Quem era verdadeiramente o general Castelo Branco? Nada a vida inteira, nem mesmo presidente, a não ser com aspas. Ambicioso, mentiroso, perigoso

Diogo Pereira da Costa
“Helio, Castelo pode ser tido como democrata pela Historia? Em casa e na escola, sempre ouvi maravilhas sobre Castelo. Havia espaço do EB (Exercito brasileiro) para qualquer manifestação que não fosse favorável à “linha dura”? Não era Castelo um obcecado pelo poder? Abraços”

Comentário de Helio Fernandes
Seu traço principal, Diogo, era, digamos, de “não participante”. Saiu da Escola Militar do Realengo (na época) praticamente desconhecido de todos. Pelo físico, ninguém entendia como conseguira entrar para o Exercito. E por causa disso, a única lembrança foi a rivalidade com Amaury Kruel, aquele “alemanzão”. (E não apenas por causa da figura e da estatura).

Sua geração teve enorme atuação, ficou conhecida como dos “Tenentes”. Fizeram 1922, 24, 26, 28, até chegarem ao Poder em 30. E negaram ou abdicaram de tudo o que defendiam. Castelo não participou de nada ou de coisa alguma.

A partir de 1930, o Exercito que já vinha dividido desde a República, aí “se politizou” e não se encontrou mais. Golpes de 32, 34, 35, 36, 37 e 38, e finalmente 1945. (Houve uma interrupção nessa tremenda divisão, por causa da guerra).

O ditador, derrubado em 1945 e eleito pela primeira vez em 1950, quase não toma posse por causa da oposição de Carlos Lacerda e Golbery. (Com quem jamais falei, e sobre quem alertei Lacerda, mas eram intimissimos).

Vargas só conseguiu assumir pelo fato de ter nomeado Ministro da Guerra, o general Estilac Leal. (Era presidente do Clube Militar, na época generais da ativa eram os únicos que podiam ser presidentes do importantíssimo Clube. Basta dizer que o marechal Hermes da Fonseca, deixou a presidência da República, continuou na ativa e eleito presidente do Clube Militar. Depois, e hoje, só generais da reserva podem presidir o Clube de extraordinária participação na História do Brasil).

Nomeado Chefe do Estado Maior pelo presidente João Goulart, foi a alavanca e o ponto de apoio para a derrubada do presidente. Um dia, em 1965, eu em plena campanha contra a prorrogação do mandato do “presidente” Castelo, Lacerda hesitante, me ouvindo mas não me seguindo, falou: “Vou conversar com o general Ulhôa Cintra (enteado do marechal Dutra) e ele me disse que gostaria de conhecer você”.

Como ele não participava de nada, estava na reserva, resolvi ir. Morava no Corte do Cantagalo, era chamado comumente, no Exercito, de “Juca Burro”, me surpreendeu. Bom analista, biblioteca com ar de ter sido lida, se dirigiu especialmente a mim, (já que a conversa era sobre PRORROGAÇÃO) assim: “Helio, metade do Exercito pensa do Castelo, exatamente o que você escreve diariamente. Mas você não terá o menor sucesso, ninguém vai fazer nada contra ele, quase todos foram alunos dele”.

Era verdade. Castelo se “refugiou” nas bancas de ensino, uma forma de fingir que participava. Ambicioso, como coronel foi Adido Militar na França, se julgava um intelectual. Sonhava com a Academia, nomeou Luiz Viana, (o filho, o filho, o pai, governador da Bahia e depois embaixador na França, era excelente figura) Chefe da Casa Civil, surpresa geral.

Mentiroso, Castelo disse a Juscelino na casa do deputado Joaquim Ramos (irmão do Nereu): “Presidente, quero ser ELEITO PELO CONGRESSO, SE ASSUMIR COMO CHEFE DO GOVERNO PROVISÓRIO, NÃO TEREI FORÇA PARA GARANTIR A ELEIÇÃO DE 1965, O SENHOR JÁ É CANDIDATO”. E para iludir JK, convidou e nomeou Jose Maria Alkmin para vice-presidente.

Não garantiu a eleição de 1965, prorrogou o próprio mandato, e meses depois, quando viajou por 3 dias ao exterior, o vice José Maria Alkmin, teve que atravessar a fronteira e ir dormir num motel, porque o Exercito não daria posse a ele.

* * *

PS – Posso continuar indefinidamente, mas vou dar de presente a todos os seguidores a indicação. Esqueçam tudo o que escrevi e leiam os dois livros que o Marechal Floriano de Lima Brayner escreveu sobre Castelo Branco na FEB. Assombroso e jamais desmentido.

PS2 – Na FEB, Castelo era tenente-coronel, Floriano de Lima Brayner, coronel e Chefe do Estado Maior do Marechal Mascarenhas de Moraes, comandante da FEB. (Mais tarde foi Chefe da Casa Militar de Nereu Ramos, quando este foi eleito presidente pelo Congresso na terrível madrugada de 11 de novembro de 1955).

PS3 – Leiam os livros. Mas imaginem o que um coronel em plena guerra pode dizer de um companheiro. Antes de escrever, o coronel disse ao próprio Castelo, na presença de vários oficiais. Castelo chorou copiosamente, (desculpem a palavra) não tenho nada contra homem chorar.

PS4 – Mas para Castelo, o melhor era negar e desmentir. Está no livro, perdão, nos livros. Como Castelo pôde enganar a tantos, tanto tempo?

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