Resgate da memória do Presidente João Goulart

Edson Khair

Hoje,  segunda-feira, dia 1º de março de 2010, sigo para Porto Alegre em companhia de Rosalice Fernandes, ex-deputada cassada pela ditadura militar, para entrevistar o agente da repressão uruguaia, Miguel Neira Barreiro, preso em Porto Alegre tendo confessado espontaneamente ter participado do complô para assassinar o presidente João Goulart.

Tal empreitada criminosa,  ou seja, o envenenamento de Jango foi feito a pedido do governo militar brasileiro, à época “presidido” pelo general Geisel. Tal encontro-entrevista foi possível graças a intermediação de Olívio Dutra, ex-governador do Rio Grande do Sul. fundador do PT, juntamente com o então parlamentar Edson Khair, em 1979, primeiro parlamentar a assumir o PT, no sindicato dos trabalhadores metalúrgicos de São Bernardo.

Olívio Dutra é político, é íntegro, por isso mesmo, “abafado” por Lula e seus epígonos dirceunianos. O ex-governador Olívio Dutra promoveu o encontro através do deputado Adão Villaverde. O sicário uruguaio detalhou a forma do crime. Foi encarregado juntamente com outro agente da repressão uruguaia de trocar  a medicação anticardíaca de Jango, substituindo-a por substâncias preparadas pela CIA, que provocaram o infarto do ex presidente Goulart.

Tal assassinato, cometido e planejado pela Operação Condor, ocorreu a 6 de dezembro de 1976, em Mercedes, em sua fazenda.  A empreitada delituosa  já havia assassinado políticos democratas e socialistas, que, na visão do governo norte americano, em seu delírio persecutório ,julgava-os antiamericanos.

A família Goulart já entrou com ação indenizatória contra o governo norte-americano. A confissão do embaixador Lincoln Gordon, no Brasil à época do golpe militar de 1º de abril de 1964, sobre da participação de seu governo na conspiração e queda do governo constitucional de Jango, autoriza tal reparação moral e financeira que a família Goulart reinvidica .

O embaixador americano confessou ainda que desde a época da posse  de Jango o governo norte-americano monitorava-o. Por ocasião da visita de Jango aos EUA, o presidente brasileiro foi recepcionado em Washington e Nova Iorque com desfile em carro aberto com Kennedy e Jango recebendo chuva de papeis picados dos edifícios. Paralelamente, foi “convidado’’ a visitar instalações militares navais e terrestres do Pentágono, sendo e saindo ‘’convencido” da intervenção do governo americano em caso de rebelião conservadora contra seu governo constitucional. Assim, o presidente dos trabalhadores. cuja proposta política era reformista, jamais revolucionaria, optou em 64 pelo exílio. Decisão que lhe foi fatal.

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