Para os banqueiros que mais lucram no mundo, Bolsonaro é uma ameaça

Charge do Khevissson (Arquivo Google)

Carlos Newton

Preocupados com o fenômeno Jair Bolsonaro, os dois principais banqueiros do país, que comandam o Itaú-Unibanco, deram uma longa entrevista à Folha de S.Paulo, publicada na edição desta segunda-feira, dia 5. Desde sempre, tenho uma curiosidade enorme em relação ao que pensam os banqueiros. Na minha opinião são meros agiotas, que remuneram com juros mínimos os recursos poupados pelos clientes e cobram juros máximos em operações corriqueiras, como saldo negativo na conta corrente ou financiamento do cartão de crédito. Nos dias de hoje, é missão impossível tentar que os banqueiros paguem juros maiores do que 0,5% ao mês nas aplicações, mas eles continuam cobrando cerca de 9% mensais nos cartões de crédito e no cheque especial, ou seja, 18 vezes mais…

Com inflação anualizada de 3%, os juros de cartões e cheque especial no Itaú-Unibanco estão quase em 200%, algo inaceitável, deplorável e abominável em qualquer país civilizado, vejam a que ponto chega a ganância dos banqueiros, que são os filhos bastardos, malditos e desumanos da velha exploração do homem pelo homem.

UM ESTRANHO PAÍS – Na verdade, o Brasil é o país mais estranho do mundo. Dificilmente, uma analista estrangeiro consegue entender nossas instituições. Temos uma estrutura estatal enorme, mas não funcionamos como nação comunista, pois as desigualdades sociais são as maiores do mundo. Insiste-se em tentar que a riqueza absoluta conviva em harmonia com a miséria absoluta, como se isso fosse possível, e o resultado é essa insegurança permanente que coloca a sociedade atrás da grades, mas não consegue trancafiar os criminosos.

Nem mesmo os brasileiros conseguem entender o que se passa aqui. Neste blog, há críticas permanentes aos governos do PT e do PSDB, que são acusados de terem “comunizado” o país, que agora, com Bolsonaro, seria novamente colocado nos rumos do “capitalismo”.

Como diz Francisco Bendl, tenho frouxos de riso quando leio essas maluquices, acusando Lula e FHC de serem “comunistas”, quando não passam de grandes pilantras, que jamais pensaram no povo e enriqueceram no poder, cada um a seu modo, seja na Avenida Foch ou na Serra de Atibaia, qual é a diferença?

SÓ SEMELHANÇAS – Entre FHC e Lula, só há semelhanças. O grande e modesto Itamar Franco entregou a seu sucessor um país que crescia 5,4%, havia pleno emprego, a inflação era de 0,6% ao mês, havia superávit nas contas públicas, saldo comercial de US$ 10,4 bilhões e uma dívida interna pequena, de 29,4% do PIB.

Depois das criminosas administrações do PSDB, PT e PMDB, o legado ao presidente eleito Jair Bolsonaro é caótico, um país totalmente dominado pelo capitalismo financeiro, em que os maiores aproveitadores são os banqueiros, embora sejam considerados cidadãos acima de qualquer suspeita, como no filme de Elio Petri, e acima também de qualquer crise, pois o país empobrece, mas eles continuam batendo recordes de lucratividade.

Da entrevista de Roberto Setúbal e Pedro Moreira Salles à Folha, pouco se aproveita, porque nada têm a dizer. Não são brasileiros, nem se importam com o país, vivem por conta dos 30 dinheiros que herdaram dos avós.

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P.S. 1 –
A entrevista apenas mostra que os banqueiros estão perplexos com Bolsonaro. Inquietos, não sabem se poderão ser atingidos pelas reformas.

P.S. 2 – De minha parte, espero que as reformas atinjam em cheio o sistema bancário, que a meu ver deveria ser totalmente estatal. Se me derem apenas um argumento sólido que me convença de que bancos privados são proveitosos para o país, ficarei eternamente grato. Apenas um. (C.N.)

22 thoughts on “Para os banqueiros que mais lucram no mundo, Bolsonaro é uma ameaça

  1. Sabe quando e como Bolsonaro vai enfrentar essa gente ? Nunca. Vai sentar no colo igual a todos os seus antecessores, inclusive a famigerada ditadura militar armada até os dentes. E se ousar enfrentá-los cai igual Dilma e Collor. E a fuga dos bolsonarianos daqui é sintomática. O calor da verdade está derretendo o iceberg dos mesmos. Não suportam a vida de vidraça.

  2. Em um curto texto deu nome a maioria dos bois. No final do governo do vamp as agencias normativas se anularam por completo. De tanto correr frouxo, os planos de saúde aumentaram tanto seu valor que houve uma debandada em massa de clientes. As empresas de aviação conseguiram desagradar a todos com as suas regras de bagagem e preços cada dia menos atrativos. Sua política de combustível parou o país, coisa única até então. Nem as centrais sindicais em seu momento de maior força, jamais, tinham conseguido este feito. Multaram a bateladas nas rodovias federais por conta de mais uma norma absurda, copiada porcamente dos países frios, sobre os faróis altos, que saiu no papel, mas não na sinalização obrigatória. Sem falar nos extintores veiculares em que se aumentou a exigência, causando uma correria aos postos, para logo depois tornarem seu uso não obrigatório. Ninguém que tem seu extintor dentro do carro, o tirou de dentro. As operadoras de telefonia conseguiram um feito também inédito, conseguiram 100% de insatisfação em sites de reclamação. Estão literalmente se lixando para seus clientes. Agora Temer nos brinda com mais este horário de verão. Adorado apenas por quem não precisa acordar cedo para trabalhar, mas que cai ao primeiro sinal de plebiscito. Tudo para no final, ternos “nossa” economia de 0, qualquer coisa em energia. A quem pensam que ainda convencem de alguma coisa?

    • Para não deixar de falar, ainda tivemos as placas do Mercosul, que agora existem em muitos dos carros brasileiros, mas não no sistema dos Detrans, impossibilitando qualquer tipo de controle. Quanto aos banqueiros, o que pagam hoje aos idiotas que são obrigados receberem seus salários através de seus bancos, sequer cobre as perdas da inflação, mesmo maquiada para baixo pelas mesmas agências de molecagem de Temer. O que destoa dos juros extorsivos que cobram de todos, além dos altos investimentos para abocanhar o mercado e arrancar as aposentadorias no Brasil. Por estas e muitas outras é que Temer já deveria estar respondendo por seus atos.

  3. Tomara que CN esteja certo. Fico preocupado com alguns sinais que indicam, na verdade, reforço ao sistema bancário: reforma da previdência (jogando as pessoas para a capitalização ou previdência privada complementar, em última análise será gerida por bancos); ausência de plano para o fim das operações compromissadas, que aumentam a dívida interna em 1 trilhão, aproximadamente; autonomia total do banco central, bandeira dos bancos a muito tempo; avanços no liberalismo econômico que reforça a participação dos bancos na fatia do PIB. Além disso, no caso de eventuais privatizações de empresas relevantes, tipicamente os bancos engolem uma grande fatia das empresas leiloadas.

    • Perfeito Mathias a sua exposiçao deixa claro que os baqueiros continuarao a passear no Brasil como sempre fizeram,nao entendi a afirmaçao do Carlos Newton.

  4. Eu acho que estão apalpando a barriga da grávida errada, o governo que está aí NÃO é o do Bolsonaro.
    Sobre os bancos, ajuda minar a ganância dos grandes quando se estimular a concorrência, novos bancos, mesmo menores podem ajudar. O mapa da mina é a concorrência que acaba com a reserva de mercado, e isso se aplica também a industria automobilística.

    • Aqui no Brasil os preços dos carros só se tornarão competitivos de fato se baixar as taxas de importação. Ai as multinacionais deixam o país.

  5. Conversa pra boi dormir na sombra com água de coco e tudo.

    Eles, os banqueiros, estão esfregando as mãos para quando a “previdência” privada estiver a todo vapor.

    Não querendo ser prolixo, mas sendo necessário lembrar, O CHILE, CN, é o CHILE.

    Povo aposentado na pior e quem foi chamado para salvar os aposentados: o governo e os patrões, já os banqueiros ficaram com a dinheirama toda.

  6. Caro CN … algumas observações:

    1 – banqueiro é quem administra banco … não é necessariamente os que possuem dinheiro para emprestar;

    2 – o dinheiro emprestado certamente é o que os donos de conta possuem depositado na agência;

    3 – é assim nos bancos privados quanto nos estatais, né???; e

    4 – qual a diferença de um banco estatal para um privado???
    … … …
    O que os banqueiros temem é Bolsonaro, com o liberalismo de Guedes, implantar o Capitalismo em Pindorama kkk KKK kkk

    Um aperto de mão.

    PS – Abaixo a Nomenklatura!!!

  7. Na minha cidade atual – Petrópolis – existiam 17 bancos diferente, que mal ou bem competiam, a saber: Mercantil de São Paulo, Banespa, Bandeirantes, Credito Real de Minas Gerais, Nacional, Unibanco, Itaú, Real, Bradesco, Banerj, BEMG, Comind, Bamerindus, BCN, Merdidional, BB e CEF. Isso antes de FHC !! Pós FHC restaram 5 bancos: Santander, Itaú, Bradesco, BB e CEF !!! Precisa explicar o que representou esse nefasto senhor ao Brasil?

    • Eles não competiam. Os bancos giravavam papéis públicos por conta da inflação elevada, à custa da captação. Claro, precisavam de clientes, mas o principal era o papai Estado com seus títulos. Quando a inflação acabou, com o plano Real, a fonte de lucros fáceis sumiu. E começou a série de concentração bancária. Alguns, por conta da fraca fiscalização do Bacen, também maquiavam dados, como o Banco Nacional. O país dos banqueiros era o de Alice, o das maravilhas. E deram um jeito de continuar sendo, e Paulo Guedes fez sua fortuna nisso, será mesmo que ele vai querer mudar completamente isto ou só um pouco?

  8. “Temos uma estrutura estatal enorme, mas não funcionamos como nação comunista, pois as desigualdades sociais são as maiores do mundo.” Newton, a desigualdade é da natureza dos países comunistas marxistas.
    Quando acabou a URSS surgiram dezenas de bilionários que enriqueceram sendo empresários “amigos do povo” (tipo Eike Batista no Brasil ou Thyssen na Alemanha Nazista).
    Estados grandes e poderosos criam desigualdade social.

  9. Meu Deus eu não li que alguém acha que os bancos deveriam ser estatizados. Me recuso a acreditar que alguém possa pensar isto. Foi um sonho de verão. Que horror!

  10. Digno, Newton..
    Se fosse o Dr. Ciro Gomes,acreditaria,que faria alguma limpeza na fachada.
    Na estrutura,jamais.

    Já pensou,Globo e banqueiros contrariados.

    Nenhum governante resistiria uma rajada de mas notícias fabricada.

    Dr. Leonel de Moura Brizola,vivo fosse,diria em detalhes, o que é terrorismo.

  11. 17/10/2018 01h30 – Atualizado 16/10/2018 às 13h58

    Banco Central divulga ranking de reclamações de bancos no Brasil.

    A maioria das reclamações é sobre “oferta ou prestação de informação a respeito de produtos e serviços de forma inadequada”.

    O Ranking de Instituições por Índice de Reclamações é calculado com base no número de reclamações consideradas procedentes, dividido pelo número total de clientes e multiplicado por um fator fixo (1.000.000).

    No topo da lista, referente ao terceiro trimestre de 2018, está o Banco do Brasil, com índice de reclamações de 25,22 (1.590 reclamações e 63,027 milhões de clientes). Bradesco, com índice de 22,55 (2.151 reclamações e 95,352 milhões clientes), e Santander, com índice de 22,10 (933 reclamações e 42,206 milhões de clientes) fecham o pódio.

    A maioria das reclamações é sobre “oferta ou prestação de informação a respeito de produtos e serviços de forma inadequada”.

  12. Caro CN, os bancos públicos, se realmente tivessem o poder (ou o interesse) de moderar a coisa, já estariam praticando taxas de juros e tarifas menores. Isso provocaria um efeito de concorrência. As pessoas migrariam suas contas, empréstimos e demais funções bancárias para esses bancos que teriam melhores condições a oferecer.

    Na contramão, o que vemos, principalmente na Caixa Econômica, são filas intermináveis, atendimento ruim, sistema falho, equipamentos sempre quebrados, taxas de juros que por vezes perdem para os bancos privados e por aí vai, isso porque é lá que está depositada a fortuna do FGTS. Estatizar os bancos nem de longe seria solução. Precisamos é de abertura para novos bancos, com taxas menores e mais competitivos, que atraiam os clientes e forcem os bancos tradicionais a reduzirem seus custos absurdos.

    Abraço!

    • Prezado Willyan Beleze,

      Defendo esta tese desde 1987, na Constituinte. Havia uma bancada de gerentes de bancos estatais (Caixa, Banco do Brasil, Banco da Amazônia etc.). Fiz esta pergunta sobre juros a eles, num jantar na sobreloja do Piantela, e houve um silêncio mortal. Ninguém respondeu. Quanto ao atendimento, você tem toda razão, é péssimo.

      Abs.

      CN

  13. Uma das chagas neste país ainda aberta, fétida, purulenta, chama-se taxas de juros.

    Em razão de que os “sábios” economistas sempre apregoam a necessidade de o mercado ser livre, que é corrigido pela “oferta e demanda”, a lei maior do capitalismo, quem vem contestando tais afirmações apenas e tão somente teóricas é o cidadão brasileiro!!!

    Além de andar com as costas vergadas pela carga tributária que o desgraçado PT, a organização criminosa que mais roubou no mundo, o sistema bancário nacional se aproveita da permanente situação de inferioridade do povo para explorá-lo mediante juros extorsivos, brutais, inexplicáveis e injustificáveis.

    E, JAMAIS, o Congresso, onde em termos fantasiosos estariam representantes do povo e dos Estados, este antro de venais fez algo em benefício da população em diminuir tais taxas conforme A INFLAÇÃO OFICIAL!

    Na medida que a Selic é corrigida ou mantida igual ou se torna menor a cada período, as taxas de juros para bancos oficiais e particulares deveriam seguir este balizamento:
    Hipoteticamente, caso a Selic se encontrar em 6% aa, os bancos NÃO PODERIAM cobrar mais do que o triplo desse índice!!!

    Haveria margem para que cada entidade financeira operasse com maior ou menor juro, mas permanentemente lucrando porque aumentaria sobremaneira a clientela.

    O próprio empréstimo consignado – AFRONTA À CONSTITUIÇÃO, NO SEU ART. 7º, INCISO X – não deveria estar cobrando mais do que 1% am, no entanto, as taxas superam 2%, MESMO COM O PAGAMENTO SENDO GARANTIDO PELO SALÁRIO, ALGO INDISCUTIVELMENTE ILEGAL!!!

    Como a proposta de Newton, a inexistência de bancos privados jamais será posta em prática, os bancos não podem agir dentro do país como se fossem organizações alheias às normas, regras, leis, códigos, que somos obrigados a cumprir.

    Se o povo está sempre precisando de dinheiro porque ganha mal, os serviços essenciais são deploráveis, transporte coletivo uma praga, medicamentos caríssimos, alimentos nas nuvens, definitivamente o Brasil é o paraíso dos banqueiros!

    Agora, qual seria a razão pela qual, diante desse veio, dessa fonte maravilhosa de se ganhar dinheiro dessa forma, outros bancos não se instalam nesta nação, logo, deixando de existir a saudável e imprescindível concorrência??!!

    “Reserva de mercado”??!!
    O Congresso ou o nosso comitê econômico – tenha lá o nome que tiver – não permite ou não libera as permissões porque devidamente recebendo seus pixulecos??!!

    E, o povo, sempre sendo roubado e explorado??!!

    Até quando vamos permitir que façam conosco o que bem entendem??!!

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