Quebrar o termômetro para acabar com a febre

Carlos Chagas

Não faz muito os ministros Gilmar Mendes e Joaquim Barbosa só faltaram sair no tapa, em plena sessão do Supremo Tribunal Federal.  No governo, os ministros Alfredo Nascimento e Carlos Minc tratam-se aos palavrões. Por que o Senado seria diferente? O espetáculo de baixaria explícita encenado por Renan Calheiros e Tasso Jereissati segue o mesmo modelo.

Nossas instituições são o reflexo da nação. Nem melhores nem piores do que a sociedade nelas refletida. Tem sido sempre assim através dos tempos, apenas com a diferença de que agora tudo, ou quase tudo, é transmitido pela televisão.  Sendo assim, a culpa é das telinhas.

O raciocínio, por mais abominável que  pareça, freqüentou o Supremo Tribunal Federal e por pouco não se corporificou na proibição de as sessões daquela corte serem transmitidas ao vivo. A sugestão era para editá-las,  primeiro. Agora, a excrescência mudou-se   para o Senado. Aliás,  já prevalece no Executivo,  porque nenhuma das reuniões do ministério pode ser acompanhada pelos telespectadores.

Neste  fim de semana circulava pelo Senado  a proposta do restabelecimento da censura. Para começar, nos meios eletrônicos oficiais. No caso, na TV-Senado.  Depois, certamente, nas empresas privadas. Assim, os entreveros  deixariam de ser conhecidos  e todos poderiam lambuzar-se, senão  em paz, ao menos em segredo.

É bom tomar cuidado. A censura  depende daqueles que detém os instrumentos para censurar. Para acabar com a febre, querem quebrar  o termômetro.

Dos onze, sete são dele

Fala-se dos ministros do Supremo Tribunal Federal. Foram indicados pelo presidente Lula: Cezar Pelluso, Carlos Ayres de Brito, Joaquim Barbosa, Eros Grau, Ricardo Lewandowski, Carmem Lúcia Rocha e Carlos Alberto Meneses Direito.

Dos demais, Celso de Mello foi nomeado por José Sarney, Marco Aurélio de Mello, por Fernando Collor e Ellen Gracie e Gilmar Mendes, por Fernando Henrique Cardoso.

Por que se apresenta essa relação? Porque caso a candidatura Dilma Rousseff não decole, só restará ao PT e aliados a proposta da continuação do presidente Lula no poder, disputando um novo período ou tendo seu mandato prorrogado.  Seria necessária alteração constitucional, coisa  que o combalido Congresso aprovaria  em quinze minutos. Logo as oposições recorreriam ao Supremo, argüindo inconstitucionalidade. Nessa hora, a fatura seria apresentada.

Armações futuras

Termina ano que vem o mandato dos senadores Tasso Jereissati e Patrícia Gomes. O deputado Eunício Oliveira, futuro presidente nacional do PMDB, é candidato certo. O ministro da Previdência Social, José Pimentel, também.  Patrícia  já se conformou em não disputar a reeleição, devendo candidatar-se à Câmara dos Deputados. Tasso não tem certeza de ser escolhido e  joga seus  cacifes na candidatura José Serra à presidência da República. Será ministro, no caso da vitória do governador paulista. Talvez por isso ande tão inquieto e explosivo.

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