Secretário do Tesouro diz que não faltarão recursos para a Saúde durante a pandemia

Mansueto Almeida disse que gastos extras precisam ser temporários

João Sorima Neto
O Globo

O secretário do Tesouro, Mansueto Almeida, diz que não vão faltar recursos para a Saúde e para o socorro às pessoas mais vulneráveis durante a pandemia, mas advertiu que não se pode exagerar na ‘dose do remédio’ sob o risco de comprometer o orçamento do país nos próximos anos. Mansueto afirmou que é importante que as despesas extras sejam de caráter temporário.

“Não pode faltar dinheiro para Saúde independentemente da questão fiscal e também para proteger as pessoas mais vulneráveis. Mas não se pode exagerar na dose do remédio, comprometendo os próximos anos. Haverá uma conta a ser paga”, afirmou o secretário durante uma live organizada pelo banco BTG Pactual, que contou ainda com os sócios do banco, o ex-ministro da Fazenda, Eduardo Guardia, e o economista Eduardo Loyo.

INDEVIDA COMPARAÇÃO – O secretário afirmou que é indevida a comparação entre o pacote de socorro brasileiro e de outros países. Nos Estados Unidos, o Congresso aprovou US$ 2 trilhões para ajudar pequenas empresas, cidadãos que ficaram sem renda e para investimentos em Saúde. Segundo ele, o Brasil tem uma rede social muito mais desenvolvida que a americana, por exemplo.

“O Brasil tem uma rede social maior que a dos EUA. Gasta 14% do PIB com previdência, enquanto os EUA gastam 6% ou 7%. Temos a aposentadoria rural, que protege os trabalhadores neste momentos, diferente dos EUA. Então com estes mecanismos, o país não precisa gastar tanto. E a transferência de renda que vamos fazer, de R$ 600,  considerando o PIB per capita, é semelhante a dos EUA”, disse. Nos Estados Unidos, o governo vai enviar US$ 1,2 mil a famílias que ficaram sem renda e mais US$ 500 por filho.

DÉFICIT PRIMÁRIO –  Ele afirmou que independentemente da economia brasileira ficar estagnada, como mostrou a última estimativa do governo, ou ter retração, o governo segue em frente buscando a consolidação fiscal, embora não seja possível pensar em medidas estruturais “em duas ou três semanas”.

Mas esse objetivo tem que estar no radar permitindo que o Brasil continue tendo juros baixos por um prazo mais prolongado. “Independentemente de economia estagnada ou se o PIB retrair 1%, 2% ou 3% o governo segue em frente e não muda a rota. O que não pode é criar despesas permanentes que afetem a trajetória do gasto em 2021. A previsão de PIB zero é de duas semanas atrás. Essas projeções mudam toda semana e possivelmente o PIB pode vir negativo, já que estamos num cenário muito incerto”,afirmou.

COMBATE À PANDEMIA – Este ano, afirmou o secretário, o déficit primário do país, que era estimado em R$ 124 bilhões, deve saltar para cerca de R$ 300 bilhões com as despesas extras do governo para combater a pandemia do coronavírus.

Mansueto disse se chegar a essa cifra, o déficit vai ficar entre 3% e 4% do PIB, a maior alta desde 2015, quando o déficit primário foi equivalente a 2,5% do PIB. O secretário disse que com a retração esperada da economia o país também vai ter perda de receita.

Mansueto afirmou que novas medidas estão sendo estudadas. Uma delas seria a compra de títulos privados pelo Banco Central. Mas o secretário, entretanto, afirmou que não poderia dar detalhes do programa porque se trata de uma estratégia do BC.

2 thoughts on “Secretário do Tesouro diz que não faltarão recursos para a Saúde durante a pandemia

  1. ” O ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta, afirmou que compras feitas pelo Brasil de equipamentos de proteção individual, como máscaras e gorros, da China “caíram” após os Estados Unidos adquirirem um grande volume de produtos. Segundo Mandetta, a mesma corrida por respiradores tem ocorrido. Ele disse que “demos um passo atrás” na aquisição desses itens fundamentais ao enfrentamento ao covid-19.

    – Hoje os Estados Unidos mandaram 23 aviões cargueiros dos maiores para a China, para levar o material que eles adquiriram. As nossas compras, que tínhamos expectativa de concretizar para poder fazer o abastecimento, muitas caíram.”

  2. O problema é transformar os recursos da economia em recursos para a saúde.

    Escolhemos obedecer as recomendações de um aparelho do PCC (OMS) que, em vez de recomendar a desativação do vírus, nos mandou desativar as forças produtivas do país. Estamos à mercê da tirania virótica. A Rede Globo, a TI e os sabotadores deveriam começar imediatamente a campanha SOS_Xixi, antes que morramos todos … em casa.

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