Queiroz depõe de novo e tenta isentar Flávio Bolsonaro da exploração de ‘rachadinhas’

O ex-assessor Fabrício Queiroz, na varanda do apartamento onde cumpre prisão domiciliar 13/07/2020 Foto: Reprodução

Fabricio Queiroz cumpre sua prisão domiciliar neste apartamento

Deu em O Globo

Em depoimento ao Ministério Público Federal enquanto ainda estava preso em Bangu 8, Fabrício Queiroz afirmou que teve contato com o então deputado Flávio Bolsonaro para dar “satisfação” sobre o caso da rachadinha. O ex-assessor falou na condição de testemunha, que não lhe dá direito de permanecer em silêncio, no inquérito que apura a suspeita de vazamento da Operação Furna da Onça. As informações foram divulgadas pelo Jornal Nacional.

“Eu tive um contato com o senador — ele não era senador, era deputado, mas já estava eleito. Eu dei satisfação a ele do que aconteceu. Ele estava muito chateado, revoltado. Ele falou: ‘Não acredito que tu tenha feito isso, não acredito’.

SEM RACHADINHA – Segundo o advogado Paulo Emílio Catta Preta, Queiroz disse ter dado explicações sobre os fatos investigados e nega existência de “rachadinha”, prática ilegal de devolução de salários dos servidores do gabinete de Flávio na Assembleia Legislativa do Rio (Alerj).

O ex-assessor disse que não se recordava de ter entrado em contato com Jair Bolsonaro após a repercussão do caso. Queiroz também disse ao MPF que “esperava” ser nomeado para trabalhar no gabinete de Flávio no Senado ou no do então presidente eleito Jair Bolsonaro no fim de 2018, antes de vir a público o relatório do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) que apontou movimentações atípicas no valor de R$ 1,2 milhão nas suas contas.

“Com um ou com outro”, respondeu, ao ser questionado pelo procurador. O MPF então pergunta: “Em Brasília?”. “Era o certo, não é? Acho que sim. Só se eles não quisessem”, responde Queiroz.

VAZAMENTO DA PF – Esse foi o segundo depoimento prestado por Queiroz desde que foi preso na Operação Anjo, deflagrada no último dia 18 de junho — ele foi preso em um imóvel pertencente a Frederick Wassef, advogado da família Bolsonaro. Na segunda, ele também foi ouvido pela Polícia Federal e deu declarações de teor semelhante.

A investigação do MPF apura suspeitas de vazamento na Operação Furna da Onça. O empresário Paulo Marinho disse que a equipe de Flávio Bolsonaro recebeu um vazamento da Polícia Federal do Rio avisando que foram detectadas movimentações financeiras atípicas de Queiroz e que ele foi demitido do seu cargo por isso.

Queiroz voltou a dizer que não teve conhecimento desse vazamento e que sua saída do gabinete de Flávio na Assembleia Legislativa no Rio se deu a pedido dele próprio, como havia dito em depoimento à Polícia Federal.

PELA IMPRENSA – Também afirmou que tomou conhecimento apenas pela imprensa, no início de dezembro, do relatório do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) que apontou que movimentação de R$ 1,2 milhão entre janeiro de 2016 e o mesmo mês de 2017 em suas contas.

O ex-assessor disse que não chegou a conversar com Flávio sobre uma possível nomeação ao Senado. “Apenas esperava que isso viesse a ocorrer devido aos bons serviços que prestou durante a candidatura”, afirmou.

Disse que foi por causa da expectativa de ir para Brasília que Queiroz pediu demissão, ainda em outubro, do seu cargo no gabinete de Flávio na Assembleia Legislativa do Rio (Alerj), e deu entrada em seu pedido de aposentadoria na Polícia Militar do Rio. A expectativa, porém, não se concretizou.

CONTRADIÇÃO – O ex-assessor caiu em contradição, porque, em seu primeiro depoimento, Queiroz afirmou à PF como justificativa para seu pedido demissão, que estava “cansado” de trabalhar como assessor político e que iria cuidar de problemas de saúde.

A defesa de Fabrício Queiroz repudia a insinuação de que ele tenha dado satisfação acerca de rachadinhas ao então recém eleito senador Flavio Bolsonaro. Esclarece que deu satisfação acerca dos fatos investigados, a mesma que após a comprovação judicial conduzirá à sua absolvição em face de eventual ação penal que, ressalte-se, não foi sequer proposta.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
É louvável a lealdade de Queiroz, mas somente vai agravar sua situação. Para diminuir a pena, o único caminho a seguir é a delação premiada, mas ele certamente não tem medo de ser seviciado na prisão, por contar com a proteção de seus amigos milicianos. (C.N.)  

6 thoughts on “Queiroz depõe de novo e tenta isentar Flávio Bolsonaro da exploração de ‘rachadinhas’

  1. Caramba! O Queiroz é um crápula!
    Fez tudo escondido do Wonka.
    Pegou rachadinhas durante muitos anos sem o chefe saber.
    Os funcionários de confiança que estavam lotados no gabinete do estúpido, também esconderam isso dele. Quanta maldade, se aproveitaram do idiota que nada sabia.
    O Queiroz pagou as escolas das crianças, prestação de apartamento, depósito na conta da mulher e etc…
    Um péssimo funcionário de confiança.
    É o que eu digo, não se pode mais confiar em ninguém. Final dos tempos, mesmo!

    Acho que toda a população do brasil tem a obrigação moral de se desculpar do Sr. Flávio Bolsonaro e a sua respeitabilíssima familia.
    Como ousamos desconfiar deste probo brasileiro?

    Eu farei minha parte, e desde já, entôo minhas desculpas, por:
    1) Imaginar que era partícipe das rachadinhas.
    2) Ter acreditado que a loja de chocolates, lavava dinheiro.
    3) Se desconfiei que a loja de chocolates do advogado do ilustre, também estaria lavando dinheiro.
    4) Se tive alguma dúvida da lisura com relação ao aumento de capital de loja do advogado de Flávio Bolsonaro que foi de 860%.
    5) Que os sócios, da loja do Via Parque Shopping, mesmo com participação de cinquenta por cento cada um, o Sr. Flávio Bolsonaro teria direito a uma parte maior no rachuncho, ops, digo, lucro.
    6) Que a operação Furna da Onça é uma farsa pra prejudicar seu pai e ele políticamente.
    7) Ter acreditado naquele mentiroso do Paulo Marinho, que mentiu pra Polícia Federal só pra abocanhar o cargo de senador, já que ele é o substituto do probo e respeitável Flávio.

    Enfim… eu estava redondamente enganado.
    A mídia não presta e está sempre conspirando contra a nobre família.
    E eu que pensei que tinham relações estreitíssimas com as milícias de Rio das Pedras e Muzema no rio de janeiro…

    Tem um monte de inverdades que não detalhei, mas os maldosos como eu, sabem quais são.

    Vamos nos esborrachar!

    Cordialmente.

  2. Mas e os 48 depósitos no valor de R$ 2 mil, em dinheiro vivo, feito pelo digníssimo então deputado nos caixas eletrônicos da Alerj?

    Deve ter sido engraçado o Queiroz ter pedido desculpas ao digníssimo então deputado por ter empregado vários parentes da mãe dele.

    Só trouxa.

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