Sportv-Band Sports

Vai mal o canal por assinatura da  Organização. Hoje, às 13 horas, passava o VT da final do Torneio de Memphis, que o concorrente passara ao vivo, no domingo. E nesse momento, a Band exibia o Master (masculino) de Dubai, cuja final feminina mostrara domingo. Está faltando autocrítica.

A Justiça que merece rigorosamente esse nome

O bravo, independente e lúcido desembargador Garcez Neto (TJ-RJ) quando aparece é para engrandecer a magistratura. Concedeu liminar, obrigando o secretário de Saúde do Estado do Rio, Sergio Côrtes, a fornecer em 24 horas, cópias da licitação e do valor pago por cada Unidade de Pronto Atendimento (UPA). Nota 10 para ele e para o advogado que entrou com a liminar.

Advogado Jamilton Nascimento

É o nome de quem honra sua profissão, indispensável em qualquer parte do mundo. E outra nota 10 para o mesmo Nascimento, num caso diferente mas altamente escandaloso: o ENRIQUECIMENTO ILÍCITO  de serginho cabral. Este estava sendo investigado, a ação parou, poderoso é poderoso.

O advogado pediu a reabertura da investigação, que tem como carro-chefe (podia ter desilado no Sambódromo em vez de dizer besteira), a belíssima e caríssima mansão de Mangaratiba.

Não haverá reabertura da investigação, o governador é da “base”, pertence ao PMDB. Com tanta denúncia, acaba se destacando para vice. 

Bastardos inglórios

Adolfo Fernandes:
“Helio, li a tua observação sobre o filme do Tarantino, não me animei a ir vê-lo. Mas a minha namorada insistiu, fomos ver. Desculpe, gostei do filme, apesar da habitual violência do diretor.”

Comentário de Helio Fernandes:
Fiquei satisfeito que você tenha visto e gostado, nenhum pedido de desculpa. Só não saí do cinema (quase vazio) porque estava muito escuro. Não sei como críticos e até cineastas, tenham dito e escrito: “O filme já nasceu clássico”.

Não nasceu, apenas morreu de forma mais do que compreensível. Quanto à apreciação, minha a tua, rigorosamente igual, apesar do contraste. Eu não gostei, você gostou, duas manifestações que não podem ser desprezadas, temos todo direito a isso, e lutamos pelo nosso sagrado poder de discordar. E pelo menos concordamos num ponto: a obsessão desnecessária, do Tarantino, pela violência.

 

Esportivas, observadas e comentadas: Botafogo, campeão da Taça Guanabara, e já garantido na final do Estado do Rio

Justíssimo o resultado, justa a vitória, justa a derrota, mais do que justas, obrigatórias, as expulsões.

O Vasco fez um primeiro tempo medíocre e um segundo ainda pior. As expulsões não tiveram influencia, o jogo estava decidido, o pênalti consolidou. Existe alguma coisa com o Joel Santana, principalmente o que falta ao egocentrismo do Parreira.

Devia haver uma espécie de hierarquia na punição para determinadas faltas. A entrada violenta do Nilton (expulso com um cartão) e a do Titi (expulso com dois) sobre o Caio, é o que chamam de criminosas. Devia ser expulso e só voltar meses depois.

, Nas quatro primeiras bolas, o jovem Caio sofreu 4 faltas desestimuladoras.

Para terminar, ninguém vai explicar? No Maracanã, estavam 81 mil e 900 pessoas. Pagantes: 66 mil e 900. E esses 15 mil entraram como? Convidados?

Futebol é momento?

Quase todos dizem que é. Então por que não discutem o comportamento técnico de Kaká. Falam tudo sobre o “Kaká EFETIVÍSSIMO”, discutem quem pode SUBSTITUÍ-LO no caso de uma lesão. Mas não examinam seu MOMENTO. E isso já dura um tempão, desde que saiu do Milan para o Real Madri.

Ainda não justificou a transferência, enquanto Cristiano Ronaldo explode dentro do campo, ganha três vezes o salário do jogador brasileiro, é ídolo incontestável. E o MOMENTO de Kaká, reaparece nos 109 dias que faltam para a Copa? Ontem, numa goleada de 5, facílima, fez 2 gols. Alguma importância?

Tênis: 4 torneios,
nenhum brasileiro

Na semana, jogos em Buenos Aires (Argentina), Dubai (Emirados), Memphis (EUA, onde Martin Luther King foi assassinado quando se preparava para disputar a presidência) e Marseille (França). Como nosso tênis profissional é marcado pelo ANTES, DURANTE e DEPOIS de Guga, ficamos longe.

Para variar, em Marseille, dois franceses na final, os dois de camisa vermelha, os dois com a marca Lacoste, um dos maiores jogadores da França, ídolo junto com Borotra. Antes da Era do “aberto”. Ganhou Llodrá, podia ter perdido, o jogo, duríssimo.

Belluzzo-Muricy

O ego do economista, muito maior do que a presumida e pretendida competência. Sempre se imaginou fazendo vestibular para presidente do BC ou Ministro da Fazenda. Não chegou nem perto. E até aceitaria o BNDES.

Não surgindo o “convite”, achou que pelo futebol, ganharia mais visibilidade, atalho excelente. Eleito presidente do Palmeiras, não saiu da televisão. Mas fora dela, fracassou inteiramente, dentro e fora do campo. Nenhum título, nem a classificação para a Libertadores.

E no clube, fracasso completo, queriam tirá-lo de qualquer maneira, até com impeachment. Estavam certos, a demissão de Muricy trouxe o Palmeiras e seu presidente para as manchetes e comentários negativos. No futebol, não se reelege.

Na política, quem terá coragem de nomeá-lo? A não ser para os 9 meses finais de Lula, isso se Meirelles abrir a vaga. O que está cada vez mais difícil.

E o Muricy, que tanto contribuiu para o descrédito do economista? Diz que tem muitas propostas, até do exterior, deve ter mesmo. Mas ficará marcado: derrotado por 4 a 1, demitido ainda no vestiário, no dia seguinte assumia o treinador do clube que o derrotou. Sensacional e inédito.

Pedro Solberg, “rei da praia”,
ajuda Harley no mesmo título

Foi inédito, mas previsível. Da dinastia do vôlei de praia, Solberg fez extraordinária partida. Vencedor ano passado, “carregou” o amigo e parceiro para a mesma honra.

E sendo obrigatório registrar que o último ponto foi um “rali” admirável, que emocionou a platéia. Foi uma festa popular-aristocrática. As arquibancadas lotadas e um rei entregando a coroa ao novo rei.

E se fosse assim, democraticamente, também fora do esporte?

A sucessão que Lula ainda não entendeu, a desincompatibilização obrigatória, com data marcada. Serra sairá em 1º de abril, (coincidência com o golpe de 64), Dona Dilma quer ficar o maior tempo possível usufruindo o Poder que perderá. Aécio não está no jogo, Ciro só quer “ajudar” Dilma

O que se diz nos círculos do PSDB não “fernandistas” (quase todos são), é o seguinte: Serra não quer a reeeleição e sim a presidência, que persegue insensantemente. Mas não se decide, para mostrar a supremacia e a superioridade sobre o ex-presidente e ex-chefe.

Garantem que sairá no dia 1º de abril, (48 horas antes do prazo final e fatal), coincidência com o golpe de 64. Ficaria na coincidência, Serra não dará uma palavra sobre a ditadura que se instalou há 46 anos.

Também deixará FHC na expectativa, nem citará seu nome. O “ajuste de contas” com o “amigo”, ficará para depois, quando estiver no Poder. (Lógico, se estiver). Aí então atenderá o pedido-esperança de FHC (já divulgado aqui há meses) de nomeá-lo embaixador na ONU.

Atenderá FHC mas atenderá muito mais a ele mesmo. Serra sabe que FHC não poderá influenciá-lo, mas tem tudo para chateá-lo, com conselhos, advertências e pedidos de audiência. Isso Serra não suportará.

Serra tem legenda, tem ambição, tem arrogância, tem o tempo que quiser (até 3 de abril) para decidir. Seus íntimos dizem que já decidiu, está apenas fazendo suspense para marcar o terreno, e deixar bem claro: “Eu sou o senhor do tempo, das decisões, e dos prazos”.

Diante de tudo isso, passará o cargo ao vice Cláudio Lembo, perdão, ao ex-stalinista Alberto Goldman. Este, ansioso pelos 9 meses em que ficará no governo, faz a única opção que lhe restou: esperar. E nessa espera se inclui “fazer tudo que o seu mestre mandar”. Até 1º de janeiro, quando passará o cargo a Geraldo Alckmin. Este, vetado para prefeito, impôs o próprio nome para governador. Já foi governador várias vezes (eleito, substituto, ilegítimo e inconstitucional), há 20 anos no jogo.

A incerteza das alianças:
Serra e Dilma, esperam o vice

Dona Dilma sai quando Lula quiser ou mandar. Tem o partido inteiro contra ela, só que metade não se ilude, a outra metade ilude a todos. Incluindo o próprio presidente que acredita mesmo que conforme sempre soube, o Poder é ele. E pensa (?) que duas coisas não podem ser desmentidas. 1 – Tem mesmo 80 por cento de popularidade. 2 – Toda essa popularidade (ou até mais) vai transferir para Dona Dilma.

Dos chamados presidenciáveis, Dona Marina e Ciro Gomes, não precisam se desincompatibilizar. Esse é o privilegio dos parlamentares, ela é senadora, ele deputado. Ciro, surpreendentemente obteve sucesso com o anunciado projeto de “ajudar Dona Dilma”. Temos que reconhecer: Ciro arriscou ficar sem mandato (repetindo 2002), mas teve a intuição de que poderia levá-la ao segundo turno (ganhando a gratidão conseqüência da vitória), mas iria ele mesmo ir para esse segundo turno.

A mudança de domicilio para São Paulo, deixou os marqueteiros impressionados, se eles fossem capazes de se impressionarem a não ser pela própria competência. Como Dona Dilma não sai do lugar, Ciro pode perfeitamente se reabilitar dos erros e equívocos de 2002.

Dona Marina ficará na disputa até a Copa do Mundo, final de junho. Com a vitória ou a derrota da seleção do Brasil, irá reconsiderar sua carreira, voltará para o Senado. 8 anos de participação garantida, incluindo uma eleição presidencial verdadeira, quem sabe APOIADA por um partido que exista realmente?

 ***

PS – Não falei em Aécio, ele não é presidenciável e sabe muito bem disso. Aos 50 anos, ganhará 8 anos no Senado, o futuro pertence a ele, e naturalmente a Deus. Só aceitaria ser vice (como já registrei), se alguém lhe mostrasse o “resultado antecipado” da eleição, com Serra eleito. Por que iria se “amarrar” a Serra, para ficar sem cargo algum, uma derrota e o futuro comprometido?

PS2 – E já que falei em vice: essa será a batalha mais medíocre mas interessante. Desde que Michel Temer, sem votos e quase sem se eleger deputado, é examinado para essa vice, vale para qualquer um.

PS3 – Dessa forma, podem ir imaginando Jader Barbalho, Geddel Vieira Lima, Eduardo Cunha, quem sabe Paulo Octavio, se renunciar, Arruda se for solto?

Lula e Dilma atropelaram a lei

Carlos Chagas

Até um calouro da Faculdade de Direito concluirá que o presidente da República e a chefe da Casa Civil fizeram campanha eleitoral antes do período autorizado por lei.

Importa menos verificar que o IV Congresso do PT foi um sucesso. Quatro mil  militantes  excitados,  centenas de bandeiras vermelhas agitadas por horas seguidas,  slogans apropriados, excelente estratégia de marketing, presença de partidos  aliados, discursos entusiasmados – tudo isso e muito mais serviu para recuperar a imagem até então desgastada do partido.

O problema é que o Lula pediu votos para Dilma. Chegou a declarar que elege-la  é das coisas mais importantes de seu governo.  E a candidata não se fez de rogada: expôs  planos de ação futura, como mais  verbas e melhor gestão na Saúde e na Educação, além da  manutenção do equilíbrio fiscal, do cambial flutuante, do combate à inflação  e da política de juros. Sem esquecer a necessidade de um estado forte.

É claro que a legislação eleitoral mostra-se ultrapassada e até  farisaica, porque um presidente da República, afinal, é um cidadão como qualquer outro, com direito a exprimir com liberdade o seu pensamento. O diabo está na fixação de  prazos pela lei,  especialmente para Dilma,  que continua  na chefia da Casa Civil.

Por quatro vezes, recentemente,  o PSDB e o DEM  entraram  no Tribunal Superior Eleitoral com representação contra o presidente e a candidata,  por praticarem antecipação de campanha em viagens pelo país,  inaugurando  obras do PAC.  Foram  todas rejeitadas sob a alegação de que a máquina  administrativa pública não poderia sofrer constrangimentos. Só  que agora foi diferente. Por isso mesmo é que as convenções partidárias destinadas a lançar candidatos estão marcadas para junho, já   dentro do  período eleitoral.

Parece certo que novo protesto venha a ser impetrado esta semana pelas oposições.  Só por milagre a denúncia  seria politicamente aceita, ainda que juridicamente correta. Não engana ninguém   o  eufemismo de que não foi lançada uma candidatura, mas uma pré-candidatura.  Não há diferença. Mesmo assim, haverá que registrar o fato: o presidente Lula e a ministra Dilma Rousseff atropelaram a lei.

No Reino da Fantasia

No IV Congresso, o PT reafirmou propostas como a criação do   imposto  sobre grandes fortunas, a reforma agrária cirúrgica, a semana de trabalho de 40 horas, o fim do monopólio nos  meios  de comunicação, a participação dos empregados no lucro das empresas, a co-gestão e outras de igual quilate ideológico.

Dilma Rousseff, de seu turno, sustentou a manutenção do equilíbrio fiscal, do câmbio flutuante, da política de juros e do combate à inflação. A maior concessão que fez foi a da preservação de um estado forte, com ênfase para maiores investimentos na saúde e na educação públicas.

Dá para conciliar? Só se for no reino da fantasia, onde o PT se encontra desde 2002 e onde deverá permanecer na hipótese da vitória da candidata.  As teses revolucionárias  só ganharão corpo diante da eleição de José Serra. Aliás, capaz de incorporá-las todas.

Nos últimos sete anos  os companheiros pouco se preocuparam com o programa agora ressuscitado. Preferiram ocupar-se no preenchimento dos 36 mil cargos em comissão da administração federal, na disputa pelas diretorias de empresas estatais e na ampliação de montes de ONGs sustentadas com dinheiro do governo. Com Dilma Rousseff no lugar do Lula, nada vai  mudar.

Ausência inexplicável

Ainda sobre o Congresso do PT, um registro que poucos entenderam, ainda que muitos estranhassem: porque  Henrique Meirelles faltou? Estaria viajando para alguma reunião de presidentes de Bancos Centrais? Andaria pelo interior de Goiás,  explicando porque desistiu de candidatar-se ao governo do estado? Ou pretendeu não encontrar-se com Michel Temer, que o presidente Lula e Dilma Rousseff  precisaram agradar para que comparecesse?

Só a primeira parte é  verdadeira

Corre em Brasília  que,  feito ministro, viajando com o  presidente Lula pelo país e até o  exterior, Edison Lobão  preocupou-se  com a má qualidade dos vinhos servidos  a bordo do Aerolula. Conhecedor de longa data da bebida dos  deuses e ciente da deficiência do paladar de oficiais da Aeronáutica e de funcionários da Receita Federal, encarregados de suprir a mini-adega da aeronave, Lobão passou a levar vinhos de primeira linha nas viagens,  oferecidos às comitivas.

Indagado esta semana sobre a veracidade da historinha, o ministro de Minas e Energia logo rebateu: “só a primeira parte é verdadeira”

Dos 922 artigos da CLT apenas 400 são trabalhistas


Roberto Monteiro Pinho

Ao contrário do que seus integrantes e os comprometidos com o sistema estatal do judiciário trabalhista sustentam, de que a JT é por excelência uma justiça social, numa análise séria sem comprometimento com os dois segmentos que litigam neste judiciário, se pode constatar que o ideal do trabalhismo acabou ficando no meio do caminho, dando lugar à retórica jurídica, as invencionices das decisões das Varas Trabalhistas e dos Tribunais, isso porque dos 922 artigos da CLT, apenas 400 são trabalhistas.

Como prova desta corrida inversa aos interesses dos trabalhadores, a JT é hoje um jurisdicionado altamente elitizado, seus integrantes recebem os melhores salários do país, e o maior entre todos os poderes de Estado, e nem por isso, compensam a altura o que a sociedade lhes proporciona. O fato é que estamos assistindo continuamente uma enormidade de desmandos jurídicos e insubordinação aos ditames dos Enunciados, Súmulas, comportamento este, divorciados dos mais ricos entendimentos que se fundam no social e no conciliar.

É profícuo preservar o emprego, sem aviltamento do salário, só que como se não bastassem as injunções alinhadas, juízes de primeiro grau da especializada estão adotando decisões e dando sentenças que fogem do contexto jurídico, como se ali estivessem com o simples objetivo de castigar, julgar e condenar o empregador. Ao passo que isso ocorre, uma enorme lesão contaminou o processualismo trabalhista, afastando dos empregadores e empregados (partes litigantes), a confiabilidade de que este judiciário trata seus ditames de lei com esmero, e priorizando o bom julgar.

Com certeza o legislador e colaboradores do texto que forjou a Consolidação das Leis do Trabalho (CLT), não avaliou que mais à frente este seria canibalizado, e deturpado para servir uma nova ordem vetusta. O fato é que a lei trabalhista com seus 922 artigos é única tanto para grande empresa, microempresa, e os empregadores individuais, são diferentes universos, que exigem tratamentos diferenciados, a exemplo do que ocorre com a lei especial para a microempresa, que poderia ser adotada subsidiariamente pelo juiz do trabalho, sendo ignorada, ao passo, data maxima venia, fosse este instituto benéfico para empregado, seria adotada sem duvida, é o que não pode, e não deveria ocorrer no jurisdicionado trabalhista.

O bom senso, o apaziguamento das relações do trabalho, precisam ser preservados, até mesmo por essa questão ser o primado do vocalato do julgador, que poderia utilizar pontos sensíveis da relação laboral, a exemplo da revelia na primeira audiência, e a adoção de critério da representação do (preposto) da empresa, com uma visão menos exorcizada. É bom alienar a questão da carga tributária do empregador como termómetro do emprego com carteira assinada, o empresário que assina a carteira dos funcionários sofre uma concorrência brutal e desleal dos que não fazem isso, ficando com os encargos dos impostos, garantindo a proteção ao empregado, mas enfrenta aqueles que trabalham informalmente.

Comparando o Brasil com outros países: nos Estados Unidos, a percentagem que o empregador pago de encargos sobre a folha de pagamentos é de 9,03%, na Dinamarca, 11,6%, no Uruguai o custo é de 48,05% e na Alemanha atinge 60%, enquanto o Brasil é o recordista mundial absoluto em encargos trabalhistas: 102,76%, mais do que o próprio salário, um hiato entre o preconizado social do trabalho, no binómio salário/alimento. Na verdade realçando que a lei trabalhista foi elaborada numa época em que o trabalhador era totalmente desprotegido, e sequer existia a Justiça do Trabalho, muitas de seus artigos foram se dissipando, ao passo que a voracidade do Estado aperfeiçoou seus mecanismos, extraindo compulsoriamente da força laboral tributos que deveriam ir direto para o bolso do trabalhador.

Extinção da CLT e manutenção da JT

Existe uma corrente de juristas que defende a extinção, não da justiça trabalhista, mas da CLT, migrando seus artigos consolidados de proteção real ao trabalho para o Código de Processo Civil, onde o jurisdicionado laboral garimpa subsídios para aplicar suas decisões. Isso ocorre não só por força de lei que permite, mas também pela adoção voluntária, a exemplo do que ocorrem com a Lei Fiscal e o Código de Defesa do Consumidor (CDC).

Calamandrei também ensina em um dos seus trabalhos que (…) “Sólon, no dizer de Aristóteles, redigiu as suas leis propositalmente obscuras, a fim de darem lugar, a muitas controvérsias, permitindo dessa forma ao estado o meio de aumentar, pelo julgamento, a sua autoridade sobre os cidadãos”, é exatamente, data máxima vênia, o que o julgador da especializada utiliza no trato da relação capital/trabalho. O fato é que a justiça trabalhista ganhou densidade, inchou, tornando um iceberg, e sempre vem colhendo os frutos podres da relação laboral, geradas pelas anomalias dos governos, agregado a isso a sobrecarga fiscal e as constantes mutações do capital internacional trazem agruras, devastando empresas, trazendo o desemprego, quando seus negócios naufragam, enquanto perdem fortuna imobiliária e pecuniária, o trabalhador perde o emprego e a verba alimentar, sem, contudo não poder ter a devolução do tempo despendido com seu labor, eis aqui o maior desafio a ser suprido pela justiça social.

Punir violentamente o empregador pode até significar a ressurreição, mas não atende o principal, que vem a ser a entrega da tutela salarial almejada pelo Estado em prol do trabalhador, isso ocorre pela falta de uma lei rígida a ponto do julgador ter o poder de confiscar o patrimônio do empregador, para obriga-lo a cumprir suas obrigações sociais já na primeira audiência, quando comprovado sua culpa. Em outras palavras, para isso é preciso observar que a tutela do trabalho é titulo inegociável, em detrimento dos seus apêndices, representados pela enorme lista de direitos extras, a exemplo da comparação salarial, desvio de função, jornada extrapolada, salário in natura vale transporte, ajuda de custo, dano moral entre outros, todos carecem de melhor formatação.

O processo trabalhista precisa ser separado em dois módulos, os inegociáveis, esses sim tutelados pelo Estado e o negociável, que se destina à vontade das partes, sob a vigia do estado juiz, daí que é incontestável a razão da existência do Juizado Especial do Trabalho, e da Vara de Execução Trabalhista, esmeradas no funcionamento desses instrumentos materiais nas justiças federal e estadual. É justo que uma boa lei obrigue que este mal empregador pague com seu patrimônio, o malogro do seu negócio que acabou atingindo seus empregados.

Para que o Estado atinja este objetivo, os integrantes da JT, precisam tratar a execução trabalhista, com inteligência e organização, operando com maior clareza a caça aos bens, sem que isso, provoque a reação de um outro direito, justamente o que ainda não foi demolido pela JT, o direito de preservação do patrimônio familiar, aquele, a exemplo da lei 8.009/90 que protege a bem de família, comumente vilipendiado na especializada, obrigando o atingido buscar seus direitos nos tribunais superiores.

Tramita na Câmara dos Deputados proposta do deputado Valtenir Pereira (PSB-MT) de emenda a constituição (PEC 327/09), que concede a competência penal à Justiça trabalhista, e transfere para a Justiça do Trabalho às causas penais decorrentes das relações de trabalho que é da competência da Justiça Federal o processamento e julgamento de crimes como o de sujeição de trabalhadores à condição de escravos e o de frustração de direito assegurado por lei trabalhista. Recente decisão da própria JT mostra esta necessidade, – AÇÃO CRIMINAL. JUSTIÇA DO TRABALHO. INCOMPETÊNCIA. A Justiça do Trabalho não detém competência para processar e julgar causas criminais, não lhe sendo atribuídas pela Emenda Constitucional nº 45/2004, além do hábeas corpus, qualquer outra ação de natureza penal. AC 2ª T 10686/2007 – RO 02305-2006-029-12-00-6 – 12ª REGIÃO – Sandra Márcia Wambier – Relatora. DJ/SC de 26/07/2007 – (DT – Setembro/2007 – vol. 158, p. 55). Entre os postos a especializada, caminha lenta, jurássica e desordenada materialmente e juridicamente, em que pese a reforma trabalhista estar em curso.

Caixa dois

Edson Khair

Em entrevista de hoje (21/02) o presidente do STJ, ministro César Asfor Rocha afirmou nuclearmente que o caixa dois é “erva daninha; arranca uma e nasce outra”.

Poucas vezes um ministro de alta Corte no Brasil foi tão real ao descrever desvio de conduta do ser humano.

Sim, seria este “pathos” , a corrupção, segundo o texto bíblico , judaico -cristão nascido com Adão  e Eva, quando ela mordeu a maça do pecado.

Como sabemos , que contrariando  Rosseau, homem não nasce bom como queria o filósofo iluminista francês . Ao contrario, como ensinou  Maquiavel  a natureza humana é perversa. Portanto,aconselhando  Lourenço de  Médici em Florença, príncipe da cidade a escolher entre o amor e o temor, optar por este último considerando a natureza da Pessoa.

Claro, o caixa dois, a corrupção para ficarmos do século XX até hoje sempre existiu. Se examinarmos a trajetória do bolchevismo de Lênin à Gorbachov passando por um dos maiores monstros no ocidente do período, ou seja, Stalin, constataremos a existência da corrupção.

E verdade, umas da principais causa do fim da antiga U.R.S.S foi a corrupção do seus membros dirigentes . A tal nomenclatura a que se referiu Miloian Djilas.

Na Alemanha de Adolf Hitler não foi diferente. Saído o país da primeira grande guerra mundial (1914-1918) derrotado pelos aliados não foi diferente. Não devemos esquecer o apoio entusiástico do grande empresariado e dos banqueiros alemães ao populismo sanguinário do Partido Nacional Socialista dos Trabalhadores  Alemães. Atribuiu-se a derrota diante dos aliados (França, Inglaterra, EUA e Itália) á venda de material bélico defeituoso ao exército alemão vendido por negociantes  judeus alemães corruptos . Com certeza era o caixa dois da época .

O grande caixa dois do ocidente depois da segunda guerra mundial foi o plano Marshall, dos nossos amigos-inimigos ianques (Hélio Fernandes).

Voltando ao Brasil do século XX ao XXI desde de Sarney, passando por Collor de Mello, FHC chegando até o ex-operário , candidato sul-americano  a “duce” caboclo exangue que a semelhança do original nunca se definiu quanto à espécie e socialismo. Com certeza, aliado e criatura da banca internacional e de parte da nacional segue até hoje com sua política assistencialista. Política que tanto criticou em relação a populismo varguista. Populismo patriótico, não aliado à banca. Ao contrário iniciou e prestigiou o nascente empresariado  nacional. De maneira que indaga-se finalmente se prevalecerá em outubro este populismo assistencialista sem perspectiva de enfrentar os principais problemas do país, ou seja, a educação, o transporte, ferroviário e marítimo, a saúde e o emprego?

No Brasil e EUA, FILIAL e MATRIZ, a economia dos contrastes e contradições. Aqui, juros cada vez maiores. Lá, esses juros cada vez menores, exigências diversas.

Os economistas e analistas vão ao desespero e não apenas na questão do combate à inflação. Os daqui, da Filial, garantem: “É preciso aumentar os juros, ou tudo o que foi ganho será perdido”. Então, já sinalizam com aumento desses JUROS-BONIFICAÇÃO-CORRUPÇÃO, para logo, logo. O primeiro aumento viria no final de março, início de abril.

O segundo a seguir. Dos 8,75% de agora, iria para 10%. Além de tudo o que já pagamos a banqueiros de várias nacionalidades, mais 28 bilhões. Além dos 137 BILHÕES que já pagamos hoje.

Portanto com a sinalização quase certeza, desse aumento dos juros, a AMORTIZAÇÃO passaria para 165 bilhões.

Verificamos então, como a economia é cruel, selvagem, destruidora. Na Matriz, quando sentem ou pressentem, que a inflação pode estar ameaçando, reduzem os juros. Há quatro meses, o presidente do Fed baixou os juros, que ficaram entre ZERO e 0,25%. Isso mesmo, em muitos casos, O JURO É ZERO. Ele afirmou na oportunidade: “Isso vai durar por muito tempo”.

Outro ponto de incompatibilidade
entre a poderosa Matriz e a Filial

Esse é um tema que vem sendo badalado há muito tempo: mão de obra QUALIFICADA, mão de obra primária ou DESQUALIFICADA. A Matriz se orgulhava do seu avanço na técnica de trabalho, ao mesmo tempo em que criticava fortemente os trabalhadores brasileiros, num estágio, segundo eles, “lamentável e impróprio para o desenvolvimento sustentado”.

Como somos servos, submissos e subservientes aos americanos, concordávamos e concordamos, sem qualquer restrição e relutância.

Pois agora, os próprios americanos desdizem tudo, desmentem e “desconfirmam” o que garantiam, dão o que se chama vulgar mas acertadamente de tiro no pé.

Os americanos chegaram (tarde mas chegaram) a três conclusões. 1 – Continuam em plena crise, precisam no mínimo, no mínimo, de 5 anos para a recuperação verdadeira. 2 – Para recuperar o desenvolvimento, terão de reativar de maneira agressiva, o setor imobiliário, um dos três (os outros dois são a indústria naval e a automobilística) que mais influenciam e criam empregos.

3 – Mas aí o assombro, a surpresa, o choque de realidade: os EUA têm excesso do que chamam ARROGANTEMENTE de mão de obra QUALIFICADA, mas não têm NENHUM dos trabalhadores que precisam, para suprir a demanda IMPRESCINDÍVEL do setor imobiliário.

Assim, se constata: os EUA não têm 5 por cento dos operários que precisam para construir e incentivar a construção. E sem ela motivada, privilegiada, acelerada, não sairão do lugar.

(E vão botar a culpa na China, que está fazendo uma revolução, que vai levar ao sistema político-administrativo-ideológico que tanto procuram: o CAPITALISMO DEMOCRÁTICO. Pode levar 10 ou 20 anos, mas virá da China por causa da QUANTIDADE e não da QUALIDADE. Que virá depois).

Os Estados Unidos não têm um pedreiro, um marceneiro, um pintor de paredes, um ferreiro, um mestre de obras, ou seja, tudo que é necessário para a construção.

Precisarão IMPORTAR milhões de trabalhadores, (desses a quem negavam visto) dos países da América Central.

 ***

PS – Mas a maior parte terá que ser buscada no México. No México? Desse mesmo país, que em 1853, 1854 e 1855, roubaram uma quarta parte do território? (Texas, Califórnia, Novo México e todo o resto, que transformou país em potência geográfica e não apenas geográfica).  

S2 – Se não fosse tão longe e tão humilhante, a Matriz que tanto explora a Filial, poderia vir buscar aqui, a MÃO DE OBRA PRIMÁRIA de que tanto precisa.

Banco Votorantim, Ermírio de Moraes

Páginas e mais páginas dos jornalões, exaltando o banquinho, como se fosse a oitava maravilha financeira. E o Conar, nada a ver com a publicidade mentirosa? Perguntinha ingenua, inocua, inutil,: por que esse “banco de sucesso”, (na publicidade) teve que vender 49 por cento ao Banco do Brasil?

Outra pergunta, só que esta, assombrada, perplexa e assustada: por que o BB pagou, à vista, 14 BILHÕES ao senhor Ermírio de Moraes? E que oposição é essa que não se opõe a negociatas como esta, divulgadíssima?

Será por que o próprio Ermirio de Moraes confessou que deu 3 MILHÕES DE DÓLARES PARA A CAMPANHA DE COLLOR?

Situação de vaca não conhecer bezerro

Carlos Chagas

A ignorância jurídica retorna  ao centro do palco de Brasília. Administrador de empresas, o ainda vice-governador em exercício, Paulo Octávio, não estava obrigado a navegar pelos  meandros da ciência do Direito.  Mas  como ex-senador,  deveria conhecer a Constituição.  Pelo menos algum advogado amigo ou um assessor bissexto precisaria tê-lo alertado de que a renúncia é um ato unilateral que produz efeito assim que formalizada.

Se é verdade que em 1961  Jânio Quadros escorregou na tentativa de  tornar-se ditador,  imaginando que sua renúncia precisaria ser aprovada pela Comissão de Constituição e Justiça do Senado, pior ainda. Deveria ter servido como  exemplo aquela lambança felizmente abortada pelo senador Auro de Moura Andrade, que simplesmente recebeu o documento e participou ao Congresso que Jânio não era mais presidente, convidando os presentes para a posse do presidente interino,  Ranieri Mazzilli.

Por tudo isso, mesmo tendo renunciado à renúncia, Paulo Octávio não tem  mais o direito de permanecer no palácio do Buriti. Porque assinou e entregou a renúncia à deputada Eliana Pedrosa, líder de bancada.  Quer dizer, formalizou o gesto unilateral, além de havê-lo anunciado, mesmo recuando depois.

Por isso se conclui que para a capital federal só existe  uma saída: a intervenção federal. Positivamente, a situação está de vaca não conhecer bezerro…

E os corruptores?

O senador Pedro Simon pronunciou contundente discurso cobrando do Ministério Público e do Poder Judiciário a ausência de qualquer iniciativa para levar ao banco dos réus os empresários de Brasília que contribuíram com dinheiro vivo para comprar um governador, secretários, assessores e nove deputados distritais. Porque se tramitam pedidos de impeachment e processos contra os corruptos, nenhuma atitude se tomou contra os corruptores. E alguns deles foram até identificados, empresários beneficiados com contratos superfaturados de prestação de serviços para o governo local.

Referiu-se o representante do Rio Grande do Sul ao projeto  em tramitação no Congresso, enviado pelo palácio do Planalto, transformando em crime hediondo a prática de suborno contra  funcionários públicos. Elogiou a proposta, fazendo votos para que seja aprovada o mais breve possível. Inclusive porque proíbe que empresas corruptoras possam receber encargos públicos.

Pedro Simon não  deixou de criticar o presidente Lula porque, ao tempo em que encaminhou o referido projeto ao Legislativo,   autorizou através de veto ao Orçamento da União a continuação de  obras irregulares encomendadas pela Petrobrás a empresas acusadas de corrupção. Dois pesos e duas medidas.

Omissão inexplicável

Certas coisas, só no Brasil. O governo está importando gasolina dos Estados Unidos e da Europa. Só neste mês de fevereiro, um milhão e duzentos mil barris. Nós que já  celebramos a auto-suficiência fomos pegos de calça curta pela falta do produto, depois que os usineiros aumentaram o preço do álcool. Proprietários de veículos passaram a abastecê-los com gasolina e, por isso, ela começou a faltar. Quer dizer, imprevisão total. Onde andam os estoques reguladores, no caso, de gasolina e também de álcool? No país do pré-sal, que já celebra antecipadamente os frutos dessa imensa  riqueza, somos obrigados a importar gasolina. A Petrobrás pode preparar montes de  explicações, mas convencer o cidadão comum, não vai conseguir.

Não viu e não gostou

Assessores do presidente Lula revelam que ele não assistiu o programa de propaganda gratuita do Partido Socialista. Mesmo assim, não gostou. Pelo menos na parte em que o “âncora” Ciro Gomes referiu-se às realizações dos governadores do partido, de Pernambuco, Ceará e Rio Grande do Norte. Porque as telinhas mostraram rodovias, ferrovias, pontes, portos  e demais obras nesses estados como se fossem  exclusivamente estaduais,  graças aos  governadores, quando em grande parte  são  federais ou realizadas com verba federal.

O problema é que não apenas o PSB vale-se desse artifício. Na hora da propaganda, os  demais partidos também se apropriam do esforço do governo, para favorecer seus governadores. No caso dos socialistas, pelo menos o presidente Lula recebeu imenso elogio por parte de Ciro Gomes.

Brasília não tem indústria, não tem comércio, não tem receita, é mantida pelo cidadão dos outros estados. Por que tanta gente “se vende” por esse PODER?

Tudo o que está no título é a radiografia de Brasília, a apologia de Brasília, a autofagia de Brasília. E não começo a dizer agora, rompi com Juscelino dois meses depois de sua posse, em 1956, precisamente por causa da mudança da capital.

Evandro Lins e Silva, meu primeiro advogado, me disse assim que comecei a fazer oposição ao presidente que ajudei a eleger, com quem viajei durante 30 dias, ele como “presidente eleito e ainda não empossado”, eu como jornalista: “Helio, se não fosse pela mudança da capital, você ficaria na oposição por outro motivo, essa é sua convicção, a sua destinação, o que você compreende como governo e como jornalismo”.

(Em 1961, depois de me defender e absolver em 9 processos, junto com seu irmão e meu amigo Raul, ele repetia o que dissera 5 anos antes: “Helio, não posso mais ser teu advogado, serei Ministro no governo João Goulart. Quando eu tomar posse, você já estará na oposição”).

Mais do que a antevisão do jornalista, do que Evandro chamava de destinação e convicção (a até podia ser), estava a fábula de dinheiro que seria movimentada, mobilizada, manipulada, manuseada, na construção de uma capital em pleno deserto, com terras de tamanho incalculável e que se transformariam em ouro em pó, desconstruindo o Poder mas construindo fortunas pessoais e intransferíveis. O governo para o povo nunca existiu na capital.

Rui Barbosa: “Até as pedras da rua sabiam”. Não falava sobre as terras de Brasília, mas sobre a realidade que não criaria um nova capital, mas estimularia todo tipo de aventuras, que criariam todas as fantasias, todas as mordomias, todas as hipocrisias, que permitiriam a criação de fortunas inacreditáveis, como sempre longe do povo.

No deserto que se chamou de Brasília, não havia nada. Então, tudo foi carregado de avião: água, tijolo, pedra, madeira, areia, ferro, quem calculava e pagava tudo isso? O ENRIQUECIMENTO LÍCITO OU ILÍCITO, A CORRUPÇÃO ABERTA OU ESCONDIDA, foi a célula principal da fundação de Brasília.

Está tudo na distribuição de terras. E essas terras são tão vastas que não acabam nunca. Havia o setor Sul e o setor Norte, onde moram os muito ricos ou os também ricos.

Agora, está surgindo o SETOR NOROESTE. O MAIS FANTÁSTICO NEGÓCIO DA CAPITAL. E quem comanda tudo, em negócio de BILHÕES e BILHÕES? Paulo Octavio. Então para quê precisa ou exige esses 160 mil reais?

Como comecei citando Rui Barbosa (teoricamente), continuemos com Rui Barbosa (na prática), quando foi Ministro da Fazenda da República. (O primeiro e muito rapidamente. Com o que encontrou, não dava para resistir ou permanecer).

A prodigiosa distribuição de terras para as “vitoriosas” tropas da Guerra do Paraguai, e duraram até o fim do Império e o início da República, levou ao tão falado e jamais explicado “encilhamento”.

A inflação chegou a níveis incomparáveis e incompreensíveis, Rui não poderia resistir. Como os paulistas não estavam satisfeitos com ele, mas tinham pavor de enfrentá-lo, “inventaram”. Pediram que Rui deixasse o cargo para fazer o anteprojeto da Constituição, ele não percebeu a armadilha, aceitou.

O que ocorreu no Distrito Federal de 1870 a 1890, se repetiu em outro Distrito Federal a partir de 1956. Brasília vai completar 50 anos de inauguração, mas o crime não foi cometido nessa data. De 1956 a 1960, gritei praticamente sozinho, foram quatro anos da ruína de uma capital. E que, pelo modelo, CONTAMINOU (royalties para o Procurador Geral) tudo o que viria a seguir. E arruinou o que se chamou de NOVA CAPITAL.

Era outra capital, só que não era NOVA, já nascia velha, exatamente como a República. Não há mais salvação e a INTERVENÇÃO não tem sentido. É muita mordomia, são anexos e mais anexos, terras ainda de tal maneira desabitadas, que durante décadas e décadas, comandarão toda a existência de Brasília.

 ***

PS – Arruda está preso, representava o Executivo. O Legislativo fazia e faz parte de tudo. O Judiciário vai julgar um homem, mas não atingirá, nem de longe, o que se construiu à margem da balela que se chama de Brasília.

PS2 – Paulo Octavio está muito mais exposto, defende seus negócios pessoais, mas também o de milhares de dependentes de um Poder que nasceu vulnerável, praticamente invisível, e por causa disso inatingível.

PS3 – Brasília é, contraditoriamente, eterna e suicida. Precisava de um interventor japonês que legalizasse o haraquiri.

O risco de morrer na praia

Carlos Chagas

Pouca novidade trouxe a  mais recente pesquisa eleitoral,  desta vez a cargo do Ibope. Porque apesar de Dilma Rousseff haver conquistado mais dois pontos percentuais, José Serra continua absoluto como preferido dos consultados. E com o acréscimo de que, na simulação para o segundo turno, sua vitória torna-se mais expressiva ainda. São 47 pontos contra 33.

Apesar de haver crescido,  fruto de intensa  exposição ao lado do presidente Lula, a candidata dispõe de sete meses para dar a volta por cima, coisa que não conseguiu nos quase dois anos em que   freqüenta as preliminares da campanha presidencial.  Conquistará maiores percentuais, concluem os observadores, mas a ponto de superar o adversário? Abre-se para ela, por coincidência em meio à festa de seu lançamento, pelo PT, o risco de morrer na praia. Claro que o reverso da medalha torna-se possível. O eleitorado ainda custa a entusiasmar-se. Antes da escolha do novo presidente será realizada a Copa do Mundo, evento bem mais atrativo, desde que a sorte continue a bafejar o Dunga.

Sendo assim, a pergunta que se faz é sobre o que acontecerá no país diante da volta dos tucanos ao poder. Aqui o processo pode tornar-se mais fascinante, porque condena-se a incorrer em grave erro quem supuser o hipotético governo Serra um vídeo-tape do governo Fernando Henrique. O governador paulista jamais reconhecerá de público, talvez nem depois de subir a rampa do palácio do Planalto, mas será bom aguardar, sabendo-se ser ele um adepto da intervenção do estado na economia e um adversário das privatizações ligadas à soberania nacional. Sem falar nas restrições que faz aos conglomerados especulativos. Pedro Malan que o diga, se voltarmos um pouco os olhos para o passado.

Cuidado com os outros

Para continuar no tema, importa completar: o problema do Serra são os outros. Não todos os tucanos, é  verdade, pois muitos também repudiam o engajamento da social-democracia no neoliberalismo. Rejeitam  a postura adotada por Fernando Henrique Cardoso durante oito anos.  O diabo será evitar  que o ex-presidente e outros da  mesma estirpe venham a considerar-se condôminos do poder, no caso da vitória do governador paulista. Para o caso de FHC, o ideal seria designá-lo representante do Brasil na Unesco e mandá-lo para Paris, com passagem só de ida. E para os que já apregoam a privatização total da Petrobrás, do Banco do Brasil e da Caixa Econômica, que tal nomeá-los presidentes dessas empresas? Teriam pudor em aparecer como coveiros da soberania nacional. Ou não?

O laboratório do dr. Silvana

Para os mais novos, é bom  lembrar: o dr. Silvana era aquele cientista louco, arqui-inimigo da Humanidade, que durante as décadas de quarenta, cinquenta e sessenta  quase conseguiu explodir o planeta.  Com suas perniciosas invenções, dizem ter sido o criador da Guerra Fria, inspirador ao mesmo tempo de Stalin e de diversos presidentes dos Estados Unidos. Morou algum tempo no Vietnan, parece que depois no Oriente Médio, empenhado em promover conflitos e crises políticas, tanto quanto epidemias, erupções vulcânicas, terremotos e outras   catástrofes.

As informações eram de que o maligno personagem havia sido afinal derrotado pelo  Capitão Marvel,  hoje condenado a viver num asilo para velhos heróis, junto com o Batman  e o Príncipe Submarino.

Houve quem, a partir dos  anos noventa, jurasse haver visto o dr. Silvana, alta madrugada, esgueirando-se  pela Praça dos Três Poderes, em Brasília, onde havia reinstalado seu laboratório secreto.  Teria dado conselhos a Fernando Henrique Cardoso para privatizar o subsolo, as telecomunicações e a navegação de cabotagem, além de extinguir o monopólio do petróleo e sugerir a internacionalização da Amazônia, iniciativa  essa   interrompida com a eleição do Lula, em 2002. Mesmo assim, parece que a Carta aos Brasileiros foi de  inspiração do tresloucado cientista.  Depois, sumiu outra vez.

Por que se relatam esses inquietantes  boatos? Porque dois dias atrás o presidente Lula, meio em segredo, foi vistoriar as obras do palácio do Planalto.   Fez questão de percorrer os porões e seus sombrios corredores.  Contam que preocupou-se quando ouviu dos operários relatos  sobre  ruídos estranhos registrados  abaixo do subsolo. Especialmente gargalhadas satânicas, toda vez que o noticiário radiofônico anunciava os resultados de novas pesquisas eleitorais…

Construir outra Brasília

Em seguida ao terremoto que arrasou Lisboa, a corte portuguesa pressionou o todo-poderoso Marquês de Pombal para adotar um programa de reconstrução capaz de repor casas, palácios e monumentos tais como existiam antes da catástrofe. O criador  do novo  Portugal não deu a mínima, anunciando uma nova Lisboa, mesmo situada no lugar da velha.

Assim está Brasília, depois do terremoto gerado pela roubalheira da quadrilha chefiada por  José Roberto Arruda. Não dá para reconstruir esquemas anteriores, muito menos apelar para personagens envolvidos ou conformados com a lambança. A solução é arrasar com o que restou dos escombros da gestão do indigitado governador, incluídos na iniciativa seus supostos sucessores.

Paulo Otávio, vice-governador, não conseguiu agüentar-se. Muito menos conseguirão o presidente da Câmara Legislativa e seu  vice. Também não dá para aguardar o presidente do Tribunal de Justiça, pois se o Judiciário ficou à  margem da corrupção,  nada fez para enfrentá-la.

A única solução parece  a intervenção federal,  quer dizer,  a  construção de  uma nova Brasília.

Robinho: a felicidade mora em Santos

O treinador do Manchester City não viu que Robinho não pode ficar na reserva, ou melhor, no banco. (A não ser que seja o Bradesco ou o do Meirelles). Veio, viu, ficou iluminado e venceu. No jogo de ontem, contra o Bragantino, fez 2 gols (um que como disse um torcedor feliz, valeria outra entrada) e participou nos outros quatro.

E não é só isso. Rodou o campo todo, marcou, iludiu, deu trabalho ao goleiro, como é que podia estar em todos os lugares? Mas Robinho, estava mesmo.

Paulo Octavio: o assombroso bilionário sem nenhum caráter

Brasília não se surpreende com coisa alguma. Capital da mordomia, da hipocrisia, com um escândalo depois do outro, agora tem a “honra” do primeiro governador preso no cargo, José Roberto Arruda.

Mas quem ROUBA a cena, é Paulo Octavio. Só se fala nele, seu nome está nas ruas e nas lixeiras da capital. Por vários motivos, todos insensatos, seria essa a palavra? Mas vejamos até onde vai a audácia e a falta de caráter desse vice que não quer sair.

1 – Como é que alguém tem a coragem de pedir audiência ao presidente da República, e MENTIR SOBRE O QUE OUVIU? 2 – Já era público e notório que Lula esperava a decisão do Supremo. 3 – Quando Paulo Octavio afirmou, “O PRESIDENTE ME PEDIU PARA FICAR NO CARGO”, saiu logo do Planalto, nota oficial D-E-S-M-E-N-T-I-N-D-O tudo.

4- E depois da RENÚNCIA-DESRENÚNCIA, ainda veio a “garantia” do vice: “NÃO SEREI CANDIDATO A GOVERNADOR”. (Evitou falar em reeeleição, não quer outra coisa, que serve a ele, ainda solto, e ao governador Arruda, ainda preso.

Demóstenes e Caiado
querem Octavio fora

O senador e o deputado, estão inflexíveis, não admitem qualquer conversa. De grande influência no partido, fecharam a questão, de forma definitiva: PAULO OCTAVIO TEM DE SEU EXPULSO, IMEDIATAMENTE, ANTES DE RENUNCIAR.

Por que não expulsam? Elementar: o presidente do partido resiste e defende Octavio. Quem é o presidente do DEM? Nossa Senhora, o filho de Cesar Maia, senhor de todos os eventos no Rio quando o pai era prefeito.

Decisão urgente do DEM: EXPULSAR Paulo Octavio e SUBSTITUIR Rodrigo Maia.

Duelo de velocidade

Às 11 horas da manhã, Paulo Octavio está levando vantagem. Se receber a notícia de que será expulso, Paulo Octavio deixa o partido na hora. Aí o DEM se livra dele, mas sem poder EXPULSÁ-LO.

 A malandragem da
Assembléia Distrital

Não podia ser o único grupo a se manter intocado. Durante dois meses, em silêncio. Agora que dá impressão de vitória da dignidade, a Assembléia finge que mudou de posição. Então, 5 amigos de Arruda, recebem novas instruções, cumprem logicamente.

Mas ainda assim, “resolvem”, sem definição fácil de entender. A Comissão de Constituição e Justiça, “vota por 5 a 0 pela A-D-M-I-S-S-I-B-I-L-I-D-A-D-E do impeachment.

Depois, disso, ainda terá que passar por várias instâncias ou Comissões.

 ***

PS – Finalmente a pergunta que não sei responder, deixo para a competência, a clareza e a disposição de quem quiser.

PS2 – Como é que um dos homens mais ricos de Brasília, dono de tudo ou de quase tudo, PEDE MAIS 160 MIL REAIS, QUERO A MINHA PARTE?

PS3 – Os que defendem Paulo Octavio, dizem: “ELE não APARECE em nenhum vídeo. SEU NOME É APENAS CITADO”. Mas quem CITAVA? O ADMINISTRADOR DE SUAS EMPRESAS PARTICULARES.

Arruda quer negociar geral, repetindo a fórmula que no passado se transformou em sucesso de crítica e de bilheteria. Renunciaria, admite o processo em primeira instância, sem perda de direitos políticos

Passou a quarta-feira de cinzas (o Flamengo foi eliminado justamente, dominou o jogo e perdeu mais gols do que seria admitido) e Arruda não foi julgado. Já havia adiantado que isso aconteceria. E pode ser que, mesmo na próxima semana, (já sem o horário de verão) o ex-governador ainda não seja julgado).

Ninguém tem pressa, e na verdade, enquanto Arruda está na cadeia, o orçamento é preservado, o dinheiro do cidadão-eleitor-contribuinte não é roubado. Mas a grande surpresa: o prisioneiro tem uma condição, ou melhor, proposta. Com vários itens. 1 – Não se incomoda que o plenário do Supremo confirme a PRISÃO PREVENTIVA. 2 – Sendo PREVENTIVA, seria logo REVOGADA. 3 – Ele se COMPROMETE (se a palavra valesse alguma coisa) a RENUNCIAR.

4 – Uma das condições seria esta: “Não perderia os DIREITOS POLÍTICOS. 5 – Admitiria ser processado pela Justiça comum, como cidadão sem qualquer título. 6 – Arruda se mostra o contrário de Daniel Dantas: “Tem medo do Supremo, na primeira instância ELE RESOLVE.

O governador “licenciado” acha ou considera que conta com o apoio da opinião pública. Tem recebido, de pessoas que não conhece nem se identificam, muitos livros da chamada “auto-ajuda”. Como o amigo, parceiro e vice, Paulo Octavio, afirmou que “consultou a maioria da população de Brasília e recebeu só apelos para não renunciar”, considera que sua situação é exatamente essa.

A propósito: muita gente garante que a RENÚNCIA-DESRENÚNCIA-FACILITADOR-DA-GOVERNABILIDADE, é jogada que serve aos dois. O fato de Paulo Octavio ter dito, “não serei candidato a governador de jeito algum”, só tem validade enquanto servir a ele. (E a Arruda, é lógico).

 ***

PS – O caso tem muitos desdobramentos e julgamentos, é impossível analisar tudo com antecedência.

PS2 – Além do mais, com a voracidade e a falta de escrúpulos e de caráter de Arruda-Paulo Octavio, tudo pode acontecer.

O impeachment de Belluzzo, a demissão de Muricy

Esperava ir para o BC, o economista “ficou fazendo hora” na presidência do Palmeiras. Desde que aceitou a exigência do treinador, e pagou a ele o maior salário do Brasil, seu fracasso ficou evidenciado. E ainda não foi retirado, não se sabe a razão.

O treinador, a partir do momento em que resolveu se confrontar com Luxemburgo, pelo salário, não ganhou mais nada. Em outubro, já era considerado Campeão do Brasileirão. 3 meses depois, perdeu tudo, o Palmeiras não está nem na Libertadores. Agora, longe do título paulista, é goleado pelo São Caetano.

Há 20 dias, escrevi: “Não demora e o próximo emprego de Muricy, deve ser o de treinador do Ipatinga”. Não foi desapreço, desatenção, desinteresse ou desprezo. Fui à inauguração da cidade, há 50 ou 60 anos, com meu jovem amigo, o homem de publicidade Ivan Meira. (Que além disso era genro de Cícero Leuenroth, dono da Standard Propaganda, a mais importante da época. Ainda não existiam as agências que cresciam com o marquetismo ou o mensalão).

Quatro meses depois, íamos novamente a Ipatinga, surgiu um compromisso, não pude ir, o avião da empresa caiu, perdi um amigo, o Brasil um publicitário competente e dedicado.

Agora, Muricy encontrará trabalho, mas não com um empregador como Belluzzo, que disse, “não posso pagar o que ele pede”, mas pagou. Para quê? Para esse vexame, a inutilidade de 2009, que se projeta para 2010?

Para a recuperação completa, falta a saída de Belluzzo. É bem possível, minha terra tem palmeiras, onde canta o sabiá.

Governador Cabral, o gênio

Governador Cabral

Puxa, que gênio, esse Cabralzinho. A eleição do Estado do Rio, no mais completo silêncio, que só era quebrado pelos elogios à “maior advogada do Brasil”. Agora, todos se reúnem, conversam, o ruído é terrível. E só existe um adversário, combatido por todos: o próprio Cabral, A sua vocação de presidente da Alerj, não é negada por ninguém.

Amanhã, um festa sem debates

Carlos Chagas

Na sessão solene do Congresso do PT, amanhã, as atenções estarão voltadas para o pronunciamento de  Dilma Roussef.  Ainda que deixando ao partido  alinhar  os postulados doutrinários  para o futuro, através do  documento intitulado “A Grande Transformação”, a candidata   não estará impedida de abordar aspectos gerais de seu governo, ressalvando o cauteloso “se eu  vier a ser eleita”. As linhas-base de seu discurso seguirão no rumo de inflamados elogios ao presidente Lula, mas,  ao receber formalmente a indicação do seu nome,  poderá avançar propostas para o próximo período presidencial,  claro que genéricas e calcadas nas realizações da atual administração.

Espera-se uma festa, não um debate a respeito dos passos adiante na estratégia pretendida  pelos companheiros para o país. Dificilmente Dilma se referirá a promessas concretas, como a participação dos empregados no  lucro das empresas,  a co-gestão, a redução da carga semanal de trabalho para quarenta horas ou o imposto sobre grandes fortunas.  Pelo que se sabe, abordará a importância da continuidade do desenvolvimento, das obras do PAC, do combate à inflação, da ampliação das conquistas sociais,  da aliança com partidos e grupos que integram o governo Lula e dos  horizontes abertos através da nova política externa.

Deverão estar presentes à reunião representantes dos partidos da base oficial, a começar pelo  PMDB, com seus  seis ministros e o presidente  Michel Temer.  Não seria  hora de cotejar programas e plataformas, aliás, ainda não definidos.

Ainda a intervenção

Contra a natureza das coisas ninguém investe impunemente, já escrevia Napoleão para Josefina. Apesar do medo de  vetustas e temerosas figuras do mundo político e jurídico diante da intervenção federal em Brasília, é por aí que o vento sopra. Porque mesmo se o governador José Roberto Arruda ficasse  preso até o fim do ano, jamais os seus substitutos ou sucessores legais conseguiriam refazer as instituições locais, postas em frangalhos. Apesar de seus esforços, o vice-governador em exercício, Paulo Octávio, carece da autoridade necessária para restabelecer a credibilidade do  poder público. Os seguintes na ordem sucessória, também,  sejam o presidente e o vice-presidente da Câmara Legislativa, seja o  correto novo presidente do Tribunal de Justiça. A todos faltará o respaldo sequer para compor um secretariado à altura do Distrito Federal. Quanto mais para receber da sociedade local o apoio imprescindível à garantia do funcionamento da máquina administrativa.

Está, o Distrito Federal,  na situação daquele personagem que, se ficar, o bicho come. Se correr, o bicho pega. Nenhum dos referidos acima,  a começar pelo governador Arruda, conseguirá evitar o desmonte da autoridade pública.  A  não ser que, pelo  governo federal, seja designado alguém descompromissado com o passado de Brasília. Um interventor capaz de passar o rodo,  sem relações de qualquer espécie tanto com a quadrilha aqui instalada quanto com aqueles que se mantiveram em silêncio diante de tanta lambança explícita. Fora daí será assistir a eleição dos  mesmos de sempre.

Aqui se faz, aqui se paga

Estava tudo arrumado para a Beija-Flor  ganhar na Sapucaí, com o enredo sobre os  50  anos de Brasília. Dinheiro não faltou, no propinoduto que ligava a capital federal ao Rio, passando por alguns pontos de bicho e  sucedâneos. Não que a escola carecesse de méritos, muito pelo contrário, mesmo apresentando graves defeitos, como um Juscelino de papel que   mais parecia o Bill Clinton.  O problema é que a roubalheira brasiliense explodiu antes e a derrota  já estava escrita há mil anos, na cabeça dos jurados. Menos pelo brilho dos passistas do que pelo vexame que seria uma vitória consagrando a lambança.

Fidelidade dá problema

Marcio Lacerda não se elegeria prefeito de Belo Horizonte sem o apoio fundamental de Aécio Neves. Mas havia sido, em 2002,  o  comandante de campanha  de Ciro Gomes à presidência da República.  Ouve-se agora que, convidado, não escapará de repetir o passado. Ciro precisa de sua competência. Mas Aécio, como receberá a defecção, sendo ou não candidato à   vice-presidência na chapa de José Serra?

Paulo Octavio: às 13 horas RENUNCIOU. Às 14,20, DESRENUNCIOU. Às 17,10 se transformou em FACILITADOR, de guerreiro da GOVERNABILIDADE

O dia foi dele, se é que se pode afirmar isso. No final da tarde, falou exatamente 11 minutos, mas o recado chocho e imaginário. Poderia ter tido apenas meio minuto, porque não afirmou nada, apenas imaginou.

Textual: “Ouvi escritórios, assessores, APELOS DA MAIORIA DA POPULAÇÃO, pedindo que eu não renunciasse”. Só merece isto: Há!Ha!Ha!

Na verdade, Paulo Octavio, que disse, “a vida inteira servi a Brasília”, pretende ou tenta, continuar se aproveitando de tudo. Não conseguirá.