PSL tenta arrumar a casa após saída de Bolsonaro e busca novas alianças para ampliar base para 2020

Charge do Cazo (humorpolitico.com.br)

Deu no Correio Braziliense

Abrigo da família Bolsonaro nas eleições do ano passado, o PSL prepara um reposicionamento político e estratégico após a anunciada saída do presidente da República, que pretende criar uma legenda. Para ampliar sua base nas eleições de 2020, o partido fala agora em se aproximar de governadores e formar alianças que antes esbarravam na resistência dos bolsonaristas.

A expectativa entre os aliados do deputado Luciano Bivar (PSL-PE), presidente e fundador do partido, é que a dissidência deve reduzir a bancada de 53 deputados para um número entre 27 e 30 parlamentares. Isso não afetaria, porém, o tempo de TV no horário eleitoral nem os R$ 358 milhões que o PSL terá para gastar no pleito de 2020 — R$ 245 milhões do Fundo Eleitoral e R$ 113 milhões do Fundo Partidário. O cálculo é com base na bancada eleita em 2018.

COBIÇA – Com esse ativo, o partido se tornou um aliado cobiçado. Em São Paulo, a sigla tem conversado com o governador João Doria e pode formar uma chapa com o PSDB na disputa pela prefeitura da capital.  A ideia de reunir Bruno Covas e a deputada federal Joice Hasselmann é defendida abertamente por Doria, que é visto como adversário político por Bolsonaro.

A aproximação com o PSDB também ocorre no Rio Grande do Sul, onde a parte da legenda ligada a Bivar discute alianças com o governador Eduardo Leite (PSDB). O movimento existe a despeito de o presidente do partido no estado, deputado federal Nereu Crispim — aliado de Bolsonaro —, ter anunciado, na sexta-feira, a saída da legenda da base de Eduardo Leite.

DEMOCRATAS – Conversas também são conduzidas na Bahia, onde o PSL constrói pontes com DEM para disputar a prefeitura de Salvador. No Rio, após romper com Wilson Witzel (PSC), o PSL pós-Bolsonaro se reaproximou do governador e articula uma aliança para a disputa pela capital fluminense.

“O PSL pode somar com seu tempo de TV e fechar com o Republicanos e PSDB, por exemplo. O partido pode compor a vice (nos estados)”, disse o deputado federal Junior Bozzella (SP), um dos mais próximos aliados de Bivar. A cúpula do PSL ambiciona conquistar entre 300 e 500 prefeituras em 2020.

CRÍTICAS – Entre as capitais, estão colocadas as pré-candidaturas de Joice em São Paulo, do deputado estadual Fernando Francischini em Curitiba e do radialista Nilvan Ferreira em João Pessoa. O movimento de se abrir para alianças é alvo de críticas do grupo leal a Bolsonaro.

“Depois da janela partidária, o PSL vai virar um partido fisiológico. O partido não existe sem os Bolsonaro”, disse o deputado estadual Douglas Diniz (PSL-SP), que pretende migrar para o novo partido do presidente.

DISCURSO – Além de adotar uma linha mais pragmática, o “novo” PSL planeja repaginar o discurso para atrair o eleitor de direita que rejeita o estilo beligerante e a agenda militarista de Bolsonaro. O partido deve manter o mote conservador nos costumes e liberal na economia, mas vai abandonar a agenda ideológica bolsonarista representada pelo escritor Olavo de Carvalho.

“O PSL será realmente alinhado com as bandeiras liberais na economia e não um partido nacionalista travestido de liberal. A parte do partido que está saindo é militarista, nacionalista e não liberal de fato”, disse Joice, ex-líder do governo no Congresso. Segundo ela, os dissidentes bolsonaristas não são “PSL raiz”. “São xiitas que desrespeitam a democracia e atacam as instituições”, disse.

RADICALISMO – Para Bozzella, sem os Bolsonaro, o PSL pretende deixar de lado o tom radical no discurso e se contrapor aos extremos. “Há um extremismo autoritário no ‘olavismo’ que é extremamente ideológico. A postura entre as pessoas que cercam esse grupo é beligerante. Usam um tom ríspido, desrespeitoso, agressivo e próximo ao que vemos o Olavo de Carvalho fazer nas redes sociais”, disse o deputado.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOGUm dia juntos, outros nem tanto, em uma vai e vem sem regras. Não há pudor, princípios são secundários e quem não estiver satisfeito é só sair pela esquerda. Ou pela direita. Vai do gosto do freguês. Assim é a vida partidária. O mais irônico, assistindo da “plateia”, é perceber a tentativa dos “atores” deste circo em convencerem a todos que o outro, antes amigo fraterno, é agora um imprestável traidor. E o que antes era oposição, agora se mostra uma bela opção para aproximação. Ninguém é inocente neste enredo. Vale o quanto pesa. E se o “fundo” for atrativo, as coisas ficam muito mais fáceis. (Marcelo Copelli)

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