Nos 83 anos de Fidel

Lembranças da ida a Cuba em 1960, com Jânio Quadros, a vinda de Fidel e Che ao Brasil em 1961 e a planejada “condecoração”.
Jânio presidente, preparando a “renúncia”

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O tempo é implacável e invencível. Em 1960, em plena campanha para presidente, Jânio Quadros foi a Cuba. (Num avião fretado, levou 29 jornalistas, este repórter entre eles). Como sempre, José Aparecido comandando tudo.

No avião, apenas dois não-jornalistas. Afonso Arinos, que esperava ser chanceler e foi. Adauto Cardoso, que esperava ser ministro da Justiça, não foi.

Fidel e Che Guevara, no auge da popularidade, andavam na rua com os jornalistas brasileiros, ou conversavam conosco na residência do embaixador do Brasil, Vasco Leitão da Cunha, depois ministro do Exterior, cargo mais tarde surpreendentemente ocupado por diplomatas do segundo time, que quando estavam no Instituto Rio Branco, escutavam: “Esse não chegará a embaixador”.  Um deles, Celso Amorim, mas não apenas ele.

Eu já estivera em Cuba duas vezes, no Poder, um personagem corruptíssimo, com o mesmo nome, mas duas patentes diferentes. Era Fulgêncio Batista, que tomou o Poder como SARGENTO, foi derrubado, voltou mais tarde. E deu a si mesmo a patente de MARECHALÍSSIMO.

A enorme popularidade de Fidel e seus companheiros vinha da expectativa de liberdade, e a derrubada daquele LADRÃO público, que proporcionalmente roubou mais do que Berlusconi, embora isso pareça impossível. Batista fugiu imediatamente, no momento exato em que surgia o 1º de janeiro de 1959.

Os tempos iniciais de Fidel e Che foram de glória e reconhecimento mundial. O papa aplaudia os revolucionários, seu relacionamento com os EUA, o mais cordial e democrático possível. (Sem esquecer que começaram fatos estranhos, como o desaparecimento do bravo e destacado Camilo Cienfuegos).

O jornalista Herbert Matthews, principal repórter do New York Times, tinha casa em Havana. (Foi chamado de editor, cargo que jamais ocupou, recusou sempre, queria ser o que foi com enorme  destaque: repórter, correndo o mundo). Ficamos lá 9 dias, mandava como habitualmente artigo e coluna para o bravo Diário de Notícias.

Numa dessas matérias, dizia textualmente: “Gostei de conversar com Fidel, mas quem me impressionou mesmo foi Che Guevara”. Em 1961, Fidel veio ao Brasil com Che Guevara, a convite do já presidente Jânio Quadros, que lhe deu a maior condecoração.

Diziam, e conhecendo Jânio nenhuma surpresa, que “o convite e a condecoração” faziam parte da renúncia forjada, mas que, contra a vontade dele, aconteceu mesmo.

Não quero contar a História, apenas o meu conhecimento. Em 1962, a lamentável “invasão da Baía dos Porcos”, a iminência de uma guerra atômica por causa dos mísseis em Cuba, a batalha que se transferiu para a diplomacia, a vitória do embaixador dos EUA na ONU, Adlai Stevenson, antes e surpreendentemente derrotado duas vezes para presidente dos EUA.

Algum tempo depois, o jornalista  Jean-Jacques Servan-Schreiber, repórter e diretor do Le Express, “um dos muitos sucedâneos da revista Time”, o mesmo que acontecera com a revista Life. (As duas pertencentes ao poderoso Henry De Luce, também dono da Fortune e da Sport Ilustrated, ainda hoje a maior revista esportiva dos EUA).

Schreiber escreveu: “Estive na Arábia Saudita, encontrei com Che Guevara, presidente do Banco Central de Cuba. Normalmente, perguntei como ele ia, me respondeu de forma estranha”. Só que, apesar de repórter viajado, Schreiber não percebeu, pouco depois Che deixava o cargo e a própria Cuba, nunca mais se encontrou com Fidel.

E não muitos anos depois, Che era assassinado, num dos mais extraordinários acontecimentos, depois dos também assassinatos de John Kennedy, Martin Luther King, Robert Kennedy e até de Jimmy Hoffa, que controlava o maior sindicato do mundo, o dos caminhoneiros, era candidato a presidente. Seu corpo jamais apareceu.

O rompimento Cuba-EUA teria que ocorrer. Fidel não tinha formação ou convicção comunista, o irmão Raul, sim. Mas Raul, durante 45 anos chefe das Forças Armadas, jamais apareceu. Estive em Cuba 5 vezes, duas depois de Fidel, nunca falei nem vi Raul. Ninguém via, sua lealdade ao irmão, total.

Mas sem recursos, e com a União Soviética poderosa e sem problemas, o financiamento e o domínio, mesmo de longe, inevitável. E facilitando as coisas para Cuba e a União Soviética, a “burríssima” política externa dos EUA. “Burrice” que se acentuou com a Guerra Fria, quando gastaram talvez mais do que agora, com os aventureiros financeiros.

Fidel só deixou o Poder por causa da doença, jamais imaginou ou acreditou que fosse contestado (mas não traído, como dizem) pelo irmão, deliberadamente em silêncio e na voluntária obscuridade.

A última vez que estive em Cuba: 1987, seminário sobre “Dívida Externa”. Extraordinário. Do Brasil, apenas três jornalistas: Newton Carlos, Argemiro Ferreira e este repórter. Presidindo em rodízio: Gabriel Garcia Marquez, Isabel Allende, Perez Esquivel (Prêmio Nobel da Argentina), Luiz Carlos Prestes e mais uns 40.

Não-jornalistas estavam: Severo Gomes, Frei Beto, Marilena Chauí, Cristina Tavares e Luiz Inácio Lula da Silva, que já preparava a candidatura a presidente, para 1989 ou 1990, dependendo do mandato que Sarney (sempre ele, sempre ele) exigia. Não obtendo os 6 anos, a eleição foi mesmo em 1989.

*  *  *

PS – Lula perderia essa, a de 1994 e a de 1998. No mundo, só outro homem perderia três vezes, embora não seguidas. Foi o pastor William Jennings Bryan, nos EUA. Carregava multidões para as suas pregações religiosas, mas não os transformava em eleitores. Perdeu em 1896, 1900 e 1908. Não ganhou nenhuma.

PS2 – Ao contrário de Lula, que perdeu três, ganhou duas e pretende igualar o placar. Ou Fidel, que não perdeu desde 1959, exatamente 50 anos.

Sabotagem sem sabotadores?

Carlos Chagas

Explode o primeiro-secretário Heráclito Fortes,    denunciando que os mais recentes atos secretos descobertos no Senado, perto de 400, fazem parte de sabotagem destinada a manter acesa a crise na casa. Estão divulgando os escândalos em pílulas. Já são mais de 800 atos secretos, e outras revelações virão.

Ora, se existe sabotagem, claro que existirão sabotadores. Não parece difícil identificá-los, apesar do silêncio do senador pelo Piauí. Quais os responsáveis primários dessa  excrescência verificada há 14 anos? No mínimo, Agacieis e Zoghbis,  que ocuparam cargos de direção no Senado. A eles coube determinar a não publicação de discutíveis e até abomináveis atos administrativos no Diário do Congresso. Se estavam obedecendo ordens de presidentes e demais integrantes das sucessivas mesas do Senado, é outra história. Denunciados, os funcionários talvez denunciem os mandantes, coisa que contribuiria para limpar a imagem parlamentar. O que importa é pegar o fio da meada.

Esclarecimento

O repórter recebeu da Chevron a seguinte mensagem:

“Em relação ao artigo “Briga de Foice em Quarto Escuro”, publicado em 10.08.2009, a Chevron esclarece que não participa como operadora em nenhuma concessão na Bacia de Santos, onde estão sendo realizadas perfurações de poços, por parte de outras empresas, na camada de pré-sal. Portanto, não procede a informação de que teria perfurado um poço, sem nenhum resultado, naquele local. A Chevron atualmente opera o Campo do Frade (que iniciou sua produção em 20 de junho último) na Bacia de Campos e participa como concessionária não-operadora nos Campos de Papa-Terra e Maromba (operados pela Petrobrás), Atlanta e Oliva (operados pela Shell).  As) Chevron, assessoria de imprensa, Jacqueline Breitinger.”

A novela  Telebrás

A decisão da Quarta Câmara Cível do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro, permitindo ao governo poder fazer uso da rede de fibra ótica da falida Eletronet, é mais um capítulo da novela com enredo do ministério do Planejamento  e cenário montado pelo ministério das Comunicações, para levar para onde quiser a banda larga,  conforme determinação do presidente Lula. Existem 2 mil localidades no país sem acesso sequer à telefonia, e o desejo do presidente é de que  todo o território nacional seja coberto pelo avanço tecnológico ensejado pelos computadores, incluindo escolas, postos policiais e demais serviços públicos.

Durante mais de dois anos Jorge Motta,  atual presidente da Telebrás, antiga holding do sistema e telecomunicações, tem mantido “silêncio ensurdecedor” sobre a questão. Não concedeu entrevistas e nem faz declarações. Provocado, responde que passarinho na muda não canta.

Baixaria costuma pegar

A exposição das lambanças praticadas no Senado parece sarampo, que pega quando menos se espera. Se quiserem, assemelha-se também à  “gripe do porco”. A sociedade assiste, estarrecida, a mais nova baixaria nacional, a briga entre duas das grandes redes de televisão. Coisa que faria corar um frade de pedra, se ainda existissem frades de pedra, conforme diziam nossos avós.

A quinta tentativa

Só para ficar nos tempos modernos, vale referir que em 1961 o então presidente João Goulart nomeou o deputado Amaral Peixoto como Ministro Extraordinário da Reforma Administrativa.  Depois, no regime militar, Hélio Beltrão foi autor do decreto-lei 200. Em seguida, como ministro,  atacou o mesmo problema da burocracia da máquina pública. No próprio governo Lula,  no primeiro mandato, outra  tentativa se fez  para desbastar  o cipoal da administração federal.

Não adiantou nada, continuou tudo na mesma. Não pegaram as  decisões e determinações do poder público para simplificar a  vida do cidadão comum. Surge agora um novo decreto do presidente da República.

Só como exemplo, verifica-se que a obrigação da firma reconhecida nos documentos oficiais já foi revogada cinco vezes, e continua obrigação imposta nas repartições e operações as mais rudimentares. É desrespeitada pelos mesmos que acabam com ela.

Outro exemplo dessa desmoralização da vontade política do estado:  a gratuidade na expedição de documentos públicos  essenciais para o exercício da cidadania.  É proibido cobrar por  certidões de nascimento, casamento e óbito. Mesmo assim, os cartórios continuam cobrando.  Será que desta vez, vamos?

Fingindo que a crise acabou, amestrados esbanjam “otimismo”

Durante o pregão inteiro, bateram forte no fato não verdadeiro: “Acabou a crise na Alemanha e na França”. O que não é verdade. E pior: não diminuiu o desemprego na UE, que continua em 18 milhões, não aumentou, mas não diminuiu. E se agravou muito nos EUA.

Os números nas últimas 4 horas e 25 minutos na Bovespa, pouco alteraram o total. O índice de SP fechou em alta de 0,57%, quase o mesmo, 56.911 pontos. O dólar acabou em 1,82 alto, menos 0,62%.

Sem os leilões finais, volume de 5 bilhões.

Master Mil de Montreal

No quarto dia, hoje, quinta-feira, finalmente um jogo emocionante. Andy Roddick venceu Fernando Verdasco em 2 horas e 37 minutos. 58 games, 3 sets, 2 tiebreaks. Esse é um Master, todos os primeiros 20 tenistas do ranking são obrigados a (e querem) disputar. O vencedor, no domingo, aumenta sua colocação em mil pontos e a conta bancária em 1 milhão de dólares.

O jogo acabou agora, 17 horas, 16 no Canadá.

Sarney tenta se salvar quebrando o silêncio opressivo, quer reforma partidária

Ora, ora, há anos e anos, ainda na Tribuna impressa, venho PREGANDO a reforma partidária, política e eleitoral. Escrevi diversos artigos, e relacionei 10 PONTOS QUE DEVEM INTEGRAR ESSA MUDANÇA.

Não fizeram nem vão fazer nada. Pois essas reformas FORTALECERÃO A REPRESENTATIVIDADE, o ponto mais frágil da chamada democracia brasileira.

Jamais mudarão coisa alguma, pois a falta de autenticidade do nosso sistema, vem da fraqueza do sistema.

Três depoimentos sobre a democracia. De Sobral Pinto, quando lhe perguntaram se lutava por uma “democracia á brasileira”. “Só conheço peru à brasileira, democracia não precisa de complemento”.

Winston Churchill, quando lhe perguntaram qual o melhor regime: “A democracia é o pior dos regimes, excetuados naturalmente todos os outros”.

Carlos Lacerda, ao ler um texto deste repórter, “A Frente Ampla pode REDEMOCRATIZAR o Brasil, afirmando quase furioso: “Você tem a obsessão dessa palavra, mas quando é que o Brasil foi uma Democracia?”. (Exclusiva)

O Fator Francenildo

Não é bem que Dona Dilma tenha admitido a REUNIÃO com Dona Lina Vieira. Ela admite (pelo menos até agora, 13:53, de uma tarde ensolarada no Rio) ter tido ENCONTROS quase informais com Dona Lina, mas nunca SIGILOSOS e ainda mais para tratar da “agilização” da vida de Sarney na Receita.

Acontece que agora Iraneth Dias Weiler, chefe-de-gabinete da ex-secretária e que permaneceu no cargo depois da saída dela, confirmou o confirmado, mas negado pela ministra: a toda poderosa Erenice Guerra esteve na Receita para CONVOCAR Dona Lina para a tal reunião sigilosa com Dona Dilma.

E agora? As duas, Dona Lina e Dona Iraneth são funcionárias de carreira, sem indicação e sem padrinho (aparentemente, ao menos). Perguntinha rápida, talvez frívola mas nada ingênua: quanto tempo até aparecer um motorista, um porteiro, um garçom que também confirme o encontro?

Imprudente em seu desmentido, Dona Dilma não levou em conta o Fator Francenildo. Pode pagar caro por isso. Hoje, no Brasil, o depoimento de uma copeira vale mais do que de um ministro. Que República.

Alucinação do Senado

A respeito da minha nota, de que esse Poder “tem 125 funcionários para cada senador e 187 diretorias”, me escrevem com total razão.

“Helio, 125 funcionários para cada senador é uma micro-empresa”. Perfeito, basta dividir 10 mil funcionários por 81 senadores.

A respeito do número de diretorias, leitores fulminantes, sem qualquer dúvida: “Nem a Petrobras, que os senadores querem massacrar por causa de 2010, tem 187 diretorias”.

Só que o Senado não pode ser investigado, mesmo quase um terço dele não ter disputado voto, ficarem sempre longe do povo. (Exclusiva)

Banco do Brasil, o número 1

Satisfação com essa colocação anunciada. Quando o BB comprou a “Nossa Caixa”, fiz duas observações. 1 – Favoreceu José Serra, não quis comprar quando quem estava no cargo era um vice sem importância.

2 – Com isso, falta pouquíssimo para esse BB ser o maior do país. Basta comprar alguns pequenos, ansiosos para serem comprados.

FHC teria comprado esses “banquinhos” com dinheiro do BNDES e DOADO a multinacionais, como fez com uma parte enorme do nosso patrimônio. (Exclusiva)

A Bovespa “segue” Wall Street, por que não fazem a fusão, na moda?

Às 10 horas, São Paulo abriu, em Nova Iorque só começa meia hora depois. Aqui, pela primeira vez no ano, passou de 57 mil, jogadores eufóricos.

Mas assim que começaram a movimentar as ações na Matriz, a Filial caiu imediatamente. Chegou a ficar em mais 1,20%, pouco acima desses 57 mil.

No momento em que escrevo, meio-dia e quarenta e cinco, a Bovespa voltou  aos 56 mil, lógico, venderam. Só que compradores, poucos. Chegou a esbanjar a ALTA, veio para 56 mil e 600 pontos, rigorosamente estável. Faltam 4 horas e 25 minutos, como dizem os amestrados, vai depender do “humor” dos “investidores”.

O dólar abriu em 1,83 baixo, menos 0,26%. Quase 3 horas depois, não saiu do lugar. O volume da Bovespa em 1 bilhão e 700 milhões, um pouco menor.

Flamengo de Andrade dominou o Flunimed

O Corinthians de Muricy, salvo por acaso

Durante quase todo o jogo, o clube de maior torcida do Brasil foi muito melhor, mas não fez gol, que define o placar. No primeiro tempo, 13 finalizações do Fla, UMA do Flu.

Em Minas, o Corinthians (o da segunda maior torcida) devia ter perdido, mas a sorte comandou o espetáculo.

Parcela da culpa do treinador do Atlético, que mandou o jogador mais jovem e, lógico, mais inexperiente, bater o pênalti.

Globalização no ar

Nenhuma surpresa: o governo federal quer facilitar a p-r-i-v-a-t-i-z-a-ç-ã-o dos principais aeroportos do Rio e São Paulo. Deve ser influência de Sergio Cabral e Nelson Jobim.

Aécio Neves, governador eleito e reeeleito, devia protestar: ninguém quer PRIVATIZAR aeroporto de Minas. Falta de prestígio?

Pesquisas censuradas

Ainda não saiu nenhuma pesquisa sobre um possível julgamento de Sarney no plenário do Senado. Foi eleito com 49 votos, não teria hoje nem 40. E com tendência visível de crescer o número contra ele. Isso parece visível em levantamentos pessoais, incluindo este repórter.

Mas os vários institutos de pesquisa (dos maiores aos menores) foram DESENCORAJADOS de fazerem qualquer levantamento técnico. Daí a força de uma parte (grande) do PMDB, e outra (menor) do PT-PT, para que a questão não chegue à avaliação e votação do plenário, “que sempre foi soberano”. Não é mais. (Exclusiva)

Zelaya e Sarney juntos, que República

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A excelente foto de José Cruz, da Agência Brasil, mostra um presidente (do Senado) que não quer sair e outro (de Honduras) que pretende voltar.

Sarney tem pânico do plenário, onde não tem mais a antiga maioria. Zelaya explora o equívoco dos que dizem “ele foi eleito”. Foi, mas por prazo certo, quer continuar. Golpistas dos dois lados, F-O-R-A. (Exclusiva)

A Ferrari se desinteressou de 2009

A famosa ganhadora da Fórmula 1 está totalmente voltada para 2010. Não tendo ganho nada este ano, e com um carro reconhecidamente fraco, correr por correr e para perder, não seduz seus dirigentes.

Por causa disso, e pelo acidente com seu principal piloto, Luca Badouer deve terminar o calendário. Massa vem se recuperando bem, mas os médicos dão “Graças a Deus” se esta cogitação se transformar em fato.

O que adianta correr uma ou duas provas, sem ânimo e o compreensível receio? 2010, prometem, “será novamente um ano da Ferrari”. (Exclusiva)

90 por cento dos senadores são REPUBLICANOS, mas adoram e invejam Pedro Alvares Cabral

“A crise é do Senado”, bradou José Sarney, se defendendo das acusações indefensáveis. Mas não só não explicou coisa alguma, não tocou nos pontos fundamentais da controvérsia, como não fez a menor sugestão para que existisse uma pauta de debate, de discussão, até de divergência. E não a exibição permanente de vandalismo verbal, atingindo o pessoal, e quase chegando ao corporal.

Sarney disse: “Estou sendo julgado por crimes menores”. O que ele, que já está na terceira presidência, considera que são crimes menores? Certamente a nomeação de parentes, principalmente o namorado da neta. Se o ex-presidente andasse nas ruas (“meu estado é o Amapá”, disse ele, desacreditando tudo o que veio a falar), compreenderia até de forma dramática, que a maior repercussão a respeito de tudo o que aconteceu, foi exatamente a questão envolvendo a neta e seu namorado.

Não apenas senadores, mas outros políticos, gostam muito de falar “sou Republicano”, e ligam essa palavra com democracia. Mas na verdade, desacreditam a primeira, não respeitam a segunda, criam uma terceira, que todos conhecem, e que tem muitos e variados sinônimos.

O Brasil jamais teve uma democracia plena, o que não chega a ser surpreendente, se lembrarmos que a República começou com um golpe de estado, dois marechais tomando o Poder, e ultrapassando as melhores figuras de homens públicos que este país já conheceu.

Eram os Abolicionistas e os Propagandistas da República, que se tivessem chegado ao Poder, teriam escrito a História do Brasil de forma inteiramente diferente. Mas dois marechais, que vieram da estranha Guerra do Paraguai, como coronéis e brigadíssimos entre si, tomaram o Poder, e sem nenhuma surpresa, transformaram a República tão sonhada, numa armadilha militar, militarista e militarizada.

A nossa República chegou melancólica, lamentável, triste, traída e traidora, ao contrário do que aconteceu em quase todos os países do mundo ocidental, com a proclamação da República.

Estados Unidos, França (com um ano de diferença), Espanha, e muitos outros, mergulharam em guerra de libertação, muitas vezes batalhas ganhas com milhões de mortos.

Tudo que está acontecendo na vida pública brasileira é consequência (vá lá, inconsequência), não importa que já tenham se passado 120 anos. Anteontem, eu escrevia, muitos que leram, elogiaram a frase que usei: “A história é escrita diariamente, lida muito tempo depois”.

Acredito que a maioria esmagadora do Senado não sabe que está fazendo história. E como não tem intimidade com a cultura e a leitura, não vão lembrar ou desvendar nem mesmo dos episódios do quais participaram.

Agora parece que não querem mais participar. Pelo menos não aparecem, ficam nos seus bunkers, isolados ou em grupos, com a denominação que eles mesmos codificaram. É compreensível. Chegaram a um ponto sem volta, principalmente porque pretendem essa volta, como sempre, com um acordo geral de conciliação.

Deviam ficar ENVERGONHADOS E CONSTRANGIDOS, não pela baixaria praticada no plenário, e sim pela pacificação que pretendem obter nos subterrâneos. Alguns desses subterrâneos são os seus inúmeros e luxuosos gabinetes, uma das causas da desmoralização geral.

Junto com atos secretos, nomeação de 125 funcionários para cada senador, 187 DIRETORIAS, e todo o resto, QUE SÓ NÃO ATINGE OS SENADORES, porque NÃO SABIAM de nada.

Ontem, três senadores falaram sobre o assunto. Cada um usou uma palavra, mas não explicaram. As que usaram: COERÊNCIA, CONVIVÊNCIA, CONSEQUÊNCIA. Como os três conhecem o que usaram, devem voltar à tribuna hoje, para indispensável esclarecimento.

*  *  *

PS – De preferência quando Sarney não estiver presidindo. Chegará o dia em que o Senado se livrará ou se libertará dele?

PS2 – Politica e eleitoralmente todos se dizem REPUBLICANOS, orgulhosos, empolgados e exuberantes. Mas “trabalham” incessante e exaustivamente para que a única coisa nova no Brasil continue sendo Pedro Alvares Cabral.

Jogando para a platéia

Carlos Chagas

Dos 81 senadores, 41 assinaram manifesto pregando o afastamento de José Sarney da presidência do Senado.  Mais da metade. Por conta dessas assinaturas, infere-se a iminência da saída do ex-presidente da República da cadeira que ocupa? Nem pensar.

Ainda que mais senadores decidam incorporar-se ao grupo,  só por milagre o documento produzirá efeito. Para o plenário afastar seu presidente é necessário um processo oriundo do Conselho de Ética, que por sua vez tenha votado, antes, a existência de quebra do decoro parlamentar por parte dele. Coisa que jamais acontecerá sob a atual constituição do Conselho, onde os partidários de Sarney  são maioria.

Para que, então, elaborou-se o referido manifesto? Apenas para jogo de cena. Para que seus subscritores, ano que vem, nas campanhas eleitorais, possam mostrar em praça pública esse posicionamento de mentirinha, eximindo-se da rejeição popular.

Sendo o Brasil o país das possibilidades impossíveis, não seria surpresa se o próprio Sarney assinasse o manifesto. Como não disputará eleições em 2010, torna-se inócua essa iniciativa fantástica. Mas os fatos continuam  os mesmos: senadores pedem aquilo que não podem e não querem alcançar. Jogam para a platéia numa pantomima digna do picadeiro de algum circo.

Prestidigitação

Exagerou o presidente José Sarney diante de políticos do Amapá ao atribuir a campanha contra ele à estratégia dos  que querem atacar o presidente Lula. A blitz ainda recaindo sobre seus ombros seria  gerada pelas oposições e por parte da imprensa com a finalidade de  enfraquecer o presidente Lula na sucessão do ano que vem.

Não se emitem juízos de valor a respeito das denúncias contra o ex-presidente da República, ao menos enquanto.  Ele tem sido denunciado, mas não julgado. Provavelmente não será. Mesmo assim, de vez em quando escorrega, como em seu encontro com correligionários. Afinal, trata-se de cabo eleitoral de Dilma Rousseff? Onde a candidatura da chefe da Casa Civil sairá prejudicada por acusações ao comportamento do presidente do Senado?

Enfraquecidos estarão o presidente Lula  e a candidata na  hipótese de Marina  Silva e Ciro Gomes se lançarem. Ou se as pesquisas eleitorais não revelarem crescimento nos percentuais de  preferência para Dilma. Como o próprio primeiro-companheiro já declarou, as questões do Senado resolvem-se no Senado.

Faz-de-conta

Pelo menos uma reforma de vulto poderia ser adotada de imediato  pelo Senado, na tentativa de refluir a péssima imagem da instituição junto à opinião pública. Bastaria colocar em votação no plenário projeto de  lei já aprovado nas comissões, acabando com o voto secreto em todas as decisões da casa. Trata-se de mudança fundamental, capaz de levar transparência aos trabalhos parlamentares. E de evitar malandragens tão comuns, de senadores declararem uma coisa nos microfones e digitarem teclas opostas, na hora da votação. Seria um bom começo nesse anunciado objetivo  de recuperação do Congresso.

Se a moda pega…

Uma vez mais o MST ministra aulas de como não se fazer política. Concentrações monumentais, passeatas, comícios e sucedâneos são fundamentais para a luta pela reforma agrária.  Nada contra. Essas manifestações  demonstram a potência do movimento, uma das poucas novidades surgidas no país depois da redemocratização.

O que não dá para aceitar são as invasões de prédios públicos, como esta semana, em Brasília, no ministério da Fazenda. Ocuparam andares, acamparam nos saguões e até subiram nas marquises, abanando bandeiras e gritando slogans, impedindo funcionários  de chegar às salas de trabalho. Foi violência mesmo, ainda que o cauteloso comportamento da polícia tivesse evitado conseqüências desastrosas.

Se for adotada a força como instrumento de realização de objetivos políticos, logo estaremos retroagindo aos  tempos da ditadura. Já imaginaram pilotos da FAB invadindo o ministério da Defesa para exigir mais objetividade na compra dos novos  aviões de caça? Ou universitários acampando no gabinete do  ministro  da Educação, impondo  soluções no problema das quotas para minorias?

Vox Populi leva governo a reexaminar São Paulo

Pedro do Coutto

A pesquisa do Instituto Vox Populi sobre as intenções de voto, hoje, para o governo de São Paulo 2010, divulgada pelo jornalista Ricardo Boechat no Jornal da Band, noite de terça-feira, vai levar o governo Lula a reexaminar as articulações que realizou naquele Estado no sentido de formar uma base sólida para a candidatura Dilma Roussef.

Os números foram arrasadores. Geraldo Alckmim disparado com mais de 50% das preferências, seguido de longe por Marta Suplicy que atingiu 18 pontos. Foi inclusive  o melhor desempenho do PT. Antonio Palocci obteve apenas 3%. Ciro Gomes, dependendo das alternativas colocadas, ficou entre 3 a 4 pontos. Ambos portanto muito fracos.

O Senador Eduardo Suplicy, que em momento algum entrou nas cogitações do Partido dos Trabalhadores embora pertença à legenda, não foi incluído no levantamento. Teria dado mais do que Marta e infinitamente mais do que Ciro Gomes e Palocci. O ex governador do Ceará, como escrevi na coluna de 12, já afastou a perspectiva de mudar seu domicílio eleitoral. Suas declarações criticando o governo e a aliança PT-Pmdb, publicadas no Globo e no Estado de São Paulo, afastaram-no como alternativa. Aliás, melhor dizendo, ele próprio se afastou.

Com os números do Vox Populi, ficou complicado para o PT e sobretudo para o presidente Lula. São Paulo é o maior colégio eleitoral do país, lá o PSDB revela-se firme. Em Minas Gerais, os tucanos parecem situar-se muito bem, sobretudo porque contam com o governador Aécio Neves e o ex presidente Itamar Franco.

Até hoje, pelo menos de 1945 para cá, candidato algum se tornou presidente da República sem ter vencido em São Paulo ou em Minas. Ou então para dizer o óbvio, nas duas unidades. No momento, em matéria de café com leite, como se classificava a união dos dois estados, a posição da Chefe da Casa Civil não se apresenta como das melhores.

O PT está fraco na área paulista, como os números revelaram, e não parece melhor em Minas como possivelmente os próximos índices vão revelar, em seguida à pesquisa que Boechat anunciou programada para o Rio de Janeiro. Lá, em Minas, o Partido dos Trabalhadores possui um candidato forte ao governo estadual, o ex prefeito Fernando Pimentel. Mas este é muito ligado ao governador Aécio Neves e dificilmente na campanha poderá adotar uma postura de combate ao PSDB, cujo candidato deverá ser José Serra, mas que poderá incluir Aécio como vice e Itamar como escolhido para disputar o Senado.

Afinal, Itamar Franco inscreveu-se no PPS e veio ao Rio, semana passada, junto com Serra e Aécio, que compareceram à convenção nacional, realizada no Hotel Guanabara, da legenda presidida por Roberto Freire. A impressão que o comparecimento de Serra e Aécio deixou é a de que eles vão caminhar juntos, e também ao lado do ex presidente da República, na campanha do ano que vem.

Faltam apenas 14 meses para as eleições e os prazos de filiação partidária e domicílio eleitoral terminam a 30 de setembro. O que se refere à desincompatibilização seis meses depois: 31 de março do próximo exercício. Mas – como na frase famosa de Julio Cesar – a sorte está lançada.

Não há muitas alternativas. Serra, pelas oposições, incluindo Aécio, Dilma pelo PT, Ciro, que se anunciou pelo PSB, desistindo de SP, e agora Marina Silva, pelo Partido Verde. As bases paulistas e mineiras estão fechadas. A do Rio de Janeiro, terceiro colégio eleitoral, ainda não. Vamos ver o que vão revelar os números do Vox Populi e depois, sem dúvida, os do Datafolha e do Ibope. Is esquecendo o Instituto Sensus. Fica aqui a inclusão.

Nadal volta, mas quem não aguenta é Ferrer

Às 20:50 no Brasil (19:50 de Montreal), o grande jogador da Espanha, que deixou de ser o número 1 por causa do joelho, enfrentava o companheiro Ferrer, depois de 3 meses sem jogar.

Nadal vencia o primeiro set por 4/3, mas não deu para Ferrer, desistiu, pedindo desculpas ao público. Aplaudidíssimo.

Economistas nos holofotes do futebol

Já estava há dias para comentar a invasão de economistas no esporte, principalmente no mais popular de todos, paixão nacional.

Carlos Langoni, que foi poderoso na ditadura, atravessou em liberdade, e mais prestigiado do que nunca, “encaminha” o dinheiro da CBF.

Belluzzo não tinha idade na ditadura. Conheci Belluzzo em 1987, em Cuba, num extraordinário debate sobre “divida externa”, com Fidel Castro na mesa. Fui com o direito de falar e falei, Belluzzo era só convidado.

(O ainda não presidente Lula presente, mas sem discursos, quem discursou foi Luiz Carlos Prestes).

O problema é que a visibilidade do futebol pode atrair gente como Maílson da Nóbrega e outros menos votados. (Exclusiva)

Ao contrário do futebol, a Bolsa está longe ser “caixa de surpresa”

Quando postei a primeira nota às 13 horas, com 1 bilhão e 400 milhões, afirmei que ficaria na “fronteira” dos 4 bilhões. Chegou a esse total e não passou. Minha conclusão se baseava no seguinte: só existem jogadores, os investidores estão longe. Há pouco dinheiro.

Com 3 horas de pregão, a alta estava em 0,65%, 56 mil 567 pontos. 4 horas depois, acaba em 56 mil 830 pontos, mais 0,89%. Os amestrados badalam: “Houve uma grande recuperação”. Ha! Ha! Ha!

As alterações do dólar, essas produzem efeitos, negativos ou positivos. Hoje, funcionou o tempo todo em alta. Chegou a 1,85 em mais 1,65%, no fechamento estava em 1,84 bem alto, mais 1,37%.