Serra no quer ser o anti Lula

Pedro do Coutto

Em entrevista reprter Cristiane Samarco, manchete principal da edio de 15 de Janeiro de O Estado de So Paulo, o governador Jos Serra finalmente anunciou de viva voz sua candidatura presidncia e traou o posicionamento que pretende adotar ao longo da campanha: no atacar o presidente da Repblica e vai de declarar no o chefe da oposio, mas simplesmente um candidato ps Lula. Talvez tenha se inspirado no exemplo de Barak Obama, que se afirmou, em 2008, um candidato ps questo racial para que o tema no fosse parte da agenda poltica americana. Conseguiu. Serra, aqui, pelo que disse, vai se empenhar para impedir polarizar a disputa no trazendo Lula para o centro do confronto. O objetivo, como se v, mant-lo tanto quanto possvel, distncia do processo sucessrio. Jos Serra quer debater com Dilma Roussef e, aparentemente com mais ningum. Portanto nem com Ciro Gomes, se este concorrer, nem com Marina Silva. Logicamente a colocao para que possa obter uma parcela de votos de ambos no segundo turno. Apoiado pelas pesquisas, com o patamar de 37%, o governador de So Paulo j se considera com o passaporte carimbado para o desfecho final. Esta uma vantagem a seu favor. Mas preciso considerar a transferncia de votos de Lula para sua candidata. No hostilizando e at reconhecendo o xito de programas do atual governo, Serra joga para que o debate principal no se transforma numa definio plebiscitria entre os governos Lula e Fernando Henrique. Pois o embate nestes termos s favorece o PT, sem dvida. Serra no deseja lgico- que a questo se desloque para o plano do contra e a favor.

Para isso, entretanto, ter que reconhecer os xitos da atual administrao que atinge um recorde de popularidade. Ter que destacar principalmente o programa Bolsa Famlia, assegurando a continuidade do projeto e a manuteno dos atuais beneficiados. Afinal de contas, so quase 12 milhes as famlias atendidas, representando um universo de 45 milhes de pessoas, praticamente um quarto da populao brasileira. E no basta afirmar: indispensvel convencer. No ser tarefa fcil desenvolver na prtica toda uma estratgia de sensibilidade e sintonia fina. Sobretudo porque Lula poder no aceitar a campanha nestes termos e dedicar-se integralmente vitria de Dilma, pois para quem deseja retornar ao Planalto em 2014, na opo que se coloca, melhor que a chefe da Casa Civil encontre-se na presidncia. Todas essas so conjecturas e na poltica a teoria na prtica outra coisa. Serra pode traar uma diretriz, hoje, e nada do que pensou surtir efeito amanh. Vai depender do desenrolar dos turnos. necessrio considerar que o pleito em dois turnos. Na provvel final, o esforo de Serra para manter Lula relativa distncia dificilmente alcanara o objetivo. Esquentada a campanha, com o debate chegando a uma temperatura mais alta, dificilmente Lula aceitar o distanciamento que Jos Serra espera que ocorra. Afinal de contas, seja qual for a linguagem e a postura do adversrio, ser sempre seu governo que vai estar em jogo. Uma vitria de Dilma ser consagradora para ele. Uma vitria de Serra no abalar seu xito junto opinio pblica. Mas sem dvida melhor vencer do que perder. Jos Serra talvez no consiga fixar sua candidatura num planejamento frio.

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