A hora da reunião do Conselho, a hora do discurso de Sarney

Quase às 10 horas, duas informações, negadas e sonegadas, foram liberadas. Agora se sabe que a reunião do Conselho de Ética será às 3 horas. E como o próprio Sarney anunciou ontem, “falarei depois”, se especula com o horário de 4 horas. Como se vê, pouca diferença.

Por isso, durante toda a manhã, se garantia (mas sem nenhuma convicção) que Paulo Duque (suplente mas aristocrata do Conselho) não pediria o arquivamento das representações, nem vetaria algumas delas. Isso está sendo chamado de “armistício negociado”, mas ninguém garante nada. (Exclusiva)

Quer dizer que Clinton, ex-presidente e marido da Secretaria de Estado, foi à Coréia do Norte, ninguém sabia disso?

Fugindo um pouco do “assunto” Sarney, falemos dessa hipocrisia política, tão comum nos EUA. Querem convencer a opinião pública mundial que um ex-presidente foi à Coréia do Norte por vontade e inspiração própria, sem o menor conhecimento da Casa Branca?

Os amestrados do mundo (e do Brasil) aceitaram e divulgaram. Ninguém sabia de nada, Clinton foi esperado no aeroporto, imediatamente recebido pelo ditador, que não recebe ninguém. Conversaram, poucas horas depois, Clinton embarcava de volta, levando duas jornalistas condenados a 12 anos de prisão.

De boca, o ditador disse ao ex-presidente, “estão ABSOLVIDAS, podem viajar com o senhor”. Hoje, às 10 da manhã, chegavam à Califórnia. Como a Casa Branca fica em Washington, continuavam sem saber de nada. (Exclusiva)

Redundância e desperdício

Senadores (e principalmente os suplentes sem voto, sem povo e sem urna) enchem a boca e retumbam: “Falo como SENADOR DA REPÚBLICA”. Ora, não são republicanos, geralmente nem sabem o que é isso e se sabem não praticam.

E da REPÚBLICA, desde que acabaram com os “senadinhos” (que Rui Barbosa tirou da Constituição dos EUA) é pura redundância essa complementação.

Nos EUA, continuam os “senadinhos”, Obama foi senador estadual, antes de se eleger senador federal e depois presidente da República.

A sobrevivência de Sarney

Na segunda da BAIXARIA, ou hoje, na quarta da CALMARIA?
Não é PACIFICAÇÃO e sim CORRUPÇÃO

Os baderneiros da segunda-feira abriram inesperado caminho de conversação na terça e as duas incógnitas de hoje, quarta. São incógnitas mesmo, mostraram as armas mas não identificaram o calibre nem o poder de fogo.

Só duas coisas são conhecidas mas desde este momento (9 da manhã) até o fim da tarde esses dois fatos podem mudar de roteiro e produção, menos de ator principal. Quer dizer: atuará como ator principal até à reunião do Conselho de Ética, e depois como escritor do seu próprio discurso de permanência ou retirada.

Não foi por acaso que juntaram os dois fatos, mas fora daí não se sabe mais nada. As conversas de ontem bastante suspeitas, com “apelos” ao “entendimento”, mas sem que alguém falasse num “entendimento contra a corrupção”.

O que não se sabe daria para um livro branco.

1 – A que horas Sarney falará? 2 – Usará a tribuna do plenário ou a cadeira presidencial? 3 – Como anunciou, da cadeira de presidente, “falarei amanhã, depois da reunião do Conselho de Ética, já saberá o que esse Conselho decidirá?

4 – Se não sabe (pela formação do Conselho é impossível não saber) o que será resolvido, terá que preparar dois discursos ou dois “improvisos”. 5 – Um para o caso das representações serem arquivadas ou então recebidas.

6 – A terceira hipótese, muito conversada, seria não resolver nada, Sarney ficaria mais tranquilo.

7 – Discursando do plenário não será uma espécie de “fala do trono”, Sarney poderá ser aparteado. 8 – Aí será massacrado, sua posição é insustentável, não resistirá e a sessão levará horas. 9 – Explicavam que ao subir à tribuna, Sarney avisaria, “nunca pedi para falar sozinho, esta é uma ocasião especial”.

10 – A oposição a ele poderia não aceitar. Se aceitasse, correria em massa para refutá-lo, mas não estaria mais presente, a idéia é “se explicar”, sair e deixar a operação limpeza para os suplentes.

Diante disso, o cidadão-contribuinte-eleitor teria de agora até o discurso (sem contar a Ética, perdão, a reunião do Conselho) no mínimo 7 horas de angustia e espera, para preencher o vazio que criaram deliberadamente.

A ditadura acabava, Brizola aguardava, Maluf se lançava, Ulisses liderava, Tancredo festejava, Sarney operava

Senadores se estilhaçarem, se engalfinharem, se hostilizarem com palavras até impublicáveis, nada surpreendente. O clima e o tom das acusações já antecipavam o que houve na segunda-feira, bem tarde, quase chegando a noite. Disseram tudo que estavam pensando, uns dos outros, não esconderam nada.

Mas se transformarem em HISTORIADORES, é demais. Só mesmo repetindo o que Bernard Shaw afirmou ao visitar a primeira vez a Estátua da Liberdade: “Meu gosto pela ironia não vai tão longe”.

Os senadores que tentavam a humilhação recíproca e polivalente, mostraram que não só não conhecem História, como não sabem definir ou explicar até mesmo os episódios dos quais participaram. É inacreditável mas rigorosamente verdadeiro.

Só um civil, Fernando Lira, e um militar, o general Leônidas Pires Gonçalves, poderiam contar melhor esses fatos, que começaram em 1979/80 e tiveram uma parte do desfecho em 1985. Enquanto não são ouvidos, contarei o que vi, do qual participei, inclusive como personagem prejudicado.

A mudança do clima político-eleitoral começou a se tornar visível com a chegada dos exilados. Principalmente Brizola e Arraes. Os dois tinham prestígio e repercussão para tentarem consolidar o que pretendiam antes de 1964: a presidência da República. Brizola com mais chances, Arraes era sabidamente comunista, mesmo com o fim do golpe não dava para um comunista ganhar eleição.

Um dia, sem qualquer aviso, Brizola foi me visitar na Tribuna. Falou: “Fiz questão que a minha primeira visita fosse a você, por tudo que a tua resistência representa”, Carlos Lacerda havia morrido em 1977, e como Brizola tinha pontos de afinidade, ficamos amigos.

Eu pertencia ao traído MDB, no qual fora cassado em 1966, com Chagas Freitas “governador”, e Miro Teixeira faturando essas aspas. Preterido por Golbery, multinacional patrocinado pela Dow Chemical, mas esperto (nada a ver com inteligência), tirou o PTB de Brizola, teve que fundar o PDT. Continuei no MDB.

Num domingo do final de 1980, Tancredo me telefona, convida para um café no seu apartamento da Avenida Atlântica, conversa de horas e a colocação, textual: “Você quer ser senador, nosso partido precisa de um candidato, a legenda é tua, Helio”. A legenda era o PP, presidida por ele, com Magalhães Pinto como presidente de Honra.

Diziam que o PP não era de oposição ou de governo, Tancredo Neves insistiu, aceitei, ele me disse: “Você fez a opção certa, está eleito”. Minha entrada no partido, uma apoteose e outra surpresa. Me saudando, Tancredo Neves disse naquele vozeirão: “Agora quero ver quem vai dizer que o PP não é de oposição, se temos o jornalista que é o maior oposicionista do país?”.

Refleti sozinho na multidão: então era isso?

Em meados de 1981, estamos almoçando em Brasília, eu, Tancredo e o doutor Ulisses, presidente e maior líder do MDB, quando veio um porta-voz, com o recado: “O general Figueiredo quer falar imediatamente com os dois líderes”. Largaram o almoço, foram atender à convocação. Nem demoraram muito, era uma ordem. A ditadura já no chão, mas no Poder, decidira mudar as coisas.

Acabavam a Arena e o MDB, poderiam ser fundados quantos partidos quisessem, “com um P na frente da sigla”. Como não estabeleceram o número de letras da sigla, o MDB colocou um P na frente, passou a ser PMDB, até hoje não sei de quem foi a idéia que enfureceu Golbery (autor do projeto e o próprio Figueiredo) nada mais podia ser feito.

Brizola se fixou no PDT (que foi registrado), Tancredo que estava registrando o seu PP, ficou sem ação, tentou fazer a FUSÃO com o PMDB, não deu, criaram o que se chamou de INCORPORAÇÃO. Dois partidos num só, duas grandes lideranças disputando o mesmo objetivo, que era a eleição indireta.

Sabiam que uma exigência da ditadura derrubada era o período de TRANSIÇÃO. Os militares queriam essa eleição indireta, que achavam que poderiam mobilizar e manipular.

Só que o deputado Dante de Oliveira, “inspirado” pelo Doutor Ulisses, apresentou projeto na Câmara, estabelecendo a eleição direta, que ficou nacionalmente conhecida como “DRETAS JÁ”.

*  *  *

PS – A Arena passou a ser PDS, inversão das letras PSD, de antes de 1964, o maior partido brasileiro. E Sarney, que servira à ditadura, surgia como presidente do PDS, com todo o fervor democrático que era capaz com seus 52 anos de acomodação.

PS2 – A votação das “DIRETAS JÁ”, a grande batalha entre Tancredo e Ulisses. Os dois combatendo lado a lado, mas os dois sabendo que disputavam uma batalha que não poderia ter dois vencedores.

*  *  *

(Amanhã termino, é muita coisa. Sabendo fatos contados por Tancredo, mas do lado de Brizola. Este sabia que o “Terceiro Homem” era um excelente filme, que não poderia ser refilmado na vida real e política. E como repórter, acompanhando tudo).

Interesse do estado é coletivo, não particular

Pedro do Coutto

O despacho de um desembargador de Brasília impondo a censura própria das ditaduras do passado ao jornal O Estado de São Paulo não constitui apenas um absurdo deplorável à lua da Constituição do país, mas também uma interpretação equivocada e ilegítima da lei 11.111 de 5 de maio de 2005, portanto sancionada pelo presidente Lula. O artigo 220 da Carta Federal, citado em editorial de domingo daquele órgão de imprensa afirma categoricamente que nenhuma lei conterá dispositivo que possa constituir embaraço à plena liberdade de informação jornalística em qualquer veículo de comunicação social. As complementações do princípio estão contidas ao longo da lei maior, a começar pelo artigo 5º. Uma delas veda o anonimato. Outra assegura o direito de resposta. Uma terceira sustenta que a vida privada é inviolável. A quarta assegura o sigilo da correspondência.

Estranhos convênios entre entidades privadas e órgãos púbicos não pertencem, é claro, à vida privada de pessoa alguma. A lei na qual o magistrado se baseou –base falsa- ressalva o não acesso aos documentos públicos na hipótese em que o sigilo seja ou permaneça imprescindível à segurança da sociedade e do Estado. Ora, em que ponto as acusações (não respondidas) ao empresário Fernando Sarney pertencem ao universo do indispensável à segurança do Estado e da sociedade? Em ponto algum. Isso de um lado.

De outro, as matérias relativas ao segredo de justiça são próprias do Direito de Família, em particular, não do Direito em geral. O Direito de Família é de ação privada, muito diferente dos processos de ação pública, nos quais o Ministério Público intervém obrigatoriamente. Como foi no caso de Fernando Sarney. A censura é sempre algo odioso. Um recurso dos que n/ao possuem argumento, a não ser os da força, como foi o caso dos governos militares que dominaram o país de 64 a 85, ou dos que tentam enveredar pela estrada do escapismo. Invariavelmente tem sido assim ao longo da história, não só a brasileira, mas universal.

Uma prova de que se trata de algo nebuloso próprio das sombras? Aqui está: não existe exemplo de obra de arte, documento político ou científico que tenha sofrido interdição em algum instante de trevas e que depois, com o passar do tempo, não tenha sido veiculado livremente, à luz da verdade. Para não buscar infinitos exemplos, basta citar Galileu, em 1610, com a teoria de que o mundo era redondo. Quase foi excomungado pelo Vaticano, passou por humilhações e ameaças sem fim. Recuou para salvar a vida. Com isso, condenou AA eternidade os que desejavam condená-lo naquele momento.

O segredo de justiça, até hoje, não possui regulamentação clara. É algo pessoal, não coletivo. Algo privado e não público. O desembargador Marcio Vieira confundiu a questão. Com isso, confundiu a si mesmo colocando sua amizade pessoal para com a família Sarney acima da própria legislação. Como garantir o sigilo de justiça, indaga o advogado Valdir Passos de Freitas, na publicação O Consultor Jurídico, se o processo passa pela Polícia, pelo Ministério Público, pela Vara Criminal em que estiver ajuizado, passa pelos advogados? Difícil. Mas não é só esta a questão.

O problema situa-se, plenamente, no aspecto público, abrangente e coletivo, e não na esfera individual. Inclusive envolve uma simples dedução lógica: se o segredo de justiça pudesse ser aplicado aos processos nos quais o interesse público é parte, então crime financeiro algum poderia ser publicado na imprensa. Com isso, os golpes e prejuízos se sucederiam sem que a opinião pública pudesse ser avisada do que os desonestos, que são eternos, tramam contra ela, contra o país, contra todos nós. A lei estaria assim ao lado do crime. Não da sociedade.

A culpa é da imprensa

Carlos Chagas

A moda parece secular e agora entra em nova ebulição: a culpa de tudo o que de ruim  acontece na política é da imprensa. São os meios de comunicação que inventam mentiras,  lançando-se em campanha contra as instituições e seus representantes.

Essa última saraivada de asneiras deve-se a gente de peso, como José Sarney, Renan Calheiros, Fernando Collor e, da qual não escapa  o próprio presidente Lula. Quando as coisas apertam  para eles, a solução é acusar a imprensa, como tem acontecido nos últimos dias. Querem “notícias boas” em vez de “notícias más”, imaginando que  a informação possa  ser adjetivada de acordo com  a reação de quem a recebe. Vestem o figurino de vítimas e não hesitam em desfigurar episódios e personagens do  passado.

Tome-se os exemplos dados por eles   esta semana:

Getúlio Vargas teria sido levado ao suicídio por ampla conspiração da mídia, a serviço de interesses escusos e anti-nacionais. Pode até ser verdade que a maioria dos jornalões, em 1954, insurgia-se contra as iniciativas nacionalistas do então presidente, disposto a diminuir a submissão do Brasil a interesses alienígenas. Mesmo assim, a blitz contra Vargas só entrou em seu período agudo depois de descoberta a participação da Guarda Pessoal do Catete no atentado contra Carlos Lacerda e, mais ainda, revelado o exagerado patrimônio financeiro do tenente Gregório Fortunato. Sem falar na contratação confirmada de um pistoleiro que,  em vez de matar o jornalista, matou um oficial da Aeronáutica.

João Goulart também se viu alvo de ampla campanha dos jornais, rádios e televisões, mola mestra da sensibilização da opinião militar que o derrubou. Também é inegável, mas terá a imprensa criado fatos como os da rebelião dos marinheiros, do estimulo pelo governo  à quebra da hierarquia nas forças armadas, do assalto ao poder pelos integrantes do Comando Geral dos Trabalhadores e da  confusão em    que se transformaram a economia e a administração?  Foram esses acontecimentos, mostrados nas folhas, nas telinhas e nos microfones que contribuíram para o golpe militar. Sem eles, Jango teria concluído seu mandato.

Fernando Collor, tantos anos depois, teria sido  deposto e obrigado à renúncia por ação  da mídia? Ou tudo não  começou pela denúncia de seu irmão Pedro, a respeito das  lambanças do PC Farias e da arrogância da República das Alagoas em ignorar o Congresso e os partidos políticos?

José Sarney torna-se  a bola da vez, mas teria a imprensa criado os atos secretos do Senado, inventado as nomeações fisiológicas de seus  funcionários,  tirado do nada o nepotismo, o mau uso das passagens aéreas ou os desvios de verbas públicas para atividades privadas da família Sarney? Quem transformou a coisa  pública em  patrimônio privado? Os  repórteres, os colunistas, os editoriais e as notícias divulgadas a partir de gravações, denúncias e evidências óbvias de corrupção?

Sendo assim, conclua-se: o presidente do Senado tem todo o direito de defender seu cargo, de resistir e de   lutar contra adversários que o querem ver pelas costas por razões políticas e partidárias. Mas não poderia, de jeito nenhum, responsabilizar os meios de comunicação  pela crise. Não raro a  imprensa  exagera. Em muitos casos haverá razões ocultas e obscuras para o  exercício de sua atuação, mas acusá-la de criar fatos,  não dá para aceitar. Muito  menos admitir iniciativas para censurá-la, até com a conivência do Judiciário.

O PT sumiu

Coisa estranha foi a ausência da bancada do PT da sessão do Senado onde se discutiu a situação do presidente José Sarney. Apenas Eduardo Suplicy deu o ar de sua graça, mesmo assim por quinze minutos. Os demais escafederam-se. Sumiram para não ter que concordar com Pedro Simon, de um lado, ou com Renan Calheiros e Fernando Collor, de outro. Que José Sarney tivesse se retirado da direção dos trabalhos, ainda se admite. Caso permanecesse teria de ouvir diatribes e acusações de corpo presente, obrigando-se a reagir e incendiando ainda mais os debates, ou ficar calado e passar por fraco.

Mas o PT não comparecer foi mais do que esperteza. Foi omissão. Covardia. Ou seus senadores apóiam a permanência do presidente do senado no cargo, ou reafirmam o conteúdo da nota onde opinaram pelo seu afastamento. Fugir da definição foi um vexame.

Comemoração polêmica

O Congresso realizou sessão solene, terça-feira de manhã, em comemoração aos dez anos da criação do ministério da Defesa. Foram discursos sem conta em homenagem às Forças Armadas e até elogios ao ministro Nelson Jobim e aos três  comandantes.

Parecia uma festa, não apenas no céu, mas na terra e no mar.  O diabo é que ninguém teve coragem de denunciar haver sido  a criação do ministério da Defesa um ato de revanchismo contra os militares. Foi a forma encontrada pelo então presidente Fernando Henrique para fazer média com os radicais de esquerda, retirando Exército, Marinha e Aeronáutica da mesa de debates  do governo. Nossa tradição histórica foi abalada em nome de um ajuste de contas atrasado e defasado. Porque será sempre bom notar que mesmo obrigados ao espírito de corpo, os oficiais  generais de 1995, como os de hoje, eram tenentes e aspirantes em 1964. Nenhuma responsabilidade tiveram pelos  atos de maus chefes que durante 21 anos ocuparam o poder. Nem com seus acertos. Mas foram punidos a posteriori, mesmo depois que as Forças Armadas adotaram postura exemplar, afastando-se das questões políticas e  engolindo sapos em posição de sentido.

A criação do ministério da Defesa em nada contribuiu para o desenvolvimento e a  melhoria do estamento castrense.   Para integrar as três forças já existia o Estado-Maior  das Forças Armadas. Pelo contrário, o ministério da Defesa submeteu os militares  à liderança de civis desinformados de seus problemas e de suas concepções, muitos nomeados por razões políticas.

Construindo uma catedral

É milenar a história do rei que perguntou a três pedreiros o que estavam fazendo, já que realizavam o mesmo trabalho.   O primeiro respondeu que ganhava o seu dia de salário.  O outro,   que lapidava pedras. O terceiro  afirmou estar construindo uma catedral. Assim poderiam responder deputados e senadores se alguém lhes perguntasse sobre suas atividades. Uns ganham os vencimentos e não raro as mordomias. Outros cumprem seu dever de representar o eleitorado.  Mas sempre haverá os que dirão estar construindo a nação.  São esses os que poderão salvar a desgastada imagem do Congresso, caso venham a dedicar-se a reformar as instituições, começando pela deles. O problema é que exprimem, no máximo,  um terço do conjunto. Quem sabe com as  eleições do ano que vem a proporção possa ser alterada.

O desemprego aumenta nos EUA e no resto do mundo, as bolsas não sinalizam recuperação ou melhora

Comecemos pelo dólar, que hoje foi responsável (?) pelo espetáculo pirotécnico particular e pela queima de fogos (dinheiro do cidadão) publicamente. O Banco Central passou o dia inteiro comprando e atendendo a uma multidão de vendedores.

Por que isso? Primeiro que o BC pagava bem e comprava sem parar. E como a convicção unânime é de que o dólar vai continuar caindo, enfrentavam o BC e saíram vencedores.

Ficaram com o dinheiro do contribuinte, e como o dólar continuou caindo, podem recomprar como bem entenderem.

O fechamento da moeda foi em 1,81 alto, queda de 0,34%, bastante, levando em consideração a fúria compradora do BC. A abertura foi em 1,83 alto, mais 0,80%.

A Bovespa trabalhou (Ha! Ha! Ha!) até depois de três e meia em alta. Só aí passaram a vender. Desde o inicio as ações chegaram a provocar alta de 1 por cento cravado. Aí passaram a vender, fechou rigorosamente estável, em 56 mil pontos. O volume é o mesmo insignificante, de pouquinho mais de 4 bilhões.

Enquanto os jogadores das bolsas falam em recuperação, o que interessa e é o termômetro verdadeiro, o desemprego cresce em todos os países. Agora é a Espanha que anuncia 3 milhões e meio de desempregados, uma barbaridade para uma população pequena.

Golpistas querem Zelaya no Brasil

Vergonhoso, indecente, antidemocrático e até mesmo revoltante esse “convite” para que o desprezível ex-presidente de Honduras venha ao Brasil. Parece que é para não deixar sozinho o homicida do Irã, aquele que tem cara de “flanelinha” (nenhuma ofensa a estes).

Se confirmarem as duas visitas (verdadeira provocação à opinião pública) então precisam completar a lista dos “indesejáveis”, colocando o nome de Chavez, o coronel provinciano da Venezuela. Provinciano e com a angústia e o desespero de não deixar o Poder. (Exclusiva)

Baixaria histórica e sem precedentes

Augusto Magalhães Coimbra:
“Estou escrevendo decepecionado e até frustrado, sem sequer pedir desculpas, pois seu admirador, nunca vi o senhor se omitir como agora. Ontem à noite acessei logo seu blog para ver o que o senhor iria dizer sobre a sessão do Senado. Hoje o senhor certamente terá uma explicação.”

Comentário de Helio Fernandes:
Você justamente não pede desculpas, eu peço, completando que tenho explicação ou explicações, mas nenhuma delas conclusiva ou aceitável: NÃO CONSEGUI ESCREVER. De 5 às 7 fiquei vendo e ouvindo pela TV-Senado, aquela barbaridade, fiquei tão assombrado que não havia o que dizer. Como gosta de repetir o brilhante professor Helio Jaguaribe, eu precisava condenar o CONTINENTE e o CONTEÚDO, mas com que palavras?

Só poderia usar o tom e a grosseria utilizada por representantes dos dois lados. Foi uma B-A-I-X-A-R-I-A, esta a palavra, num espetáculo parlamentar que jamais presenciei em minha vida jornalística.

Frequentei a Câmara e o Senado diariamente durante 14 anos, de 1946 (a primeira e verdadeira Constituição) até 1960 (a tragédia da mudança da capital), que permitiu ou provocou a B-A-I-X-A-R-I-A de ontem.

E o Congresso, no Rio, viveu espetáculos memoráveis, dilacerantes, hostis e contraditórios, sem sequer se aproximar do que os senadores protagonizaram ontem.

Em 1950, a tentativa de não posse a Vargas, ditador por 15 anos, mais aí eleito pela primeira vez. Em 1955, o GOLPE para não dar posse a Juscelino, eleito com 36 por cento dos votos, mas eleito. Em 1957, a tentativa desse mesmo Juscelino de cassar o mandato de Lacerda, depois de PROIBI-LO de falar na televisão, já tendo determinado a mesma PROIBIÇÃO para este repórter e para o jornalista Millor Fernandes.

E é impossível deixar de registrar a CPI da “Última Hora”, o discurso de Afonso Arinos nas vésperas do suicídio (politicamente genial) de Vargas, numa noite da Câmara (Afonso Arinos ainda não era senador) completamente lotada, no plenário e fora dela.

Foi o mais importante e destruidor discurso que ouvi em toda minha vida. (O próprio Afonso Arinos considerou assim, tanto que se reconciliando com a família Vargas, fez desaparecer o brilhante discurso não só de suas memórias, mas até mesmo dos anais do Congresso).

Poderia contar episódios que dividiram o Congresso no Rio (Distrito federal)que tinham hostilidade e desavença geral, mas não chegaram à B-A-I-X-A-R-I-A de ontem.

Você vê, Augusto, espero que compreenda, a razão de não ter escrito nada sobre o tumulto PLANEJADO de ontem. Por que digo PLANEJADO? Sarney presidiu a primeira parte, quando começou a Ordem do Dia e normalmente assume, foi embora, pois na presença dele, como iriam brigar como moleques de rua? Acabado o tumulto, reassumiu, risonho e satisfeito, como se o personagem que provocava toda aquela B-A-I-X-A-R-I-A não fosse ele.

Para terminar, quero chamar a atenção: estou usando nesta resposta pela quinta vez a palavra B-A-I-X-A-R-I-A. Tenho certeza que os senadores se encontrarão, se reconhecerão e se satisfarão nela e com ela.

A jogatina das bolsas do mundo, pra cima ou pra baixo, nada com a recuperação econômica

Na Ásia e na Europa, altas. Como fecharam antes, e como os jogadores são ecléticos, onomatopaicos e até iconoclastas, se aproveitam aqui e nos EUA. Não muita alta, mas alta, de 10 até às 13, quando posto esta primeira informação-observação.

De 55.970 na abertura, até 56.600 (neste momento) nenhuma movimentação para baixo.

A primeira alta, de 0,52%, a última, (faltando ainda 4 horas de jogo), mais 1% cravado. O movimento faz os jogadores chorarem os lucros baixos: 1 bilhão e pouquinho, me diziam: “Proporcionalmente vai subir”.

O dólar continua no 1,83 de ontem, só que subiu migalhas e não mostra expectativa de melhora.

Ministro Passarinho: voando sobre a Justiça, a Bíblia e a opinião pública

“SETE anos de pastor, Jacob serviu Labão, pai de Rachel, serena e bela. Mas não servia ao pai, servia a ela”. Inspirado no texto bíblico, o Ministro Aldir Passarinho Junior, (do Superior Tribunal de Justiça), se comportou em relação ao processo 2002/0068479/1.

Designado relator em 2002, ficou até agora estudando profundamente o processo.

No dia 15 de abril de 2009, saciado e satisfeito na sua ânsia de bem aplicar Justiça, se DECLAROU IMPEDIDO. Mas as razões desse IMPEDIMENTO não foram comunicadas à opinião pública. (Exclusiva)

História esportiva, mas também política: 76 anos do Grande Prêmio da Gávea

Em 1933, começava a história do Prêmio Brasil. Anteontem, comemoração dos 76 anos. O primeiro vencedor foi um cavalo brasileiro, Mossoró, inesquecível até hoje. A Gávea foi inaugurada em 1932, naquele terreno doado por Pedro Ernesto, o primeiro prefeito eleito do Distrito Federal. (Prefeito histórico).

Getúlio Vargas compareceu, era então “Chefe do governo provisório”. Foi até 1939, quando levou vaia espetacular, nunca mais apareceu, isso em plena ditadura do Estado Novo. Os ditadores fardados não gostavam do Jóquei, nem mesmo Figueiredo que era da cavalaria.

Anteontem foi disputado o Grande Prêmio Athina Onassis, na Hípica, cujo terreno também foi doado por Pedro Ernesto. Idem, idem para o Flamengo, onde diretores irresponsáveis queriam construir um supermercado. Mas aí já é outra história. (Exclusiva)

Erro inexplicável

Valmor Stédile:
“Neste texto foi cometido um pequeno engano, onde dá a entender que a mulher de Leonel Brizola teria falecido à época em que o irmão Jango exercia a Presidência da República: “Como a mulher de Brizola, (irmã do presidente João Goulart) já morrera, não havia mais parentesco”. Dona Neusa faleceu em 1993, portanto 30 anos depois da polêmica que originou o slogan ‘Cunhado não é parente, Brizola pra presidente’.”

Alexandre de Oliveira Brito:
“Caro Helio Fernandes! Dona Neusa Goulart Brizola faleceu muitos anos depois. Quando seu marido já era governador do Rio de Janeiro.”

Roberto Abranches:
Não sei como você pode se enganar. Em 1993, estive com você no velório de Dona Neuza. Acontece…”.


Comentário de Helio Fernandes:

Todos (e outros que telefonam ou se comunicam de diversas maneiras) certíssimos. É dessas coisas inexplicáveis. Como lembrou o Roberto Abranches, eu estive no velório. Foi no Palácio Guanabara, pois Brizola era governador. Obrigado a todos, como tenho dito, escrevam sempre, contestem.

De qualquer maneira, Brizola não discutia “o fim do parentesco”, e sim a “inexistência” do parentesco. E não foi isso que o impediu de ser presidente e sim o golpe de 1964.

Já escrevi na Tribuna de papel: “Gostaria de ver Lacerda e Brizola chegarem a presidente. Poderiam não cumprir o que eu esperava, mas tinham todo o direito de pretender esse cargo. E sem a DITADURA e sem a REEELEIÇÃO teriam chegado”.

Sarney estaria sendo acusado para não ser novamente presidente. Ha! Ha! Ha!

Quem levantou essa questão, hoje, foi a senadora Serys Slhessarenko. Aventou a hipótese, textual e levianamente.

Essa hipótese ocorreria com estes fatos. 1) Lula viajando. 2) José Alencar, o vice, não assumindo. 3) Michel Temer (que não quer outra coisa) deixaria de assumir para não ficar incompatibilizado.

4) Aí então Sarney assumiria.

Além do mais, agora, quem assumisse, seria por poucas horas, ou nem chegaria a assumir, mesmo “que a vez fosse dele”. O presidente Lula já recomendou, revelei: “Se alguém for assumir, que não seja o vice José Alencar, me avisem que eu volto logo”. Isso é facílimo, a aviação tem progredido muito. (Exclusiva)

Integral, textual e entre aspas

“Este senado não pode se degradar mais do que se degradou”: senador Jarbas Vasconcellos, do PMDB. Quer dizer: do PMDB, se não for expulso ou cassado, de acordo com as ameaças, feitas em nota oficial.

Do senador Epitacio Cafeteira: “Fiquei 16 anos sem falar com Sarney, só voltei a ter diálogo com ele, a pedido de Tancredo Neves”. Puxa, que confirmação sensacional, se Tancredo estivesse vivo.

Do senador Pedro Simon: “Jader RENUNCIOU, ficou tudo igual. Antonio Carlos Magalhães RENUNCIOU, o senado ficou igual. Renan RENUNCIOU, ficou tudo igual. Tenho medo que Sarney RENUNCIE e fique tudo igual”.

Wellington Salgado, senador (perdão, suplente), garantiu o que já se sabia: “Na escolha do vice de Tancredo, tudo que eu sei, aprendi pela internet”. Um suplente de cultura “internetiana”, aparteando Pedro Simon.

Do senador Renan Calheiros, assombrando muita gente, mas surpreendendo pela forma como se manifestou: “Pedro Simon, o senhor não entende, mas a luta que se trava aqui no senado, tem a motivação de 2010. Tudo é 2010, senador”.

“Cunhado não é parente”. E compadre? Brizola revive na justiça de São Paulo

Em 1963, 7 governadores eram candidatos a presidente. (Numa eleição que não haveria, mas nenhum deles imaginava). Um desses governadores (que na verdade deixara o cargo logo no início do ano), seu mandato no Rio Grande do Sul acabara, antes de FHC ninguém pensava em reeeleição e ainda por cima no Poder.

Esses governadores tinham problemas partidários, políticos, eleitorais, é natural, compreensível, ninguém é unanimidade quando se trata de enfrentar uma eleição, tentar convencer o povo a preferenciá-lo no voto e na urna.

Mas Leonel Brizola tinha problema diferente, principalmente pelo fato de ser considerado eleitoralmente muito forte. Então inventaram o veto: não pode ser candidato a presidente porque quem está na presidência é o senhor João Goulart, seu cunhado.

O já ex-governador que passara pela Guanabara (Rio) como um furacão, e recebera 1 voto de cada 5 eleitores, não deixou de graça, respondeu e criou uma campanha, baseada num slogan: “Cunhado não é parente”.

Além do mais, Brizola acrescentou o que na época explicou que estava no Aurélio: “O cunhadismo termina quando a ligação desaparece”. Como a mulher de Brizola, (irmã do presidente João Goulart) já morrera, não havia mais parentesco.

A questão não foi resolvida pelos livros e sim pelas armas. Logo, logo veio o golpe de 1964, ninguém foi candidato. Agora, surge na Justiça de São Paulo, um novo slogan posto em prática por um desembargador: “Compadre não é parente”. Só que essa questão não será resolvida por nenhum Aurélio, mas por um Ministro do Supremo (ou do Conselho de Justiça) de nome bem diferente.

E não basta anular sua estranha e extravagante liminar, é imperioso defender a LIBERDADE DE INFORMAÇÃO, cortar imediatamente essa vocação de Chavez.

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PS – Brizola só conseguiu ser candidato a presidente, 26 anos depois, em 1989. Mas isso já é outra história, embora seja recomendável não esquecê-la, ao contrário, lembrá-la.

PS2 – O Conselho de Justiça não pode se OMITIR em relação à participação do desembargador Dacio Vieira em defesa do filho de Sarney, Fernando. Esse desembargador não só maculou a Justiça, como incitou e apoiou antecipadamente os que desprezam e tentam liquidar a DEMOCRACIA.

Lula descarta Sarney e afasta Dirceu do PT

Pedro do Coutto

Foram dois lances políticos no mesmo momento. Ao afirmar na tarde de quinta-feira, na sede da Federação das Indústrias de São Paulo, quando recepcionava a presidente do Chile, Michele Bachelet, que o problema da crise do Senado não lhe cabe e portanto o próprio Senado terá que resolvê-la, o presidente Lula descartou o apoio que vinha destinando a José Sarney para que permanecesse na direção daquela Casa do Congresso, distanciando-se do desfecho que se aproxima. Isso de um lado. Mas de outro, aproveitou também a ocasião para demonstrar que o ex ministro José Dirceu não fala em nome do governo ou do PT. Pois Lula fez a declaração na quinta-feira, divulgada nos jornais de sexta.

Na quarta-feira, (a imprensa publicou no dia seguinte), que o ex cx  chefe da Casa Civil atacou o senador Aloísio Mercadante e condenou a nota da bancada do Partido dos Trabalhadores pela saída de Sarney do posto. Causa e efeito. A rebatida foi dada. Parece que, para o presidente da República,  reduzir ou anular a influência de Dirceu tornou-se mais importante do que o destino do senador pelo Amapá. De fato a atitude de Dirceu causou surpresa. Afinal, ele não é senador nem dirigente partidário. Que desejava provar ou aparentar? Provavelmente que, apesar de ter tido o mandato cassado em consequência do vendaval chamado mensalão, continuava forte nos bastidores iluminando as sombras e os caminhos da legenda rumo à sucessão de 2010. Luis |Inácio Lula da Silva acentuou que não é isso.

Em primeiro lugar porque em sua manifestação Dirceu disse que a saída de Sarney da presidência do Senado entregaria o comando do Congresso à oposição. Não é fato. Se José Sarney se licenciar, Marconi Pirilo, do PSDB assumiria até seu retorno. Três meses. Porém se Le vier a renunciar, com base no Regimento Interno do Senado, seu sucessor efetivo terá que ser eleito dentro de cinco dias. O posto de presidente do Senado, no próximo ano eleitoral, ganha importância além do comum. Não se trata somente de presidir o Congresso, mas substituir o presidente Lula em suas viagens, já que o substituto constitucional, deputado Michel Temer, presidente da Câmara, sendo candidato à vice na chapa de Dilma Roussef, a partir de abril, não poderia assumir o cargo.

Uma crise desgastante como a do Senado, na qual aparecem irregularidades e ilegalidades em sequência impressionante, vale cinco dias de espera. Menos do que uma semana. Não causaria problemas para o Planalto. A aliança PT-PMDB estaria ou estará mantida, uma vez que não se pode esquecer que o partido que foi de Tancredo neves e Ulisses Guimarães no passado, no presente detém seis ministérios e assim possui forte presença na administração federal. A saída de Sarney viraria mais uma página da história do Parlamento brasileiro e não afetaria a posição nem de Lula, nem do governo. A permanência sim. Esta, à medida em que o tempo for passando, vai acrescentando dissabores à opinião pública que, no fundo, é a base do teatro político. E tais dissabores refletiriam inevitavelmente na aliança PTB-PMDB, em termos de votos. Tudo o que o presidente da República não quer e a oposição almeja.

A provável coligação PSDB-DEM-PPS, incluindo Itamar Franco, não necessita sequer condenar o maremoto que traga o Poder Legislativo. Apenas assistir. Como fez Ronald Reagan, nos Estados Unidos, ao disputar em 80 a reeleição contra o governador Walrer Mondale. A vice de Mondale era a deputada Geraldine Ferraro. Logo ao início da campanha revelou-se que ela devia (e não pagou) 10 mil dólares ao Imposto de Renda. Bastou isso para esvaziar a chapa Democrata. O Partido Republicano permaneceu na Casa  Branca. Venceu fácil a eleição.

Querem sacrificar o patriarca

Carlos Chagas

Com todo o respeito, mas certas famílias, ou melhor, partes de certas famílias, deveriam ter vergonha de suas atitudes quando, para safar-se, exigem o sacrifício  de seu patriarca.   Falamos de uma ala da família Sarney que há dias freqüenta anonimamente  os jornais,  informando estar o senador no limite de sua resistência,  prestes a aceitar o conselho para licenciar-se ou renunciar. Na verdade, querem tirar José Sarney de cena para proteger-se, imaginando que seu afastamento fará cessar as investigações e as sucessivas denúncias de lambanças por eles praticadas. Falta-lhes pudor, importando-lhes menos ou nada o fato de que se afastar-se, o presidente do Senado estará comandando  seu enterro político.

Até ontem Sarney resistia, disposto a enfrentar as acusações jogadas sobre seus ombros. Importa menos saber se ele  orquestrava a transformação da coisa pública em propriedade privada, no Maranhão, ou se algum de seus filhos agia por conta própria, escorado no nome do pai. Tanto faz, porque o dever de todos seria respaldá-lo numa de suas piores horas. Jamais empurrá-lo para o cadafalso. Ou se o preço para saírem de cena for  vê-lo humilhado.  O drama faz lembrar, em parte, o Rei Lear, de Shakespeare, a que ainda esta semana referia-se   a ministra Marina Silva,  em artigo assinado.

É claro que a família sofre e  preocupa-se  com a imagem e até a  saúde de Sarney, mas usá-lo pretendendo livrar-se das primeiras páginas e das acusações será, no mínimo, crueldade. Covardia. Vale repetir, mesmo se for verdadeiro o envolvimento do ex-presidente da República em muitas  práticas que tem caracterizado a ação de clãs incrustados na vida política nacional.

Sobre a abominável nota do PMDB

Custa acreditar que o deputado Michel Temer tenha assinado a recente nota do PMDB onde, a pretexto de defender José Sarney, o partido tenta sacrificar dois de seus  senadores,  Pedro Simon e Jarbas Vasconcelos. O texto estaria mais para Renan Calheiros e Eliseu Padilha, pois sugere que os representantes do Rio Grande do Sul e de Pernambuco deixem seus quadros por sustentarem  o afastamento do  presidente  do Senado. Afinal, que absurdo  é esse pregado pelo partido outrora responsável pela volta do país à democracia?

Pedro Simon e Jarbas Vasconcelos foram execrados pelos caciques do PMDB quando, na realidade, a recíproca é que deveria ser verdadeira. Há muito tempo isolados na bancada do Senado, sem ser indicados para compor comissões técnicas ou CPIs, por que não teriam, ambos, o direito de discordar da maioria?

O PMDB lembra o PT de outros tempos e até dos tempos atuais, onde quem não se enquadra, se humilha e se curva,  deve ser expulso. Nos idos de 1985, três companheiros-deputados foram guilhotinados porque votaram em Tancredo Neves para presidente da República.  Não faz muito Heloísa Helena foi punida. Pois a moda pegou e agora é o partido do dr. Ulysses que veste o execrável figurino.

Vale acreditar na Justiça?

Representando “O Estado de S. Paulo”, o advogado Manoel Alceu Affonso Ferreira deu entrada esta semana com recurso junto ao Tribunal de Justiça do Distrito Federal, visando acabar com a censura prévia naquele matutino, estabelecida por liminar do desembargador Dácio Vieira. O meretíssimo acatou pedido de Fernando Sarney para não ter mais publicadas as acusações a que responde, sob o pretexto de correr sob segredo de Justiça o processo contra ele, resultante de investigações da  Polícia Federal.

Além de a Constituição preceituar ampla liberdade de imprensa, acresce que Dácio Vieira deveria ter-se dado por impedido, dadas suas relações inequívocas com a família Sarney.

Trata-se de uma decisão crucial a ser tomada pelo Tribunal de Justiça da capital federal, daquelas que traçarão  o futuro da liberdade e a validade da Constituição.

Manoel Alceu tem experiência nessas questões. Nos anos de chumbo, defendeu este repórter em dois processos abertos pela ditadura, com base na Lei de Segurança Nacional.  Um por estar,  este que vos escreve,  indispondo o povo com as autoridades constituídas, em função de reportagem denunciando seqüestro e tortura de um suposto adversário do regime.  Outro por criar alarma social com  divulgação da invasão, por tropa armada, da Universidade de Brasília, com depredações e violência contra professores e alunos. Um bujão de mosquitos de febre amarela teria sido quebrado e a Procuradoria Geral da República  entendeu que multidões desesperadas corriam pela Avenida W-3,  fugindo dos insetos.        O advogado ganhou os dois, no Superior Tribunal Militar.

Aposentados garfados?

O  reinício dos trabalhos do Congresso, esta semana, faz lembrar a obrigação de deputados e senadores de apreciarem veto do presidente Lula a projeto de lei estendendo a todos os aposentados o reajuste dado àqueles que recebem o salário mínimo. Porque desde os tempos do sociólogo que se estabeleceu o execrável fator previdenciário, determinando a redução gradativa dos aumentos devidos a quem parou de trabalhar.  Derrubado o veto, restabelece-se a justiça.   Mantido, abre-se o caminho para que em poucos anos todos os aposentados estejam nivelados por baixo, recebendo apenas o salário mínimo.

O governo conta com  maioria na Câmara e no Senado para a perpetuação desse horror, mas a pergunta que se faz é se os representantes do povo, e dos aposentados, aceitarão disputar as  eleições do ano que vem com nome e imagem divulgados pela televisão, dando conta de seus votos.