergio Cabral, que é um exemplo ao país de como se ganha dinheiro na política.

Na época, Serra disse, com certo desprezo: “De minha boca, não ouvirão nenhuma critica a Palocci”, e mudou de assunto.  

Aqui no blog, imediatamente fizemos uma matéria cujo título afirmava que Serra não criticaria Palocci porque era igual a ele, em matéria de “consultorias” e corrupção. E citamos tudo que já é público e notório a respeito da dupla de Verônicas, 

E agora vem esse Claudio Newton a esquecer das estripulias da bela filha de Serra. É inconcebível, René Amaral Jr, você está com toda razão. Continue cobrando, que um dia o Claudio Newton aprende.

Depois de 28 anos de mordomia, Francelino Pereira perde a pensão de governador e repete o velho desabafo: “Que país é esse?”

Carlos Newton

A Assembleia Legislativa de Minas Gerais aprovou quarta-feira, em votação final, o projeto de lei de iniciativa do governador mineiro, Antonio Anastasia (PSDB), que extingue a pensão vitalícia para ex-governadores e viúvas. O benefício atendia a dona Coaracy Pinheiro, viúva de Israel Pinheiro, e aos ex-governadores Rondon Pacheco, Francelino Pereira, Eduardo Azeredo e Hélio Garcia.

Em junho, a Justiça de Minas já havia concedido liminar ao Ministério Público Estadual e suspendera as aposentadorias, na valor de cerca de R$ 10 mil por mês, criadas no governo de Bias Fortes, em 1957. As aposentadorias eram até modestas, em comparação a outros Estados,

Anastasia enviou a proposta à Assembleia no início do ano, depois de receber críticas por não divulgar valores pagos pelo Estado aos ex-governadores, num contexto onde diversas leis semelhantes em outros Estados também passavam por questionamento público na imprensa.

O governo do Paraná já tinha conseguido cancelar em definitivo a aposentadoria a ex-governadores , com base em parecer da Procuradoria Geral do Estado, amparada na justificativa de que o benefício não está previsto na Constituição. Quatro ex-governadores recebiam o benefício: Roberto Requião (1991-1994 e 2003-2010), Mario Pereira (1994), Jaime Lerner (1995-2002) e Orlando Pessuti (2010). Eles ganhavam R$ 24.117,62 por mês – o equivalente ao vencimento do governador em exercício, Beto Richa (PSDB).

Nos outros Estados também se caminha para o cancelamento das aposentadorias e pensões. Em Mato Grosso, por exemplo, a Justiça suspendeu, em primeira instância, a pensão vitalícia que Humberto Melo Bosaipo (DEM) recebia por ter assumido o governo do estado por apenas dez dias, em 2002, vejam a que ponto chegamos. Na ocasião, ele era presidente da Assembleia Legislativa e ocupou o cargo apenas durante uma curta viagem oficial do então governador Rogério Salles (PSDB).

Quanto a Francelino “Que país é esse?” Pereira, não ficará desamparado. Tem uma gorda aposentadoria de parlamentar federal por seis mandatos, e ainda recebe jetons mensais de quase R$ 4 mil como “conselheiro” da Cemig.

Enriquecimento do filho do ministro Alfredo Nascimento já era sabido desde 2009. O problema é que no Brasil, sem Código de Conduta, ninguém tomava providências.

Carlos Newton

Ao contrario do que ficou parecendo (e nós até registramos aqui no blog), a denúncia do espetacular enriquecimento do filho do ministro Alfredo Nascimento, Gustavo Morais Pereira, de 27 anos, não foi um furo de reportagem de O Globo. Como se sabe, o jornal carioca estarreceu a nação, ao publicar ontem que uma das empresas de Gustavo, a Forma Construções, apenas dois anos após ser criada, com um capital social de modestos R$ 60 mil, conseguiu acumular um patrimônio de mais de R$ 52 milhões, com crescimento de 86.500%, um desempenho de deixar espantado até um consultor do porte de Antonio Palocci.

Ocorre que o assunto já era antigo. Em 2009, a revista IstoÉ, numa reportagem de Claudio Dantas Sequeira, já revelava que o jovem Gustavo, aos 25 anos, se transformara num empreendedor de muito sucesso, coincidentemente por trabalhar para empreiteiras que, também por coincidência, eram contratada pelo Ministério dos Transportes, que, em mais uma coincidência, desde 2003 vinha sendo comandado por Alfredo Nascimento, que ainda coincidentemente vem a ser pai desse fenômeno empresarial, cuja carreira causa espanto e não tem comparação nem mesmo com a do filho de Lula, Fabio Luis da Silva, o Lulinha.

Como se sabe, foi aos 31 anos que Lulinha, passou de monitor de zoológico a empresário bem-sucedido e milionário. Na função exercida no Zoo, Fabio recebia salário de R$ 600 mensais. Porém, em dezembro de 2003, quando Lula estava prestes a completar seu primeiro ano no Palácio do Planalto, a carreira de seu filho simplesmente decolou.

O jovem Lulinha tornou-se sócio da Gamecorp, empresa de games que anteriormente se chamava G4 Entretenimento e Tecnologia Digital, e o ex-monitor do Zoo começou a fazer notável sucesso no mundo dos negócios de alta tecnologia.

Em janeiro de 2005, apenas um ano depois da chegada de Lulinha à empresa, a Gamecorp já estava recebendo o aporte milionário de 5,2 milhões de reais da Telemar – e Lulinha já era um empreendedor de invejável desempenho.  

Na época, questionado no programa de TV Roda Viva, Lula teve que falar em público sobre os negócios do filho. Os jornalistas lhe apresentaram uma questão formulada por um leitor do jornal Folha de São Paulo, que não foi identificado. A pergunta dizia o seguinte: “Tenho 61 anos, sou pai de quatro filhos adultos, todos com curso superior, mas com dificuldades de bons empregos ou de empreender. Como é que o seu filho conseguiu virar empresário, sócio da Telemar, com capital vultoso de 5 milhões de reais?”.

Em sua resposta, Lula mostrou orgulhoso do talento do filho e o comparou a Ronaldinho, como um “fenômeno” dos negócios, e não revelou nenhuma contrariedade com o fato de a empresa de Fábio ter se associado ao grupo Telemar, certamente porque naquela época ainda não existia o “Código de Conduta Ética” que somente agora o governador Cabral, outra revelação em matéria de enriquecimento ilícito, veio a introduzir no Direito Administrativo brasileiro,

A Veja publicou uma extensa reportagem a esse respeito, revelando, ainda, que o filho do presidente associou-se ao lobista Alexandre Paes dos Santos, um personagem altamente negativo, que respondia a três inquéritos da Polícia Federal, por suspeitas de corrupção, contrabando e tráfico de influência.

Revoltado, o filho de Lula processou a Veja, mas perdeu a ação em primeira instância. A juíza Luciana Novakoski de Oliveira, da 2ª Vara Cível de Pinheiros, na capital, indeferiu o pedido de indenização por danos morais contra a Editora Abril e o repórter Alexandre Oltramari, da revista Veja. A juíza indeferiu ainda outra ação contra os mesmos réus, além do lobista Alexandre Paes dos Santos, que, em conversa com o repórter, cuja transcrição foi anexada a processo judicial, se referiu a Fábio Luís da Silva com termos ofensivos.

A juíza assinalou que “a matéria insinua que tal sucesso decorre de sua filiação e das facilidades de acesso” a pessoas influentes, acrescentando que “o fundo da reportagem é verdadeiro e aborda assunto de relevante interesse público”.

E agora surge o filho do ministro Nascimento, a mostrar que, perto dele, Lulinha não era fenômeno coisa alguma, era apenas filho de um presidente.

Vitória no segundo tempo

Carlos Chagas

Não poderia ser diferente, sob pena de desmoralização  para o governo  da presidente Dilma Rousseff:  Alfredo Nascimento pediu demissão do ministério dos Transportes na tarde de ontem, alternativa para não ser demitido. O desfecho custou um pouco, tendo em vista estar o já agora ex-ministro em situação irremediavelmente perdida a partir da decisão da presidente, domingo, de afastar as  quatro  principais figuras do ministério, por corrupção.

Na segunda-feira Dilma resolveu dar  uma última chance ao ministro,  que dizia desconhecer totalmente a lambança, mas a presidente estabeleceu uma premissa: se novas acusações surgissem, ele estaria fora do governo. Como surgiram, com a denúncia de que uma empresa do  filho de Nascimento avaliada em 60 mil  reais aumentara seu patrimônio em 52 milhões de reais, não teve mais jeito. Ninguém acreditaria que o pai também desconhecesse aqueles negócios mirabolantes e escusos.

Algumas  duvidas abrem-se a partir da demissão: a primeira, sobre quem Dilma Rousseff escolherá em definitivo para o ministério dos Transportes.  Dificilmente alguém do Partido da República,  envolvido até o  pescoço na corrupção, através de seu presidente de honra,  o deputado Waldemar da Costa Neto. Ele até  despachava no ministério dos Transportes,  sem ser seu funcionário, estabelecendo percentuais de superfaturamento de obras públicas, exigindo das empreiteiras propinas de até 5%. 

Mesmo necessitando do voto dos 40  deputados e 5 senadores do PR, dificilmente a presidente poderia deixar o ministério à sua disposição. Indaga-se, também, a respeito do  futuro  dos funcionários afastados, desde o diretor-geral   do Dnit ao presidente  da Valec, do chefe  de gabinete do ministro ao responsável pelos pagamentos na pasta. E quanto ao próprio   Alfredo Nascimento, mesmo retornando ao Senado e dispondo de imunidades, se ficar comprovada sua participação nas maracutaias?E quanto às empreiteiras que distribuíam propina e participavam do superfaturamento da obras, serão declaradas inidôneas, proibidas de trabalhar  com o governo?

De qualquer forma, Dilma Rousseff venceu a partida, ainda que no segundo tempo, talvez nos últimos minutos,  porque se a novela da demissão   demorasse mais, não haveria final feliz para ninguém. Resta saber o comportamento  do PT e do PMDB, ambos de olho num dos   ministérios que maiores verbas possui.  Se a presidente abrir alguma brecha para eles, mais dores de cabeça terá.

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SÃO JOÃO NÃO ERA EMPREGADO PÚBLICO
                                                       
Salta aos olhos a contradição de haver o ministério do Turismo destinado 22 milhões de reais para financiar as festas de São João em diversos estados. Essas comemorações são populares e privadas. Nenhuma relação possuem com o serviço público. Ou não deveriam possuir. Às comunidades caberia organizá-las, sem recursos do governo para acender fogueiras, armar barraquinhas ou contratar bandas e cantores. A moda pegou desde que proliferaram as ONGs, organizações não governamentais que mamam nas tetas do erário.

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MAIS UM ABSURDO
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Se não tiver prevalecido o bom senso, a greve dos servidores da saúde do Distrito Federal irá recrudescer a partir de hoje. Até os serviços de emergência dos hospitais públicos e dos postos de saúde vão parar.  Quer dizer, quem for atropelado, esfaqueado ou sofrer um súbito ataque de coração já fica sabendo da falta de atendimento. Como os planos de saúde vão de mal a pior, até aqueles que podem pagar devem tomar cuidado. 

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LIÇÕES DE PLATÃO E DE ARISTÓTELES

Mil laços ligavam Aristóteles a Platão, a começar por este ter sido mestre daquele, apesar de divergências filosóficas e científicas. Ambos fundaram escolas de saber, a Academia, um, e  o Liceu, outro.   Pois nos dois centros de estudo prevalecia a máxima de que se os  alunos não conseguiam captar as lições dos professores, o erro e a culpa seriam de quem ensinava mal,  não de quem deveria aprender.  Alguma coisa estava  errada na arte de ensinar.
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Coisa parecida parece estar acontecendo nos exames elaborados pela Ordem dos Advogados do Brasil, obrigatórios para o exercício da profissão? A cada ano que passa aumenta o índice das reprovações, chegando agora a 95%. Não seria o caso de indagar se a responsabilidade não é das questões   mal formuladas ou maliciosamente apresentadas?

Comissão de ética de Sérgio Cabral o torna, ao mesmo tempo, juiz e parte

Pedro do Coutto

É princípio universal de Direito a impossibilidade de alguém, ao mesmo tempo, investir-se ou ser investido das funções de juiz e parte em qualquer questão. Indiscutível. Porém não levado em conta pelo governador Sérgio Cabral ao implantar, através dos decretos 43057 e 43058, o Código de Conduta da Alta Administração do RJ e o Sistema de Gestão de Ética do Poder Executivo. Uma farsa. Tanto assim que a Comissão de Ética da Alta Administração, assim chamada, é composta por representantes da Casa Civil, da Secretaria de Planejamento, da Secretaria de Fazenda, da Procuradoria Geral do Estado e por um membro indicado pela Defensoria Pública.

Como facilmente se constata, somente este último não é diretamente subordinado ao próprio governador. Por que não há um representante sequer do Ministério Público?

A Comissão de Ética da Alta Administração, claro, não é para funcionar no plano concreto. Um lance de marketing. O Globo, aliás, focalizou muito bem a insólita dualidade na edição de terça-feira 5 de julho. O Diário Oficial do mesmo dia publica os dois decretos. O que institui o Sistema de Gestão da Ética do Poder Executivo prevê a formação de um grupo de cinco brasileiros notáveis que preencham – acentua – os requisitos de idoneidade moral, reputação ilibada, notória experiência em administração pública, porém todos designados pelo governador.

Incrível a singeleza, digamos assim: o Conselho de Notáveis atuará como instância consultiva do governador e dos secretários de Estado. Ora, francamente. Essa não.

Quer dizer: o governador Sergio Cabral é acusado publicamente de não observar os limites, ou torná-los pouco nítidos, entre sua função pública e motivações empresariais, não importando, no caso, se legítimas ou não.
Ele próprio cria o Código e dois Conselhos. Estes dois grupos de sábios não possuem ação executiva. Só consultiva. Sérgio Cabral, assim, será julgado somente por subordinados seus, e, mesmo assim, nos degraus de duas consultorias. A palavra final é dele mesmo. Uma espécie de eco ao longo de seus passos, os dos ministros. Belo título de coluna que o jornalista Aldovar Goulart escrevia no antigo Correio da Manhã, encarregado da cobertura do Supremo Tribunal Federal. O jornal, o eco e os passos ficaram no passado. Mas o prédio está lá firme na avenida Rio Branco. Abriga parte da Justiça Federal e também um centro de arte e memória inspirado na experiência pioneira e inigualável do Banco do Brasil. Mas esta é outra questão.

Os éditos de Sérgio Cabral sobre ética, lendo-se bem seus conteúdos, não são inéditos. Alguns pontos são cópias de dispositivos contidos no decreto 4081 de janeiro de 2002, assinado pelo presidente Fernando Henrique Cardoso. Mas nem todos. O item 4 do artigo 2º do decreto federal diz o seguinte: O Código de Conduta tem por objetivo evitar a ocorrência de situações que possam suscitar conflitos entre o interesse privado e as atribuições do agente público.

O artigo 17 determina textualmente: O agente público não poderá valer-se do cargo ou função para auferir benefícios ou tratamento diferenciado para si ou para outrem, nem utilizar em proveito próprio, ou de terceiros, os meios técnicos e os recursos financeiros que lhe tenham sido postos à disposição em razão do cargo.

O decreto do governador é redundante em diversos pontos e omisso em outros. Não só em relação ao decreto 4081. Também em face da Constituição. Basta confrontar o texto estadual com os parágrafos 4 e 7 do artigo 37 da CF:” Os atos de improbidade administrativa acarretam a suspensão dos direitos políticos, a perda da função pública e a indisponibilidade dos bens. A lei disporá sobre os requisitos e restrições ao ocupante de cargo da administração pública que possibilite o acesso a informações privilegiadas.”

Como se vê não há necessidade de instância consultiva estadual. A regra é clara, como diz Arnaldo Cesar Coelho.

A saúva e o suplente

Sebastião Nery

RIO – Depois de 12 anos de governador e 16 de senador, Benedito Valadares (1892-1973) havia acumulado toda a sabedoria da política mineira. Estava conversando com alguns jornalistas no palácio Monroe, ali na Cinelândia, onde ficavam os escritórios do Senado no Rio, antes de ser destruído pela insensibilidade do governo militar, quando passa o quase deputado Clóvis Stenzel, cumprimenta-os e sai. Benedito pergunta:

– Quem é aquele?

– É o Clóvis Stenzel, suplente do Rio Grande do Sul.

– Ih!, tenho pavor de suplente.

E foi embora rápido.

***
CAMARA E SENADO

O suplente virou uma praga nacional, como a saúva  de Monteiro Lobato (“Ou o Brasil acaba com a saúva ou a saúva acaba com o Brasil”).

O suplente de deputado menos um pouco, mas mesmo assim, depois de cada eleição, há dezenas de brigas na Justiça Eleitoral, pelo pais a fora, para saber a quem cabem os mandatos de suplentes federais ou estaduais, se às coligações, aos partidos ao apenas ao próprio candidato.

No Senado, é muito pior. É o escândalo permanente, institucional. O suplente é um berne. Está colado no senador como uma larva no animal. Se o senador morre, ele pula dentro do caixão e só sai no cemitério, para voltar correndo e herdar a cadeira, o gabinete, os direitos, tudo. E sem ter tido um voto.

Se o senador renuncia, vai ser governador ou ministro, o suplente também se senta na cadeira, no gabinete, nas regalias do titular e fica plantado ali, até o final do mandato. E sem um só voto.

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MINAS

Pode-se chamar o suplente de senador? Legalmente, constitucionalmente, sim. Para assegurar a Federação, a Constituição garante 3 senadores por Estado, do maior ao menor. Se qualquer um dos três senadores abre vaga, o suplente assume e tapa o buraco. Sem voto.

Mas de repente surgem situações absurdas. Minas, o segundo maior Estado da Federação, está submetida agora a ter um só senador e dois suplentes, que legalmente são senadores, mas politicamente são zero voto.

Em 2006, Itamar Franco era o maior nome político de Minas e, alem disso, com o apoio do governador Aécio, eleição garantida para senador.

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ITAMAR

Mas o PMDB mineiro era mais uma das fazendas do ex-governador Newton Cardoso. E Lula ainda se deu ao desplante de, como presidente da Republica, ir à convenção do PMDB para ajudar a impedir Itamar de ter a legenda para ser o candidato e garanti-la para Newton.

Itamar perdeu a convenção, não foi candidato. Aécio humilhou Lula e o PMDB. Para substituir Itamar, lançou pelo DEM o ex-ministro Eliseu Rezende, que derrotou Newton Cardoso fragorosamente. E pôs como suplente de Eliseu o presidente da Confederação Nacional de Transportes, Clesio Andrade. Eliseu morreu, Clesio virou senador. Sem um voto.

Com Itamar, repetiu-se a tragédia. Já fora do PMDB, que lhe havia negado a legenda, Itamar saiu candidato no ano passado pelo pequeno PPS (Partido Popular Socialista). Como sabiam Aécio imbatível, Lula e o PT imaginaram derrotar Itamar com o ex-prefeito de Belo Horizonte Fernando Pimentel. Aécio, com o ex-embaixador do Brasil em Cuba Tilden Santiago na suplência, e Itamar, ganharam e ainda elegeram o governador Anastásia.

***
JOSÉ  

E quem seria o suplente de Itamar? O nome obvio era o ex-prefeito de Conceição do Mato Dentro, deputado federal e principal líder do PV (Partido Verde) em Minas, José Fernando Aparecido, filho do ex-ministro da Cultura e ex-governador de Brasília José Aparecido, o maior amigo de Itamar em toda a sua vida política, desde quando prefeito de Juiz de Fora.

Itamar convidou o José Fernando, com apoio natural de Aécio, mas José Fernando não pôde aceitar, porque precisava sacrificar-se para assegurar em Minas um palanque jovem à candidatura de Marina Silva à presidência da Republica, saiu candidato a governador pelo PV e fez um belo papel, terminando a campanha como o quarto mais votado.

***
PERRELLA 

Itamar e Aécio convidaram o ex-senador, ex-ministro e presidente da Academia Mineira de Letras Murilo Badaró, que já estava preparando os papeis para inscrever-se na Justiça Eleitoral, quando morreu de repente, em 14 de junho passado. Aécio pôs no lugar de Murilo o Perrela do “Cruzeiro”.

Veio a eleição, elege-se Itamar, que adoece e morre. E foi assim que Minas caiu numa esparrela, dando oito anos de mandato ao sem voto Perrella, que nem Perrella é, porque é José Costa. Como trabalhava em um açougue Perrella, incorporou o açougue ao nome e virou senador Perrella, 

Minas precisa rezar. É muita esparrela em um ano só.

O corruptíssimo ministro Alfredo Nascimento já vai tarde. Só esqueceu de anunciar a criação de um “Código de Conduta Ética” no âmbito dos transportes.

Carlos Newton

Não deu para entender a estratégia da presidente Dilma Rousseff no escândalo do Ministério dos Transportes. As sucessivas denúncias do senador Mario Couto (PSDB-PA) sobre o Dnit (Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes) estavam incomodando o governo. A presidente mandou apurar, a revista “Veja” se adiantou e fez uma matéria a respeito, sem maiores detalhes, e imediatamente, no sábado mesmo, quatro integrantes da cúpula do ministério foram afastados por determinação do Planalto.

Como se sabe, as suspeitas de corrupção no Ministério dos Transportes, no Dnit e na Valec incluem um esquema de superfaturamento de obras e recebimento de propina que beneficiaria o PR. O partido controla a pasta desde o governo Lula e é um dos principais integrantes da base aliada.

Ao invés de se livrar logo do ministro dos Transportes, Alfredo Nascimento, que obviamente era o chefe da quadrilha, estranhamente a presidente decidiu mantê-lo. Como no caso de Antonio Palocci a demissão foi um parto que durou duas semanas, desta vez parecia se confirmar que a estratégia de Dilma Rousseff é deixar o ministro apodrecendo, até cair do galho e se espatifar no chão.

Com Palocci a coisa funcionou, o prestígio da presidente nem chegou a ser muito atingido. Mas insistir nessa estranha política do imobilismo pode ser uma tática altamente perigosa, por demonstrar conivência com a corrupção.

O mais incrível é que a presidente mandou até divulgar uma nota oficial ratificando “a confiança total em Nascimento”, vejam a que ponto chegamos. O ministro, todo pimpão e se julgando detentor de uma espécie de “habeas corpus preventivo”, achou que ia escapar ileso e só faltou anunciar a criação de um “Código de Conduta Ética” no âmbito dos transportes. Imediatamente alardeou a abertura de uma sindicância interna na pasta (o que não significa absolutamente nada, vejam o exemplo de Erenice Guerra na Casa Civil) e prometeu prestar esclarecimentos à Câmara e ao Senado sobre o caso, numa enrolação danada, logo apoiada entusiasticamente. Por quem? Ora, por José Sarney.

O presidente do Senado disse que Nascimento não podia ser exonerado “apenas por uma acusação publicada”. E acrescentou: “Acho que a presidente tomou medidas imediatas que foram muito saneadoras e, em seguida, entregou ao ministro a condução da apuração dessas irregularidades todas”, afirmou Sarney, de quem não se espera mesmo nada.

Era óbvio que a imprensa logo iria esmiuçar a corrupção que o senador Mario Couto tanto denunciou da tribuna, só não se esperava que o desfecho acontecesse tão rápido. E O Globo surpreendeu a todos, ao publicar hoje a estarrecedora notícia de que o ministro dos Transportes tinha uma espécie de Palocci dentro de casa, o filho de 27 anos, Gustavo Morais Pereira. Uma das empresas de Gustavo, a Forma Construções, apenas dois anos após ser criada, com um capital social de modestos R$ 60 mil, conseguiu acumular um patrimônio de mais de R$ 50 milhões, com crescimento de 86.500%, um desempenho de deixar espantado até o consultor Palocci.

Uma notícia dessas já seria suficiente para demitir até o Papa, quanto mais o ministro dos Transportes. Mesmo assim, a presidente Dilma Rousseff continuou protelando. O desenlace fatal só veio a ocorrer no  final da tarde, com o ministro agonizando em público o dia inteiro. E assim a tão esperada reforma do Ministério começa a acontecer. Mas aos pouquinhos. Em doses homeopáticas, infelizmente.

Pazzianotto defende terceirizados e diz que a empresa estatal deve ser responsabilizada

Carlos Newton 

O  ex-ministro do Trabalho Almir Pazzianotto sugeriu na Câmara que a empresa que contrata a prestação de serviços terceirizados seja responsabilizada em caso de desrespeito aos direitos trabalhistas. Pazzianotto participou de audiência pública, nesta quarta-feira, na comissão especial que discute a regulamentação do trabalho terceirizado.

Pazzianotto considera a responsabilidade solidária entre a empresa prestadora e a tomadora de serviços a opção mais segura para o trabalhador. Ele não acredita, no entanto, na possibilidade de acordo entre entidades patronais e de trabalhadores sobre esse ponto e sugeriu uma solução intermediária.

O jurista apontou como fórmula a adoção em princípio da responsabilidade subsidiária. “Desrespeitado o contrato, as obrigações do contrato, ou seja, as obrigações da lei civil e do contrato, a responsabilidade se tornaria solidária.”

Entre as obrigações, ele cita que o contratante de serviços deverá fiscalizar mensalmente o cumprimento das normas trabalhistas pela empresa prestadora de serviços, a exemplo das contribuições previdenciárias e do Fundo de Garantia.

O representante da Confederação Nacional das Instituições Financeiras (CNF), Magnus Ribas Apostólico, concordou com o ex-ministro e apontou os dois casos nos quais a empresa tomadora de serviços poderia ser responsabilizada: A primeira condição seria no caso de a contratante não exercer os controles necessários para garantir que a contratada cumpra com todos os direitos trabalhistas dos seus empregados. A outra seria no caso de a contratada ser condenada a pagar algo que deixou de pagar e estiver inadimplente por qualquer razão. “Aí, a contratante passaria a ser solidariamente responsável”, explicou Apostólico.

Já os representantes dos sindicatos dos empregados acreditam que, dessa forma, os trabalhadores vão levar mais tempo para receber seus direitos. Eles continuam defendendo a responsabilidade solidária das empresas, pois consideram que a terceirização torna precárias as relações de trabalho.

Quando há responsabilidade subsidiária, o terceirizado só pode cobrar direitos trabalhistas da empresa contratante depois que forem esgotados todos os bens da empresa de prestação de serviços.

Já no caso da responsabilidade solidária, a tomadora e a prestadora do serviço se responsabilizam pelas obrigações trabalhistas, previdenciárias e quaisquer outras decorrentes do contrato de prestação de serviço. A medida vale, inclusive, para o caso de falência da prestadora, que é obrigada a fornecer mensalmente à tomadora a comprovação do pagamento dos salários, do recolhimento das contribuições previdenciárias e do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS), entre outros documentos.

O deputado Adrian Ramos (PMDB-RJ) sugeriu que a proposta limite o número de terceirizados nas empresas, para que não haja uma empresa que funcione só com um dono e nenhum funcionário registrado.

Um canastrão de luto!

Tutty Vasques

Por trás de um homem triste há, quase sempre, um recurso canastrão de
arrependimento muito comum na expressão das vítimas de flagrantes de
saliência. Lembra da carinha de bebê chorão do Bill Clinton na TV dizendo
“eu não tive relação sexual com aquela mulher”? Ainda não ficou muito claro
que diabos Sérgio Cabral andou fazendo fora do casamento, ao final de sua
lua de mel com o eleitorado carioca, boa coisa decerto não foi para ele
reagir meigo feito um poodle que fez xixi na sala a quem o acusa de misturar
vida pública à privada.

“Quero assumir aqui um compromisso de rever a minha conduta. Vamos construir um código juntos, vamos estabelecer limites!” – disse dia desses em entrevista sobre a carona que pegou há 15 dias no aviãozinho de Eike Batista
a caminho de uma boca-livre promovida por outro amigo empresário na Bahia.

Dedurado pela tragédia que matou sete pessoas da comitiva, o governador
passou um período fechado em luto justificável. Voltou esta semana ao
trabalho com o rabo entre as pernas, típico de quem tem culpa no cartório.

“Eu errei quando chamei os bombeiros de vândalos”, aproveitou a saia justa
para fazer mea-culpa de suas atitudes intempestivas no trato com a
corporação, que agora reconhece como “muito querida” da população do Rio.

Concedeu logo anistia para todos e teria pedido desculpas ao atirador da
escola de Realengo, a quem chamou de “animal e psicopata”, se algum
jornalista puxasse o assunto da chacina.

Não sei se deu alguma joia em casa, mas não tem hora mais apropriada para se abusar da generosidade do governador em nome da reconciliação. Melhor
aproveitar enquanto é tempo.

Preocupada com a melancolia sem fim do amigo, a presidente Dilma já decidiu: vai levá-lo à inauguração do teleférico do Complexo do Alemão na sexta-feira que vem. O homem está precisando se divertir!

(Trancrito do Estadão.com) 

BNDES patrocina “Socialismo dos Ricos” na fusão Pão de Açúcar-Carrefour

Milton Temer   

O dia começa mal, na leitura da primeira página do “Valor Econômico”, um dos espaços de mídia onde se encontra jornalismo de qualidade. Abílio Diniz vai atrás de R$ 3,9 bilhões do BNDES, para uma operação de fusão Pão de Açúcar-Carrefour, onde não entrará com UM TOSTÃO, mas passará a controlar 32,2% das vendas do varejo nacional. Sem colocar um tostão do seu bolso, vale repetir.

Logo a seguir, “Commodities representam 71% do valor das exportações”, mancheteia uma matéria que, no corpo, revela a fragilidade da operação – a maior parte está baseada em produtos, cujo preço não controlamos. Ou seja, se a crise da dívida norte-americana radicalizar por disputas eleitorais entre democratas e republicanos nos Estados Unidos e a China mudar o eixo do comércio internacional, diminuindo importações, olha nós aí, no brejo.
O grave é que o porcentual de commodities sobre manufaturados aumentou na balança de exportações. Em relação ao ano passado, aumentaram 39,1%, enquanto os manufaturados subiram apenas 15,1%.

Resta o plano inferior da página: “Na Olimpíada, uma antevisão da crise grega”. Por quê? Simples. Gastos iniciais de US$ 1,5 bilhão terminaram em US$ 11,9 bi, oficialmente, porque há indícios, diz o texto, de que possa ter chegado a 30 bilhões de euros – cerca de 50 bilhões de reais.

Mas vamos tratar especificamente da manchete principal, porque a lusitana ainda está girando, e a torcida é grande para que o sócio francês de Diniz, o Casino, consiga melar a baderna.Para quem gerou um “seqüestro” suspeitíssimo na véspera do segundo turno em 1989, com Lula tendo grandes chances de vitória comprometidas pelas suspeitas de ligações políticas com os seqüestradores, esse neopetista realmente progrediu. Virou, junto com Gerdau, os controladores do Bradesco e Itaú e os predadores do agronegócio, um dos principais “aliados” do lulismo pragmático.

Esta mais recente ameaça de tenebrosa transação comprova como o polulismo, digo, o populismo lulista, foi competente na metamorfose. Transformou um projeto classista de mudança radical da realidade brasileira no mais eficaz agente do capital monopolista em nosso país.

Em oito anos, conseguiu gerar um modelo em que todos ganham – uns muito mais que outros, evidentemente -, suficientemente para colocar colchões amortecedores entre classes em conflito. Sintetizando, esses quase R$ 4 bilhões que o BNDES pode proporcionar à manobra de Diniz correspondem à metade do que foi destinado a tornar “felizes” 11 milhões de famílias com a Bolsa, em 2007. E cito 2007, pois foi o último ano em que me preocupei em seguir a relação lucros bancários-combate à miséria por políticas assistencialistas.Naquele então, o destinado à Bolsa família, em 12 meses, correspondia ao lucro, em 9 meses, do segundo maior banco privado brasileiro, o Bradesco. Porque o primeiro, o Itaú, nesses mesmos 9 meses, tivera um lucro exatamente R$ 500 milhões maior que o despendido com o “social”.

Pois bem. Sob a ótica do prestígio ao desenvolvimentismo, sobre o monetarismo – na essência, louvável -, estamos, mais uma vez e de fato, diante de uma proposta clara de privatização do lucro, com socialização previsível do prejuízo.Os recursos que faltam para as políticas públicas, em virtude de um criminoso superávit fiscal, voltado a garantir retorno aos bancos sem risco de tudo o que se especula com a dívida pública – crescente em progressão geométrica desde que o modelo macroeconômico se iniciou lá no mandarinato tucano-pefelista de FHC -, são acrescidos agora pelos constantes “empréstimos” que o Tesouro vem fazendo ao BNDES.Empréstimos que se transformam em transferências subsidiadas para as operações – reitero, sem riscos – do grande capital, em suas operações de fusão. Operações de fusão que, é bom ser dito, em nada vêm impedindo a constante desindustrialização do nosso parque produtivo, em benefício de operações financeiras que ninguém sabe onde vão dar.Barra pesada, e no dia seguinte ao desligamento de um quadro histórico e simbólico como Vladimir Palmeira. O que deve servir de reflexão aos petistas que ainda acreditam que o PT seja “socialista”, como consta do programa.Ou será que estariam de acordo em defender o que Noam Chomsky definiu como “socialismo dos ricos”?

(Transcrito do correiocidadania.com.br)

Comentarista responde ao deputado Sarney Filho e lhe dá boas dicas sobre preservação do meio ambiente.

Rodrigo de Carvalho

A despeito da falta de cuidado do príncipe do Maranhão em saber da autoria do texto que motivou sua resposta, creio que não se pode deixar de questionar o príncipe que acusa o blog de publicar inverdades e intrigas.

Mas quem é que sempre viveu de mentiras e intrigas neste país? Inclusive, acarretando os alarmantes índices de miséria e subdesenvolvimento do estado do Maranhão.

Quero lembrar também que o príncipe do Maranhão já foi ministro do meio ambiente e sabe muito bem, como Marina também sabe, que quase a totalidade da madeira consumida no Brasil é proveniente de desmatamentos ilegais. A bem da verdade, como nunca houve um projeto de plantio de longo prazo para as espécies de árvores mais comerciais, a construção civil é quem mais consome as madeiras ilegais.

Após serem travestidas de legalidades por DORFs (documento de origem florestal), que sucederam as ATPFs, as essências são comercializadas sem problemas maiores. Cabe lembrar também que os desmates ilegais contam com a conivência das autoridades locais, uma vez que é impossível que toras imensas levadas por caminhões possam circular  sem serem notadas.

Se alguma polícia for acionada certamente alegará que só o Ibama conhece e pode fiscalizar e o Ibama, consequentemente (ou inconsequentemente) alegará que não tem agentes suficientes para cobrir a totalidade do território nacional.

Como ambientalista, proponho inclusive, que as empresas que utilizem madeira nativa tenham que ser obrigadas, por lei, a plantarem as essências mais utilizadas, para que daqui a 20, 30, 40 anos possam realizar de fato o chamado desmatamento legal e sustentável.

“Código de Conduta Ética” de Sergio Cabral não passa de um plágio da Lei de Improbidade Administrativa, que ele tem descumprido desde que assumiu o cargo.

Carlos Newton

Na tentativa de seguir iludindo a opinião pública, o governador baixou decreto instituindo seu “Código de Conduta Ética”, que regulará as relações entre os agentes públicos e o setor privado, como se já não existisse legislação que o faça.

Estão hipoteticamente incluídos nesse arremedo de “Código de Conduta Ética” o governador, vice-governador, secretários e subsecretários, presidentes, vice-presidentes, diretores e conselheiros de agências estaduais, autarquias, inclusive as especiais, fundações mantidas pelo Poder Público, empresas públicas e sociedades de economia mista.

O tal “Código” cabraliano na verdade não passa de um plágio mal alinhavado da Lei 8.429 (Improbidade Administrativa, de 1992), que o governador Sergio Cabral vem descumprindo com tamanha ousadia, tamanha desfaçatez e tamanha irresponsabilidade que não é exagero duvidar que ele esteja em seu juízo perfeito.

Em seu artigo 10, por exemplo, como se fosse grande novidade, o “Código” particular do governador proíbe os servidores de receberem presentes, transporte, hospedagem, compensação ou quaisquer favores, assim como aceitar convites para almoços, jantares, festas e outros eventos sociais.

Vamos conferir, então, o que dispõe o artigo 9º da Lei 8.429 e seu item I:

Art. 9° – Constitui ato de improbidade administrativa, importando enriquecimento ilícito, auferir qualquer tipo de vantagem patrimonial indevida em razão do exercício de cargo, mandato, função, emprego ou atividade nas entidades mencionadas no art. 1° desta lei, e notadamente:

I – receber, para si ou para outrem, dinheiro, bem móvel ou imóvel, ou qualquer outra vantagem econômica, direta ou indireta, a título de comissão, percentagem, gratificação ou presente de quem tenha interesse, direto ou indireto, que possa ser atingido ou amparado por ação ou omissão decorrente das atribuições do agente público.”

Como se vê, esses dispositivos da Lei de Improbidade Administrativa se encaixam perfeitamente no perfil do governador, já que o empréstimo de um avião a jato, para que fique à disposição dele, não deixa de ser um “presente” ou uma “vantagem econômica, direta ou indireta”.

O “Código” cabraliano só inova ao definir que “transporte, hospedagem, compensação ou quaisquer favores, assim como aceitar convites para almoços, jantares, festas e outros eventos sociais” podem ser considerados “presente” ou “vantagem econômica, direta ou indireta”, o que qualquer imbecil já sabia, menos o douto e culto governador Cabral.

Por coincidência, a publicação das normas cabralianas de conduta ocorre exatamente quando a oposição exige que seja investigado se o governador voou no jato do empresário Eike Batista para a capital das Bahamas, com escala em Manaus, em dezembro. Dados da Infraero mostram que um avião de Eike esteve no local no fim de 2010.

Na verdade, além da escandalosa viagem para o sul da Bahia em junho deste ano, o jato do empresário já tinha sido usado por Cabral em diversas oportunidades, inclusive para uma aprazível excursão às Bahamas, no Caribe, em 3 de dezembro passado. Na ocasião, a primeira-dama, Adriana Ancelmo Cabral, embarcou na aeronave junto com a esposa de Fernando Cavendish, dono da Delta Construções, que tem contratos de cerca de  R$ 1 bilhão com o governo.

Mas, na madrugada do dia 3 para o dia 4, a Polícia Federal não permitiu que um dos filhos de Jordana continuasse a viagem sem autorização do pai, em Manaus. Ela foi obrigada a continuar no local até que a documentação fosse enviada, porém a primeira-dama prosseguiu a viagem até Nassau, capital das Bahamas. Depois, o avião de Eike voltou para buscar Jordana em Manaus.

Em seguida, o jato retornou ao Rio de Janeiro para levar o governador para as Bahamas. O uso da aeronave do empresário proporcionou uma economia em passagens de cerca de R$ 600 mil. O grupo ficou hospedado no Hotel  Atlantis, onde as diárias custam US$ 800.

A assessoria do governo não quis comentar o assunto, compreensivelmente, demonstrando que agora Cabral precisa baixar um Código de Conduta Ética específico para sua assessoria.

Falta a polícia entrar em cena

Carlos Chagas

Será que 40 deputados e 5 senadores valem a permanência no cargo de um ministro cujos principais auxiliares foram flagrados superfaturando obras públicas e recebendo propina de empreiteiras? Além disso, quem garante que as bancadas do PR marchariam unidas para a oposição, pelo fato de perderem um ministro, Alfredo Nascimento,  e de verem seu comandante maior,  o deputado Waldemar da Costa Neto, acusado de chefe da quadrilha?

Não dá para entender a solidariedade da presidente Dilma Rousseff, dizendo que confia no ministro dos Transportes para apurar a lambança da qual nem ela duvida, pois foi por sua iniciativa que quatro quadrilheiros  viram-se afastados de suas funções. Porque de duas, uma: ou Nascimento sabia de tudo ou não sabia de nada. No primeiro caso, tinha de ser demitido por razões óbvias. No segundo, por ser um bundão.

As coisas mais se complicam  quando se atribui a auxiliares da presidente o comentário de que o ministro não será poupado se surgirem novas acusações.  Ora bolas, não bastaram as denúncias que ganharam a mídia, envolvendo  mais de 300  milhões de reais de  aditivos de contratos anteriores,  desviados para as empreiteiras e para o bolso dos bandidos? É aquela historia do bravo cidadão que leva uma bofetada e diz ao agressor: “Se der outra eu vou reagir!”

A situação pior não fica,  a menos que o Tiririca,  campeão de votos do PR, decida largar o partido. Ou o suplente de senador, João Pedro, entregar  a suplência de Alfredo Nascimento, mesmo sendo amigo do peito do ex-presidente Lula.

Em suma, nessa novela ainda inconclusa, falta o capítulo da entrada em cena da polícia.  

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DISPUTA ANTECIPADA

Os mandatos de José Sarney, na presidência do Senado, e de Marco Maia, na Câmara, terminarão apenas em fevereiro de 2013, mas os postulantes aos dois cargos já se movimentam, impulsionados pelo provérbio árabe de que bebe água limpa quem chega primeiro na fonte. De início será preciso resolver a equação partidária: o PMDB continuará com o Senado, e o PT com a Câmara? Nesse caso, Renan Calheiros posiciona-se para suceder a  Sarney, e Cândido Vaccarezza, a Maia.

Acertando-se a inversão, embola o meio campo. Quem o PT indicaria  para o Senado? E o PMDB, para a Câmara?  Os pretendentes podem variar quase ao infinito, sem a certeza de que estes apoiarão aqueles, e vice-versa. Seria hora de as oposições tentarem rachar a muralha erigida pelos dois maiores partidos nacionais.¦lt;br />                                                       ¦lt;br /> Houve tempo em que essas duas  presidências eram decididas no palácio do Planalto. Os generais-presidentes  escolhiam seus mais  fiéis representantes. De lá passamos para o período Severino Cavalcanti, quando os grotões  rebelaram-se  contra as cúpulas. No próximo ano e meio o Congresso  tentará evitar esses dois extremos.

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COM ESFORÇO, DÁ PARA JULGÁ-LOS

O ministro  Joaquim Barbosa, do Supremo Tribunal Federal, como relator dos processos contra os 39 mensaleiros, desenvolve o maior de seus esforços para  vê-los julgados ainda este ano. Possível é, ainda que não provável. A impressão que se tem, do lado de fora da mais alta corte nacional de justiça, é de que cada caso será um caso.

Não haverá, por parte dos 11 ministros, a tendência à uniformização, ou seja, ou todos serão condenados ou todos absolvidos. Tem  réus mais implicados do  que outros, como Delúbio Soares, Marcos Valério e alguns mais empenhados na execução  da maracutaia. Há os que se beneficiaram muito e os que se beneficiaram menos. Como também existem os cérebros de toda a operação.  O importante seria que as sentenças viessem antes de dezembro. Garantir, porém, não há quem garanta.

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QUEM SERÁ O CHEFE?

No final da Segunda Guerra Mundial,  reconhecido como o grande herói da Inglaterra, arrogante chio de empáfia, o marechal Bernardo Montgomery foi indagado pelos jornalistas a respeito do segredo de seu sucesso. Inflando o peito, ele respondeu: “É porque eu não bebo, não  fumo e  não jogo”.

Enciumado, pouco antes de perder eleições,  o primeiro-ministro Winston Churchill convocou os repórteres e disse: “podem escrever que eu bebo,  fumo e jogo, e sou o chefe dele…”

Por que se conta essa historinha? Para que, guardadas as proporções, se investigue quem, no PSDB, é o marechal vitorioso e quem é o chefe dele. Nessa definição poderá estar o sucesso ou o malogro dos tucanos na próxima sucessão presidencial. Fernando Henrique está mais para Montgomery e  José Serra, para Churchill? Mas onde classificar Aécio Neves e Geraldo Alckmin?

Trocando passes para o lado, seleção de Mano Menezes é um fracasso

Pedro do Coutto

O treinador Mano Menezes positivamente não conseguiu ainda acertar, depois de vários jogos, um estilo definido (e produtivo) para a seleção brasileira. Os fatos comprovam o fracasso: perdemos para a Argentina de um zero; de dois a zero para a França; empatamos com a Holanda, zero azero. Voltamos à escala zero do incrível empate de domingo em La Plata contra o fraquíssimo time da Venezuela. Em quatro partidas, três amistosas, mas uma pra valer, não marcamos um gol sequer.

Desempenho vergonhoso. E pior: dificilmente vamos evoluir porque o modo de atuar vem se repetindo de forma intoxicante. Trocamos passes para o lado, há poucos deslocamentos, com isso reduzem-se as opções de ataques e temos que tocar a bola dezena de vezes para chegar à áreas adversárias. Domingo à tarde foi mais um triste espetáculo. Um vexame.

Para início de conversa, falta um homem de frente, atacante típico, capaz de intranquilizar a defesa adversária e, assim, distanciá-la das ações de meio campo. Alguém como Luís Fabiano, não digo ele porque não sei se está bem, mas outro atleta do mesmo estilo. Sem atacar firmemente, nenhuma equipe pode vencer. Transformar-se, como se dizia antigamente, num conjunto de armandinhos. Expressão que sintetiza um grupo de jogadores que armam jogadas porém não atiram em gol. Não finalizam.

É o caso de Robinho, Ramires e, surpreendentemente, Paulo Ganso. Este não repetiu contra a Venezuela a boa atuação que teve no Santos quando o clube de Vila Belmiro derrotou o Peñarol e conquistou brilhantemente a Taça Libertadores. É possível que Ganso seja, como vários outros, um craque de time, mas caindo de rendimento no escrete. Aconteceu isso, por exemplo, com Lionel Messi, na equipe da Argentina. Não jogou nada na Copa do Mundo do ano passado. Atuou muito mal contra a Bolívia na abertura da Copa América. No Barcelona, entretanto, é um gênio da bola, equiparando-se aos maiores jogadores de todos os tempos, exceto, claro, Pelé e Garrincha.

Voltando à Seleção de Mano Menezes, percebe-se a predominância de um ritmo lento que leva a uma sensação de sonolência. Que irrita. Sobretudo porque habilidade não falta a craques como Neymar e Pato, este aliás o único que mostrou disposição na partida do dia 3, mas que terminou isolado nas ações ofensivas. Avança, mas não chegava ninguém para lhe oferecer uma alternativa da área adversária. Neymar é extremamente hábil, mas a lentidão da equipe favorece a marcação sobre ele.

Não só sobre ele, supercraque. Mas sobre todo o selecionado. Abrimos mão de velocidade a qual, de fato, abre as melhores perspectivas para a criatividade. Sem velocidade, o time brasileiro se iguala aos demais. Atuamos como s estivéssemos marcando a nós mesmos. Quanto mais veloz for uma equipe, menor  número de passes vai trocar para romper a defesa contrária. Quanto mais lenta, mais fáceis serão os movimentos de cobertura. Uma prova disso? Basta levantar o número mínimo de faltas que os venezuelanos cometeram. Não precisavam. O Brasil jogou sempre atrás. Com isso, só Mano Menezes não vê, percorríamos invariavelmente uma distância maior para organizar nossas manobras.

Pois a bola corre mais do que o jogador. Expressão inclusive usada pelo maior zagueiro central de todos os tempos, Domingos da Guia, numa entrevista a Geraldo Romualdo, Jornal dos Sports, quando em 48 despediu-se dos gramados. Domingos da Guia está para o centro da área assim como meu amigo Nilton Santos, para a lateral esquerda. Quase se encontraram. Mas quando Santos atingia a consagração, Domingos saia de cena. Mas esta é outra questão. Pertence à história do futebol.

Mano Menezes tem de mudar o estilo da equipe. Sem um homem de frente, nada feito. Ele tentou Fred ao substituir Robinho. Melhorou, mas Fred é um estilista, não um ponta de lança que rompa, chute e faça gols. E como dizia o meu amigo Nelson Rodrigues, quem faz gol não precisa fazer mais nada. A frase, evidente, é impressionista. Mas contém uma forte de verdade. Ou Mano muda, ou não ganhamos de ninguém.

Adeus a Itamar

Sebastião Nery

JUIZ DE FORA – Ele sempre foi Forrest Gump. Mesmo quando fazia  errado, dava certo. Mineiro de Juiz de Fora, mas nasceu em Salvador, na Bahia, em 28 de junho de 1931, chegando de navio. Chamava-se Itamar Augusto Cautieiro Franco, não se sabe se “pedra (ita) no mar” ou “navio (ita) no mar”. Pela estrela, devia ser navio. Pedra afunda.

Presidente do Diretório Acadêmico da Escola de Engenharia de Juiz de Fora, comandava seis votos (dois da Engenharia, dois da  Enfermagem, dois da Assistência Social) e era um sufoco arrancar a decisão dele antes de cada eleição da nossa UEE, União Estadual dos Estudantes (eleição indireta, dois votos por Faculdade). Até nos prendia.

Em 1953, Peralva Miranda Delgado, líder na Faculdade de Direito de Juiz de Fora, vereador do PTB eleito pelos comunistas (depois vice-reitor da Universidade Gama Filho, no Rio), iria com Itamar pegar-me na estação para discutirmos a eleição da UEE. Peralva não foi, nem Itamar. Desci sozinho e um investigador de Belo Horizonte, que estava no trem e me conhecia do “Jornal do Povo”, do Partido Comunista, levou-me para o xadrez. Cadeia siberiana. Um frio de lascar, a noite inteira sentado em um banquinho. Até que Peralva e Itamar me descobriram no dia seguinte. Mas Itamar não falhava conosco. Votava sempre com a esquerda;

***
PREFEITO

Em 1954, 23 anos, antes da formatura, candidato a vereador pelo PTB, perdeu. Em 58, candidato a vice-prefeito, sempre pelo PTB, perdeu novamente. Veio o golpe de 1964 e cassou o PTB inteiro de Juiz de Fora, a começar por Clodismith Riani, presidente Nacional da CGT. Menos Itamar. Era amigo do governador Magalhães Pinto, que o protegeu.

O comando da UDN de Juiz de Fora era de Pedro Aleixo. Através de José Aparecido, amigo de Itamar, Magalhães fazia política em Juiz de Fora aliado ao PTB, que o apoiou contra Tancredo Neves em 60.

Em 1966, fundador do MDB, era o único petebista importante de Juiz de Fora não cassado. Disputou a prefeitura e ganhou com 75% dos votos. Em 1972, voltou à prefeitura. Em 74, Tancredo, o candidato natural, não acreditou na eleição para senador. Matando os assessores de angustia, Itamar deixou a prefeitura no derradeiro minuto. Saiu para ganhar.

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SENADOR

Candidato da ARENA, José Augusto, ex-presidente da Assembléia, instituição do PSD, desafiado por Itamar para um debate, não aceitou. Esperou Itamar viajar para o interior, pôs uma cadeira vazia no programa da ARENA na televisão e dizia que o estava esperando para o debate.

Itamar voltou sem dizer nada, entrou no estúdio (os programas eram ao vivo), sentou na cadeira e desafiou: “Cadê o Zé Augusto? Chamou e correu”. O velho jantava em um restaurante próximo, pegou um porrete, foi para a televisão e entrou no estúdio para quebrar Itamar. Os câmeras não deixaram. Minas inteira viu, foi um escândalo. Itamar ganhou.

***
COLLOR

Presidente da Comissão de Corrupção do governo Sarney no Senado, em 89 Itamar pensava em ser vice de Brizola. Disse-me que ele ia ganhar. Hélio Garcia, governador, também queria ser vice de Brizola. Brizola sabia e nunca ligou para nenhum dos dois.Dizia que mineiro iria conspirar contra ele. A paranóia de Brizola achava que ele era Getúlio e ganharia sozinho.

Itamar foi vice de Collor. Apesar do empenho dos amigos Hélio Costa, Renan Calheiros, eu e outros, só decidiu mesmo numa quase madrugada, no gabinete do Ministério da Cultura, depois de horas de discussão com José Aparecido, que o convenceu assim (vi e ouvi):

– Se você se eleger vice de Brizola, não muda nada na política de Minas. Brizola não entra em Minas. E, se perder, fica mal. Mas se você se eleger vice de Collor, você comanda Minas. E, se perder, não perde nada.

A entrada de Itamar no PRN e o registro da candidatura no cartório de Juiz de Fora, no último minuto, foi uma operação de desespero.

***
A ESTRELA

Dias depois, Itamar foi pela primeira vez a Minas com Fernando Collor, para um debate na Federação das Industrias. Quando descemos no aeroporto da Pampulha, estava lá, aflito, o jornalista Odin Andrade, querido companheiro de velhos tempos da imprensa mineira:

– Nery, o Collor não pode cometer a loucura de ter o Itamar como vice. O Itamar tem uma estrela maior do que a do nascimento de Jesus Cristo. Se ele for o vice, Collor não acaba o mandato e ele vai ser o presidente. Diz ao Collor para tirar o Itamar e pôr outro. Ele é um raio.

Na volta para Brasília (Itamar ficou em Belo Horizonte), contei a conversa a Collor. Deu uma gargalhada. Riu da verdade. E deu no que deu.

***
“A NUVEM”

Em 2 de dezembro, fui lançar “A Nuvem” em Brasília. Itamar ligou:

– “Nery, não vou poder ir ao lançamento de seu livro. Estou indo a Juiz de Fora. É uma pena.  Nossa geração mineira de 1930 (ele de 31, eu de 32), de Zé de Castro a Zé Aparecido, está indo embora. Sucesso e se cuide”.

Domingo, aqui em Juiz de Fora, vi mais uma vez quanto Minas o queria.

Deputado Zequinha Sarney se diz perplexo com a matéria da Tribuna sobre a saída de Marina Silva do PV.

Deputado Sarney Filho

Em meio a nossa difícil luta contra retrocessos em nossa legislação ambiental, como líder do PV e coordenador da Frente Parlamentar Ambientalista, em especial nesse momento quando tentam mudar o Código Florestal, abrindo brechas para mais desmatamentos no país, causou-me perplexidade matéria assinada pelo jornalista Claudio Newton: “Marina vai mesmo deixar o PV, junto com Fernando Gabeira”.

As acusações infundadas por certo são de alguém que não acompanhou o meu trabalho ao longo das últimas décadas, em prol da sustentabilidade, na consolidação do PV como partido com voz na Câmara dos Deputados e no processo de filiação de Marina Silva à sigla.

Na tentativa de desqualificar a minha trajetória o jornalista sequer procurou me ouvir, ou àqueles que conhecem a minha forma de agir. Essa atitude em nada engrandece o jornalismo e dificulta a busca de entendimento na vida partidária, em especial no PV, que cresce cada vez mais por adotar bandeiras que vão ao encontro das aspirações da sociedade, como pôde ser confirmado nas eleições de 2010 .

Quanto a Marina, fui um dos primeiros a articular a sua vinda para o PV. Ela sabe disso. Conhece o meu trabalho. Temos trabalhado de perto na solução dos principais embates na área ambiental como parlamentares; quando fui ministro do Meio Ambiente; depois ela como ministra da área e nos últimos anos no Congresso Nacional e no PV.

Tenho conversado com Marina e com as correntes dentro do partido, deixando claro que sou contra decisão que implique a sua saída do PV. A sua história só engrandece o nosso partido e seria uma perda muito grande para todos nós.

O fato de enfrentarmos hoje momento difícil no partido, dá margem a intrigas e manobras, mas nada justifica uma publicação como essa, construída em cima de inverdades que nada constroem.

***

NOTA DE REDAÇÃO:

O deputado Sarney Filho está com toda razão. O jornalista Claudio Newton só tem causado problemas ao blog. Suas matérias contêm agressões gratuitas, que não levam a nada. Assim, em atenção ao líder do PV, de agora em diante este blog não aceitará mais os artigos de Claudio Newton.

Muito temos debatido aqui no blog sobre Deus e religião. E agora o comentarista J. E. O. Bruno nos envia um belo texto de Mário Ferreira dos Santos.

Carlos Newton

Mário Ferreira dos Santos  (1907-1968) foi um importante intelectual paulista, criador do sistema da Filosofia Concreta. Escreveu muitos livros sobre várias áreas do conhecimento, como Filosofia, Psicologia, Oratória, Ontologia e Lógica, publicados com recursos próprios sob o nome “Enciclopédia de Ciências Filosóficas e Sociais”.

Segundo Mário Ferreira dos Santos, sua Filosofia Concreta seria completamente baseada na lógica, não havendo possibilidade de discordância de seus pressupostos, a que chamou “teses”, de forma que a primeira delas é a fundamentação de toda a sua filosofia: “Alguma coisa há, e o nada absoluto não há”, da qual extrai outras teses, passando pelos principais tópicos da Filosofia.

***
QUAL É A MAIS VERDADEIRA DAS RELIGIÕES?

Mário Ferreira dos Santos

Eu tinha um aluno, dos mais inteligentes, que havia revelado o maior talento para a Filosofia, e me parecia que ele aceitava plenamente tudo o que eu propunha e dava em aula. Um dia ele pediu um encontro particular, veio a minha casa e me disse: “Professor, eu quero avisar-lhe que vou deixar de freqüentar as suas aulas”.

“Pois não, qual é o motivo?”, perguntei, e ele respondeu: “Eu perdi a fé,  não creio mais, não posso admitir nenhum fundamento na religião, no cristianismo, primeiro porque Cristo para mim não tem nenhum sentido histórico, Cristo não existiu, Cristo é uma invenção”.

Prosseguiu dizendo que nesta vida devia se procurar os frutos que ela pode dar, porque só aqui é que vamos colhê-los, porque a outra não existia. Ele estava completamente descrente. “Bem”, disse para o jovem, “fico muito satisfeito por um lado e triste por outro. Triste por saber que você chegou a este ponto, mas satisfeito pela sua atitude honesta de vir comunicar-me esta sua posição atual, mas me permita que fale um pouco, que lhe diga alguma coisa”.

Disse: “Então vamos examinar Cristo por um ângulo fora da religião, vamos examinar Cristo pelo ângulo puramente estético. Olhamos assim os personagens criados pela literatura através dos tempos e veremos que nenhum desses personagens, você pode escolher qualquer um, o que quiser, Lohengrin. Don Quixote etc., nenhuma desses personagens apresenta a grandeza da vida de Cristo”.

Naturalmente não vou relatar os detalhes da conversa, não há necessidade. Falei sobre a vida de Cristo, a grandeza de Cristo, a sua primeira manifestação nas bodas de Caná, Cristo ante a adúltera, Cristo nas suas pregações, Cristo através de todo tempo etc. Mostrei, por exemplo, que Don Quixote adequava-se a uma determina época, mas não teria sentido, por exemplo, dentro da sociedade atual. Mas que observasse que também a “Crítica da razão pura”, de Kant estaria adequada a época em que foi feita, imagine ela feita na época das Cruzadas, não teria nenhum sentido, nenhuma adequação com a época.

Prossegui: “Podemos citar vários exemplos dessa espécie, que é um aspecto histórico, mas você observa que Cristo não tem essa historicidade, que Cristo vence a história, que Cristo podia vir hoje, que Cristo podia ainda hoje estar pregando, que Cristo podia estar seguindo pelos caminhos do mundo a pregar para as multidões, a apurá-las a fazer o bem, Cristo é eternamente atual, tem uma atualidade que ultrapassa ao tempo. Além de que você não pode negar que Cristo corresponde perfeitamente ao arquétipo que você tem, que você deve ter, que é humano, o arquétipo do grande santo, o arquetipo do grande herói, o arquetipo do grande sábio. Nós vemos Cristo representar este arquetipo em todos os aspectos, você não pode me negar a verdade arquetípica de Cristo. Ele corresponde a estes arquétipos, você não pode ofender Cristo, você não pode chegar a negar o valor deste homem, você teria que reconhecer que esta personagem, se tivesse existido, você lhe prestaria homenagem”.

Ele foi concordando, não podia deixar de concordar, então eu disse: “Vamos partir da verdade arquetípica de Cristo, como o maior exemplo do sábio, do santo e do herói. Basta-me isto para que possamos daí levar avante e recuperar o que você perdeu”.

“Eu aceito tudo isso, mas a historicidade dele, não”, replicou.

Insisti: “Mas não preciso da historicidade dele, Cristo é uma verdade humana dentro de todos nós, todos nós o desejamos, todos nós queremos este sábio, este santo, este herói, todos nós marchamos para ele. Você pode negar a historicidade como quiser, mas você não pode negar a si mesmo, não pode negar a sua própria realidade, é o seu coração que pede, é todo o seu ser que clama por isso, você gostaria que fosse assim, você queria um mundo cristão, você queria um mundo em que os homens se amassem uns aos outros, você queria um mundo em que todos se compreendessem, um mundo de reconciliações, um mundo em que os homens se reconciliassem com a vida e uns com os outros, você não pode negar que tem que sentir este desejo, isto também é uma arquetipo dentro de você, é uma arquetipo social que você tem”.

Ele não pôde negar, não podia negar, porque era honesto, já o fora na atitude que havia tomado para comigo e assim tinha que prosseguir. Este homem foi recuperado, voltou-lhe a fé, ele reencontrou a fé através dos arquétipos.

Pois bem, estes arquetipos que hoje são estudados profundamente na psicologia analítica não devemos temê-los, eles são nossos também, também fazem parte das nossas verdades. Estes arquétipos, à proporção que a psicologia analítica neles invade, vai se aproximando também dos princípios arquetípicos que constituem a Matese, e nós podemos reduzi-los mais adiante a princípios matéticos, como tenho feito na minha obra. Veremos que por todos os caminhos do homem até por aqueles que descem o homem, podem ser dirigidos por Deus e este é o ponto fundamental.

Eu tenho um pensamento de religião que talvez seja um pouco diferente, mas é o meu pensamento, e quero ser honesto em dizer qual é. Eu sigo o pensamento dos pitagóricos quanto à religião, eles não foram homens que construíram uma religião, nem pretenderam fazê-la, porque Pitágoras respeitava as religiões existentes, e ele somente anunciava que viria uma religião, uma religião que seria universal. Então perguntaram se era ele o homem que deveria fazer esta religião e ele disse: “Não, sou apenas um anunciador da nova fé”

Perguntaram: “Quais os sinais que nos dás para que reconheçamos quando surgir esta nova religião?” Ele disse: “Será aquela que for a mais verdadeira das religiões”. “E qual é a mais verdadeira das religiões?”, insistiram. “A mais verdadeira das religiões é aquela que ensina o homem a assemelhar-se a Deus.Porque só nos engrandecemos à proporção que Dele nos aproximamos e que Dele nos assemelhamos, e Dele nos afastamos à proporção que Dele nos dissemelhamos”.

Dizia Pitágoras aos seus discípulos: “Assemelhai-vos a Deus, assemelhai-vos ao Ser Supremo que é oniperfeito, e cada um de vossos atos perfeitos que seja uma oferta ao Ser Supremo, e estareis, então, prestando-lhe a homenagem que lhe é devida”.

Manifestação contra Cabral, no Rio, interrompe o trânsito desnecessariamente e não consegue apoio popular.

Carlos Newton

A manifestação contra o governador Sérgio Cabral, realizada agora há pouco no Largo do Machado, seguida por uma passeata até o Palácio Guanabara, estava muito bem organizada, mas cometeu o mesmo erro de sempre: fechou as ruas, num ponto estratégico da Zona Sul do Rio, provocando um engarrafamento desnecessário, com muitos transtornos à população.

No tempo do regime militar, qualquer manifestação ganhava logo apoio popular, parava-se o trânsito e ninguém reclamava, era sempre sucesso. Com a volta da democracia, a coisa mudou de figura. Ninguém apoia uma manifestação que fecha as ruas propositadamente, não havendo possibilidade nem das ambulâncias passarem, como ocorreu hoje.

Os organizadores dessas manifestações precisam adaptá-las aos novos tempos. No caso, o percurso entre a concentração, no Largo do Machado, e o final da passeata, no Palácio Guanabara, é de aproximadamente dois quilômetros. A passeata poderia percorrê-los ocupando apenas a metade da Rua das Laranjeiras, deixando o trânsito fluir, e tudo correria bem.

O pior foi que, diante do viaduto que dá acesso ao Túnel Santa Bárbara, importante a passagem da Zona Sul para o Centro, os manifestantes simplesmente sentaram no meio da rua. Para quê? Como dizia o poeta pernambucano Ascenso Ferreira, parodiando Cervantes, “para nada”. E ainda queriam ganhar apoio da população local.

O dólar cai, ameaçando perigosamente a indústria brasileira. A equipe econômica fica comprando dólares e aumentando as reservas, inutilmente. Por que não podemos seguir o exemplo da China?

Carlos Newton

O comentarista José Lyra indaga nossa opinião sobre a queda vertiginosa do dólar frente ao real. É claro que a queda da cotação do dólar tem problemas externos (a situação de crise da economia americana) e internos (a forma como a equipe econômica brasileira lida com isso). E realmente é espantoso o que está acontecendo na economia brasileira.

O Banco Central culpa a entrada líquida de dólares no País. O BC diz que esse fluxo financeiro é “composto por investimentos estrangeiros de longo prazo no setor produtivo e por captações de empresas brasileiras no exterior”, sem entrar em detalhes, quando seria fundamental saber que investimentos a longo prazo são esses. A alegação é muito intrigante, pois se sabe que essa entrada de dólares, em grande parte, não é para investimentos a longo prazo. Muito pelo contrário, são aplicações conhecidas como “hot money”, ou capital motel, sempre de curto prazo.

Muitas dessas aplicações são feitas na Bolsa de Valores. Em junho, por exemplo,os investidores estrangeiros lideraram a participação nos investimentos em ações, com 34,74%. Foi um mês ruim para a Bovespa, mesmo assim os estrangeiros estão lá, apostando na recuperação do índice, que nos últimos três pregões já subiu cerca de 4 por cento.

Com esse extraordinário volume de dólares ingressando na economia, o governo segue tentando intervir no mercado, para evitar que a cotação da moeda americana continue caindo em relação ao real, quem diria? E como resultado dessa política de intervenções, as reservas internacionais do BC continuam se elevando. Já perdi a conta. No início de março, lembro que havíamos passado de US$  310 bilhões em reservas. Isso é bom ou ruim?

As compras de dólares pelo BC no mercado à vista muitas vezes são maiores até do que o total de entrada de dólares e, como consequência, acabam se refletindo na posição cambial “vendida” dos bancos, quando apostam em mais valorizações do real frente ao dólar, no mercado futuro.

Traduzindo de novo: o Banco Central está adotando uma política suicida, porque cada vez que compra dólares, tem de emitir títulos da dívida interna em valores correspondentes, que pagam taxa Selic, ou seja, 12,25% de juros anuais. Com isso, a dívida interna aumenta na mesma proporção das reservas cambiais, mas como uma imensa diferença: as reservas rendem 2% ao ano, enquanto a dívida interna paga 12,25%. Isso é bom ou ruim? É um péssimo negócio.

E os bancos brasileiros, que no mercado futuro apostam na queda do dólar, fazem sucessivas captações no exterior em dólar, a juros baixíssimos, e investem e emprestam aqui em reais, com as mais elevadas taxas do mundo. Um excelente negócio. Por isso, estão lucrando como nunca.

A situação é cada vez mais crítica, porque a queda do dólar está provocando um fenômeno perigosíssimo – a desindustrialização. E o governo assiste inerte. Só há uma saída, a meu ver: a suspensão do câmbio flutuante, que é um dos orgulhos dos economistas do governo e está nos criando graves problemas.

O ideal é o câmbio flutuante, não há dúvida, mas nem sempre é possível. O Brasil já praticou uma política de câmbio fixo em várias oportunidades. Às vezes não há opção. Todos sabem que a China está indo muito bem economicamente, mas poucos lembram que lá o câmbio nunca foi flutuante. Quem sabe o que é bom para China não seria também bom para o Brasil, pelo menos durante um certo período?

Dilma começou bem no caso do Ministério dos Transportes, até que de repente resolveu perdoar o ministro. Coitado, ele não sabia de nada e agora terá de investigar os amigos.

Carlos Newton

É triste, mas temos de retirar o elogio feito ontem à presidente Dilma Rousseff, no caso de sua pronta intervenção para demitir a quadrilha que tomou conta do Ministério dos Transportes. Como é que a chefe do governo de repente tem uma recaída e manda até divulgar uma nota na qual manifesta absoluta confiança no ministro Alfredo Nascimento, que, se tivesse um mínimo de hombridade, já teria pedido demissão?

De acordo com a assessoria de imprensa da Presidência, caberá ao próprio Nascimento promover a investigação de denúncias de que a cúpula do Ministério sob seu comando promovia sobrepreço nas licitações e cobraria propina entre 4% e 5%, o que garantia às empresas aditamentos dos contratos.

“O governo manifesta sua confiança no ministro Alfredo Nascimento”, diz o texto lido por uma assessora. “O ministro é o responsável pela coordenação do processo de apuração das denúncias feitas contra o Ministério dos Transportes”, conclui.

Traduzindo: resolveram mandar o chefe da quadrilha investigar os crimes, que desta vez não foram revelados pela imprensa, mas pelo senador Mario Couto (PSDB-PA). Como registrou aqui no blog o comentarista Antonio Santos Aquino: “Da tribuna, dia sim dia não, o senador Mário Couto diz: “Pagot, tu és ladrão, estás roubando há muitos anos. Quem te segura, Pagot? Não esquece que eu estou te chamando de ladrão. E agora?”

A saudável novidade é que desta vez a própria Presidência da República resolveu ouvir a oposição, constatou que as denúncias de Mário Couto eram verdadeiras e defenestrou a quadrilha quase inteira. Pena que esqueceu de demitir o chefe, o próprio ministro, que também está necessitando de um belo Código de Conduta.

É claro que já circulavam muitos rumores sobre as irregularidades no Ministério, especialmente sobre a presença contínua do deputado Waldemar Costa Neto no gabinete do ministro Alfredo Nascimento, pois havia até uma sala especial reservada para ele, vejam a que ponto chegamos.

Aqui no blog da Tribuna, por exemplo, um dos comentaristas vivia fazendo brincadeiras com o sobrenome de Luiz Antonio Pagot, que era diretor geral do Dnit (Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes). O comentarista (não recordo o nome) perguntava sempre: “Quem pagot?” ou “Já pagot?”

No final de semana, Dilma afastou o chefe de gabinete de Nascimento, Luiz Tito Bonvini, o diretor-geral do Dnit, Luiz Antonio Pagot, e o presidente da estatal Valec, José Francisco das Neves, o Juquinha, muito ligado ao deputado federal Waldemar Costa Neto (PR-SP), que em 2005 renunciou ao mandato para escapar da cassação por causa de envolvimento no mensalão, configurando um caso de reincidência específica em corrupção.

Pois é, a presidente estava se saindo tão bem nesse primeiro episódio de graves irregularidades em seu governo (Palocci não conta, pois vinha corrompido desde o governo Lula), e não dá para entender essa recuada e a demonstração de confiança num ministro mais do que sujo.

Aqui no blog, Helio Fernandes cansou de escrever sobre Alfredo Nascimento, explicando que ele só continuava ministro para que seu suplente (João Pedro, do PT) seguisse exercendo o mandato no Senado. João Pedro é um sindicalista amazonense, amigo particular de Lula, o que explica quase tudo.

O quadro é complexo, mas é muito duro supor que Dilma Rousseff esteja mantendo Nascimento apenas para agradar a Lula, com a preservação do mandato de João Pedro no Senado. Seria uma baixeza inominável, capaz de manchar de forma indelével a biografia da atual presidente.

É preferível acreditar que seja apenas uma jogada de efeito, para distrair a arquibancada, com tudo acertado nos bastidores. A presidente faz a nota de apoio ao ministro, pede que ele próprio conduza as investigações, seus colegas e correligionários então sentem a alma lavada, mas logo em seguida o próprio Alfredo Nascimento repentinamente resolve pedir demissão, por se sentir desconfortável ao ter de investigar amigos tão íntimos. É possível que isso aconteça, seria uma jogada inteligente, mas o senador João Pedro iria para o espaço, perdão, perderia a cadeira no Senado.

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OPOSIÇÃO FAZ A FESTA

O líder do PSDB no Senado, Alvaro Dias, vai solicitar uma audiência pública com a presença do ministro dos Transportes, Alfredo Nascimento, e do ex-diretor-geral do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit), Luiz Antônio Pagot, para que eles prestem esclarecimentos sobre as denúncias de corrupção e superfaturamento de obras envolvendo esse ministério.

Já o líder do PSDB na Câmara, deputado Duarte Nogueira, considerou insuficientes as medidas adotadas pelo governo de afastar a cúpula do Ministério dos Transportes e abrir sindicância interna para apurar a existência de um esquema de corrupção que envolve pagamento de propinas.

Nogueira disse que o episódio merece “uma investigação profunda” e pretende apresentar uma representação ao Ministério Público para pedir a abertura das investigações. Além disso, encaminhará um requerimento à Polícia Federal e um pedido de auditoria especial para o Tribunal de Contas da União. E também não está descartada a convocação do ministro da Controladoria Geral da União, Jorge Hage, para comparecer nas comissões temáticas da Câmara e esclarecer se o órgão já tinha detectado irregularidades na área.

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SITUAÇÃO DE CABRAL SE COMPLICA

Embora aparentemente o escândalo no Ministério dos Transportes melhore a situação de Sergio Cabral, que sai do foco do noticiário, na verdade sua situação vai acabar piorando muito, porque um dos principais alvos da investigação será a Delta Construções, a empreiteira de Fernando Cavendish, um dos mais próximos amigos do governador fluminense.

Conforme assinalamos ontem no blog da Tribuna, a Delta Construções não é apenas a empreiteira favorita do governo do Estado do Rio de Janeiro, mas também uma das campeãs de faturamento nas obras a cargo do Ministério dos Transportes.

Quando o senador Mário Couto denuncia o Dnit, sabe muito bem o que está falando. Em seu Estado, o Pará, já houve uma grande operação da Polícia Federal que redundou na prisão de um dos diretores da Delta, por irregularidades em licitações, superfaturamento e muitas coisas mais, ou seja, nada mudou no Dnit.

Por fim, é triste constara que as relações perigosas de Cabral com Cavendish fizeram com que o governador se transformasse num personagem caricato, que sai pelas ruas à procura de um Código de Conduta, para tentar entender o que é certo ou errado. Que decadência.