PF apura financiamento governamental a sites antidemocráticos e que propagam desinformação

Charge do Cazo (blogdoaftm.com.br)

Bela Megale e Aguirre Talento
O Globo

A Polícia Federal investiga indícios de que o governo do presidente Jair Bolsonaro financiou pessoas e páginas na internet dedicados à propagação de atos antidemocráticos, que fizeram ataques ao Congresso Nacional e ao Supremo Tribunal Federal (STF).

Um relatório parcial da PF, produzido no inquérito que tramita no STF sobre a realização de atos antidemocráticos, aponta pela primeira vez a relação desses atos com o Palácio do Planalto e apura se a publicidade oficial foi utilizada para direcionamento de recursos públicos.

PUBLICIDADE – Os indícios chegaram à PF por meio da CPMI das Fake News do Congresso Nacional, que enviou à investigação informações de que a Secretaria de Comunicação da Presidência da República (Secom) veiculou publicidade em sites que propagam ações antidemocráticas. A delegada Denisse Dias Ribeiro afirma no relatório que o objetivo da investigação é saber se integrantes do governo federal agiram por ação deliberada ou por omissão no financiamento dessas páginas.

“A investigação tem o objetivo de checar se essa ocorrência se deu por culpa ou por ação ou omissão deliberada de permitir a adesão da publicidade do governo federal, e a consequente monetização, ao conteúdo propagado”, escreveu a delegada, que prossegue em seu despacho: “Outro ponto a ser elucidado (e que complementarão a análise do material já em curso) é se essa conduta ocorreu por vínculos pessoais/ideológicos entre agentes públicos e os produtores de conteúdo ou mesmo por articulação entre ambos”.

Além da presença de propaganda do governo, a PF apura se os gestores públicos usaram mecanismos disponíveis em ferramentas de publicidade, como o Google Ads, para evitar que as mensagens do governo chegassem a sites que disseminam ataques às instituições.

CRITÉRIOS – “Não há informações que indiquem se os agentes públicos responsáveis, dolosa ou culposamente, criaram critérios objetivos (palavras-chave, filtros ou bloqueios) que evitassem que a propaganda do governo federal fosse veiculada e monetizasse canais que difundem ideias contrarias às professadas pelo Estado democrático de Direito, permitindo (i.e., não impedindo), com tal prática, que ocorresse o repasse de recursos públicos com a intermediação de ferramentas tecnológicas a tais canais das redes sociais”, diz o relatório.

No sistema de publicação de propaganda na internet conhecido como mídia programática, o cliente contrata uma plataforma que distribui automaticamente anúncios com base no cruzamento entre o público-alvo e critérios como a audiência dos sites e canais acessados pelos internautas que são o foco do cliente.

Isso faz com que, se não houver nenhum bloqueio, anúncios possam ser veiculados em sites e canais que divulgam conteúdo como discurso de ódio e ataques a autoridades, por exemplo. O Google informa que os anunciantes que utilizam as plataformas da empresa têm acesso a controles para impedir a veiculação de anúncios em sites e canais específicos ou por categoria.

VÍNCULO COM MINISTÉRIO – O relatório policial também afirma que há “vínculos, ainda não totalmente esclarecidos”, do grupo investigado por propagandear e promover os atos antidemocráticos com o Ministério da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos, comandado por Damares Alves. O documento aponta que a ativista de extrema direita e uma das coordenadoras do movimento “300 do Brasil”, Sara Giromini, ocupou um cargo na pasta, “sendo exonerada apenas em 15 de outubro de 2019”.

Os investigadores também apontam que Sandra Mara Volf Pedro Eustáquio, mulher do blogueiro Oswaldo Eustáquio, hoje tem cargo na Secretaria Nacional de Políticas de Promoção de Igualdade Racial na mesma pasta. Além delas, Renan Sena, que é investigado por envolvimentos nos atos anti-democraticos, foi terceirizado de uma empresa prestadora de serviços para o mesmo ministério.

A delegada destaca que “a natureza e a origem desses vínculos” entre essas pessoas e os agentes públicos que atuam no ministério “merece aprofundamento”. A PF busca esclarecer se essas contratações também podem ser uma forma de distribuir recursos públicos para propagadores e operadores dos atos antidemocráticos.

LEI DE SEGURANÇA NACIONAL – O inquérito sobre atos antidemocráticos foi solicitado pela Procuradoria-Geral da República (PGR) no fim de maio e tramita sob relatoria do ministro do STF Alexandre de Moraes. Em 16 de junho, a PF cumpriu 28 mandados de busca e apreensão contra suspeitos de envolvimento na organização desses atos. Também foi quebrado o sigilo bancário de 11 parlamentares investigados no caso. Os crimes sob investigação estão previstos na Lei de Segurança Nacional.

Em maio, O Globo mostrou que canais no YouTube que atacavam o STF e defendiam a intervenção militar receberam recursos de mídia programática de empresas estatais. Depois, a mesma prática foi identificada em anúncios da Secom. Em agosto, o Tribunal de Contas da União (TCU) determinou que a secretaria parasse de veicular anúncios em sites estranhos ao público-alvo das peças publicitárias.

O Globo procurou a Secom e o ministério dos Direitos Humanos. A Secom disse que não iria comentar. Em outras ocasiões, a secretaria afirmou não escolher os sites onde os anúncios de mídia programática são veiculados e que não fará “censura”. Já o ministério afirmou que Sara Giromini e Renan Sena, quando indiciados, “já não pertenciam ao quadro funcional do MMFDH” e que todos os membros da pasta estão à disposição para esclarecimentos necessários.

13 thoughts on “PF apura financiamento governamental a sites antidemocráticos e que propagam desinformação

  1. Esperemos que a Polícia federal faça jus à admiração que desperta no povo em geral e em mi em particular, realizando uma profunda investigação sobre o assunto e forneça o necessário material probatório legal para uma ação judicial, já que para nós, simples mortais, ainda não idiotizados, a conspiração está clara, assim como a luz que nos ilumina.

    • O Jair Messias deve entender que a sua punhalada foi dada por Adélio – não pelo povo.
      Nós não temos que sofrer a humilhação de ter um desmiolado espirocado no poder sem atenção até pelos que nada têm o que comer. È, sem sombra de dúvida, apenas um grande poltrão.

  2. Governo espúrio, incompetente, mal intencionado, de má fé e corrupto, esse de Bolsonaro.

    Desde que assumiu a presidência, venho alertando e escrevendo sempre a respeito de sua CRIMINOSA omissão sobre os desempregados, pobres e miseráveis.

    Um ano e nove meses transcorridos no poder, e este enganador, mentiroso, nada fez para amenizar os gravíssimos problemas sociais que aumentam a cada ano!

    O mais grave, e causador de comentários meus veementes, E QUE LAMENTO NÃO TER TIDO APOIO DE MUITOS COMENTARISTAS, refere-se à fome, conforme informação do IBGE, que cresceu 47% nos últimos anos nesta republiqueta comandada por corruptos, ladrões, assassinos e genocidas!

    Mas, o gabinete do ódio, de canalhas, de traidores desta nação e do povo, tem dinheiro para financiar seus ataques aos oponentes do presidente desclassificado, imoral e antiético!
    Verbas para enaltecer, incentivar o emprego … nem pensar!

    Se Lula, antes, tinha como intenção roubar o Brasil até não poder mais, Bolsonaro tem como objetivo matar o povo de fome!

    Quem, dos dois criminosos, seria pior?!

    Se o país quase faliu, e o povo está sendo dizimado de várias formas, Lula e Bolsonaro deveriam compor a próxima chapa à presidência da República.

    A plataforma seria, Os Exterminadores do Futuro, onde ambos ostentariam suas armas preferidas:
    Lula com a máscara na cara estilo ninja e um saco nas costas para levar os roubos e, Bolsonaro, equipado com um fuzil de moderno e com luneta para longas distâncias, matar o cidadão para seu prazer!

    Olha,pessoal, se antes eu não sonhava mais com o Brasil progredindo, agora nem durmo porque está sendo destruído!

  3. Deu no Antagonista

    O Congresso avança em várias frentes para arrebentar a Lava Jato e o combate à corrupção, mostram Helena Mader e Ana Viriato na Crusoé.

    O plano começou a ser gestado no fim de 2019, em meio à votação do pacote anticrime. Deputados inseriram contrabandos no texto original. Removeram a prisão após condenação em segunda instância e ainda introduziram a figura do juiz das garantias.

    Também inseriram armadilhas na Lei de Introdução às Normas do Direito Brasileiro e na alteração à Lei de Improbidade Administrativa, ainda em discussão.

    • Quando que abriremos uma frente nacional para arrebentar o congresso?!

      Quando que iremos nos arregimentar e combater a inflação prá valer, começando com varrer o legislativo, cerne do mal desse país e do povo?!

      Ou somos mesmo uma população de bundas moles, de cagões, de medrosos?

  4. Ultimamente, ouço alguns politólogos e sociólogos comemorarem com otimismo: “Os VALORES que o eleitorado atual exige dos candidatos, para assim determinar o seu voto; graças a Deus, mudou”. Eu também concordo: MUDOU de Bolsa Famílias para Renda Brasil.

  5. Sempre nutri pelas FFAA admiração e a convicção de que eram o norte moral da nação. Como demonstram, foram também uma grande decepção – desde o Pazuello que não é médico ao Mourão. Infelizmente é o que temos, queiramos ou não.

  6. INVEJA É UM CÂNCER QUE TRANSCENDE A GENTALHAS DE FAVELA:

    -EUA proibirão downloads de TikTok e uso do WeChat a partir de domingo
    Quem já tem o TikTok instalado poderá continuar a usar. Negociações entre a ByteDance, dona do app de vídeos, e a Oracle ainda precisam de aprovações da China e dos EUA.
    Por G1

    18/09/2020 09h37 Atualizado há 2 horas

    https://g1.globo.com/economia/tecnologia/noticia/2020/09/18/eua-proibe-apps-chineses-tiktok-e-wechat-a-partir-de-domingo.ghtml

    • Se foi o partido indenitário do PT, aqueles bosta, que fizesse isso, as bolsonaretes estariam reclamando de censura vindo dessa nojenta esquerda indenitária.

      Mas como isso está vindo do Trump, as trumpetes lá nos States comemoram e as bolsonaretes aqui apoiam como todo vira-lata norte-americanizado faz.

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