“Sem comentários”, ironiza o vice Mourão após  Jair Bolsonaro ter revelado que precisa aturá-lo

Para Mourão, críticas ao ministro Pazuello, general do Exército, não respingam nas Forças Armadas

Mourão cansou e não quer mais polêmicas com Bolsonaro

Ingrid Soares
Correio Braziliense

O vice-presidente Hamilton Mourão (PRTB) evitou comentar as críticas feitas pelo presidente Jair Bolsonaro. “Sem comentários”, afirmou nesta terça-feira (27/7), em entrevista à CNN Brasil, após ter desembarcado no Peru para a posse do presidente Pedro Castillo.

Na segunda-feira (26), em entrevista à Rádio Arapuan, Bolsonaro comparou o general a um “cunhado” e relatou que ele possui uma “independência muito grande” que por vezes atrapalha.

DISSE BOLSONARO – “O Mourão faz o seu trabalho, tem uma independência muito grande. Por vezes aí atrapalha um pouco a gente, mas o vice é igual cunhado, né. Você casa e tem que aturar o cunhado do teu lado. Você não pode mandar o cunhado embora. Então, estamos com Mourão, sem grandes problemas, mas o cargo dele é muito importante para agregar aí. Dele, não. O cargo de vice é muito importante para angariar simpatias quer seja para candidatura à Presidência, governador ou prefeito”, apontou.

Desde o começo do ano, a relação do general com o presidente está estremecida. Mourão havia sido excluído de reuniões ministeriais. Sete meses depois, o presidente enfim o chamou para participar de um encontro com representantes da Esplanada.

CONTRAPONTOS – Mourão tem apresentado contrapontos ao mandatário. Enquanto Bolsonaro faz declarações polêmicas defendendo o voto impresso ao afirmar que “ou fazemos eleições limpas no Brasil ou não temos eleições”, o vice-presidente diz ser “lógico” que haverá eleições em 2022 mesmo que o projeto de voto auditável do governo não seja aprovado.

O general completou que o país não é uma “república de bananas” e questionou quem iria “proibir eleição”.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOGO general Hamilton Mourão é um homem de extremos – tem qualidades admiráveis e defeitos abomináveis. Uma de suas qualidades é ser sincero e dizer a verdade, circunstância que destruiu sua amizade com Bolsonaro. Quanto a seus defeitos, só conheço um deles e já é suficiente: assim como Bolsonaro, Mourão também é admirador do coronel Brilhante Ustra, que comandou a tortura e assassinato de presos políticos, cometendo crimes hediondos. Aliás, tão hediondos que são considerados crimes contra a humanidade, segundo a Convenção de Genebra. E nenhum militar digno de estrelas pode ser admirador de criminosos abjetos como Brilhante Ustra. (C.N.)                       

19 thoughts on ““Sem comentários”, ironiza o vice Mourão após  Jair Bolsonaro ter revelado que precisa aturá-lo

  1. De oantagonista: Lira, o tal de Arthur, diz que “não há dúvida” sobre a confiabilidade das urnas, mas não é contra “aumentar o rigor auditável” da votação.
    —–

    – Ora, bosta! Ou é contra ou é a favor! Desculpe-me o bosta, mas é a reação que esses canalhas me provocam.

  2. uma de suas qualidades é ser sincero e dizer a verdade.

    Ora, seu Newton, sinceridade não é bem o que nos interessa em um representante. Estou com a lanterna de Demóstenes procurando por um que seja honesto, competente e empreendedor. Se o cara é flamengo ou fluminense pouco se me dá. Para mim, sinceridade é parente da submissão.

  3. Acho que o comportamento do vice presidente, condiz com o bom senso e educação.
    Pense, nosso país passando por estas aporinhações, esta guerra “ideológica”, pandemia, e outros, e de repente o vice declarece guerra ao presidente.
    Quem perderia era o país, ou seja, nós.

    Não é ser subserviente, é ser equilibrado..

  4. Mourao poderia aproveitar a deixa e resgatar a frase histórica de Brizola:

    ” Cunhado não é parente Mourao para presudente”

    Já que estamos em período similar ao pré 64……..

  5. O gaúcho, general de Exército ANTONIO HAMILTON MARTINS MOURÃO, vice-presidente da República, nasceu na minha mesma cidade, Porto Alegre, RS, no ano de 1.953.

    Sou mais velho que o militar.

    O Exército que servi, na década de sessenta, muito antes de o general decidir se seria esta a sua carreira profissional, afirmo que era muito diferente do atual agrupamento militar.
    Diferente para melhor;
    diferente para mais rígido;
    diferente para mais digno;
    diferente para mais honrado;
    diferente para mais interessado no Brasil e seu povo.

    Mourão não é deste tempo.
    Mourão pertence a um militarismo mais soft, mais brando, mais tolerante com a corrupção, corruptos, traidores do povo e da Pátria.

    Se Mourão tivesse o pensamento da minha época, do Exército que frequentei, que fui promovido e nele fiquei quase quatro anos, Mourão teria reagido contra Bolsonaro na primeira vez que este se meteu a besta com um general de 4 estrelas, o topo da carreira militar, exigente, disciplinada, ordeira … enquanto o tenente Bolsonaro escapara de ser expulso do Exército por um golpe de sorte.

    Mourão, jamais, em tempo algum, em circunstância alguma, em qualquer situação, deveria se dobrar à vontade de um subalterno, mesmo que presidente da República EVENTUALMENTE, pois o cargo não é definitivo, enquanto general de Exército, Mourão irá levá-lo consigo para a eternidade!

    Um presidente, ainda por cima advindo de uma carreira militar, mesmo que péssima, de maus exemplos, indisciplinada e rebelde, deveria ser impedido de tratar seus superiores hierárquicos desta forma, humilhante, desrespeitosa, deplorável, ainda mais na sua condição, de primeiro mandatário do país.

    Mas, Mourão é de outra época, assim como Bolsonaro em relação ao Exército que prestei meus serviços, que o teria expulso imediatamente, pois não precisávamos de maus elementos, porém de líderes verdadeiros, legítimos, autênticos, conforme eu os tive na minha época, e hoje são apenas lembranças.

    Mourão pode ser um ótimo militar;
    pode ser um excelente general de Exército;
    pode ser um ótimo vice-presidente, apesar das queixas de Bolsonaro, que não pode mandá-lo embora?!
    Porém, Mourão está muito longe do espírito militar de verdade;
    muito distante do brio militar;
    simplesmente desconhece que um general de Exército merece e deve ser tratado com respeito, reverência, admiração, e não como se fosse um “cunhado”, que se precisa suportar!

    Mourão macula o gaúcho revolucionário, aquele que não se deixava que as botas dos inimigos lhe esmagassem o pescoço.
    Mourão se deixou vencer pelo comodismo, trocando a sua carreira, seus dias de serviço, suas noites em claro, seus vários cursos e determinações para obter os diplomas que o levaram ao topo da carreira, para não se deixar “perturbar” pelas provocações de um insubordinado, mau caráter, de um péssimo presidente que, desgraçadamente, elegemos!

    Mourão deveria ser rebaixado para general de Brigada ou coronel, pois faltou-lhe exatamente a reação esperada de um militar e do seu porte, que comanda milhares de soldados numa guerra, a ponto de poder ser vencedor pelo seu país ou derrotado junto com a sua nação pelo inimigo.

    As guerras não citam militares bonzinhos, que se deixaram levar por políticos traidores, pelo contrário:
    McArthur, que detestava Truman, e este nutria a mesma aversão pelo brilhante general de CINCO ESTRELAS, certa feita deixou o presidente dos Estados Unidos, após várias horas de viagem para encontrá-lo, por mais outro tanto de tempo porque estava elaborando a sua estratégia contra os japoneses!

    Truman que o esperasse.

    Após vários anos fora do seu país, McArthur quando desceu em Nova Iorque teve, até os dias de hoje, a maior recepção recebida por um militar ou astronauta ou quem quer que seja, na história!
    Voltara vencedor, que lutara contra o invasor Japão, que organizou a nação derrotada, e que, sem voltar para a sua terra, ainda foi comandá-la na Guerra da Coréia!

    Mourão deveria mandar Bolsonaro pastar, menos aquiescer com o ruim presidente, e deixar de comparecer às reuniões ministeriais.
    A sua falha foi gritante, a ponto que se viu obrigado a responder, “sem comentários”.

    Todavia não para a imprensa ou povo, porém para si mesmo, pela sua omissão, falta de autoridade, de renunciar ao espírito militar!

    • Caro Chicão

      Mais uma vez assino embaixo.

      Mourao não é raso co.o Bolsonaro, óbvio mas lhe falta a rigidez da espinha, que resulta em postura ereta e olhar para frente e para o alto.

      Poderia pelo menos, usando mais uma vez a história , imitar Temer e escrever uma carta ao Bolsonaro.

      Vejam só, independentemente de caráter e motivos , Temer ( Ele mesmo…..) teve mais reação que o remorso ops Mourao

        • Duarte, meu caro amigo e conterrâneo,

          Isso mesmo, falta ao Mourão ser mais enérgico, se impor mais, e não demonstrar que é agua morna.

          Bolsonaro. por isso, deita e rola com o seu vice, que sequer se queixa dos maus tratos.
          Lembra da expressão gauchesca, deturpada, claro, enganosa, evidente, mas que retratava uma relação nada pacífica entre o casal?
          “Apanha mais que mulher de brigadiano”??

          Não só caiu em desuso, como os bravos soldados da nossa Brigada Militar sempre foram bons homens.
          Mas, Mourão deve reagir às traições ou ao menosprezo do presidente.

          Assim, quem muito se abaixa mostra as cuecas, e elas não estão em estado adequado para ser vistas de tão perto e tão expostas!

          Abração.
          Saúde e paz.

    • Ta errado Brendl. . O Presidente da República , ainda que transitoriamente, é o primeiro Magistrado da Nação, Comandante em Chefe das FFAA. O Mourão, mesmo que permanentemente General, não pode meter o pé na porta e querer dar ordens ao Presidente. Não é assim que a banda toca. Isto é coisa de ” república bananas” Isto é golpismo. O problema é o “presidente” que temos; nega a Constituição, desmerece as Instituições, prega o golpe, joga uns contra outros, desmerece a Ciência, contribui para milhares de mortes,elogia torturadores.e tudo mais que sabemos.Ai é que esta o problema. Isso é q n dá pra aceitar

      • JHomer,

        Nada que escreveste sobre Bolsonaro discordo, nada.

        A minha manifestação diz respeito às humilhações sofridas pelo vice-presidente, um senhor general de Exército!

        Se Bolsonaro é isso e aquilo; se desobedece a CF; se é arrogante, prepotente; se é agressivo e mal educado … tais características negativas e péssimas do atual presidente NÃO PODEM E NÃO DEVEM desmerecer a pessoa e o general, que é o seu vice!

        Se Mourão acata, aceita, concorda com esse tipo de tratamento, problema dele, de foro íntimo. Mas, para mim e alguns colegas comentaristas, o general deveria dar um basta e se fazer sentir como importante no momento atual brasileiro!

        A meu ver, Mourão está se deixando menosprezar em demasia.
        Se, imagina, que agindo dessa forma está sendo humilde, engana-se redondamente, pois mais se parece um capacho que uma pessoa, mesmo que esta não tenha as qualidades e currículo que Mourão possui!

        E, justamente, pelo que mencionaste de Bolsonaro e sua conduta incorreta e questionável, mais uma razão para Mourão alertá-lo e se fazer presente, menos ser colocado de lado e impedido de participar das reuniões ministeriais!

        Abraço.
        Saúde e paz.

  6. Senhor Bendl.
    Fico até constrangido, ao discordar.

    No meu ponto de vista, quem está no cargo de Vice Presidente, não é o general Mourão, é o cidadão Moura, que foi eleito numa eleição direta.

    Ele certamente tem duas opções imediatas.
    Rompe publicamente com o presidente, ou renuncia.
    Este é o caminho, digamos assim, civilizado.

  7. Coro Bendl;
    A hierarquia que aprendemos no exército era tão muito forte. Jarbas Passarinho era um Coronel, cujo nome tinha sido muitas vezes lembrado para Presidente ( na época da Revolução). Mas era sempre barrado com o argumento:
    ” Como que os Generais prestarão continência a um Coronel” ??

    • Perfeito, Victor.

      Mesmo que não houvesse a hierarquia de um general de Exército como vice, Bolsonaro deveria, pelo menos, RESPEITAR Mourão.

      Pelo contrário:
      diz que deve aceitá-lo, mas lamenta não poder descarta-lo, usando a figura do cunhado (aliás, se a Michele tem irmãos, estes já sabem como Bolsonaro os considera).

      Enfim, Mourão está se deixando sapatear, e não é esta passividade que queremos ver em um general de Exército e vice-presidente do Brasil!

      Abração.
      Saúde e paz.

  8. Caríssimo David,

    Eu que ficaria constrangido se tu deixasses de emitir a tua opinião, que discorda da minha!
    E logo de uma pessoa que tanto prezo e respeito, pela educação, elegância e comentários muito bem postados.

    Explico os porquês de comentar sobre o general Mourão como registrado:
    Quando Lula escolheu como seu vice, um senhor empresário, bem conceituado, José de Alencar, trouxe para o Planalto a pessoa mais a sua profissão, suas vitórias pessoais e profissionais (aproveito para salientar a sua valentia e destemor em enfrentar o câncer que o levou de nós).

    Pois bem, Bolsonaro não só escolheu a pessoa de Mourão, mais também a sua profissão, o seu posto no Exército, o seu comando porque um oficial general de 4 estrelas, o máximo na hierarquia militar verde-oliva.

    Não vejo como separar o indivíduo Mourão do general Mourão, pois ambos são a mesma pessoa, indissolúveis, inseparáveis, até porque o vice tem mais tempo como militar que de civil, e é reconhecido como tal, e não como paisano.

    Dito isso, caso estivéssemos numa guerra, olha só a confusão que o general Mourão não cometeria, caso deixasse de ser militar para ser um cidadão!
    Não só nos levaria à derrota porque não combateu o inimigo, como deixou de ser o cidadão que o seu país dele esperasse!

    Mourão está vice de Bolsonaro, David, mas não porque foi eleito, não, como havia sido com Jango quando vice de Jânio.
    Bolsonaro o escolheu como tal, e o atual presidente foi eleito levando-o consigo para o Planalto mais por ser general que cidadão.

    Assim como José de Alencar, vice de Lula não foi eleito, igualmente Temer, vice de Dilma.
    Bolsonaro e Mourão formavam uma mesma chapa, e não em chapas diferentes, conforme Jango e Jânio, volto a frisar.

    Sobre as opções que Mourão tem na tua ótica, que concordo absolutamente com elas, sou de opinião que o vice deveria romper com Bolsonaro porque o presidente JÁ ROMPEU COM MOURÃO!

    Talvez Mourão não renuncie pelo fato de que, na sua mente, um militar não pode fugir da luta.
    No entanto, muito menos deve permitir ser humilhado, menosprezado, boicotado, pelo presidente ou por quem quer que seja, ainda mais um general de Exército!

    E é neste detalhe que me fixo nos comentários:
    Mourão não tem o espírito militar. Falta-lhe a reação, contra-atacar, mostrar a sua força, demonstrar para Bolsonaro e o povo que ele é um general de Exército não por acaso ou porque foi convidado como fora para ser vice, mas pelo seus méritos, pela sua carreira brilhante como militar, ter galgado os postos até ser general de Exército, que deveria orgulhar-se de ostentar as difíceis 4 estrelas!!

    De que adianta ser um cidadão pacífico, cordato, se deles se esperava exatamente o comportamento militar?
    Duro, rígido, que não dobra a sua coluna, que não pode em nenhum momento levar desaforos para casa.

    Entretanto, Mourão está justamente agindo como não devia, e nesta opção que fez, ajuda Bolsonaro a meter os pés pelas mãos, a nos entregar para o Centrão, pois o vice se recolheu, baixou a crista, deixou a farda de lado, enquanto deveria dar um basta aos desaforos de Bolsonaro, e mostrar porque aceitou ser vice e na condição de general de Exército, e não um mero estafeta do presidente!

    Abração.
    Saúde e paz.

  9. O maior defeito do Mourão não é ser fã de torturador conhecido, é ter aceito e ainda continuar sendo vice desta besta, que enganou a todos com o discurso anti-corrupção e pró-Lava Jato, entre outras promessas que jamais serão cumpridas

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