Privatização da Eletrobrás é sinônimo de aumento das tarifas de energia

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Ilustração reproduzida da RedeTV!

Pedro do Coutto

O projeto que o Presidente Michel Temer vai enviar ao Congresso propondo a privatização da Eletrobrás, reportagem de Manoel Ventura e Marta Beck, O Globo desta segunda-feira, prevê aumento das tarifas de energia a serem pagas pelas famílias brasileiras e também pela indústria, comércio, e pelo setor de serviço. Manoel Ventura e Marta Beck acentuam que, pelo texto do governo, a capitalização obtida pela colocação de ações no mercado vai assegurar o pagamento dos novos contratos de concessão das 14 hidrelétricas que hoje operam no país. Atuam hoje com preços fixos. Depois do vendaval da privatização, porém, passarão a ser remuneradas pelos preços de mercado, com tarifas mais altas que as atuais.

Essa face da iniciativa do Planalto refletirá inevitavelmente nos índices de inflação, uma vez que atingirá a produção industrial e o funcionamento do comércio no país, forçando assim que esses dois setores transfiram os novos custos para o mercado consumidor.

CUSTO DE VIDA – Portanto, a elevação tarifária vai influenciar o aumento do custo de vida, sobretudo porque a produção e o comércio, como sempre, vão repassar a diferença entre as tarifas de hoje e as de amanhã. O projeto do governo exclui da privatização a hidrelétrica de Itaipu e a Eletronuclear. Sem essas unidades o governo pretende criar uma nova estatal. Itaipu  é binacional e assim tem o Paraguai como sócia. A Eletronuclear, com base na Constituição, não pode ser privatizada.

Isso de um lado. De outro, a proposição a ser votada pela Câmara dos Deputados e Senado Federal, com base na matéria de O Globo, não faz qualquer referência à situação dos empregados, abrangendo aqueles do quadro efetivo que têm direito à aposentadoria complementar a cargo dos Fundos de Pensão. Mas este é outro assunto.

VELHO CHICO – O projeto salienta que a nova Eletrobrás receberá a missão de recuperar o rio e o Vale do São Francisco. Tenho a impressão que já existe uma companhia estatal para tal tarefa. Seria assim colocar na esfera da nova Eletrobrás as obras que se realizam no Velho Chico.

O governo decidiu manter o poder de voto e veto na empresa que surgir reunindo as 14 hidrelétricas que funcionam no país. A revitalização do Rio São Francisco passará a ser encargo da Eletrobrás que emergir da votação do Congresso. O texto de Brasília certamente receberá muitas emendas, como é natural entre as quais, as que tratam dos vínculos de emprego nas empresas que hoje formam a holding.

SEM BLOCOS – Uma das exigências contidas na mensagem é a de que os acionistas minoritários não poderão formar blocos que, somados, não poderão ultrapassar o limite de 10%. Não poderão trocar o nome da empresa.

O governo Temer prevê a aprovação do projeto até o final de dezembro, porém surgirão dificuldades, uma delas o peso da política partidária sobre a administração pública. Outra a formação de capital na escala de 12,2 bilhões de reais, patamar muito abaixo do real valor das empresas do sistema elétrico de hoje.

Além do mais esses 12,2 bilhões serão dividido em três partes: uma para a União, outra para a Conta de desenvolvimento Energético (CDE) e a fração final para a Eletrobrás. A CDE funcionará à base de um fundo destinado a socorrer problemas acarretados pelo acionamento de termoelétricas , cujos os preços de comercialização são bem mais elevados que os da produção hidrelétrica.

A sorte está lançada. Vamos ver como se desencadeiam os debates e as decisões nesta fase final que marca o crepúsculo do governo antes das urnas de 2018.

6 thoughts on “Privatização da Eletrobrás é sinônimo de aumento das tarifas de energia

  1. Levando-se em conta que a privatização da telefonia no Brasil* democratizou e popularizou o acesso aos telefones, penso que a privatização no setor elétrico também pode ser benéfica, desde que feita com MUITO critério técnico e MUITA honestidade, algo ainda raro neste Brasil.

    *Depois Lula acabou dando um tiro de canhão nas conquistas da privatização, quando permitiu (em troca de muita propina) a geração de um dinossauro chamado “Oi”, que hoje agoniza.

  2. Nós como Desenvolvimentistas-Nacionalistas- Intervencionistas ( admitimos a ação do Estado na Economia), KEYNESIANOS portanto da Linha LACERDISTA de CARLOS LACERDA, entendemos que a Economia Brasileira ficaria mais eficiente, teria mais PRODUTIVIDADE, se a Eletrobrás fosse vendida “exclusivamente” para Empresas com MATRIZ NO BRASIL.

    Como provavelmente serão vendidas para o Capital Internacional, principalmente Chineses, o LUCRO será remetido para a Matriz no Exterior, o que enfraquece a nossa Economia Interna.

    A vender a Eletrobrás para Empresas com Matriz
    no Exterior, é melhor deixar como está.

    • Talvez então fosse bom vender a Eletrobras para algumas “honestas” empresas de “matriz brasileira”, como por exemplo: Odebrecht, Queiroz Galvão, Andrade Gutierrez, Camargo Corrêa, OAS, CR Almeida, Galvão Engenharia, Mendes Júnior, dentre outras.

      Essas nunca se envolvem em propinas, e nem mandam dinheiro para fora…

  3. Prezado Sr. JUCA VALO,

    A nosso ver, entre vender a Eletrobrás para uma Empresa com Matriz no Exterior, que manda seu LUCRO para fora, e com toda razão, ela faz o que achar mais conveniente com seu Capital, e vender para “honestas” Empresa com Matriz no Brasil, como as citadas pelo senhor, para a Economia Nacional como um todo, a segunda hipótese, venda para “honestas” Empresas Nacionais, é mais produtivo.
    Veja, que as “honestas” Empresas Brasileiras que burlaram a Lei, estão pagando Preço caro, e não farão mais isso.

    Acho que o senhor concorda conosco, que um País só dará Alto Padrão de Vida para seu Povo, especialmente os mais Pobres ( +- 30 % de nossa População) se conseguir Desenvolver uma Economia Autônoma e Soberana, ter Políticas Tecnológicas e Industriais e tendo a maioria de suas grandes Empresas com Matriz no País.
    Abrs.

    • Bortolotto, eu só concordo com o que é feito dentro do conceito resumido na frase abaixo:

      – “Os fins NUNCA justificam os meios”.

      Ou seja, nem em pensamentos eu me permito tecer ideias ou projetos que tenham qualquer carga de deslizes morais, alegando que o resultado será benéfico para o país.

      Se não entendeu a minha linha de raciocínio, volte à frase acima quantas vezes for necessário.

      De qualquer forma, respeito o seu livre arbítrio, ou seja, o seu direito inalienável de ter suas próprias linhas de pensamentos.

  4. Claro que não.
    Se privatizar essa Eletrossauro, as tarifas cairão primncipalmente pela reducao da corrupção e pela diminuição do custo dos salarios dos marajas mantidos em seus cabides por políticos corruptos.Isso é indiscutível.
    Acrescenta-se que o estado terá maior poder de fiscalização pois não contará mais com a complacência de funcionarios parasitas que estão lá por indicação dos seus donos.
    Triste matéria do Couto que nao observa o óbvio ou não pode falar a verdade.
    Vamos pensar mais no Brasil e menos em nossos interesses.

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