Peça publicitária da FIESP exibiu dados mentirosos sobre a reforma da Previdência

Charge do Marcio Baraldi (Arquivo Google)

Pedro do Coutto

A Federação das Indústrias de São Paulo publicou ontem em O Globo, Folha de São Paulo, O Estado de São Paulo e Valor, peça publicitária defendendo a reforma da Previdência Social expondo dados financeiros que se chocam com a realidade. Defendendo o projeto que está em votação sustentou que a Previdência custa hoje mais da metade do orçamento federal. A publicidade foi veiculada com grande destaque.

A FIESP exerceu seu direito legítimo de participar do assunto. Tão legítima quanto os sindicatos e associações de assalariados em se posicionarem em sentido contrário. A questão, entretanto, deve se assinalar, é que os dados da FIESP não são verdadeiros.

NÚMEROS REDONDOS – O pagamento das aposentadorias e pensões do INSS são, em números redondos, de 800 bilhões de reais por ano aos preços de hoje. O orçamento federal para 2019 está na escala de 3,3 trilhões de reais. Portanto a despesa com a Previdência não representa a metade das despesas da União. A FIESP considerou os encargos previdenciários, mas não levou em conta as receitas do sistema originárias dos recolhimentos dos trabalhadores e das empresas, de R$ 650 bilhões.

É verdade, deve se frisar, que há o caso do funcionalismo público, cujo déficit projeta-se em torno 400 bilhões. Mas há uma diferença essencial entre os cursos do INSS e da seguridade.

É que, enquanto o INSS o teto máximo das aposentadorias é de 5,8 mil reais, os atuais funcionários públicos da União, exceto os admitidos a partir de 2003, têm direito à aposentadoria integral. Ou seja, pelo valor do último salário recebido. Há o caso também dos servidores das empresas estatais que são regidos pela CLT. Mas estes têm direito a complementação salarial sustentada pelos fundos de pensão. Portanto se alguém recebe por 10.000 reais, o fundo de pensão entra com 4.200.

COMPLEMENTO – Dessa forma há um desembolso adicional, mas não com recurso do Tesouro. Para os funcionários federais é diferente. Eles pesam na despesa tanto os que estão na ativa ou os da condição de inativos. As maiores estatais são a Petrobrás, Banco do Brasil, Furnas, Caixa Econômica Federal e empresa dos Correios. Os que trabalham nas estatais contribuem com parcela adicional, o mesmo acontecendo com as unidades do Estado que não dependem de aportes do Tesouro.

A complementação é uma das razões da adesão dos que têm tempo de serviço suficiente para se aposentar, em programas de demissão voluntária. Recebem os direitos trabalhistas, além do incentivo oferecido. Mas esta é outra questão. Além do fato de eliminar o passivo trabalhista para um projeto de privatização, tem também os déficits existentes zerados, agora sim, com recursos do Tesouro.

ATUAÇÃO ERRADA – Retornando ao tema do título do artigo, destaco a atuação errada das oposições ao projeto de reforma. Elas vão perder no voto, mas poderiam ter aproveitado o episódio para divulgarem pesquisa detalhada sobre as consequências que vão pesar na cabeça e no bolso dos assalariados.

As lideranças oposicionistas ainda têm oportunidade de mostrar as consequências da reforma constitucional a partir do primeiro mês em seguida da aprovação do projeto do governo.

4 thoughts on “Peça publicitária da FIESP exibiu dados mentirosos sobre a reforma da Previdência

  1. Pedro, o Sr. ainda acredita nessa “oposição” também comprada pelos grandes bancos (principal interessado nessa fatia)?!

    Todos essa corja de políticos (com raríssima exceção, por sinal, estou procurando ainda um desse…rs) fazem parte do mesmo sistema sujo, enganoso, corruptivo e, principalmente, aniquilidor de nossa nação, independente de cor, partido, ideologia etc., são todos iguais, infelizmente.

    Que Deus nos tenha, pois só Ele mesmo para nos ajudar!

  2. Pedro, como sempre tentando nos mostrar o que nao conseguimos entender.

    Confesso, que estou , como se dizia antigamente, meio bestificado.

    Não sei o que foi aprovado e qual o impacto, para os aposentados atuais, para os futuros, para os do sistema privado, para os do sistema publico, quem ficou de fora, quem ganha e quem perde.

    Esperava exatamente isto, como corretamente aponta o Pedro, de nossa atual oposição: que nos dissesse tecnicamente , numericamente, o que mudou e qual o impacto para todos.

    Uma pergunta simples, deveria ser feita e sua resposta pode nos explicar:

    Se a reforma representara uma economia de tantos bilhões, de onde vai sair esta economia?

    Quem e quais dos que atualmente compõem este gasto, vão deixar de receber?

    Ora, cachorro mordido de cobra tem medo de linguiça, então se vimos apenas uma grande categoria (policiais e afins) reclamando (não pela perda, mas sim porque queriam ampliar benefícios) é porque………os demais não perdem???

    Ora se os detentores atuais de privilégios, nao gritaram porque não perdem (suposição) de onde vira a economia??

    Só dos velhinhos do atual Inss com pensa media menor do que 2.000,00??

    Talvez nem parando de pagar cheguemos aos valores pretendidos.

    Então ou a reforma é uma grande farsa ou repetiremos, por tragedia a declaração do chefe de policia em no imortal Casablanca:

    “Tunguem os coitados de sempre”

    ( do original prendam os suspeitos de sempre)

    Querem algo mais suspeitissimo do que os quase 400 votos???

    Deputados do Brasil, votando reformas que beneficiem a sociedade e prejudiquem o sistema de castas secular em que se montou a estrutura de poder do Brasil??????/

    me belisquem…….

    Ou então, Pedro, por favor nos explique…..

  3. A complementação dos fundos de pensão aos seus beneficiários não deveria contar com recursos da Previdência Social. Ou então estes fundos não servem para nada, porque contam com a contribuição das estatais e dos empregados destas, se são deficitários é porque são mal geridos.

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