Sarney, Renan e Duque prejudicam Dilma

Pedro do Coutto

A situação – deplorável dos senadores José Sarney, Renan Calheiros, principalmente este e Paulo Duque, estão causando um prejuízo enorme, ainda não avaliado pelo presidente Lula, à candidatura da ministra Dilma Roussef à sucessão do ano que vem. Some-se aos três personagens, as imagens do senador Fernando Collor ameaçando o senador Pedro Simon. E teremos uma trágica prévia (ética) da campanha política de 2010.

Para as oposições incluindo o PSDB, o DEM e o PPS além do PSOL, não poderia haver quadro melhor. José Sarney fez um longo discurso publicado nos jornais de quinta-feira, eximindo-se de tudo. Seria a vítima de um complô generalizado contra seu passado e seu futuro. Renan Calheiros, na sessão de quinta-feira, ao agredir da forma como o fez, Tasso Jereissati e Artur Virgílio, desqualificou a si mesmo.

Paulo Duque desempenhou um papel que o projetou no abismo do ridículo. Claro. Ao rejeitar de plano as representações contra o presidente da Casa e agir de modo inverso em relação a Artur Virgilio, acrescentou muitos pontos à escala de declínio, junto à opinião pública, da aliança PT-PMDB. A quem diretamente atinge o desgaste? Exatamente a Dilma Roussef. Ela perde intenções preciosas de voto na decolagem que empreende rumo ao Planalto. E nem poderia ser de outra forma.

Uma ação reflexiva por parte da sociedade. Da opinião pública, a qual Paulo Duque sustenta não dar a mínima atenção. Será que, no impulso de livrar Sarney, não percebe que está afundando a candidata do governo que diz defender? Parece que não. O mesmo ocorre com o presidente Lula. Não está vendo que o desenho dos aliados de hoje – aliás falsos aliados – em vez de somar, diminui. A opinião pública, ao contrário do que pensa Duque, é fundamental. Afinal, ela pode não ter o poder de veto, mas tem o poder do voto.

Dizer, como Luis Inácio da Silva insinuou, que a crise do Senado só sensibilizaria as classes de renda mais alta, não é um bom argumento. Em primeiro lugar significa um escapismo, como se políticos pudessem fazer tudo e o povo nada. Em segundo lugar, Lula esquece que disputas políticas às vezes se decidem por diferenças mínimas.

John Kennedy derrotou Nixon por 0,6%. Em 1960. Oito anos depois, o mesmo Nixon venceu Hubert Humprhey por 1 ponto. No ano 2000, George Bush venceu Al Gore pela menor diferença da história, antes da recontagem suspensa pela Suprema Corte: 0,2%.

Os votos que o comportamento de Sarney, Renan, Duque e Collor retiram da chefe da Casa Civil podem ser percentualmente poucos, mas muitos em matéria de decisão final. Vale lembrar um texto de Shakespeare em Romeu e Julieta. Romeu tinha dois grandes amigos: Mercúrio e Teobaldo, este irmão de Julieta. Desentendem-se em duelo na praça central de Verona. Informado, Romeu corre para o local. Quando galga os degraus da praça vê sangue na camisa de Mercúrio, que cambaleia. Então pergunta: o corte é leve ou profundo? Mercúrio responde: é apenas o necessário. E morre.

Uma diferença pequena na geografia do corpo e da luta faz a diferença fatídica e total.

Por menos votos que o quarteto retire de Dilma, com isso a estão afastando do Planalto. Dilma Roussef percebeu o panorama e se retraiu. O presidente Lula está esquecendo que, como no futebol, se por um gol  se vence, por um gol também se  perde. Deve analisar melhor o quadro.

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