Presidente do MDB descarta apoio a Bolsonaro ou Lula e cita a senadora Simone Tebet

O deputado federal Baleia Rossi (MDB-SP) Foto: Pablo Jacob / Agência O Globo 06-01-2021

Presidente Baleia Rossi fala mais por si do que pelo MDB

Paulo Cappelli
O Globo

Com políticos do MDB que defendem uma candidatura do próprio partido à Presidência, outros que sustentam o apoio a Lula, e ainda com parcela que tem preferência por Bolsonaro, a legenda inicia de forma mais incisiva, este mês, discussões para definir qual será a posição oficial da legenda na eleição do ano que vem.
Presidente nacional do MDB, Baleia Rossi (SP) afirmou ao GLOBO que, no momento, o apoio a Lula ou Bolsonaro estão descartados, pois essas hipóteses, diz, sequer estão sendo aventadas nas conversas envolvendo a cúpula da sigla.

CANDIDATURA PRÓPRIA – Baleia afirma que o consenso é o lançamento de uma candidatura própria. E acredita que, caso um nome da sigla não venha a se mostrar competitivo, o melhor caminho para o MDB seria abraçar uma candidatura externa de centro, como João Doria (PSDB-SP), Luiz Henrique Mandetta (DEM-MS) ou Luciano Huck (sem partido).

Para Baleia, Doria é nacionalmente reconhecido pelo empenho na vacinação contra a Covid-19, mas precisaria melhorar sua popularidade na própria São Paulo para se tornar viável no ano que vem. Mandetta, por sua vez, é visto pelo dirigente emedebista como um nome que ganhou projeção ao participar dos debates quando era ministro da Saúde e tem a imagem associada à defesa da ciência. Huck, por sua vez, seria eleitoralmente um bom nome, de fácil assimilação, mas precisaria demonstrar mais interesse no pleito presidencial.

PÉ DE IGUALDADE —  “Esses três nomes estão em pé de igualdade. E não temos discutido internamente o apoio a Lula ou Bolsonaro. A decisão interna é por uma terceira via. Um candidato mais ao centro, mais equilibrado, que entregue mais e tenha mais empatia com a população, que são as características do MDB. Hoje está descartado o apoio a Lula ou Bolsonaro”  — disse Baleia, ressaltando, contudo, que começará este mês a fazer consultas formais a deputados federais, senadores e presidentes estaduais dos partido sobre 2022.

Em conversas com dirigentes dos partidos, Baleia tem dito que o MDB “seria prejudicado” se “caminhasse com algum dos extremos”. O presidente da sigla reconhece que há políticos influentes da legenda que defendem apoio a Lula, principalmente no Nordeste, e a Bolsonaro, especialmente no Sul, e sustenta que uma forma de unificar o partido seria lançar uma candidatura da própria legenda.

SIMONE TEBET – Baleia afirma já ter conversado com o ex-presidente Michel Temer sobre entrar na disputa, mas que isso foi descartado. E, nesse cenário, o nome ao qual se refere com mais entusiasmo é o da senadora Simone Tebet  (MS), embora também cite os governadores Renan Filho, de Alagoas, e Ibaneis Rocha, do Distrito Federal.

— A Simone tem muito potencial para crescer. Foi a primeira mulher candidata à presidência do Senado e se saiu muito bem este ano   — avalia.

Mas a defesa de uma candidatura própria tem dificuldades internas. O senador Renan Calheiros (MDB-AL), por sua vez, afirma que o partido só poderia ir para esse rumo caso ela venha a se mostrar viável do ponto de vista eleitoral.

EXEMPLO DE MEIRELLES —  Nós, do MDB, sonhamos há muitos anos em ter candidatura própria e competitiva à Presidência, porque isso ajuda a alavancar os palanques regionais. É o que queremos. Em 2020, fomos o partido que mais elegeu prefeitos nas capitais e grandes cidades. Temos vitalidade para isso. Mas lançar um nome sem competitividade à Presidência, como na eleição passada (quando Henrique Meirelles foi candidato), não adianta. Em vez de ajudar, só atrapalha os palanques regionais. Por isso, temos que aguardar para ver se nosso nome para 2022 vai se corporificar na sociedade, atrair partidos  — avaliou o senador Renan Calheiros que defende o apoio a Lula.

“Sinceramente, acho que o apoio do MDB a uma dessas candidaturas alternativas de centro é um caminho difícil de acontecer. Lula leva vantagem sobre Doria, Huck e Mandetta não apenas pela polarização com Bolsonaro ou pela probabilidade mais alta de ganhar. É pelo próprio perfil do Lula, que atrai o centro no qual o MDB está inserido. É uma tendência o meu apoio a ele caso o MDB não tenha candidato, mas ainda não posso colocar como uma coisa consumada”, disse Renan.

TERCEIRA VIA – Citada por Baleia como possível presidenciável, a senadora Simone Tebet afirma ser necessário o MDB participar de um debate com os partidos de centro sobre a construção de uma terceira via.

“O MDB tem todas as condições de ter uma candidatura própria. Mas acho que o mais importante é estarmos na mesa de discussão com os demais partidos de centro. Seja para definirmos um nome próprio, compor com alguma chapa… A sociedade brasileira cansou do radicalismo e da polarização e está entendendo que política se faz pelo caminho do meio, do equilíbrio” — avalia a senadora.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
O MDB, sinceramente, mais parece um tucano sem bico. São iguais em tudo, inclusive na corrupção sistêmica. Saudades de Ulysses Guimarães, Tancredo Neves, Freitas Nobre e da ala dos autênticos... (C.N.)

6 thoughts on “Presidente do MDB descarta apoio a Bolsonaro ou Lula e cita a senadora Simone Tebet

  1. A velha “prostituta” da política nacional, já esta a venda. Leva quem pagar mais.
    Este partido, MDB, gostou tanto dos tempos da ditadura militar, que é o único que preserva até hoje, o nome dado pelo Golbery.
    Quando foi criado o bipartidarismo, criou-se a ARENA, que seria a sigla da ALIANÇA RENOVADORA NACIONAL.
    O então MOVIMENTO DEMOCRÁTICO BRASILEIRO, a tal oposição consentida, criada para “inglês ver”, deveria ser chamada de MODEBRA, mas o nome não pegou, e se tornou apenas MDB.
    Na reforma partidária, criada também pelo Golbery, justamente para acabar com o MDB, o partido continuou insistindo no nome, acrescentando apena o P, porque a nova legislação exigia que partido começasse com a palavra “partido”.
    Acredito que este partido continuará com o mesmo nome, até que haja uma nova ditadura, sendo ela de que lado for.
    A senadora Simone Tebet, que foi rejeitada pelo partido para a presidência do senado, realmente seria alguma coisa nova e diferente na política brasileira. Mas duvido que consiga sobrepujar o caciquismo machista do partido.

  2. Esses m…., deveriam arrumarem o que fazer.
    Já está por demais cansativo ficar ouvindo estes picaretas descarados.

    A tempo, sem descriminação.
    Todas as facções, quis dizer “partidos”…

  3. Não sei se merecem tanta saudades assim, pois se tivessem querido, o projeto “Diretas Já” teria passado, pois os militares na ocasião já estavam doidos para ‘cair fora’.
    PS: Ficaram com medo do Brizola.

  4. O “velho de guerra” já se governa sem ele, se tentarem candidatura própria sabem que vão passar vergonha como passaram com o Meirelles. A Simone Tebet cairia bem, é mulher e não tem processo na suprema corte contra ela. Os demais só viriam para dizer que vieram.

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