Presidente do INSS aconselha que ninguém deve antecipar a aposentadoria

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Charge sem assinatura, reproduzida do Google

Pedro do Coutto

Numa entrevista a Idiana Tomazelli e Adriana Fernandes, edição de ontem de O Estado de São Paulo, o presidente do INSS Renato Rodrigues Vieira aconselhou aos trabalhadores e trabalhadoras que têm tempo de serviço suficiente e de contribuição a não se aposentarem agora, pois a reforma não atingirá os direitos adquiridos, podendo assim esperar por um outro tempo.

A meu ver trata-se de um conselho contraditório e absurdo. Pois aqueles que têm tempo de serviço e de contribuição para o INSS o que vão ganharão retardando sua aposentadoria? Nada de financeiramente concreto. Somente podem continuar trabalhando para que o tédio não os atinja, como é o caso de grande número de pessoas.

ACERTO – Essa situação pode ser alcançada desde que os que possuem tempo para se aposentar acertem com as empresas, inclusive as estatais, a continuarem suas atividades na condição de segurados. Para esses não haverá diferença, pelo contrário, vão poder adicionar seus vencimentos com o valor da aposentadoria conquistada. Mas para as empresas será um alto negócio, porque nesse caso não precisarão mais contribuir para o INSS na base de 20% sobre a folha de pessoal. Há, inclusive, a perspectiva de contratar os mesmos empregados sob a forma de trabalho autônomo.

Renato Rodrigues Vieira não levou em consideração tal possibilidade. Ele até foi sincero ao dizer às repórteres que a despesa anual do Instituto é de 637 bilhões de reais contra uma receita de 421 bilhões. O déficit assim oscila em torno de 200 bilhões por ano. Foi importante ter tocado no assunto e feito a comparação, pois volta e meia aparecem técnicos do governo para apresentar dados sempre mais assustadores.

NA LÓGICA – Uma coisa pode ser colocada, uma vez que conduz a um raciocínio lógico. Se os aposentados continuarem trabalhando vão produzir e serão fontes de receita para o Instituto. E o INSS não terá despesas de aposentá-los amanhã. Antigamente, no governo Geisel foi criado o fundo chamado pecúlio. Ou seja, as quantias descontadas pelos aposentados que continuaram trabalhando formavam um fundo parecido com o FGTS e quando parassem de trabalhar teriam direito a sacar o produto de seus descontos.

Infelizmente o governo FHC, extinguiu esse pecúlio. Portanto, os aposentados que permanecem no mercado de trabalho contribuem sem nada em troca por parte da Previdência Social. Um alto negócio para o INSS pois recebe contribuição sem a devida distribuição.

Vale acentuar que, no caso das empresas estatais as aposentadorias geram despesas, uma vez que os fundos de pensão têm que cobrir a diferença entre o salário real de quem se aposenta com os vencimentos integrais estabelecidos de forma legítima. São reflexos que, não sei por que, os técnicos não levam em conta.

3 thoughts on “Presidente do INSS aconselha que ninguém deve antecipar a aposentadoria

  1. Realmente esse conselho do presidente do INSS é completamente sem sentido. E com certeza surtirá o efeito contrário, fazendo com todos os que tem condições de se aposentar corram para requerer o benefício. Fazer tanta questão de dizer que as pessoas não irão perder nada e devem esperar dá margem à desconfiança.

  2. Sobre o texto de Pedro do Coutto, faço alguns reparos:

    1. Quando um empregado de empresa privada ou estatal se aposenta pelo INSS, pode continuar a trabalhar normalmente, não precisando negociar sua nova condição e nem comunicar a empresa do fato novo; a aposentadoria não rescinde o vinculo empregaticio conforme decisão do STF a uns 10 anos atrás;

    2. Quando o empregado aposentado continua a trabalhar, o INSS continua a descontar do salário da ativa a parcela de contribuição (de 8 a 11%) e do empregador a parcela de cerca de 20%: somente cessa o desconto da contribuição do beneficio de aposentadoria.

  3. LUCIDEZ PÚBLICA: O presidente nacional do PDT, Carlos Lupi, condenou, em entrevista no fim de semana, a proposta de reforma da Previdência do governo Bolsonaro. “Não há hipótese de nós concordarmos, participarmos ou sermos lenientes com essa proposta nefasta para a sociedade brasileira”, disse Lupi. Para Lupi, não é matando a vaca que você resolve a doença que vem do carrapato: “Nós queremos curar esse processo. Para isso tem que ter transparência, tem que ter clareza desses números, quanto deve, quem deve, por que as isenções, por que as sonegações, por que o dinheiro da DRU não fica na Previdência, esses 30% que o Tesouro corta, e por que não inclui esses 40 milhões que estão excluídos”. https://horadopovo.org.br/reforma-da-previdencia-do-governo-e-nefasta-para-a-sociedade-diz-lupi/

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