Integral, textual e entre aspas

“Este senado não pode se degradar mais do que se degradou”: senador Jarbas Vasconcellos, do PMDB. Quer dizer: do PMDB, se não for expulso ou cassado, de acordo com as ameaças, feitas em nota oficial.

Do senador Epitacio Cafeteira: “Fiquei 16 anos sem falar com Sarney, só voltei a ter diálogo com ele, a pedido de Tancredo Neves”. Puxa, que confirmação sensacional, se Tancredo estivesse vivo.

Do senador Pedro Simon: “Jader RENUNCIOU, ficou tudo igual. Antonio Carlos Magalhães RENUNCIOU, o senado ficou igual. Renan RENUNCIOU, ficou tudo igual. Tenho medo que Sarney RENUNCIE e fique tudo igual”.

Wellington Salgado, senador (perdão, suplente), garantiu o que já se sabia: “Na escolha do vice de Tancredo, tudo que eu sei, aprendi pela internet”. Um suplente de cultura “internetiana”, aparteando Pedro Simon.

Do senador Renan Calheiros, assombrando muita gente, mas surpreendendo pela forma como se manifestou: “Pedro Simon, o senhor não entende, mas a luta que se trava aqui no senado, tem a motivação de 2010. Tudo é 2010, senador”.

“Cunhado não é parente”. E compadre? Brizola revive na justiça de São Paulo

Em 1963, 7 governadores eram candidatos a presidente. (Numa eleição que não haveria, mas nenhum deles imaginava). Um desses governadores (que na verdade deixara o cargo logo no início do ano), seu mandato no Rio Grande do Sul acabara, antes de FHC ninguém pensava em reeeleição e ainda por cima no Poder.

Esses governadores tinham problemas partidários, políticos, eleitorais, é natural, compreensível, ninguém é unanimidade quando se trata de enfrentar uma eleição, tentar convencer o povo a preferenciá-lo no voto e na urna.

Mas Leonel Brizola tinha problema diferente, principalmente pelo fato de ser considerado eleitoralmente muito forte. Então inventaram o veto: não pode ser candidato a presidente porque quem está na presidência é o senhor João Goulart, seu cunhado.

O já ex-governador que passara pela Guanabara (Rio) como um furacão, e recebera 1 voto de cada 5 eleitores, não deixou de graça, respondeu e criou uma campanha, baseada num slogan: “Cunhado não é parente”.

Além do mais, Brizola acrescentou o que na época explicou que estava no Aurélio: “O cunhadismo termina quando a ligação desaparece”. Como a mulher de Brizola, (irmã do presidente João Goulart) já morrera, não havia mais parentesco.

A questão não foi resolvida pelos livros e sim pelas armas. Logo, logo veio o golpe de 1964, ninguém foi candidato. Agora, surge na Justiça de São Paulo, um novo slogan posto em prática por um desembargador: “Compadre não é parente”. Só que essa questão não será resolvida por nenhum Aurélio, mas por um Ministro do Supremo (ou do Conselho de Justiça) de nome bem diferente.

E não basta anular sua estranha e extravagante liminar, é imperioso defender a LIBERDADE DE INFORMAÇÃO, cortar imediatamente essa vocação de Chavez.

*  *  *

PS – Brizola só conseguiu ser candidato a presidente, 26 anos depois, em 1989. Mas isso já é outra história, embora seja recomendável não esquecê-la, ao contrário, lembrá-la.

PS2 – O Conselho de Justiça não pode se OMITIR em relação à participação do desembargador Dacio Vieira em defesa do filho de Sarney, Fernando. Esse desembargador não só maculou a Justiça, como incitou e apoiou antecipadamente os que desprezam e tentam liquidar a DEMOCRACIA.

Lula descarta Sarney e afasta Dirceu do PT

Pedro do Coutto

Foram dois lances políticos no mesmo momento. Ao afirmar na tarde de quinta-feira, na sede da Federação das Indústrias de São Paulo, quando recepcionava a presidente do Chile, Michele Bachelet, que o problema da crise do Senado não lhe cabe e portanto o próprio Senado terá que resolvê-la, o presidente Lula descartou o apoio que vinha destinando a José Sarney para que permanecesse na direção daquela Casa do Congresso, distanciando-se do desfecho que se aproxima. Isso de um lado. Mas de outro, aproveitou também a ocasião para demonstrar que o ex ministro José Dirceu não fala em nome do governo ou do PT. Pois Lula fez a declaração na quinta-feira, divulgada nos jornais de sexta.

Na quarta-feira, (a imprensa publicou no dia seguinte), que o ex cx  chefe da Casa Civil atacou o senador Aloísio Mercadante e condenou a nota da bancada do Partido dos Trabalhadores pela saída de Sarney do posto. Causa e efeito. A rebatida foi dada. Parece que, para o presidente da República,  reduzir ou anular a influência de Dirceu tornou-se mais importante do que o destino do senador pelo Amapá. De fato a atitude de Dirceu causou surpresa. Afinal, ele não é senador nem dirigente partidário. Que desejava provar ou aparentar? Provavelmente que, apesar de ter tido o mandato cassado em consequência do vendaval chamado mensalão, continuava forte nos bastidores iluminando as sombras e os caminhos da legenda rumo à sucessão de 2010. Luis |Inácio Lula da Silva acentuou que não é isso.

Em primeiro lugar porque em sua manifestação Dirceu disse que a saída de Sarney da presidência do Senado entregaria o comando do Congresso à oposição. Não é fato. Se José Sarney se licenciar, Marconi Pirilo, do PSDB assumiria até seu retorno. Três meses. Porém se Le vier a renunciar, com base no Regimento Interno do Senado, seu sucessor efetivo terá que ser eleito dentro de cinco dias. O posto de presidente do Senado, no próximo ano eleitoral, ganha importância além do comum. Não se trata somente de presidir o Congresso, mas substituir o presidente Lula em suas viagens, já que o substituto constitucional, deputado Michel Temer, presidente da Câmara, sendo candidato à vice na chapa de Dilma Roussef, a partir de abril, não poderia assumir o cargo.

Uma crise desgastante como a do Senado, na qual aparecem irregularidades e ilegalidades em sequência impressionante, vale cinco dias de espera. Menos do que uma semana. Não causaria problemas para o Planalto. A aliança PT-PMDB estaria ou estará mantida, uma vez que não se pode esquecer que o partido que foi de Tancredo neves e Ulisses Guimarães no passado, no presente detém seis ministérios e assim possui forte presença na administração federal. A saída de Sarney viraria mais uma página da história do Parlamento brasileiro e não afetaria a posição nem de Lula, nem do governo. A permanência sim. Esta, à medida em que o tempo for passando, vai acrescentando dissabores à opinião pública que, no fundo, é a base do teatro político. E tais dissabores refletiriam inevitavelmente na aliança PTB-PMDB, em termos de votos. Tudo o que o presidente da República não quer e a oposição almeja.

A provável coligação PSDB-DEM-PPS, incluindo Itamar Franco, não necessita sequer condenar o maremoto que traga o Poder Legislativo. Apenas assistir. Como fez Ronald Reagan, nos Estados Unidos, ao disputar em 80 a reeleição contra o governador Walrer Mondale. A vice de Mondale era a deputada Geraldine Ferraro. Logo ao início da campanha revelou-se que ela devia (e não pagou) 10 mil dólares ao Imposto de Renda. Bastou isso para esvaziar a chapa Democrata. O Partido Republicano permaneceu na Casa  Branca. Venceu fácil a eleição.

Querem sacrificar o patriarca

Carlos Chagas

Com todo o respeito, mas certas famílias, ou melhor, partes de certas famílias, deveriam ter vergonha de suas atitudes quando, para safar-se, exigem o sacrifício  de seu patriarca.   Falamos de uma ala da família Sarney que há dias freqüenta anonimamente  os jornais,  informando estar o senador no limite de sua resistência,  prestes a aceitar o conselho para licenciar-se ou renunciar. Na verdade, querem tirar José Sarney de cena para proteger-se, imaginando que seu afastamento fará cessar as investigações e as sucessivas denúncias de lambanças por eles praticadas. Falta-lhes pudor, importando-lhes menos ou nada o fato de que se afastar-se, o presidente do Senado estará comandando  seu enterro político.

Até ontem Sarney resistia, disposto a enfrentar as acusações jogadas sobre seus ombros. Importa menos saber se ele  orquestrava a transformação da coisa pública em propriedade privada, no Maranhão, ou se algum de seus filhos agia por conta própria, escorado no nome do pai. Tanto faz, porque o dever de todos seria respaldá-lo numa de suas piores horas. Jamais empurrá-lo para o cadafalso. Ou se o preço para saírem de cena for  vê-lo humilhado.  O drama faz lembrar, em parte, o Rei Lear, de Shakespeare, a que ainda esta semana referia-se   a ministra Marina Silva,  em artigo assinado.

É claro que a família sofre e  preocupa-se  com a imagem e até a  saúde de Sarney, mas usá-lo pretendendo livrar-se das primeiras páginas e das acusações será, no mínimo, crueldade. Covardia. Vale repetir, mesmo se for verdadeiro o envolvimento do ex-presidente da República em muitas  práticas que tem caracterizado a ação de clãs incrustados na vida política nacional.

Sobre a abominável nota do PMDB

Custa acreditar que o deputado Michel Temer tenha assinado a recente nota do PMDB onde, a pretexto de defender José Sarney, o partido tenta sacrificar dois de seus  senadores,  Pedro Simon e Jarbas Vasconcelos. O texto estaria mais para Renan Calheiros e Eliseu Padilha, pois sugere que os representantes do Rio Grande do Sul e de Pernambuco deixem seus quadros por sustentarem  o afastamento do  presidente  do Senado. Afinal, que absurdo  é esse pregado pelo partido outrora responsável pela volta do país à democracia?

Pedro Simon e Jarbas Vasconcelos foram execrados pelos caciques do PMDB quando, na realidade, a recíproca é que deveria ser verdadeira. Há muito tempo isolados na bancada do Senado, sem ser indicados para compor comissões técnicas ou CPIs, por que não teriam, ambos, o direito de discordar da maioria?

O PMDB lembra o PT de outros tempos e até dos tempos atuais, onde quem não se enquadra, se humilha e se curva,  deve ser expulso. Nos idos de 1985, três companheiros-deputados foram guilhotinados porque votaram em Tancredo Neves para presidente da República.  Não faz muito Heloísa Helena foi punida. Pois a moda pegou e agora é o partido do dr. Ulysses que veste o execrável figurino.

Vale acreditar na Justiça?

Representando “O Estado de S. Paulo”, o advogado Manoel Alceu Affonso Ferreira deu entrada esta semana com recurso junto ao Tribunal de Justiça do Distrito Federal, visando acabar com a censura prévia naquele matutino, estabelecida por liminar do desembargador Dácio Vieira. O meretíssimo acatou pedido de Fernando Sarney para não ter mais publicadas as acusações a que responde, sob o pretexto de correr sob segredo de Justiça o processo contra ele, resultante de investigações da  Polícia Federal.

Além de a Constituição preceituar ampla liberdade de imprensa, acresce que Dácio Vieira deveria ter-se dado por impedido, dadas suas relações inequívocas com a família Sarney.

Trata-se de uma decisão crucial a ser tomada pelo Tribunal de Justiça da capital federal, daquelas que traçarão  o futuro da liberdade e a validade da Constituição.

Manoel Alceu tem experiência nessas questões. Nos anos de chumbo, defendeu este repórter em dois processos abertos pela ditadura, com base na Lei de Segurança Nacional.  Um por estar,  este que vos escreve,  indispondo o povo com as autoridades constituídas, em função de reportagem denunciando seqüestro e tortura de um suposto adversário do regime.  Outro por criar alarma social com  divulgação da invasão, por tropa armada, da Universidade de Brasília, com depredações e violência contra professores e alunos. Um bujão de mosquitos de febre amarela teria sido quebrado e a Procuradoria Geral da República  entendeu que multidões desesperadas corriam pela Avenida W-3,  fugindo dos insetos.        O advogado ganhou os dois, no Superior Tribunal Militar.

Aposentados garfados?

O  reinício dos trabalhos do Congresso, esta semana, faz lembrar a obrigação de deputados e senadores de apreciarem veto do presidente Lula a projeto de lei estendendo a todos os aposentados o reajuste dado àqueles que recebem o salário mínimo. Porque desde os tempos do sociólogo que se estabeleceu o execrável fator previdenciário, determinando a redução gradativa dos aumentos devidos a quem parou de trabalhar.  Derrubado o veto, restabelece-se a justiça.   Mantido, abre-se o caminho para que em poucos anos todos os aposentados estejam nivelados por baixo, recebendo apenas o salário mínimo.

O governo conta com  maioria na Câmara e no Senado para a perpetuação desse horror, mas a pergunta que se faz é se os representantes do povo, e dos aposentados, aceitarão disputar as  eleições do ano que vem com nome e imagem divulgados pela televisão, dando conta de seus votos.

Jogatina desenfreada, compraram até 15 horas, venderam até 17

A Bovespa subiu da abertura até o meio da tarde. Abriu em 55.760 pontos, alta de 1,40%. Continuaram comprando, foi para 56 mil cravados, depois 56 mil e 186, alta de 2,60%.

Começaram a vender. A partir daí foi perdendo substância, fechou em 55.990, alta mas de 2,20%. O volume “roçando” 4 bilhões, no auge movimentava o dobro.

O dólar às 13 horas caía 1,40% em 1,83, no fechamento, a mesma cotação da abertura.

Vergonhosa a falta de jornalismo, “patriotada”, na vitória de Belluci

Jornalões e televisões foram revoltantes ao noticiar a vitória do brasileiro num título de quinta categoria. Manchetes impressas e não impressas. E o próprio jogador: “Sou campeão mas não posso me entusiasmar”. É a falsa humildade.

Não é campeão, apenas ganhou um “chalenger”, que tem a mais baixa pontuação (250 pontos) e a mais insignificante premiação: 200 mil reais, mínimo permitido pela ATP. (Exclusiva)

José Mucio defende “bravamente” a vaga no TCU apoiando Sarney

Ministro temporário e ocasional, sabe que só fica no cargo até 31 de março. Velozes e angustiantes 8 meses. Se fizer (como vem fazendo) afirmações diárias a favor de Sarney, garante indicação para outro cargo de ministro. Só que este até os 70 anos. Que maravilha viver.

Sergio Cabral filho, confuso, assustado, sem entender, querendo seguir Lula no caso Sarney, mas como?

O presidente do Conselho de Ética, é Paulo Duque, suplente do suplente do governador. Leal, sabendo que se não for, pode ser afastado, tenta buscar orientação com o “chefe”. (Chefão, mas não poderoso).

É que como Lula cada vez se revela mais contraditório no assunto, Serginho não sabe o que fazer. E “sente” que está a cada dia mais impopular, com medo de Gabeira, Lindemberg, sem perceber que o verdadeiro adversário é Garotinho. (Exclusiva)

Cinto é imprescindível e pode salvar vidas?

Nos carros, principalmente nos centros urbanos, o cinto pode até prejudicar. Escrevo isso há anos. Nas autoestradas, quando se dirige até a 200 quilômetros, lógico, use cinto. Me recuso a analisar o cinto nas cidades, nessa velocidade é crime. Quem anda em excesso devia ter a a carteira suspensa e depois cassada.

Nos aviões, devia ser obrigatório o cinto em toda a viagem, é o que eu faço. Sem cinto, qualquer solavanco é perigoso, e pode produzir ferimentos.

O grande político da Bahia, Nestor Duarte, costumava dizer a razão de detestar avião: “O avião é mais pesado do que o ar, o motor é a explosão, e na hora do perigo amarram a gente”. (Exclusiva)

Integral, textual e entre aspas

De economistas “amestrados”, na ânsia de servirem a mais governos. No Brasil: “O mundo todo está assombrado com o Brasil e como administra seu desenvolvimento”. Nos EUA: “Ainda estamos em recessão e agora apavorados com a inflação”.

Nota oficial do PMDB, sem assinatura para os autores, ameaçando companheiros também sem citar nomes, mas os dois grupos, perfeitamente identificados ou identificáveis: “Ou saem do partido agora ou perderão os mandatos”.

Lula em duas oportunidades: “Ninguém pode julgar um homem com a biografia de Sarney”. Outra: “Não tenho nada com Sarney, não votei nele, isso é com o Senado”. Por favor, respondam, qual dessas afirmações está valendo? Ou será que saiu outra?

Geddel Vieira Lima, que foi o maior acusador de Lula e acabou ministro dele, agora atraiçoando e atirando nos colegas do próprio partido, o PMDB: “por  causa de tudo o que acontece não disputarei vaga no senado e sim no governo da Bahia”. É mais um que vai encerrar a carreira. A não ser que se “aconchegue” nos braços de algum inimigo.

Contradição e imprudência com o FMI

O presidente Lula, empolgado, se fingindo orgulhoso e poderoso, anunciou ao mundo, com os indispensáveis foguetórios: O Brasil vai emprestar 10 bilhões ao FMI”. Não explicou se eram dólares ou reais, mas era dinheiro.

Lembrando: quando viajou em 1955 como presidente eleito e não empossado, Juscelino esteve com Salazar, ditador mas professor de Finanças de Coimbra que lhe disse: “Presidente, se o senhor quiser governar o mandato inteiro, não recorra ao FMI”.

Agora, o FMI terá mudado tanto? Lula corta emendas orçamentárias de deputados e senadores, provocando protestos. (Exclusiva)

Há 18 dias anunciei que Sarney e sua “tropa de choque”, utilizariam o dossiê

Quando começou o recesso, registrei: Sarney vai para o Maranhão. Convencido de que não tem saída, que as três palavras, licença, renúncia, demissão, não servem para ele, tem dito a amigos que vai se valer de represália, baseado num DOSSIÊ que faz ou organiza há 40 anos.

Tudo se confirmou. Também acrescentei, alguns dias depois: Sarney tem falado muito pelo telefone com Brasília, não têm mais medo de gravação. E no fim de cada conversa, indagava: “O presidente Lula tem perguntado por mim?” É que todos com quem falava, transito enorme no Planalto (em obras) e no Alvorada.

O presidente do senado, (ainda? O túnel tem 2010 metros, não demora estará todo percorrido) chegou ontem a Brasília, mas de SP, já dera sinal verde para a hostilidade, com a recomendação: “Não pode escapar ninguém, seja da base ou da oposição”. Essas publicações dos amestrados se encaixam no figurino traçado por Sarney.

Só que não perceberam: a represália não é assassinato, é suicídio-haraquiri. Como os japoneses fizeram em 1905, na espantosa batalha de Porto Arthur. (Exclusiva)

A morte e a morte do “mercado” de jogatina chamado de Bovespa

Às 10 horas, flutuando ao sabor das ondas gigantescas que vinham da Ásia e da Europa, a bolsa de São Paulo, aparecia já com tendência de alta. 55.120 pontos foi a primeira manifestação, alta de 0,72%.

Mas os que estavam lá dentro, “profissionais”, não perderam a chance e desandaram a comprar. Ao meio dia já subia 1,23% em 55.611. E na hora em que posto esta informação-opinião, já está em 55.760, mais 1,80%.

No momento, (meio dia e 40) o volume chega a 1 bilhão e 200 milhões, o que mostra que o jogo é entre eles e nada mais.

O dólar continua caindo, veio para 1,83 em baixa de 1,50%, muito para um dia só. Não dá sinais de recuperação nas próximas 4 horas.

Notas frias, salários milionários

Jorge Folena:
“No último dia 30, encaminhei-lhe carta sobre o Projeto de Lei 5.099/99, do deputado Jefferson Campos (PTB/SP) que tramita na Câmara dos Deputados em caráter conclusivo, que pretende autorizar que pequenas empresas prestadoras de serviço e profissionais autônomos possam ter a residência de seus titulares como suas sedes.

O Globo de 02/08/2009, domingo, estampou na primeira página: “Compra de nota fiscal esconde sonegação na área da cultura”. E na página 2: “A cultura da sonegação”.

Com efeito, sei que para o senhor o tema não é novidade, pois o seu artigo do dia 14/07/09 teve o seguinte título: “Apresentadores e diretores com salários milionários podem substituir carteira de trabalho por notas fiscais?”

E notas fiscais agora apresentadas como “compradas” são originárias de pequenas empresas prestadoras de serviço instaladas, irregularmente, em residências, mas que o projeto do referido deputado federal pretende legalizar, beneficiando com isso não apenas a evasão fiscal já em curso, mas principalmente a “reforma trabalhista”, uma vez que possibilitará a diminuição dos encargos sobre a folha de pagamentos, com a exclusão de direitos sociais conquistados como muita luta pelos trabalhadores.

Ressalto: o FGTS, quando de sua criação, deveria ser facultativo, mas tonou-se “obrigatório” em  quaisquer contratações, para eliminar a estabilidade no emprego para os trabalhadores da iniciativa privada. O mesmo poderá ocorrer, doravante, com os trabalhadores sendo contratados somente se tiverem constituído uma “pequena empresa prestadora de serviço”, cuja sede poder ser sua própria moradia.

Portanto, as grandes personalidades da área cultural, que deveriam servir de exemplo para o “povão”, precisam refletir melhor sobre seus atos, pois a ganância não só os coloca em situação de risco diante do fisco, como podem vir a prejudicar os trabalhadores, “legalizando” a esdrúxula situação de negócio entre as empresas, ao invés de uma relação de emprego com carteira assinada, como prevê a legislação do trabalho.”


Comentário de Helio Fernandes:

Obrigado, Jorge. Tua carta esgota o assunto, não deixa um ponto, por menor que seja, sem esclarecimento. Fica evidente que esses “salários” milionários partem de um ponto ilegalíssimo, chamado de “merchandising”, e terminam mais ilegal ainda, já atingindo e ultrapassando o limite da imoralidade.

Esses RECEBIMENTOS (quase sempre na televisão) chegam a milhões MENSALMENTE e os PAGAMENTOS seguem na mesma linha de falta de credibilidade.. Antes de mais nada, uma explicação vernacular: o que é MERCHANDISING assim ou já traduzida para o português?

Como não conseguem explicar o significado da palavra, consideram muito melhor não escriturar, mergulhar na sonegação, tão formidável quanto o faturamento. E como os que pagam não contabilizamm is que recebem também não declaram ficam igual e gostosamente no mesmo clima de sonegação.

E a fuga dos impostos se dá em vários pontos, não se restringe aos órgãos de comunicação (televisão), contamina também os que servem de ponte entre os dois lados. E não pára por aí.

Perguntinha ingênua, inócua, inútil:  MERCHANDISING não é publicidade? Ou é “publicidade” enrustida, envergonhada, constrangida, mas suculenta? Aí se configura a extensão da sonegação. Os intermediários que pagam esses “salários” escondidos, logicamente não declaram, são obrigados a sonegar, sem que sejam cobrados ou questionados.

E os que PAGAM a esses intermediários, que PAGAM aos órgãos, que PAGAM aos famosos, logicamente também não declaram, como fazer? E para esse PAGAMENTO ser ressarcido ou recuperado, aumentam os preços dos produtos, concluindo a cadeia (desculpem, nenhuma intenção) de ilegalidade. E fogem da obrigação de fornecer a nota, só fornecem mesmo quando pedem ou exigem.

Nesse quadro, a última pincelada dada por um pintor desconhecido tem esta destinação: MILIONARIOS DA EXIBIÇÃO, deixam de ter carteira assinada, ou colocam nessa carteira imaginária, o mínimo dos mínimos.

Prejudicam os verdadeiros prestadores de serviço. De empresas pequenas, de profissionais que trabalham mesmo e ganham miseravelmente, recebem, declaram, pagam, recolhem.

E esses MILIONÁRIOS de “SALÁRIOS” astronômicos, ganham essas fortunas para iludirem o cidadão-contribuinte-eleitor. RECOMENDAM produtos que não usam nem conhecem a não ser pelo vulto da conta bancárias. CONTA BANCÁRIA?

Como recebem POR FORA, não podem depositar. Têm que viver com DINHEIRO VIVO.

Esportivas, compreensíveis e não surpreendentes

1 – Muricy Ramalho está se vangloriando com a posição do time na tabela. Esqueceu que já recebeu essa classificação do interino (e invicto) Jorginho? Agora o Palmeiras venceu o degringolado Sport por 1 a 0, gol contra. Foi por isso, que nesse jogo, Muricy deixou de mascar furiosamente aquele chiclete?

2 – A Formula Indy de anteontem, em Kentucky foi realmente emocionante, apesar do desgaste da palavra. Quatro corredores (entre eles dois brasileiros, Castro Neves e Tony Kanaan) chegaram separados por 0,5 segundos, do primeiro ao quarto. Sem contar que durante toda a prova, a 350 quilômetros, “roçavam” roda com roda. Na Formula 1, nada disso.

3 – Cielo (Ave, Cesar) é a grande figura da natação do mundo, depois dos dois ouros. Impressão geral: Phelps deve estar brincando (ou blefando) quando disse, “preciso de meses para recuperar a forma”. No dia seguinte, ganhava o 100 borboleta e se tornava o primeiro atleta a nadar a distancia abaixo dos 50 segundos.

4 – Amor com amor se paga, diz a “a voz das ruas a patuléia vil e ignara”, royalties para o grande J.F. de Macedo Soares. Serve para o Botafogo. Depois de perder (ou ceder o empate) já no final de 4 jogos, reverteu. Ontem ganhou do Barueri nos descontos. Chegou aos 19 pontos, distanciamento do engarrafamento do rebaixamento.

5 – O brasileiro Thomaz Belluci, ganhou seu primeiro título. Tem mesmo que comemorar, é o nº 119, precisa fazer festa a semana inteira. Mas apesar da “patriotada” de muitos jornalões, não pode esquecer o seguinte. Esse torneio de Gstaad é disputado por jogadores de terceira categoria. A ATP (Associação de Tenistas Profissionais) tem 4 categorias. Grand Slam, que dá 2 mil pontos ao vencedor. Master mil, dá mil pontos. O de 500, soma 500. E esse, de última categoria, acrescenta 250 pontos. O prêmio, 200 mil reais, o mais baixo da ATP.

6 – Renato Gaúcho continua “invicto”, depois de 4 jogos. Perdeu 3 e empatou 1. Disputou 12 pontos e ganhou 1, quer dizer, media de 11,1%. Pode ficar tranquilo: a partir de agora a queda, menos explosiva.

7 – Registro obrigatório: o Avaí faz o 6º jogo, com 5 vitórias e 1 empate ontem com o Corinthians, em SP. É bem verdade que o time de Mano Menezes vem amarelando. Contradição: se não perder, o Avaí acaba perdendo seu treinador, Silas, que foi jogador da seleção.

8 – O Flamengo completa o terceiro jogo com Andrade e sem perder. Tem saído atrás e reagido. Ontem jogou muito melhor, confirmando que os deuses do futebol são mesmo insensíveis.

9 – Para não dizer que não falamos de Formula 1, já que de Felipe Massa temos falado muito. E agora o bom é que ele está mais perto de casa, em SP, embora sua residência seja Monaco. Está bem e Schumacher? Voltar a correr depois de ter parado não é novidade. Mas a curiosidade geral é saber a razão de ter voltado. Não foi pelos 8 milhões que receberá nem a primeira corrida em 23 deste agosto, até a última, antes de dezembro. Apenas holofotes?

De qualquer maneira, veremos como o alemão se comporta “nesse ano de 3 meses”.

10 – Gosto muito do Ricardo Gomes e de Paulo Autuori, técnicos sérios, elegantes, competentes, discretos. O São Paulo já está pertíssimo do G-4. O Grêmio foi favorecido pelo arbitro, que ”interpretou” demais. Com dois jogadores a mais, o Grêmio podia ganhar por diferença maior. Bastava olhar para ver que havia pouco jogador de branco, (Cruzeiro) e muito de azul, (Grêmio) que além do mais jogava em casa.

Essa rapidez merece registro no Guinness Book: processo foi distribuído e julgado em apenas 5 semanas

Um fato auspicioso e merecedor de inclusão no GUINNESS BOOK ocorreu no Superior Tribunal de Justiça no dia 18 de junho de 2009 quando foi levado a julgamento pela 4ª. Turma o REsp 438.138 (recurso especial em que são partes a União Federal e TV Globo Ltda.) , tendo como relator o ministro João Otávio de Noronha.

O fato inédito é que o citado processo de 1.400 páginas foi distribuído ao ministro relator no início de maio e já julgado em sessão de 18 de junho.  E mais, o acórdão do julgamento será publicado  no dia 4 de agosto, terça-feira,  16 dias após a sessão de julgamento, excluindo-se o recesso do Poder Judiciário de 30 dias do mês de julho em que os prazos são suspensos.

Isso merece ser comemorado. Desconhece-se na história dos tribunais brasileiros caso semelhante de TAMANHA CELERIDADE. Um recurso especial ser distribuído e julgado em apenas 5 semanas.

Os milhares de outros cidadãos que têm processos tramitando na Justiça há vários anos e sem solução, devem estar se contorcendo e perguntando: e os nossos processos quando serão julgados, por que foram preteridos e continuam sem data para exame e julgamento?

A rapidez na entrega da prestação jurisdicional buscada é uma meta a ser perseguida e que ela se dê, independentemente da importância das partes, já que a nossa Lei Maior abomina discriminações, privilégios e favorecimentos. Justiça rápida e eficaz é o que vem perseguindo os ministros presidentes do STF e STJ, Gilmar Mendes e Cesar Asfor Rocha e o ministro corregedor do CNJ, Gilson Dipp.

Dirceu, em vez de somar, aumenta cisão no PT

Pedro do Coutto

Cada vez mais oportuna, nos tempos modernos, a leitura permanente de telas da Internet permitindo sua reprodução nas páginas dos jornais. Na edição de O Globo de 30/07, por exemplo, as repórteres Maria Lima e Isabela Martin publicaram afirmações que, na véspera, o ex ministro José Dirceu colocara em seu blog, neste momento de crise no PT sem dúvida cada vez mais visitado. Resolveu partir para o ataque e criticou frontalmente a corrente liderada pelo senador Aloisio Mercadante que, exprimindo a vontade de dez entre os doze senadores da legenda, manifestou-se pelo afastamento de José Sarney da presidência daquela Casa do Congresso, denominada Câmara Alta.

Nada disso, acentuou o ex chefe da Casa Civil, foi uma atitude politicamente infantil, o Partido dos Trabalhadores apoiará a permanência de Sarney. Tais declarações espantam, já que José Dirceu teve o mandato de deputado cassado e o documento a que se refere reflete a posição de senadores. Além disso, ao que se sabe, Dirceu não fala pelo comando partidário, tampouco pelo presidente Lula ou mesmo pelo governo. Ele está assim, interferindo numa área que não lhe diz respeito. A menos que tenha sido autorizado pelo presidente da República, o que não é nada provável, pois neste caso não teria sido demitido do cargo na crise do mensalão que explodiu em 2005. Várias contradições, portanto. Mas estas não são, por si, o principal foco do problema.

O principal foco do teorema situa-se no aprofundamento de uma cisão evidente no PT, principalmente na seção paulista. Na medida em que, mesmo sem mandato ou posto no diretório, o ex ministro assume uma postura impositiva, falando até em nome da agremiação, em vez de contribuir para minimizar o desentendimento, ele o agrava e aprofunda a divisão que se projetou, não propriamente em função de Sarney, cuja posição é insustentável, mas a partir do momento em que Lula assumiu a articulação voltada para tornar o deputado Ciro Gomes candidato de uma coligação PSB-PT ao governo de São Paulo nas eleições do ano que vem. A regional paulista teria que reagir a uma ultrapassagem nítida de seus quadros. Sobretudo Mercadante que terá de tentar a renovação de seu mandato também no próximo ano. Posição mais confortável, embora flagrantemente insatisfeito a do senador Eduardo Suplicy, reeleito em 2006 e cujo mandato só termina no final de 2014. Suplicy, inclusive, fazendo-se desentendido, ofereceu-se como candidato do PT ao governo de São Paulo. Mas parece que a proposta ou não foi ouvida, ou não foi aceita. Mas esta é outra questão.

O ponto essencial é que na medida em que uma dissidência se aprofunda, torna-se mais difícil, por reflexo, o caminho da ministra Dilma Roussef rumo ao Planalto, na alvorada da campanha pela sucessão presidencial. Uma divisão na base do maior colégio eleitoral do país projeta-se como algo capaz de tornar impossível o êxito de sua candidatura. Sob este ângulo, querendo ajudar a chefe da Casa Civil, que aliás o substituiu no posto, José Dirceu prejudica tanto a candidata quanto o partido. E, politicamente, o próprio Lula. Exércitos divididos não vencem batalhas, já se disse na história. Foi o que aconteceu, por exemplo, em 1960, com o general Teixeira Lott. As seções do PSD do Rio Grande do Sul, Santa Catarina e Paraná, foram às urnas com Jânio Quadros.

De outro lado, partidos que apoiavam o governo Juscelino, caso do antigo Partido Republicano de Arthur Bernardes, deslocaram-se no sentido da UDN. No lado do PT de João Goulart e Leonel Brizola, as regionais de São Paulo e Paraná rumaram para a nave de Quadros, através de uma operação que ficou célebre como Jan-Jan, ou seja: Jânio para presidente e Jango para vice. Naquele tempo o voto para presidente era independente do voto para você e não havia exigência de unidade partidária como existe hoje para viabilizar uma coligação. O episódio de 60 é um bom exemplo de cisão. José Dirceu o repete agora, em 2009, no PT.

O general quer petróleo

Carlos Chagas

Desembarca amanhã  em Brasília o general James Jones, Assessor de Segurança Nacional do  presidente Barack Obama. Sua principal audiência não será com o ministro da Defesa, Nelson Jobim, mas com o ministro de Minas e Energias, Edison Lobão.

Devemos estranhar? Nem um pouco, porque para os Estados Unidos, segurança nacional é energia.  Os americanos tem feito de tudo para garantir seus autmóveis rodando e  seu país funcionando. Até invadir  o  Afeganistão e o Iraque eles invadiram, entre outros movimentos militares, e não foi para levar a democracia  aos talibãs ou,  muito  menos,  porque Saddam Hussein dispunha de armas de destruição em massa. Invadiram para garantir suprimentos de petróleo,  como sustentam a ditadura na Arábia Saudita pelo mesmo motivo.

Desde o governo George W. Bush que estão de olho nas imensas jazidas do pré-sal brasileiro. Não foi coincidência haverem recriado a Quarta Frota da Marinha de Guerra para patrulhar o  Atlântico Sul. O interesse de Washington é dispor de energia a qualquer custo, se possível pacificamente, mas, se necessário, pela força das armas. Porque as reservas em território americano estão se esgotando, mesmo aquele  petróleo que eles importam e estocam em poços ou cavernas na região do Golfo do México.

A luz amarela deveria estar acesa há muito tempo no semáforo fincado diante do palácio do Planalto, pois o Brasil parece  a bola da vez.  Nossa riqueza por enquanto  incrustada no fundo do oceano desperta atenções e cobiça no mundo inteiro. Por enquanto, somos cortejados, e quem saiu na frente foi a China, outro país desesperado por energia. Tanto que Pequim já colocou à disposição da Petrobrás nada menos do que dez bilhões de dólares, com a proposta de mais cinco, para investirmos no pré-sal.  Desde que saldemos essa dívida não em dinheiro, mas  com o  petróleo a ser extraído.

Os Estados Unidos chegaram atrasados. Depois da iniciativa  chinesa o Eximbank ofereceu dois bilhões de dólares à Petrobrás, que achou pouco e obteve a promessa de mais cinco.

Para complicar as coisas, é bom referir que o nosso  petróleo  detectado no pré-sal,  dentro e fora das  200 milhas,  é um tanto caprichoso. Não basta furar e enriquecer, porque a reserva não parece contínua. Meses atrás a Chevron, segunda maior empresa petrolífera  dos Estados Unidos, gastou bilhões e furou no seco. Claro que autorizada pela Petrobrás, na base de contratos de concessão  celebrados antes e que dão às multinacionais uma fatia respeitável de nossas reservas. Só que essa parceria  pode não bastar para encher  a goela dos   irmãos do Norte, se num futuro não muito  distante eles ficarem ainda mais dependentes.

Em suma, é bom que o ministro Edison Lobão tome cuidado. O general quer petróleo.

As pesquisas, onde andam?

Caso os principais institutos de pesquisa eleitoral não divulguem novos números, esta semana, é bom   acreditar um pouquinho na paranóia de certos grupos da oposição, para os quais  o governo manipula, pressiona e se aproveita dessa atividade comercial. Porque se diminuiu sensivelmente  o ritmo de divulgação dos  percentuais de aprovação dos candidatos presidenciais, alguma razão haverá. As últimas pesquisas conhecidas são de maio, quando Dilma Rousseff  ultrapassou a casa de um dígito, chegando a 12% nas preferências populares. De lá para cá, indica a lógica que teria crescido ainda mais. Se não cresceu, no entanto, o governo terá seus  motivos para exigir das empresas que permaneçam à sombra. Direta ou indiretamente, são clientes ou dependem do poder público. Fica difícil  acreditar que se tenham desinteressado de consultar o eleitorado sobre suas tendências. De qualquer forma, vamos aguardar o fim de semana…

Num domingo esportivo, expectativa sem esportividade e a justiça cada vez mais injusta

Segundo Vinicius de Moraes, ontem foi sábado, hoje é domingo, amanhã é segunda, sem nenhuma sequencia a não ser a do calendário. E sem nenhum espírito esportivo, alguns dizem que depois da gripe suína, vem o espírito de porco.

Marcante nessa segunda, o fim do recesso que é a continuação do fim do Senado ou pelo menos de alguns senadores. Mão Santa abrirá a sessão, haverá número para botar em funcionamento o Conselho (da falta) de Ética?

As representações contra Sarney continuam sendo recebidas, só que agora são representações e represálias. Aproveitando que estava em São Paulo, Sarney mobilizou um desembargador com que tem grandes ligações e seu adorado filho Fernando, muito mais.

(O Conselho de Justiça, que foi criado para moralizar e tem anunciado medidas saneadoras, não pode deixar passar essa decisão do desembargador Dacio Vieira do Tribunal de Justiça de São Paulo. Se o CNJ se aprofundar, vai descobrir que o desembargador tem mais afinidade e ligações com Sarney do que com a Justiça).

A ação de Sarney e seus apaniguados, (no Senado e fora dele) é tão ampla que nivela o Brasil com a Venezuela. Essa liminar para que o Estado de S. Paulo não trate do assunto (é um assunto ou apenas um filho corrupto e privilegiado?) retrocede 40 anos, coloca o Brasil em plena censura de 1968, antes mesmo do famigerado AI-5.

E justifica a ação do coronel Chavez, que pretende LIMITAR (não confundir com LIMINAR) o uso de informações. Chavez quer uma LEGISLAÇÃO ESPECIAL PARA IMPEDIR A LIBERDADE DE EXPRESSÃO. O desembargador Dacio Vieira não precisa de legislação, SUA VONTADE REPRESENTA PRIORIDADE.

E já que o Conselho vai examinar a questão, deve se estarrecer com dois fatos realmente assombrosos:

1 – Juízes de instancia inferior julgarem magistrados superiores. A decisão é quase sempre subserviente.

2 – A concessão de MEDIDA CAUTELAR, para que jornalistas PROCESSADOS não escrevam nada sobre os PROCESSADORES. Nem podem comunicar aos seus leitores, NÃO ESCREVO MAIS SOBRE ESSE ASSUNTO, A JUSTIÇA ME PROIBIU. Fica a impressão de que houve acordo.

PS – Se o Conselho de Justiça entender, vou a Brasília depor sob juramento, mostrar processos, dar nomes, ressalvar, ressaltar e registrar juízes geralmente de primeira instancia, que RECUSAM esse abuso do PODER JUDICIÁRIO.

PS2 – Às armas, cidadãos.

Parreira em fim de carreira, o aventureirismo do egocentrismo, de concreto “só trabalho com projeto”

Hoje, domingo, dia de futebol no mundo, aproveitamos para destacá-lo, principalmente aqui, onde é a paixão nacional. Embora essa paixão só chegue ao povo através de contribuições, seja pelo pagamento de ingressos, da recompensa às televisões, (aberta ou por assinatura), não têm nem voz na escolha dos dirigentes dos clubes.

No país do futebol, cinco vezes campeão do mundo, e quase outras cinco desperdiçadas mais por treinadores do que por jogadores (embora estes não mereçam total absolvição), o torcedor que é a chave e a alavanca de tudo, não tem direito a nada.

Nem sabem quem manda nos seus clubes (o presidente ou o patrocinador?) ou na CBF, propriedade de um homem, Ricardo Teixeira, além de tudo, corrupto, perdão c-o-r-r-u-p-t-i-s-s-i-m-o.

Ninguém sabe de onde veio, mas a verdade é que completou agora, exatamente 20 anos. Portanto está comemorando o Festival Wagner do ditatorialismo, do patrimonialismo, do mandonismo e do autoritarismo sem qualquer restrição.

E se a Policia federal não fizer uma dessas investigações com nomes curiosíssimos, ele já programou mais 10 anos à frente da CBF. Isso se o sócio e parceiro, Josef Blater, não lhe der a vez na Fifa (não dará) em 2015.

Como os treinadores estão em moda, (lembrando a gozação do João Saldanha, parodiando esses homens extraterrestres: “EU ganhei, VOCÊ empatou, NÓS perdemos”) usamos para análise a entrevista de hoje de Parreira ao Jornal do Brasil. Não vamos esquecer o ambicioso Muricy, (valorizado pelo economista Belluzzo), o super valorizado (por ele mesmo) Luxemburgo, e quase todos os outros que ganham fortunas para exibir a mediocridade mas conhecer o Brasil de ponta a ponta.

Ninguém é como Parreira, tem a audácia do Parreira, se julga invulgar conhecedor do futebol como Parreira, tão vencedor quanto Parreira. Destaquemos afirmações da altamente jornalística entrevista de Parreira ao JB, assinada por Hilton Mattos .

1 – Fabio Luciano, que soube a hora de parar, é lembrado para auxiliar no Flamengo. Parreira: “Fabio Luciano me adora”. O auge do ego é achar que todos o adoram. Mal se conhecem.

2 – “No momento a melhor solução para o Flamengo é o Andrade”. Ha! Ha! Ha! Conversava com Kleber Leite para assumir o Flamengo, o problema era dinheiro. Atropelava Andrade que respondia pelo time. Kleber se demitiu, lá se foi a ética do “treinador rico e realizado”.

3 – “Nem sei se do Flamengo vão me telefonar novamente, não sei se assumiria o clube, em ano de eleição”. Desinformado mas falante. Ele assumiria o time e não o clube. A eleição em dezembro é para presidente e não para treinador.

4 – “Só assumo clube (é time) com projeto. Nada de pegar times no fim do campeonato, lutar para não ser rebaixado. Quero planejamento”. Aceita qualquer coisa, desde que haja dinheiro bom. Está na espectativa de vários cargos, até na seleção, para atrapalhar o Dunga.

5 – “Foi uma coisa estúpida, me demitiram pelo telefone. Meu contrato era até o fim do ano”. Assumiu na quarta ou quinta rodada e não fim como afirmou.

6 – “Não sinto magoa e sim frustração. Me demitiram pelo telefone. Se fizeram isso comigo, o que não farão com os outros treinadores”.

7 – Sempre Parreira acima de todos. Isso fica evidente quando se “compara” com os outros, “EU” sou muito melhor. E a frustração das seleções, (varias e não só do Brasil) foi “campeão” em 1994, a pior de todas e alem do mais nos pênaltis.

8 – “Estava acertando as coisas. O nível do nosso trabalho era muito bom. Não tiveram paciência”. Magistral. Assumiu o time na quarta ou quinta rodada, ficou umas dez.

9 – “Não preciso mais disso, vou escolher, aos 66 anos estou realizado”. Está mesmo, e principalmente muito rico. Ganhou fortunas no mundo árabe. Depois de “ganhar” 1994 nos EUA, foi substituído por Lazzarone, indicado por Eurico Miranda. Enriqueceu, tem todo o direito de dizer, “não preciso mais disso”.

10 – E como é que vai viver sem holofotes? Não perderá nada. Apesar de criticar os jornalistas, “eles não sabem entrevistar, perguntam o OBVIO, recebem o OBVIO como resposta”. Esse é Parreira, que continua aparecendo, embora desaparecendo.