Projeto de exploração econômica da Amazônia ameaça causar um boicote mundial ao Brasil

Resultado de imagem para desmatamento charges

Charge do Junião (Arquivo Google)

Carlos Newton

O repórter Manoel Ventura deu um grande furo em O Globo, ao anunciar que o governo federal está finalizando um projeto de lei a ser enviado ao Congresso que dispõe sobre a exploração econômica de terras indígenas, uma das promessas de campanha do presidente Jair Bolsonaro. A proposta autoriza não apenas a mineração nessas áreas, mas é bem mais ampla, prevendo a possibilidade de construção de hidrelétricas, exploração de petróleo e gás, além de permitir “o exercício de atividades econômicas, pelos índios em suas terras, tais como agricultura, pecuária, extrativismo e turismo”.

No caso da agricultura, a proposta do governo torna possível até “o cultivo de organismos geneticamente modificados, exceto em unidades de conservação”, ou seja, seria liberado inclusive plantio de transgênicos.

JUSTIFICATIVA  – Diz o repórter Manoel Ventura que a justificativa do projeto foi encaminhada ao Palácio do Planalto pelos ministros de Minas e Energia, Bento Albuquerque, e da Justiça, Sergio Moro. No texto, eles defendem que a não regulamentação da atividade “traz consequências danosas para o país”, como o não pagamento de compensações financeiras e tributos; ausência de fiscalização do aproveitamento de recursos minerais e hídricos; riscos à vida, à saúde, aos costumes e tradições dos povos indígenas; e conflitos entre empreendedores e indígenas.

Na teoria, tudo bem. A proposta é altamente benéfica ao país, mas a reação internacional será altamente negativa. O projeto precisa ser acompanhado por atitudes claras do governo em defesa da preservação da Amazônia. Caso contrário, haverá um boicote internacional ao Brasil, de proporções incalculáveis.

 A Constituição autoriza a exploração de minérios em terras indígenas, porém jamais houve regulamentação dessa norma. Conforme já revelamos aqui na TI, esse dispositivo legal  foi aprovado a pedido dos próprios povos indígenas. Como não houve regulamentação, os caciques passaram a organizar a explorações de ouro em suas terras. Assim, dos últimos oito garimpos que a Polícia Federal desfez na reserva Yanomami, seis deles tinham sido implantados pela própria tribo.

PROJETO ARRISCADO – Não há duvida de que o projeto é necessário para o desenvolvimento da Amazônia e do país. O que se deve perguntar é se será oportuno. A Amazônia é considerada pelos países desenvolvidos como um santuário natural, esta é a realidade. Para a opinião pública mundial, trata-se de um patrimônio da Humanidade, não interessa a soberania brasileira. A opinião pública internacional jamais aceitará a derrubada da maior floresta do mundo para atividades predatórias, como a extração mineral.

O governo melhor faria se empreendesse uma campanha publicitária para mostrar que nossa legislação ambiental é a mais moderna do mundo e desde a adoção do Código Florestal, há apenas oito anos, o Brasil se transformou no país que mais recupera áreas verdes no mundo.

Hoje, toda propriedade rural brasileira precisa manter 20% de reserva florestal. Se for localizada no bioma do Cerrado, o percentual sobe para 35% e na Amazônia vai para 80%;

VAMOS CHAMÁ-LOS  – O governo precisa convidar Leonardo DiCaprio, o Príncipe Charles e outros filantropos famosos, para levá-los a sobrevoar o Estado de São Paulo, onde os fazendeiros já recuperaram uma extensão territorial  equivalente à soma de todas as áreas de conservação ambiental existentes no Estado.

Vamos mostrar ao mundo que, com a adoção do Cadastro Ambiental Rural, será possível multar os desmatadores usando as fotos de satélite, como se faz com os motoristas que são fotografados ultrapassando a velocidade máxima nas rodovias.

O governo tem obrigação de limpar a imagem dos brasileiros e mostrar que somos o povo mais preservacionista do planeta e estamos transformando o Brasil numa imensa Amazônia fatiada, levando adiante o maior projeto ambiental do mundo, em benefício de nosso país e da própria humanidade.

###
P.S.
1Bem, sonhar não é proibido nem paga imposto, e este blog é assumidamente utópico. Se o governo do Brasil não fosse tão incompetente e as autoridades tivessem um conhecimento mínimo do que acontece por aqui, o país poderia estar recebendo bilhões e bilhões de dólares para apoiar esse grandioso programa ambientalista, de modo a que possamos melhorar a fiscalização por satélite, aplicar as multas e combater desmatamentos e  queimadas.

P.S. 2O problema é que as autoridades brasileiras são toscas e incultas. Como na canção “Querelas do Brasil”, de Maurício Tapajós e Aldir Blanc, gravada por Elis Regina em 1978, “o Brazil não conhece o Brasil, o Brasil nunca foi ao Brazil”. É verdade. Mas no dia em que os governantes brasileiros conhecerem o Brasil, poderemos então repetir Vinicius de Moraes e cantar: “Que maravilha viver”. (C.N.) 

7 thoughts on “Projeto de exploração econômica da Amazônia ameaça causar um boicote mundial ao Brasil

  1. FHC, Lula e Dilma fizeram tudo de ruim e os que estavam de acordo nada boicotaram, senão vejamos, em: “”Abrolhos!”

    “PT CONVIDA JUIZ PARA LANÇAMENTO DA CANDIDATURA LULA 2018.

    Dr Hélio Martins da comarca de São João del Rei recebe um convite do deputado Reginaldo Lopes do PT para o lançamento de Lula 2018 e diz o que todos deveriam dizer.

    Exmo. Senhor Deputado Reginaldo Lopes, em que pese o profundo respeito que tenho pela atuação parlamentar de V. Exa., não é hora de lutar para salvar pessoas, mas sim o País, atolado no caos econômico, na recessão, no desemprego, na violência e na vergonha internacional onde agentes políticos e públicos protagonizam o maior caso de corrupção de que se tem notícia na história da humanidade.
    Quero, como tantos outros brasileiros com capacidade de discernimento e compreensão, que se faça justiça!!!
    Que todos aqueles que se apropriaram de recursos públicos paguem por tão grave crime, além de devolver o que indevida e criminosamente levaram, privando o cidadão de saúde, educação, segurança, infraestrutura dentre outros. Todos, indistintamente, como republicanamente deve ocorrer, sejam do PT, do PMDB, do PSDB ou de qualquer outro partido político devem responder pelos crimes cometidos. Lugar de ladrão é na cadeia!!!
    Lula foi processado, julgado e condenado no primeiro processo, sob a égide dos princípios constitucionais do devido processo legal e da ampla defesa.

    Sou juiz de primeira instância, ou de piso, como gostam de dizer. Juiz de carreira, com muito orgulho! Submetido, como em todos os concursos públicos para membros da Magistratura e do Ministério Público, a provas de conhecimento de elevadíssimo nível de dificuldade, além de exames psicológicos, e rigorosa investigação social. Aqui não tem princípio de presunção de inocência não, senhor Deputado. Qualquer “ derrapada” na vida social tira o candidato do certame. Não somos escolhidos por agentes políticos. Somos independentes, como manda a Constituição. A Magistratura e o Ministério Público brasileiro, a que me refiro, merece, pois, absoluto respeito!
    Desta forma, falar em “golpe” e envolver o judiciário nesta trama é, no mínimo menosprezar inteligência das pessoas.
    Me causa total estranheza ver V. Exa. se referir às “elites” como posto em seu texto. Afinal o PT se aliou às “elites” para alcançar o poder. Foram integrantes da ala da “elite” mais elevada deste país que proporcionaram o desvio de dinheiro público em benéfico não só do partido, mas daqueles que já estão condenados ou sendo processado. Basta verificar as doações para campanhas eleitorais passadas. Então a “elite” que abastece de recursos, é a mesma elite “golpista”? Não há uma gritante incoerência na sua proposição? Não há uma incoerência ideológica por parte daqueles agentes políticos e públicos já condenados ou processados, que pregam distribuição de renda, mas se enriquecem às custas do trabalho alheio das “elites” através do achaque? Este comportamento é moralmente aceitável? Para mim isso tem uma definição: bandidagem!
    Me desculpe a franqueza, senhor Deputado, mas Lula, assim como aqueles que já estão condenados e aqueles que estão sendo processados, não estão nem aí para o Estado Democrático! De fato querem poder. Só poder. Poder eterno sobre tudo e todos.
    E poder a todo custo é sinônimo de tirania! Basta! Basta! Basta!
    Quem conhece realmente história sabe muito bem que os criminosos anistiados do passado, não praticaram ações violentas em nome de democracia, mas para imporem o regime que entendiam ideologicamente adequado. Ditadura! Igualmente ditadura!

    Ainda que compreenda seu alinhamento político partidário, senhor Deputado, não se permita, em homenagem à sua história de vida, descer ao nível da excrescência das mentiras deslavadas, como as protagonizadas publicamente pelo ex-presidente Lula, e tantos outros, desprovidos de dignidade e decoro, sustentando o insustentável.
    Desejo ao senhor e sua família um Ano Novo abençoado.
    Que sua luta seja de fato pelo povo e não por pessoas!”

  2. Desta vez concordo com o artigo em muitos pontos.

    Devemos sim explorar a amazônia, mesmo porque isto não significa destruí-la.

    A amazônia é imensa e possui incontáveis áreas que podem ser exploradas por qualquer atividade, sem prejudicá-la.

    Isso tem que ser bem explicado para o mundo, com respaldo científico e com todo tipo de material de divulgação possível, incessantemente para mostrar a realidade dos fatos.

    O Alaska, a amazônia americana, está aí para mostrar como se pode fazer isso.

  3. -Na Amazonia não pode.
    -Mas no Artico pode!

    “Debaixo do gelo do Ártico há petróleo suficiente para encher 83 bilhões de barris. É o triplo do estimado para o pré-sal brasileiro.
    Tem também gás natural para abastecer o planeta todo por 14 anos.
    Isso dá ao Ártico 20% dos combustíveis fósseis ainda não explorados no mundo.
    E não para por aí: há minérios como ferro, carvão, urânio. E ouro. E diamantes.

    De olho na riqueza, Canadá, Estados Unidos, Noruega, Rússia e Groenlândia estão investindo em expedições científicas, propaganda, pressão militar e discussão diplomática para dividir a região.

    A última partilha de território dessa proporção aconteceu na virada para o século 20, quando europeus retalharam a África no auge do colonialismo.”

    Artigo completo:
    https://super.abril.com.br/ideias/guerra-gelada-a-disputa-pelo-petroleo-debaixo-do-artico/

    • Claro que pode, o Ártico está no quintal desses conscienciosos protetores auto-nomeados do planeta, onde eles podem fazer o que bem quiserem ao contrário da Amazônia, que fica bem no território daquilo que o personagem de Danny de Vito, no filme “Romancing The Stone” (“Tudo Por Uma Esmeralda”, nestas bandas), chamava de “Third-World Toilet”.

  4. Estimado CN, além de toscas e incultas, chefiadas por um tara…, melhor deixar pra lá. Mas incomparavelmente melhores, digamos, que qualquer vagabundo petista. Oremos! Abraço.

  5. Interessante essa parte do artigo onde está escrito “A proposta é altamente benéfica ao país, mas a reação internacional será altamente negativa. ”

    É claro, pois trata-se da única parte do planeta rica e habitável. Ou o Brasil a ocupa ou os malandros internacionais a ocuparão. Simples.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *