Resistências internas e excesso de autoritarismo acirram confrontos no PSL

No Rio e em SP, Flávio e Eduardo enfrentam reações de dirigentes

Paula Reverbel
Pedro Venceslau
Estadão

A indicação de que o presidente Jair Bolsonaro pode deixar o PSL coincide com a resistência que seu grupo político tem enfrentado para controlar o partido nos Estados. Em São Paulo, dirigentes regionais foram à Justiça para tentar reverter atos baixados pelo deputado Eduardo Bolsonaro, que assumiu o comando estadual da sigla em junho passado.

No Rio, o senador Flávio Bolsonaro teve de voltar atrás na decisão de expulsar os filiados que mantêm no governo de Wilson Witzel (PSC) – que tem feito críticas ao governo federal.

LIMPA – “Filho 03” de Bolsonaro, Eduardo determinou até agora o afastamento dos presidentes de 73 dos 280 diretórios do PSL em São Paulo. Para justificar a medida, alegou irregularidades como ausência de prestação de contas, dupla filiação ou mesmo casos de condenação por estelionato. Dos 73 afastados, pelo menos dez já conseguiram brecar na Justiça a sua substituição.

Os dirigentes regionais chegaram a criar um grupo de WhatsApp para compartilhar modelos de petições enviadas aos tribunais, bem como cópia das prestações de contas entregues por cada um. Também circula entre o grupo uma sugestão de carta endereçada ao presidente nacional do PSL, Luciano Bivar, pedindo a volta do senador Major Olímpio à Presidência do partido no Estado.

CAÇA ÀS BRUXAS – “Não quero voltar à direção do partido, mas não me omito em assistir calado a destruição do partido no Estado”, disse Olímpio, que vê uma “caça às bruxas”. Destituída do diretório de Paulínia, Lucia Abadia ainda tenta recuperar o cargo. Ela atribuiu seu afastamento ao fato de ter sido contra o lançamento de candidato nas eleições suplementares da cidade para, disse ela, economizar verba do fundo eleitoral. Procurado nesta terça-feira, dia 8, Eduardo Bolsonaro não deu resposta até a publicação deste texto.

O Rio também é palco de resistência a Bolsonaro. No mês passado, Flávio determinou a saída do PSL da base do governo Witzel e ameaçou expulsar os filiados com cargos na administração. Diante da oposição de deputados, teve de rever sua posição. Formalmente, o PSL deixou a base de apoio do governador fluminense, mas delegou aos filiados a possibilidade de decidir se mantêm seus indicados em postos do governo.

PIORAS COM A FUSÃO – Atualmente, indicados do PSL ocupam 40 cargos na administração estadual, incluindo duas secretarias. “A fusão do PSL com o bolsonarismo misturou o que cada grupo tinha de pior: a bagunça do primeiro com o autoritarismo do segundo”, afirmou Paulo Gontijo, presidente do movimento Livres e líder destituído do diretório estadual do PSL no Rio.

 A lei que rege os partidos políticos no Brasil prevê que diretórios estaduais e municipais sejam provisoriamente nomeados pelo diretório superior, até que haja eleições para a diretoria. Grande parte dos partidos políticos mantém estruturas provisórias indefinidamente, concentrando o poder nas instâncias mais altas e facilitando destituições. No caso do 23 diretórios estaduais do PSL, 20 são provisórios. Os três definitivos são do Maranhão, de Minas Gerais e do Pará.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG – Alguns comentaristas desta Tribuna, democraticamente, reclamam que muitas notas atacam em demasia o presidente e o seus filhos. Porém, ao contrário desta suposta perseguição, a intenção é a análise dos fatos e a promoção sadia dos fatos. Além disso, se as questões se desviam no âmbito político, afetando o coletivo, é preciso antes de tudo deixar a “força da paixão” partidária de lado e encarar a realidade. Ao eleger Jair Bolsonaro, o eleitor ganhou de brinde no pacote combo do plano de assinatura de quatro anos mais três postulantes ao cargo que, em menor proporção, se acham no direito de mandar, desmandar, determinar e brincar de reis. Como bem citou Paulo Gontijo, a fusão dos bolsonaristas com o PSL juntou a bagunça com o autoritasimo. E, hoje, o que se vê é um partido desestruturado, onde as brigas internas se multiplicam, não há consenso e sobram críticas. A bagunça pode até ter jeito, basta boa vontade e coesão. Já o autoritarismo do clã, esse será difícil de ser travado. Infelizmente. (Marcelo Copelli)

5 thoughts on “Resistências internas e excesso de autoritarismo acirram confrontos no PSL

  1. O lamentável ,é ver nossos votos dados à Esperança da renovação ser jogado no lixo da corrupção, 141 milhões de falsos Políticos, verdadeiros politiqueiros a explorar o Cidadão trabalhador, sem o minimo sentimento de brasilidade. Saúde, Educação, segurança, transporte no Caos, um STF que está stf, com maioria de sinistros, inclusive seu presidente, o reprovado 2 vezes para Juiz da 1ª instância (SP). 14 milhões desempregados, com a família 46 milhões, Que Deus no ajude a sair dessa mixórdia.

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