Para defender voto útil antiBolsonaro, Alckmin torce para Haddad decolar

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Charge do Sid (Charge Online)

Daniela Lima
Folha

Tal é a confusão na eleição que, neste momento, não há exagero em dizer que o PSDB de Geraldo Alckmin torce por uma rápida ascensão de Fernando Haddad (PT), o herdeiro de Lula, nas pesquisas sobre a disputa presidencial. Só esse movimento, avalia a cúpula da campanha tucana, abrirá caminho para que se possa iniciar a pregação pelo voto útil contra Jair Bolsonaro (PSL), o líder das pesquisas.

O entrave para o cenário dos sonhos de tucanos e petistas, que, por óbvio, também torcem pelo crescimento de seu neocandidato, tem nome e sobrenome: Ciro Gomes (PDT). Enquanto o PT encenava uma batalha que sabia perdida nos tribunais pela candidatura de Lula, o pedetista se apresentou ao eleitor e ganhou musculatura em ala da esquerda que desconfiava da estratégia kamikaze arquitetada pelo ex-presidente.

BOLA DA VEZ – Ciro sabe que, agora, é ele a bola da vez, mas tentará conter a ofensiva que se avizinha nos campos onde conseguiu fincar estacas. Vai exibir o Nordeste em sua propaganda eleitoral, apresentar-se como o filho legítimo da região, tratar Haddad como uma Dilma Rousseff (PT) de calças. Vai semear a desconfiança para segurar o eleitor que, neste momento, não vê viabilidade no projeto de Lula e aderiu ao do PDT.

Não será tarefa fácil. Haddad ainda não despontou nas pesquisas, mas mesmo sendo apresentado de maneira mambembe no horário eleitoral, avançou de 4% para 9%, segundo o último Datafolha. E é só agora, com a pista liberada pelo ex-presidente, que a máquina petista vai entrar em cena.

Quem aposta nas brigas internas do PT e na falta de interlocução do escolhido de Lula com setores importantes do partido deve lembrar o que está em jogo nesta eleição na cabeça dos petistas: a chance de pôr em xeque a narrativa gestada sob o manto da Lava Jato há quatro anos e cujo ponto alto foi a prisão de seu líder máximo. Não se engane: o PT vai para a guerra.

AMARGURA – E se, por um lado, a demora do partido em vestir Haddad de candidato deu tempo para Ciro mostrar suas garras, por outro, o intervalo serviu para que Lula resgatasse seu afilhado de um profundo desencanto com o sistema político e com o próprio partido.

O Haddad que deixou a Prefeitura de São Paulo em 2016, derrotado no primeiro turno por João Doria (PSDB), era um homem amargurado, impaciente, descrente e incapaz de qualquer autocrítica.  Profundamente questionado pelos companheiros de partido no estado, pensou em deixar o PT —embora negue.

Haddad culpava Dilma pelas mazelas de sua gestão, pela falta de dinheiro, pela impopularidade. Sentia-se contaminado pelos erros da petista, em especial na política de preços dos combustíveis que, avaliava, desaguou nos protestos de junho de 2013, dos quais ele foi o primeiro alvo, levando pancada da qual não conseguiu se recuperar.

OUTRO HADDAD – O homem que se apresenta para a disputa hoje é outro e está em boa fase. Lula reaproximou Haddad do partido entregando a ele, de dentro da prisão em Curitiba, a missão de formular o plano de governo do PT. Haddad adora teorizar. Foi fisgado. E então Lula cercou sua criatura com tutores de sua confiança —Ricardo Berzoini e Sérgio Gabrielli, para ficar em dois exemplos.

Esses, por sua vez, abriram espaço a Haddad dentro do PT e, talvez a contragosto, fizeram o partido engolir o afilhado rebelde de Lula. O candidato que se posta agora diante do eleitor petista prega o resgate de uma política que outrora ele mesmo havia descartado.

Aliados de Ciro acham que os lulistas não vão engolir a troca tão fácil. Haddad não é Lula, eles dizem, não soa como Lula, não pensa como Lula. Creem que o eleitor vai sentir a diferença de olhos fechados. Vai?

20 thoughts on “Para defender voto útil antiBolsonaro, Alckmin torce para Haddad decolar

      • A página do Facebook das mulheres contra o Bozo já alcançou um milhão e quinhentos mil seguidoras.
        Substestimar as mesmas é de uma infantilidade incrível.
        Aguarde vingança.

        • Robot. Falso. Prove o contrário. Tudo mídia. Sai do seu ar condicionado. Vá ao saara. Ande de trem ou ônibus. Viva ou se engane. Dia 7 está aí.

  1. Essa falácia que ora empesta as redes sociais, dando conta de que o algoz de Bolsonaro teria recebido 300 mil reais para perpetrar o atentado, em sã consciência, é um pouco difácil de ser digerida.
    Primeiro: quem executa um crime pago, ele faz de tudo para entrar indene e sair ileso; a fim de que possa usufruir a grana, da forma mais zen possível.
    Segundo: quem comete um ato criminosa à curta distância, tem quase certeza de que será identificado e/ou capturado.
    Terceiro: que encomendador incauto é esse, que deposita pagas de empreitada?

    • Marque: 99% de chance de haver o 2º turno.
      Para não ocorrer precisaria que um candidato atingisse 50% + um voto.
      Quem tem mais é o Bolsonaro (24%).
      É praticamente impossível ele mais do que dobrar sua porcentagem.

      • Ele, segundo as pesquisas, tem 24% a 26,6% do universo total de 100% dos eleitores. Os 50% para vencer no 1º turno são de votos válidos. FHC se elegeu em 1998 com 32% dos votos do universo (n) total que significam 53% dos válidos pois a abstenção+nulos+brancos foi de 36%. portanto faltam 5 a 10% para Bolsonaro chegar. segundo pesquisas internas ele já alcançou isso, daí o atentado como tentativa de parar sua ascensão.

  2. Assistindo aos politico de hoje, no horário nobre da TV brasileira, vendo a ‘qualidade’ dos candidatos a Deputado Federal, ficou claro que e o Brasil quem esta contra o Brasil…
    Não dá pra filtrar nem meia dúzia que preste!

    Esta eleição não e, de forma alguma, a mais importante de todas (talvez seja a menos) ou, se for, e que será a ultima nesses moldes atuais.

    Se o sistema eleitoral não mudar, o Brasil não irá mudar o modelo podre de gestão, a corrupção irá rolar solta, como sempre, sem perspectivas de retomarmos a corrida e emparelharmos com os países que já partem para a quinta revolução industrial.

    Votar nisso que esta aí é assinar um atestado de óbito para a Nação Brasileira.

  3. “Não votar é muito fácil. Há muitas maneiras de não votar…
    Contar para pessoas que você não vota não é tão fácil.

    Entrevista na BBC;

    BBC: “Como você imagina que as pessoas ganham poder?”

    Brand : “Bem, eu imagino que existem sistemas hierárquicos que foram preservados por gerações …”

    BBC: “Eles conseguem o poder ao serem votados, é assim que eles ganham o poder”

    Brand : “Bem, se você diz …”

    BBC: “Você nem sequer se importa em votar?”

    Brand : “Ha um parâmetro bastante prescritivo que muda dentro do …”

    BBC: “Em uma democracia, é assim que funciona!”.

    Brand : “Bem, eu não acho que esteja funcionando muito bem. Dado que o planeta está sendo destruído. Dado que existe uma disparidade econômica imensa. O que quer dizer? Que não há alternativa? Apenas esse sistema? ”

    BBC: “Não, não estou dizendo isso. Estou dizendo que se você não dá a mínima para a votação, porque deveríamos ouvir o seu ponto de vista político?”

    Brand: “Você não precisa ouvir meu ponto de vista político. Mas não é que não votei por apatia.
    Eu não vou votar pela absoluta indiferença, cansaço e exaustão das mentiras, traição, engano da classe política, que vem acontecendo há gerações agora.”

    É imperativo revertermos a mensagem de que não votar é uma coisa negativa.
    É um ato de desafio, mas mais do que isso, é uma mensagem clara de que não votar é uma rejeição do sistema existente que não representa, e nunca representou a vontade de pessoas comuns.

    Se votar ou não pode, por si só, fazer a diferença, é inteiramente outra questão.

    E se ninguém votasse?

    Existe uma participação mínima de eleitores que deve ser alcançada para que as eleições nacionais sejam válidas, ou seja, abaixo da porcentagem do eleitorado outra eleição deve ser chamada devido à participação insuficiente?

    Não há um número mínimo de pessoas que têm que votar para que uma eleição seja válida.
    Independentemente de quão poucas pessoas votem, presume-se que um governo é representativo do eleitorado.

    A suposição por trás dessa configuração bizarra é que as pessoas tiveram a chance de votar e, se não votaram, então, boa sorte.
    Mas isso é uma besteira, certamente?

    Qualquer governo que pretenda representar as pessoas, mas que não foi votado pela maioria do eleitorado, não pode ter nenhum direito moral de representar esse eleitorado, e muito menos a população inteira.
    Qualquer governo sem mandato não tem escolha senão governar pela força, ou pelo menos enganar em massa. Há uma palavra para isso: regime.
    Espere, isso já não aconteceu?

    O número total de pessoas que votaram nas eleições presidenciais dos EUA em 2012 foi de 41% da população. Em 2012, o presidente Obama foi eleito por apenas 65,9 milhões de pessoas, ou apenas 21% da população dos EUA.

    Quão pouco representativo é isso? No entanto, é inteiramente típico dos sistemas de votação do Ocidente Industrial “democrático” que passa a ilusão de que os governos representam os desejos das pessoas.

    Mas acho que precisamos fazer uma pergunta diferente. E se as pessoas não aceitarem a autoridade do governo?

    Dado que menos de um quarto das pessoas em qualquer nação são representadas pelo “seu”
    governo e que o “seu” governo está vinculado a um conjunto de regras que colocam o crescimento econômico e a riqueza do capital acima das reais necessidades do planeta e das
    pessoas que vivem nele, estamos realmente falando sobre algo mais do que a retirada do mandato.

    Não há meio termo – os sistemas não podem ser melhorados, eles nunca existiram para servir as pessoas, eles só existem para servir seus próprios sistemas.

    Nada menos do que a rejeição completa dos sistemas de poder dominantes será suficiente para romper o imenso vazio moral entre o que precisamos como espécie e o que os governos “democráticos” nos impõem. Apenas uma razão entre muitas do porque precisamos começar a minar a civilização industrial.”

    https://originalearthblog.wordpress.com/2013/10/31/what-if-no-one-voted/

  4. Sr. Meira lembrou bem; em 2010 Serra em 1 lugar na pesquisa, falou que seria um ” continuador” da política de Lula. O povo pensou; mas se é pra continuar o que Lula tá fazendo, vamos votar na candidata do Lula. E deu no que deu.

  5. Filipe G. Martins
    @filgmartin
    Alckmin tem 440 milhões de reais, metade do tempo de TV, a maior coligação, o apoio da mídia e não sai do 4º lugar. Bolsonaro não tem dinheiro, tem 7 segundos de TV, apoio só do PRTB (e do povo), sempre é atacado pela mídia e está em 1º. O establishment nunca foi tão humilhado.

  6. Alckmin é desprezado pelos próprios paulistas, que o conhecem.
    Alckmin não quer atacar o Ciro “Boca de esgoto” Gomes porque é amiguinho dele desde a infância em Piracicaba.
    Agora, finalmente, Alckmin está torcendo por Haddad.
    Na minha opinião, no nicho de “mercado” de intenções de votos, ele não consegue se destacar nem mesmo de Álvaro Dias (deem os mesmos recursos e Álvaro Dias faria muito mais).
    Vai pra casa, Alckmin.

    • O início da música; uma confissão premonitória?
      “A gente não sabemos
      Escolher presidente
      A gente não sabemos
      Tomar conta da gente
      A gente não sabemos
      Nem escovar os dente
      Tem gringo pensando
      Que nóis é indigente

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