Mercadante: suspense em Brasília

É a grande sensação da capital. Condenado pela opinião pública em massa, não apoiado pelos liderados, olhado desairosamente pelos adversários, como chegará em plenário para exercer a sua liderança? Hoje, segunda, amanhã, terça, finalmente, quarta (único dia de comparecimento obrigatório) falará da tribuna ou discordará de alguém da BASE ou da OPOSIÇÃO?

Palocci pode buscar reparação milionária

STF vai julgar Palocci 5ª. feira, mas o resultado já é conhecido

Luiz Nogueira

Lê-se nos grandes jornais,  sites e blogs que o STF vai julgar na quinta-feira o processo em que o deputado federal Antonio Palocci (PT-SP) é acusado de participação na quebra do sigilo bancário do caseiro Francenildo dos Santos e na divulgação desses dados sigilosos, isto, em 2006.

Na ocasião, Palocci era ministro da Fazenda e teria sido acusado de participar da República de Ribeirão Preto, freqüentando mansão em Brasília, onde teriam ocorrido reuniões suspeitas. FOI TRUCIDADO POLITICA E MORALMENTE.

Sem citar fontes, o jornal “O Estado de S. Paulo”, diz em sua primeira página  que “Supremo deve inocentar Palocci”.E mais: “Ministros devem concluir que não há provas de que Palocci ordenou quebra do sigilo”.

Na página 4, informa-se que “o Supremo Tribunal Federal (STF) deverá rejeitar na quinta-feira a denúncia feita pelo Ministério Público Federal contra o deputado. Segundo informações obtidas pelo “Estado”, a maioria dos ministros vai concluir que não há provas materiais de que Palocci tenha mandado subordinados quebrarem o sigilo do caseiro”.

Já na página 7 da “Folha de S. Paulo” saiu manchete garantindo que “STF já tem argumento para livrar Palocci. Ministros devem argumentar na quinta que faltam suficientes indícios de participação do ex-ministro na quebra do sigilo do caseiro”.

Para a “Folha de S. Paulo”, “o ex-ministro da Fazenda e hoje deputado Antonio Palocci (PT/SP) deve ser poupado pelo STF (Supremo Tribunal Federal) de responder a ação penal sob acusação  de ser um dos responsáveis por mandar quebrar o sigilo bancário do caseiro Francenildo Costa e divulgá-lo à imprensa. O julgamento está marcado (QUAL JULGAMENTO? NÃO ANUNCIARAM O RESULTADO ANTES DO JULGAMENTO?) para a próxima quinta-feira. O relator é o presidente do STF, Gilmar Mendes, que não abriu mão de apresentar o seu voto mesmo estando no comando da corte – normalmente os presidentes repassam a um colega os processos sob sua responsabilidade. O gesto sinaliza o peso político da questão” ( que já estaria decidida por antecipação, segundo a Imprensa?)

Não sei se o Palocci é inocente ou culpado, porém, acho que o STF está saindo diminuído nesse episódio na medida em que o julgamento  sobre se ele deve ou não responder a ação penal, apesar de não ter se realizado, já tem final anunciado.

Como todos nós devemos cumprir as leis vigentes no país, gostaria de saber se no presente caso não estaria ocorrendo grave infração ao artigo 36, da Lei Complementar no. 35, de 14 de março de 1979,   “QUE VEDA AO MAGISTRADO manifestar, por qualquer meio de comunicação, opinião sobre processo pendente de julgamento, seu ou de outrem, ou juízo depreciativo sobre despachos, votos ou sentenças, de órgãos judiciais, ressalvadas a crítica nos autos e em obras técnicas ou no exercício do magistério”.

Nessa direção, salvo melhor entendimento, a divulgação da antecipada absolvição do ex-ministro Palocci pelo Supremo Tribunal Federal não fere também o Código de Ética da Magistratura Nacional e em especial o artigo 12?

Vejamos: “Art.12  – Cumpre ao magistrado, na sua relação com os meios de comunicação, comportar-se de forma prudente e equitativa, e cuidar especialmente: 1 – para que não sejam prejudicados direitos e interesses legítimos de partes e seus procuradores; II – de abster-se de emitir opinião sobre PROCESSO PENDENTE DE JULGAMENTO, seu ou de outrem, ou juízo depreciativo sobre despachos, votos, sentenças ou acórdãos, de órgãos judiciais.. “.

Admitindo que o festejado ex-procurador-geral da República, Antonio Fernando  Souza, tenha se equivocado e se precipitado  ao denunciar Antonio Palocci, pois faltariam indícios suficientes de participação do ex-ministro na quebra do sigilo do caseiro Francenildo,  não teria ocorrido, então,  crime de prevaricação por ausência de investigação eficaz no âmbito do próprio Ministério da Fazenda para se apurar responsabilidades pelo ilícito comprovadamente praticado (de autoria desconhecida) e de repercussão internacional?

Ao invés de julgamento, não seria plausível a  devolução dos autos ao Procurador-Geral para aprofundamento das investigações sobre o crime quase perfeito? Houve quebra de sigilo bancário e o verdadeiro culpado não foi identificado. Por quê?

DE QUALQUER FORMA, se confirmada a inocência do ex-ministro Palocci e hoje deputado federal, pacífico que o mesmo que foi LINCHADO E HOSTILIZADO PUBLICAMENTE  PODERÁ BUSCAR INDENIZAÇÃO MILIONÁRIA CONTRA A UNIÃO FEDERAL POR CONTA DA INJUSTA E INDEVIDA DENÚNCIA DA PROCURADORIA GERAL DA REPÚBLICA  E PELA DESABONADORA E DESESTABILIZADORA DIVULGAÇÃO DE CRIME, QUE , A FINAL NÃO COMETEU.

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Luiz Nogueira é advogado

Jornal “O Estado de São Paulo”: nem informação ou opinião, agora no caminho da adivinhação

Primeira página do jornalão: “O Supremo deve inocentar Palocci”. Depois da afirmação, que nenhum Ministro do Supremo confirma, abrem o jogo e não escondem mais a predileção jornalística e empresarial pelo ex-Ministro da Fazenda.

Governador ou presidente

Na matéria “lá dentro”, o jornalão avança nas SUPOSIÇÕES e garante: “Quinta-feira, o STF deverá rejeitar a denúncia contra Palocci”. E continua, porta-voz do empresariado beneficiado por Palocci Ministro: “Ele é visto como “curinga” (presidencial) por Lula e cotado tanto para a vaga de Mucio (Ministro da Coordenação) como para disputar a sucessão em SP”.

Pensam mal, escrevem pior

O texto é tendencioso, mal escrito, e cheio de erros. Dizem: “Palocci “TANTO” e apresentam outra opção que deveria ser “QUANTO”, usam COMO  inteiramente fora do prumo.

O ex-ministro em campanha

E concluindo, já aí mais reticentes: “Uma decisão do STF concluindo pela inocência de Palocci ajudaria seus planos políticos”. Ha! Ha! Ha!

Não esquecer: como era ADIVINHAÇÃO, não precisavam dizer que ouviram o ex-Ministro Palocci ou qualquer Ministro do Supremo. É a vantagem de ADIVINHAR em vez de INFORMAR ou OPINAR.

Hoje: 55 anos da reviravolta do suicídio (genial) de Vargas

O ditador que dominou  Brasil por 15 anos i-n-i-n-t-e-r-r-u-p-t-o-s, assumiu em 1951 completamente desgastado. No 29 de outubro de 1945 (queda da ditadura), tentou continuar de todas as maneiras. D-e-s-g-a-s-t-a-d-í-s-s-i-m-o, não conseguiu apesar do apoio surpreendente do mais torturado de todos os brasileiros: Luiz Carlos Prestes.

Prestes: “Constituinte com Vargas”

Libertado para que apoiasse Vargas, apoiou mas não adiantou. Fez um famoso discurso no Estádio do Vasco (ainda não existia o Maracanã) criticando o próprio povo que, segundo o líder comunista, “se aburguesara, só pensava em geladeira e outras comodidades” (ainda não existia televisão).

Ditador a vida inteira, Vargas nem sabia o que era democracia

Foram mais de 3 anos de incompetência, incoerência, imprudência. A oposição a ele cresceu por força da sua própria incompreensão. Governar com o Congresso, liberdade de expressão, opinião pública, era um vácuo que Vargas não conseguia preencher.

O suicídio politicamente genial

O povo estava totalmente contra ele. Nas vésperas do 24 de agosto (55 anos hoje), na Cinelândia, centro nervoso eleitoral do Rio (então Distrito Federal), a multidão dava “vivas” a Lacerda, queimava os carros do PTB.

Psicologia das multidões

Dias depois, quando Vargas se matou, a mesma multidão, passava a gritar, “Morra Lacerda” e queimava carros da UDN.

O tiro que mudou a História, o enterro com o povo chorando

Quando Vargas soube do que pretendiam fazer com ele (e que ele fizera a vida toda com adversários e correligionários) decidiu “sair da vida para entrar na História”, como está na carta-testamento, escrita pelo jornalista Maciel Filho.

Final histórico, mas não inédito

Genial, como já disse, mas que não podia ser escrita em 5 minutos, a carta já estava pronta. E o suicídio, preocupação que vinha de longe. Quando Vargas foi expulso da Escola Militar de Rio Pardo (Rio Grande do Sul), depois transformada em “pedido de demissão”, se concentrou no suicídio, que não executou.

PS- Amanhã, mais detalhes dessa tragédia, e uma lembrança a Lula, que acredita poder eleger quem quiser. A legislação de 1945/50, inteiramente diferente. E o clima, nada parecido com o que Lula pretende manipular AGORA PARA 2010.

Vargas, nada a ver com a Petrobras

A campanha do “Petróleo é nosso” surgiu, cresceu e se popularizou a partir do Clube Militar. Lógico, muitos civis tiveram grande importância. Em plena crise política, eleitoral e mais do que tudo, partidária, chegou ao Congresso.

Um comunista e a UDN

Quem apresentou o projeto foi o deputado Roberto Morena, um dos 15 deputados eleitos pelo Partido Comunista em 1945. Em 1948, o PC teve seu registro invalidado e esses deputados e mais o senador Prestes seriam cassados. Todos foram embora antes, ficaram sem mandatos, mas longe.

Morena voltou em 1950

Inscrito por outro partido, se elegeu e teve bastante atividade. Criou a Petrobras, Vargas aceitou, não tinha o menor interesse.

Curiosidade: Roberto Morena, de profissão marceneiro, trabalhou na colocação das poltronas do Palácio Tiradentes, onde mais tarde exerceria seus mandatos. (Exclusiva)

Esportivas, observadas, comentadas e condenadas

Barrichello, vitória contra a injustiça

Quase de ponta a ponta, o brasileiro venceu no belíssimo circuito de rua de Valencia. Voou de tal maneira, que mesmo o monótono e cansativo apresentador, não conseguiu fazer suspense. O público sabia desde a metade da prova que Rubinho seria o vencedor. Estava “parando”, “administrando”, “sustentando” a ponta, sem riscos.

No último minuto, o São Paulo perdeu o jogo e a arrancada

Com a vitória bateria o recorde, com o empate manteria o ritmo das 8 últimas rodadas. Nenhum jogo deveria ter 48 minutos. Os “grandes” estão se pendurando nesse varal, como Mussolini no fim da Segunda Guerra Mundial.

O fracasso não foi da Maurren Maggi

Decepção, frustração, desorganização são sinônimos de traição ao esporte. Já vimos isso com o Guga, número um do mundo, podíamos ter aproveitado para criar vencedores iguais a ele.

O atletismo é nobre, dirigente? Pobre

A falta de organização é total. Só se salvam o futebol e o vôlei, mas os clubes, fracassos irremediáveis e irrecuperáveis. Benefícios e favores para os “presidentes” abandono para os atletas.

Flunimed-Horcades

Liguei no jogo com o Barueri, no Maracanã, e com 2 minutos o Fluminense ainda não perdia. Acabou o primeiro tempo, não “sofreu” gol, no segundo tempo inteiro, a mesma coisa.

O Plano de Saúde não joga

O adversário ficou com 10 jogadores, depois 9, e nada de gol. Lembrei do slogan do patrocinador: “O melhor plano de saúde é viver, para o Fluminense é descer”. Mais? E o presidente do clube?

Ronaldinho Gaúcho estará voltando?

Na estréia do Milan, que apresentava seu novo treinador (Leonardo), vitória por 2 a 0. Os dois gols de Pato, passes magníficos do ex-melhor do mundo. Será a ressurreição de quem não poderia ter morrido aos 27 anos? (idade que tinha na Copa de 2006, quando começou o retrocesso).

Sem Nadal, contundido, sem ritmo, ninguém ganha de Federer

Depois de 70 dias parado e ainda com seu jogo em lugar incerto e não sabido, o espanhol pode ser considerado ausente. Só perdeu o primeiro lugar do ranking por estar ausente. Federer ganhou muito bem do espaventoso Djokovic, depois de ter eliminado o mal educado Murray. Nadal pode estar de volta semana que vem no Aberto dos EUA.

Botafogo injustiçado

A palavra não é essa, o que fazer? O time do Rio dominou o de São Paulo, mas há sempre um arbitro no meio do caminho. Marcou o segundo pênalti (não houve, o primeiro, exato), o Castilho defendeu, o batedor do pênalti só poderia chutar se junto do goleiro do Botafogo estivesse outro jogador.

O árbitro devia receber cartão vermelho

Só um outro jogador do Corinthians que não estivesse impedido, lógico, poderia fazer o gol. O auxiliar chamou o árbitro, disse: “O gol tem que ser invalidado”. O árbitro deu as cosas, apontou para o meio do campo, tirou a vitória do Botafogo.

Vasco: 111 anos gloriosos e vitoriosos

Se somarmos a liderança da série, a ausência para sempre de Eurico Miranda, e os quase 80 mil pagantes no Maracanã, que maravilha viver. É o festival Wagner em versão esportiva e com o mesmo prazer musical.

Vôlei invencível

Depois de 14 jogos, a seleção feminina foi campeã. Grande Prêmio, mas na faixa está escrito: Grand Prix”. Tanto faz, o importante é que além de invencíveis, são insubstituíveis e indivisíveis.

Goiás e Avaí no G-4

São surpreendentes, positivamente. Os outros que vão ficando mais longe, são surpreendentes, negativamente. Mas é tudo muito satisfatório, e aplausos para Helio dos Anjos e Silas.

Lula já imaginou as possibilidades

Se não puder obter o terceiro mandato, o referendo ou a prorrogação geral, admite perder para um adversário. E voltar GLORIOSAMENTE em 2014. Com o PT.

A crise política do Brasil é tão grande que ninguém sabe dizer o que vai ou pode acontecer. Na verdade, os partidos e todos os personagens que se julgam importantes, estão jogando com o imponderável, o inimaginável e até o impossível.

Lula complica tudo, faz questão de se basear nos 80 por cento de popularidade PESSOAL que as pesquisas lhe dão (ou emprestam?) para agir com a arrogância como essa de dizer que um PT ESTRAÇALHADO continua muito forte.

As pesquisas favorecem o presidente, mas não garantem ou autorizam as suposições que ele faz com uma audácia impressionante. Até, vá lá, acreditamos nesses 80 por cento constatados (?) para ele. MAS SÓ PARA ELE. Nem para o governo ou o PT.

Na verdade, o panorama só ficará um pouco mais claro quando o presidente DESENCARNAR da condição de candidato DELE MESMO ou dos 80 por cento que, dizem, ELE É EXTRAORDINÁRIO. Por causa disso, a profissão de analista é insustentável.

E o presidente fala o que bem entende, zomba da realidade, inventa situações, e levanta hipóteses nas quais ninguém acredita. O presidente Lula não garante nada, mas apostou muito na permanência ou numa nova eleição, diferente de tudo que admitem.

O presidente Lula SONHA muito com o REFERENDO que foi aprovado à noite na Colômbia, dando nova chance ao presidente Uribe, que sem direito à reeeleição, já conquistou uma e agora quer outra.

FHC obteve a primeira e também queria a segunda, Menen, Fujimori, Zelaya, ninguém quer sair do Poder. Constituição? Reforma-se. Constituição não é para sempre. Mesmo que reformas, depois de 30 de setembro, sejam INCONSTITUCIONAIS.

De Lula: “Minha relação com a Marina (Silva) está acima de qualquer ligação partidária”. Então, se queria (?) uma mulher candidata, por que não usou o nome da senadora, de grande repercussão?

Porque Marina poderia ganhar e isso ele não quer de jeito nenhum. Do PT, Lula só quer um nome, um vencedor, um candidato que tenha total afinidade com ele. E Lula não diz abertamente, mas acredita mil por cento na própria credibilidade. E vitória, o que adianta sem o Poder?

Lula não pode dizer abertamente, mas aceitaria ficar no Poder na três formas que imagina. 1- Reeeleição. 2- Referendo. 3- PRORROGAÇÃO GERAL dos mandatos até 2012, quando então seria permitido que ficasse no Poder por 5 anos (como era o mandato da Constituinte de 1946) APENAS UMA VEZ.

Que para ele seria a QUARTA. As duas, de 2002 a 2010, a prorrogação e esse ÚNICO mandato de 2012 a 2017, quando sairia (?) com 74 anos e saciado.

***

PS- Se nada disso der certo, Lula prefere PERDER para um ADVERSÁRIO ou CORRELIGIONÁRIO, tem certeza de que gloriosamente VOLTARIA (ele é o general MacArthur civil e distante) em 2014.

PS2- Seria uma repetição do que fez com ele mesmo em 1998. Sabendo que não venceria, resistiu a todas as colocações do PT, não aceitou nenhum nome, foi para o “sacrifício” certo. Motivo: sabia que o petista que perdesse em 1998 (os mais citados: Suplicy e Mercadante) seria lançado novamente em 2002.

Submissão do criador à criatura

Carlos Chagas

O pêndulo se desloca. Até pouco o PT mantinha o monopólio não só do poder, mas da arrogância e  da presunção.  À sua volta, os demais partidos da base governamental  que se arrumassem com as sobras do banquete. Os companheiros não perceberam que o presidente Lula se descolava deles, tornava-se uma entidade  maior do que eles. Acabaram descolados  pela aproximação do processo sucessório e as  exigências dos aliados para garantirem a continuidade não do petismo, mas do lulismo.

No centro dessa mutação postou-se o PMDB, sem o qual fracassaria, como ainda  poderá fracassar, o projeto do Lula  de permanência no  controle do governo,  no futuro.   Ao impor a candidatura de Dilma Rousseff ao PT o presidente  moveu   a primeira peça destinada a  esvaziar  sua antiga base de sustentação.  Para  viabilizar a candidata que os companheiros não escolheram,  obrigou-se  a cortejar o maior partido nacional,  que já havia aquinhoado com seis ministérios e centenas de diretorias de empresas estatais, possuidor das maiores bancadas no Congresso. Veio a decisão de  obrigar o PT  a não apresentar candidatos nos estados onde o governador é do PMDB. Em seguida, o episódio recente da preservação a qualquer custo do senador José Sarney na presidência do Senado. Para isso, o primeiro-companheiro não hesitou em humilhar seu próprio partido,  levando-o a sustentar o ex-presidente da República às custas da determinação da bancada petista que pregava o  seu licenciamento. O processo culminou com o enquadramento do líder Aloísio Mercadante, que da renúncia irrevogável passou à permanência inaceitável.

Encontra-se o PT na situação de que,  se ficar,  o bicho come, mas se fugir, o bicho pega. Já se fala até mesmo na aceitação de candidaturas do PMDB a governador nos estados onde o  PT é  governo, inversão vergonhosa  do princípio anterior.

Fazer o quê? –  indagam-se os petistas. Aceitar as imposições  cada vez mais cruéis do chefe equivalerá a marcharem  de cabeça baixa até o cadafalso. Mas insurgir-se, rebelar-se e contrariar o presidente Lula será pior, condenados ao massacre no campo de batalha.

Uma conseqüência parece  certa:   o PT, criador, submete-se à força inexorável da criatura. Ficará para os exegetas do futuro identificar em que momento da sua trajetória   deu-se o início da ruptura do objetivo  de tornar-se o partido que mudaria o Brasil.  Pode ter sido quando o partido trocou os ideais pela presunção e a arrogância.

Não existe, mas se existir?

Voltaire, depois de passar a maior parte de sua longa vida negando a existência de Deus e atacando com virulência a Igreja, em seu leito de morte mandou chamar um  padre para confessar-se e receber os últimos sacramentos. Não  perdeu a ironia. Justificou-se diante da surpresa dos amigos afirmando: “não existe,  mas se existir, é bom que eu  esteja preparado…”

Com todo o respeito,  o  episódio se conta a propósito da sucessão presidencial do ano que vem. O presidente Lula não acredita nas possibilidades de Marina Silva, que acaba de trocar o PT pelo PV.  Nos tempos em que a senadora era ministra do Meio Ambiente,  sofreu  com a má-vontade e a indiferença do chefe. Mas,  por via das duvidas, se ela crescer como candidata  e passar para o segundo turno, não custa nada elogia-la desde já…

Ainda não é hora

O governador Aécio Neves não gostou nem um pouco das notinhas plantadas na imprensa a respeito de já ter-se  decidido a formar na chapa de José Serra,  como candidato a vice-presidente. Está sinceramente decidido a disputar a indicação presidencial, no  ninho dos tucanos. Admitir a hipótese seria enfraquecer e até sepultar o projeto de seguir o exemplo do avô.    Agora, se até o começo do próximo ano verificar a impossibilidade de superar o governador de São Paulo, no âmbito do PSDB, por que desconsiderar a formação de uma dupla eleitoralmente fortíssima, daquelas de botar os adversários para correr?

Incompreensível

Poucos entenderam a mais recente intervenção do ex-presidente Fernando Henrique ao defender não apenas a descriminalização do uso das drogas, mas ao  considerar  que devemos conviver com elas, esperando que causem o  mínimo dano possível à sociedade, mas tendo-as como   inevitáveis.  Seria ensarilhar as armas e aceitar o  inaceitável, mesmo sabendo das dificuldades para evita-lo.  A  Humanidade convive desde tempos  imemoriais  com a prostituição, mas considerá-la um mal inevitável é mais ou  menos  como condenar filhas, mães e irmãs à mais antiga das profissões do planeta. Vale o mesmo para os usuários de drogas. Mesmo sabendo que levará séculos para que desapareçam,  assim como a prostituição, devemos acomodar-nos para a convivência?

Um enigma: o emprego aumentou e o consumo diminuiu

Pedro do Coutto

Tese, antítese, síntese. O princípio que o filósofo alemão Hegel eternizou na passagem do século 18 para o 19, ele morreu em 1831, atravessa o tempo e, acredito, ficará para sempre. Agora mesmo, pode-se revivê-lo, não na teoria, mas na prática. Na edição de 21 de agosto, o Globo publicou duas excelentes reportagens, uma de Geralda Doca, outra de Liana Melo. Interessante fazer-se o cotejo. Ambos os dados tem o governo como fonte. A primeira matéria focaliza a queda da receita federal no primeiro semestre de 2009 em relação ao mesmo período de 2008. A segunda revela que o desemprego recuou de 8,1 para 8% nas seis regiões metropolitanas do país, e que a renda média mensal do trabalho subiu 3,4 pontos no mesmo espaço, alcançando 1 mil e 323 reais. Como explicar o fenômeno?

A receita desceu 7,3% já descontada a inflação que, para o IBGE foi de 4,5 no período. Ficou este ano na escala de 384,1 bilhões de reais. Resultado alarmante, inclusive, porque a população cresceu 1,1% entre uma ponta e outra. Consequência provavelmente de um Produto Interno Bruto menor, o reflexo lógico na retração da renda per capita. Já que é o resultado da divisão do PIB pelo número de habitantes. Mas a questão não se esgota aí. Constatar o fenômeno não é suficiente. É necessário interpretá-lo. Traduzi-lo. Todos sabemos que o impulso ao consumo, via crediário, é muito forte, com a sociedade brasileira não atribuindo a importância que deveria dar aos juros cobrados nos financiamentos. Outro aspecto: a população está muito mais voltada para consumir do que para produzir. Da mesma forma que visa infinitamente mais a concentração do que a distribuição. O marxismo tropeçou neste plano da existência humana.

Mas ultrapassadas a tese e a antítese, vamos para a síntese. O IPI recuou muito mais do que o Imposto de Renda. O Imposto sobre Produtos Industrializados é a principal fonte identificadora do consumo. Vejam só. Nos primeiros seis meses deste ano, enquanto o IR apresenta redução de 17,4%, a arrecadação do IPI foi 31,8% menor. Logo o consumo se retraiu. O reflexo é inevitável na receita do ICMS nos principais centros consumidores como São Paulo e Rio de Janeiro. O que pode ter causado isso, já que o sistema de crédito continua aberto inclusive com uma taxa mensal de juros igual a inflação anual?

Qual a explicação para iluminar o vértice das duas reportagens que O Globo publicou? Só pode ser uma para não se por em dúvida a anunciada elevação no rendimento médio mensal do trabalho.

O medo do desemprego. Porque o desemprego é um fantasma. Ele pode não aparecer, pode não se realizar. Mas a simples perspectiva em torno da perda da colocação leva a um natural posicionamento defensivo. Claro. Pois como assumir compromissos financeiros se, de repente, a fonte do pagamento pode cessar? E vale acentuar que todas as estatísticas dão prova de que não é nada fácil retomar uma colocação perdida. Demora meses, às vezes anos. Como pagar as contas? Aí é que reside o verdadeiro problema. Em períodos de recessão, portanto de retração, todos nos sentimos ameaçados. E, de maneira responsável, passamos a agir de forma mais prudente. Este ângulo da condição humana é que não costuma ser analisado, sequer levado em conta, pelos tecnocratas. Os tecnocratas acham que os números frios das projeções que fazem podem resolver tudo. Nada disso. O ser humano é muito mais complexo do que se imagina à primeira vista. O comportamento das pessoas, multiplicado pelas situações em que se envolvem, exige pesquisas de profundidade. O temor é um sentimento permanente. O nível de consumo depende do grau da preocupação. Esta a síntese da divergência dos textos e dos dados.

Contra tudo e contra todos. E até contra si mesmo

Adonias Mangueira Fernandes
“Sei não, professor Fernandes….Mas dessa vez acho que o senhor bateu todos os recordes de ironia…..parabéns…”

Roberto Abranches
“30 anos de relacionamento permitem discordar de você, mas compreendo a tua posição”.

Amilcar Damasceno
“Se não fosse você, Helio, eu nem escreveria, duvidaria dos termos e elogios ao Mercadante. Respeito-o mais ainda, discordando totalmente”.

Silvia Maria Almeida
“Helio, que lição de jornalismo, que capacidade de ver e analisar. Apesar de tudo, tenho que manter minha restrição absoluta ao discurso do líder do PT, que não queria mesmo deixar o cargo”.

Raul Azevedo
“Helio, certamente que você conhece o conceito de Voltaire sobre “não concordar mas respeitar o direito de dizer”. Desculpe, lógico, não elogiaria jamais a fala do Mercadante, mas compreendo integralmente tua posição”.

Maria Amelia Cavalcanti
“Precisava usar todas aquelas palavras para rotularuma mudança de posição que estava decidida?”

Fitzcarraldo Silva
Qual grande patriota brasileiro disse essa genial frase ao Lulla: ‘se me derem mais grana e mais pinto, eu fico!’. Cartas à redação.”

Alexandre Silva
“Caro Hélio: o Mercantilizante joga para a torcida, sofismando a questão entre o ‘fico, mas não concordo’ e o ‘não concordo, mas fico’”.

Ana Georgina
“Helio, não foi o próprio Mercadante que falou várias vezes e dias antes, que a renuncia era irrevogável? Não é mais? E você aceita e elogia?”

Honorio Cabral
Meu caro, acho que a isenção tem um limite, embora no caso você mereça ter ressaltada a generosidade. Só que nem o PT nem Mercadante merecem o seu respeito”.

Nilson da Silveira
“Helio, você esqueceu. O Mercadante não tinha nada que ir conversar com o presidente Lula. Se ele disse que a renúncia era irrevogável, para que conversar? Para revogá-la?”

José Carlos Werneck
“Respeito e prezo a sua opinião embasada em décadas de experiência.mas, ontem mesmo, num comentário que fiz no seu blog,disse que Mercadante não largaria o ‘osso’.”

Comentário de Helio Fernandes
Impressionante. Sobraram dezenas e dezenas de manifestações, nenhuma a favor de Mercadante, todas contra ele. E logicamente, com muita elegância, respeito e, digamos, até com tristeza, opondo restrições ao que o repórter escreveu.

Mas o importante é a isenção, de Mercadante, do repórter, de todos que leram, escreveram, protestaram. Todos no exercício de um direito legítimo de expressão. O maior de todos, o do cidadão, pois sem qualquer dúvida, a última palavra é dele.

Só que Aloisio Mercadante não é o primeiro a mudar de opinião, trocando a posição fácil de ter toda a coletividade a seu lado, para REVOGAR O IRREVOGÁVEL e se sacrificar em nome da coerência, mesmo com o risco de provocar a impressão da incoerência.

O volume dos protestos e das recriminações, não deixam dúvida: ele seria exaltado, elevado e glorificado se jogasse fora a liderança, que no clima atual não vale nada.

Os exemplos até historicamente maiores e mais importantes são inúmeros. Getulio Vargas chefiou ou liderou em 1930, uma revolução pela democracia, assumiu, ficou 15 anos como ditador, não deu lugar a ninguém.

No dia 29 de outubro de 1945, quando finalmente a ditadura foi derrubada, às 9 horas da manhã, Vargas retumbava: “Só saio do Catete morto”. Às 5 e 10 da tarde, saía bem vivo, do lado do cardeal, como era moda na época.

Em 1954, eleito pela primeira vez, quiseram tirá-lo do Poder tentando enganá-lo com uma possível licença de 30 dias. Foi para o quarto, soube da verdade (“não é licença coisa nenhuma”) em 5 minutos deu um tiro no coração, mudou o rumo do país, “saiu da vida para entrar na história”.

Jânio Quadros eleito com votação arrasadora, queria mais, “renunciou”, mudou o país sem se transformar um herói, mostrando seu lado majoritário de farsante. Vargas e Jânio sempre confirmaram as posições, ou tentaram se adaptar ou mudar?

Os famosos “Tenentes”, heróis de 1922, 1924, 1926, chegaram ao poder em 1930, abandonaram suas convicções de lutar pelo povo, se juntaram à ditadura, foram interventores ou governadores, ministros, embaixadores, generais, almirantes. Como eram muito jovens, chegaram à ditadura de 1964, que se instalou principalmente por causa da renúncia de Jânio.

Mercadante sabia sem dúvida alguma que Lula é um manipulador de pessoas e personagens, afinal estão juntos há 30 anos. Mas como resistir? O próprio Mercadante foi traído por Lula em 2003, quando tudo indicava que daria um salto na carreira política.

Muitos declaram, escrevem e assinam: “Mercadante não tinha nada que ir conversar com Lula”. Não sei se Mercadante conhece bem Rui Barbosa. Em 1896, afirmou e depois repetiu: Ninguém pode deixar de atender um chamado do presidente da República, mesmo que sejam adversários”. O que não era o caso de Lula e Mercadante.

Como deixar de atender um presidente, depois de conversar com ele 5 horas? Se não foi gravada, só saberemos detalhes ou trechos. Mas no dia seguinte (ontem), às 9 da manhã, Lula mandava uma carta para Mercadante, carta que Mercadante leu da tribuna, lógico, estava autorizado.

Pergunta inútil e sem resposta: Mercadante ganhou alguma coisa com esse ato de contrariar a todos, se mantendo na liderança que já nem existe? E ele mesmo contou a história dos pedidos da mulher e dos filhos, pedido ou apelo que teve que contrariar.

O Tribunal da Família é o mais alto que existe. Para um político, só existe outro que se iguala, é o Tribunal da Opinião Pública.

Mercadante contrariou os dois, desculpem, isso só com grandeza, desprendimento e generosidade.

Mercado de tabalho, admissões e demissões

Pedro do Coutto

Os jornais de quarta-feira publicaram declarações do ministro Carlos Lupi sobre a reação evidenciada no mercado de trabalho com base na criação de 437,9 mil vagas no primeiro semestre do ano, das quais 138,4 mil no mês de julho. O salário médio, segundo Lupi, subiu 1,49%, atingindo 764 reais. É preciso esclarecer alguns pontos. Em primeiro lugar, confrontar o número das admissões com o das demissões sem justa causa. São muito altas.

Para se ter uma idéia exata, com base no relatório da Caixa Econômica, publicado no Diário Oficial de 27 de abri8l deste ano, relativo a 2008, houve no país 16 milhões e 500 mil demissões que causaram saques no FGTS da ordem de 26,4 bilhões de reais. Portanto a média mensal das dispensas situou-se em torno de 26,4 bilhões de reais. Portanto a média mensal das dispensas situou-se em torno de 1 milhão e 300 mil. É só fazer as contas.

Portanto para que em julho o saldo das contratações tenha sido de 138,4 mil é indispensável que tenham somado, em seu conjunto, 1 milhão e 438 mil, em números redondos, já que a média de demissões é de 1 milhão e 300 mil por mês.

Este resultado não ocorreu só em 2008, claro. È uma tendência estatística constante que talvez tenha crescido mais velozmente no segundo semestre do ano passado.

O ministro Carlos Lupi referiu-se ao resultado positivo do primeiro semestre com a recuperação de 437,9 mil postos de trabalho. Mas este número não confere com os publicados pela Caixa Econômica no relatório relativo ao primeiro semestre deste ano, página 35 do D.O. de 18 de agosto de 2009. Lá está a informação de que a receita do FGTS alcançou 27,1 bilhões de reais, mas os saques atingiram 25,3 bilhões. A receita subiu, se comparada com

a do ano anterior, porém os desembolsos também. Assim, os 437,9 mil postos novos de emprego apontados pela estatística do Ministério do Trabalho não produziram um reflexo proporcional no mesmo sentido nos saldos do Fundo de Garantia. Basta conferir e cotejar. No exercício de 2008, a receita global do FGTS elevou-se a 48,7 bilhões. Os saques somaram 42,6 bilhões de reais. Houve um saldo de 6,1 bilhões. O panorama não mudou, proporcionalmente.

Mas as comparações, em termos de mercado de emprego, não terminam ainda aí. Carlos Lupi disse que o crescimento dos postos este ano fez com que o total de empregos formais (com carteira assinada)n chegassem a 32,4 milhões, representando um resgate de 0,43% em relação presume-se a igual período do ano passado. É pouco. Pois a taxa demográfica brasileira é de 1,2% a/a.

Nascem no Brasil aproximadamente 2 milhões de pessoas no espaço de doze meses. Dessa forma, o universo do trabalho, para não registrar perda relativa, tem de crescer também 1,2% a/a. Para empatar. Se aumentar menos que 1,2%, estaremos perdendo espaços do presente para o futuro. E, com isso, agravando as tensões sociais com reflexos no campo das atividades ilegais. Na realidade, o mercado de trabalho brasileiro tem que avançar mais de 1,2%. Isso porque 1,2 significa o empate. E, no caso, o empate nos desclassifica. O país tem de vencer a luta contra o atraso refletido nas condições sociais adversas.

Finalmente uma outra comparação. O avanço de 1,49% na média dos salários não é suficiente. Mesmo se for referente ao primeiro semestre. A previsão inflacionária do IBGE é de 4,5 pontos. Portanto para que não houvesse retrocesso nos seis primeiros meses do ano, era indispensável uma evolução de, no mínimo, 2,25%. Mais do que 1,49.

Em matéria de números é preciso atenção com eles.

Saltando de banda

Carlos Chagas

Nem o presidente Lula nem a ministra Dilma Rousseff tomaram qualquer decisão sobre o companheiro de chapa da candidata. No palácio do Planalto registra-se  a tendência para que venha do PMDB, mas apenas depois da certeza de que o partido se integrará à campanha do PT.  Sob esse prisma, especula-se a respeito da indicação de Michel Temer, presidente da Câmara e presidente licenciado do PMDB, mas o cauteloso deputado por São Paulo anda saltando de banda. Trocaria mais  um mandato na Câmara e sua provável permanência na direção na casa no biênio 2011-2012 por uma aventura eleitoral, já que até agora Dilma  não decolou   nas pesquisas?

Acresce que o presidente Lula não gosta de Temer, costuma referir-se a ele de forma crítica,  enquanto Dilma carece de maiores aproximações com ele.

No PMDB, o sentimento é de expectativa. Um grupo segue a orientação de Orestes Quércia e ainda luta para o partido apoiar José Serra. Mesmo entre os lulistas, porém, existem os peemedebistas  que levantam ressalvas: se a escolha do vice beneficiar líderes polêmicos como o ministro Geddel Vieira Lima e o deputado Eliseu Padilha, ficarão à margem.

Fora do PMDB, Dilma teria outras opções, como Ciro Gomes, apesar de o ex-governador do Ceará insistir em que disputará a presidência da República. Não se cogita de nenhuma chapa-pura, a não ser que o PT fique abandonado. Em suma, faltam dados essenciais para a montagem da equação por enquanto em aberto.

Nem projetos nem programas

Vale começar com uma historinha encenada pelo saudoso crítico literário Agripino Grieco. Ele era o terror dos escritores, censor implacável de todas as mediocridades. Ganhou fama. Freqüentava com assiduidade o salão de um barbeiro no bairro em que morava no Rio, o Meyer. O profissional, com o passar do tempo insinuou-se e insistiu anos a fio para que Grieco lesse os originais de um romance que havia escrito, algo que o elevaria ao patamar de Machado de Assis, José de Alencar e até Eça de Queirós. O crítico deu tanta bandeira na pretensão do barbeiro, recusando-se a levar o texto para casa,  que um dia o coitado  apelou: “está bem,  se o senhor não tem tempo para ler tudo e elaborar uma crônica completa, pelo menos me dê a honra de escolher o título da minha  epopéia.”

Agripino Grieco surpreendeu, concordando e anunciando que daria o título naquela hora mesmo. E indagou: “o seu livro tem trombones?” “Não, de jeito nenhum.”   “Tem trombetas?”  “Também não.”  “Então aí está o título: Nem trombones nem trombetas…”

O episódio se conta a respeito dos candidatos à presidência da República. Estão lançados, freqüentam o noticiário e já percorrem o país em pré-campanha, mostrando-se e aparecendo na televisão.

Dilma Rousseff, José Serra, Aécio Neves, Heloísa Helena e agora Marina Silva e Ciro Gomes  transitam pelo país, não deixam de cortejar o Nordeste e armam  suas candidaturas de maneiras variadas.

Mas alguém já ouvir falar de seus projetos e programas para o próximo mandato presidencial? Dispõe ao menos um dos candidatos um plano-diretor,  um elenco de propostas para definir os objetivos nacionais? Algum conjunto de objetivos maiores a ser conquistados para moldar nosso futuro?

Nada. Dilma  admite continuar a obra do Lula, Serra quer levar para o plano federal sua performance paulista, Aécio lembra o dr. Tancredo, Heloísa Helena fala em demolir tudo, Marina Silva parece o samba de uma nota só, envolto na ecologia e Ciro nem isso.

O governo Lula já fica devendo uma definição  maior, que até agora limitou-se ao PAC,  ao bolsa-família e à satisfação das elites empresariais. Muita gente respira fundo e diz que ainda bem, porque o presidente andou correndo o sério risco de ter de  absorver as loucuras do ex-ministro Mangabeira Unger, felizmente já escafedido.

Em suma, ao menos até agora, os candidatos apresentam-se pelas próprias imagens, sem nenhuma visão estratégica em condições  de nos inserir no contexto  mundial. Mesmo em palavras simples, compreensíveis pela maioria do eleitorado, ficam devendo uma resposta: para onde querem levar o Brasil? Nem projetos nem programas…

E os aposentados?

A lambança verificada no Senado e acentuada na semana que passou leva a mais uma desilusão: e as iniciativas  capazes de  recuperar os aposentados, extinguindo o celerado fator previdenciário e evitando o nivelamento de todos por baixo? Faz muito que a concessão de reajustes a todos os que recebem mais do que o salário mínimo foi discutida,  debatida.  votada e aprovada no Senado e na  Câmara. O presidente Lula vetou o que não seria benefício, mas obrigação do poder público.

Pois bem: há quanto tempo a mesa do Congresso, agora conduzida pelo senador José Sarney, ficou de marcar e não marca a sessão definitiva para a apreciação do veto? Por que as diversas bancadas não exigem essa decisão?

A resposta é simples: porque o presidente Lula não quer. Porque a equipe econômica fez a cabeça dele e sustenta que o país irá à  falência se o reajuste for concedido. Por isso Sua Excelência vetou e por isso pressiona Sarney e as lideranças variadas para adiarem a decisão. Enquanto isso, os aposentados que se danem. Só que tem um problema: os aposentados votam…

Direito  suprimido

Foi nos tempos da Constituinte,  graças à iniciativa do então deputado Nelson Jobim, que se viu suprimido o direito de todos os senadores em exercício terem o direito obrigatório de disputar a reeleição pelos respectivos partidos. Eram candidatos natos, mesmo sendo muitos deles  rejeitados logo depois pelo eleitorado.

Em nome sabe-se lá de que princípio democrático, desapareceu a prerrogativa. Os senadores não tem garantia de receber legenda para tentar um novo mandato, independentemente dos conchavos e articulações partidárias. É o caso do senador Mão Santa, do PMDB do Piauí. Por conta do acordo do partido com o PT, sob a batuta do atual governador, anunciam que legarão ao polêmico senador o direito de concorrer. Não dá para entender.

A Bovespa recuperou 70 por cento do índice, a economia ainda em crise

A alta do “mercado” não é suficiente e não tem consequência para resolver a crise que começou financeira e, como se sabia, passou e continua sendo econômica.

Hoje as ações permaneceram em alta, sem um instante de “sofrimento”.

Abriu em mais 1,12%, fechou em alta de 1,58%, em 57.778 pontos. Pessoas da Bolsa me cobram: “Helio, já caímos para 38 mil pontos, estamos acima de 57 mim e chegaremos a 60 mil”. Não duvido. O que questiono é a importância disso para o desenvolvimento, distribuição de renda, aumento do consumo, ou seja: CRESCIMENTO VERDADEIRO.

O volume, inexistente, 4 BILHÕES e 700 MILHÕES.

O dólar continua na casa de 1,83/ 1,84, hoje caiu 0,63%.

Frases autênticas, textuais e entre aspas

Ministro Marco Aurélio do Supremo: “A agenda serve para documentar os fatos e as datas”. Ótimo, mais um esclarecimento sobre a polêmica do pedido de Dona Dilma a Dona Lina, para “agilizar” investigação sobre o filho do Sarney.

De Aloysio Mercadante terminando seu assombroso discurso: Lula ERROU, o PT ERROU, eu ERREI, nós ERRAMOS, mas temos que lutar pela recuperação”. Magistral.

Todos os senadores do PT, Sergio Guerra, presidente do PSDB, Artur Virgilio, líder do mesmo PSDB, e muitos outros citados por ele: “Mercadante, FICA, precisamos da sua liderança”.

Explicação pessoal urgente

Mercadante começou a falar às 11:05, acabou às 11:24, o carro estava esperando. Foi para o aeroporto, ainda pegou o avião de meio-dia e quinze para São Paulo.

Esse era seu grande auditório

Por que a pressa? Ele mesmo revelou que pela vontade da mulher e dos filhos, SAÍRIA da liderança. As conversar foram mantidas pelo telefone. Tendo tomado a posição mais difícil e sacrificada, precisava explicar tudo, pessoal e carinhosamente. (Exclusiva)

Mercadante: um discurso emocionante

Grandeza, desprendimento, generosidade e sacrifício numa decisão verdadeiramente RESPONSÁVEL

Numa fala de 19 minutos, o senador de São Paulo atinge o ponto mais alto de uma carreira e de uma vida dedicada ao Brasil e à coletividade. Não importa que quase todos esperassem a renúncia, tida e esperada como i-r-r-e-v-o-g-á-v-e-l, e que Mercadante decidisse pela permanência.

Este repórter, ontem, às 2 da tarde, escrevia: “Nada ainda foi determinado por Mercadante, tenham cuidado ao falarem de DEMISSÃO ou RENÚNCIA.”

Agora, aplaudo, louvo, digo com toda a clareza e simplicidade: Mercadante TOMOU A DECISÃO SÁBIA E CERTA. SAIR DA LIDERANÇA ERA MUITO MAIS FÁCIL DO QUE FICAR, NA SITUAÇÃO EM QUE ESTÁ O SENADO E O PT.

Não preciso acrescentar mais nada. Tendo conversado com o presidente da República durante 5 horas (até 1 da madrugada) e recebido às 9 da manhã a carta que recebeu do próprio Lula, a solução MENOR seria sair.

Ficar, nas circunstâncias  em que decidiu ficar, é o gesto de suprema nobreza. Parabéns, Mercadante, essa é a maior decisão, ou melhor, a decisão ÚNICA E RESPONSÁVEL. (Exclusiva)

Otimismo falso, a realidade verdadeira

O presidente do Banco Central dos EUA diz: “Chegamos ao fundo do poço”. Como ninguém (pessoal ou coletivamente) pode cair mais baixo do que o fundo do poço, comentam “só pode melhorar”.

Alemanha e Inglaterra

Duas afirmações oficiais: “Não existem sinais irrefutáveis de recuperação, o sinal de alerta não pode ser desligado”. O desemprego cresce nos mais diversos países, o maior de todos? Os Estados Unidos.

Deturparam a palavra de Lula

Disseram com estardalhaço, como se fosse declaração do presidente: “O PT não está em crise, senadores entram e saem”. Não foi nada disso. O presidente fez declaração diferente.

Tiraram uma palavra-chave

Lula disse com toda convicção: “O M-E-U PT não está em crise”. Essa é realmente o que ele quer e admite.

Mudaram deliberadamente

Sem o M-E-U, a declaração ficou capenga, truncada sem sentido. É obrigatório que os jornalões e as televisões RETIFIQUEM, ou melhor, façam ou desfaçam o REFERENDO do que disse Lula. (Exclusiva)

Lula não sabia do REFERENDO de Uribe

O presidente está mal informado (leia post mais abaixo). Como seu grande sonho e esperança é o REFERENDO, deviam ter contado logo para ele. Mas como também não sabiam, Lula foi dormir sem saber, acordou e mais tarde lhe contaram. (Exclusiva)

Terceira vitória do vôlei feminino

Bem que aconselhei: quem puder, fique acordado para ver Brasil-Alemanha. A televisão deve repetir esse novo 3 a 0.

Na próxima madrugada (de sexta, hoje, para sábado), as meninas enfrentarão a Holanda, a surpresa do Gran Prix.

Pontos corridos

Como jogam todos contra todos, faltam só dois jogos. Assistam o jogo analisando a RENÚNCIA de Mercadante ou o REFERENDO de Uribe, dos EUA, perdão, da Colômbia. (Exclusiva)

Uribe como Dom Pedro: quer ficar, mas com o sonhado REFERENDO

É mais um que pretende o terceiro mandato, EM NOME do povo. Ontem, quinta-feira, às 9 da noite, foi “autorizado” a tentar o terceiro mandato se ganhar o “direito”. Ha! Ha! Ha!

EUA a favor de Uribe

Agora está aí a explicação para as base militares dos EUA na Colômbia. Os americanos, ostensiva e abertamente, dizem SIM ao REFERENDO. Quem duvida da “VITÓRIA” do já “referendado” presidente?