Será que vale à pena?

Carlos Chagas

Não se encontrará um só companheiro com coragem para reconhecer de público, mas a verdade é que nas conversas de mesa de bar a maioria começa a desabafar. O presidente Lula está desmontando o PT. Desconstituindo  o partido que fundou, sonhando o sonho quase impossível de eleger Dilma Rousseff.  Não se discute ser o lulismo força bem superior ao petismo, mas a verdade é que sem o PT o cara fica perigoso. Transforma-se num Getúlio Vargas com correção monetária e atualização digital.

Nos principais estados, em termos eleitorais, o Lula vem sabotando o PT. Senão vejamos:

Em São Paulo, a estratégia do presidente continua  de fazer Ciro Gomes, do PSB,   candidato a governador. Assim, ficaria livre de ver dividida sua base na sucessão presidencial, porque os votos supostamente dados ao ex-ministro da Integração Nacional poderiam fluir para Dilma. Poderiam, porque conforme as últimas pesquisas, iriam para José Serra, em maioria. O PT dispõe de candidatos potencialmente capazes de vencer a eleição,  como Eduardo Suplicy, Aloísio Mercadante e até Antônio Palocci.  Levar o partido a apoiar Ciro Gomes equivalerá a uma humilhação.

Em Minas, dois grandes trunfos estão prestes a ser descartados. Tanto Patrus Ananias, o pai do bolsa-família, quanto Fernando Pimentel, ex-prefeito de Belo Horizonte, disputariam  como favoritos o palácio da Liberdade. O problema é que para reforçar o apoio do PMDB a Dilma, o primeiro-companheiro inclina-se por Helio Costa.

No Rio de Janeiro, acaba de ser descartada a hipótese da renovação petista. O jovem  prefeito de Nova Iguaçu, Lindberg Farias, recebeu um “chega para lá” de viva voz do próprio presidente, cuja estratégia é apoiar a reeleição de Sérgio Cabral, do PMDB.

No Paraná, o Lula fechou questão em favor do senador Osmar Dias, do PDT, dando de ombros para as pretensões do ministro do Planejamento, Paulo Bernardo, que o representaria muito melhor.  O objetivo  é conquistar o governador Roberto Requião para o candidato dito brizolista e sedimentar, assim, a integração de todos em torno da chefe da Casa Civil. O problema é que Requião aceitou sua própria candidatura ao Planalto pelo PMDB. A ver navios ficam os companheiros paranaenses.

Coisa parecida acontece em outros estados, de Pernambuco ao Amazonas. Resistindo mesmo, pelo PT, estão Tarso Genro, no Rio Grande do Sul, e Jacques Wagner, na Bahia, que não abrem mão de suas pretensões.

A pergunta que se faz é se valerá à pena todo esse sacrifício exigido de seu partido, pelo Lula.  Garantirá a eleição de Dilma Rousseff? O PT que responda…

O julgamento de Deus

Por razões óbvias, passou meio despercebido do grande público precioso filme narrando o desespero de um grupo de velhos judeus confinados a um campo de concentração nazista. De tão perplexos com o que acontecia, decidiram promover o julgamento de Deus. Como poderia o Criador permitir tanto horror, em especial praticado contra o povo eleito? Promotores, advogados de defesa, jurados e juizes improvisados dedicaram-se a profundos, amargos e edificantes diálogos em torno do Réu.  A informação é de que esse julgamento realmente aconteceu  e foi agora  transplantado para a tela.  Não vamos revelar a sentença final.

Essa história se conta a propósito do primeiro e agora do segundo terremoto verificados em Porto Príncipe, no Haiti. Não dá para entender porque Deus permite tamanha desgraça. Aliás, por  que tem permitido tantas outras, ao longo dos séculos? Chame-se Jeová, Padre Eterno, Alah, Tupã, Aton ou que outro nome tenha, será que não poderia ter deslocado  de  algumas centenas de quilômetros o  epicentro da catástrofe? Estaria a Humanidade pagando pelos pecados dos  ancestrais? Mas há quanto tempo o Direito Penal suprimiu essa flagrante aberração de filhos pagarem pelos pais?

Com todo  o respeito e sem esquecer  as maravilhas proporcionadas  pela fé e pela  devoção, quaisquer que sejam os credos e as religiões, a tentação é de convocar outro julgamento…

Baixaria antecipada

Começou a baixaria, antes  mesmo de chegar o prazo para as desincompatibilizações dos ministros candidatos às eleições de outubro. Dilma Rousseff alvejou os tucanos, supostamente por conta de declarações anteriores do senador Sérgio Guerra, presidente do PSDB. O ex-governador Eduardo Azeredo treplicou e, pelo jeito, a bola de neve começou a rolar montanha abaixo. Importa menos a bobagem em discussão, ou seja, se José Serra vai acabar com o PAC ou se o PAC é uma ficção. Continuando as coisas como vão,  logo a sucessão presidencial será travada num ringue de luta-livre.

Bem que o presidente Lula tenta conter a candidata, mas é aquela velha história: se um orador diz “mata’, o seguinte precisará dizer “esfola”, para manter a atenção do plenário.

Publicidade exagerada

Neste início de ano, ainda mais um ano eleitoral,  valeria pesquisar  o Orçamento da União e os orçamentos dos estados, no quesito publicidade. E sem esquecer as empresas estatais, os fundos de pensão, as ONGs e um monte de empresas privadas que prestam serviço aos governos e, por isso, retribuem com gentilezas aos veículos de comunicação indicados pelos detentores do poder.  É uma baba, que não discrimina situação ou  oposição.

A pergunta que a gente faz é se tanta publicidade visa atingir o público, aquele ao  qual teoricamente os anúncios se dirigem,  ou se pretende mesmo obter a boa vontade da mídia para com seus candidatos e interesses. Estaria a Petrobrás, por exemplo, interessada em que os proprietários de veículos abasteçam com mais intensidade nos postos da empresa? Ou o Banco do Brasil e a Caixa Econômica pretendem aumentar o número de seus correntistas?

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