Servidores ‘parasitas’ de Paulo Guedes só existem porque as regras em vigor permitem

Charge do dia 11/02/2020

Charge do Thiago (Jornal do Commercio)

Fernando Canzian
Folha

O total de servidores na administração pública federal saltou de 532 mil para 712 mil nos últimos 15 anos. O aumento, de 34%, foi muito superior ao crescimento populacional, de apenas 15%. No período, a remuneração média desse funcionalismo subiu 53% além da inflação, ampliando para 96% a diferença entre o que os servidores ganham e o que é pago na iniciativa privada para funções semelhantes.

COMPARAÇÃO – Em termos de rendimentos médios, o dos servidores é bastante superior ao da inciativa privada: R$ 11.842 ante R$ 1.960. A diferença, de quase R$ 10 mil, limitava-se a R$ 2.500 há 15 anos.

A folha de servidores do governo federal tem 440 diferentes rubricas, que precisam ser administradas por 15,5 mil funcionários a um custo anual de cerca de R$ 1,6 bilhão.

Entre as funções que deixaram de existir há muito tempo no setor privado ainda há datilógrafos, operadores de videocassete e especialistas em linotipo —um equipamento antigo de produção de textos que usava chumbo derretido. Em vez de terem sido extintas as inúteis, novas carreiras foram criadas, resultando em um aumento de 319% em seu total desde os anos 1980.

SUPERDIMENSIONADO – Novo diagnóstico do Ministério da Economia feito com base em dados do IBGE, Banco Central e Tesouro, entre outras fontes, mostra que o funcionalismo público tornou-se de fato algo muito grande dentro do Estado brasileiro.

O gasto com servidores quase não cabe mais na receita obtida com a elevada carga tributária, a maior entre as economias emergentes. Na prática, o governo vem se tornando cada vez mais um enorme RH, responsável por recolher impostos e pagar salários.

Mas quando usou o termo “parasitas” para falar da relação entre os servidores e o “hospedeiro” (o Estado) há alguns dias, o ministro da Economia, Paulo Guedes, foi extremamente infeliz.

GUEDES FOI AJUDADO – Filho de uma servidora do Instituto de Resseguros do Brasil, Guedes estudou em colégio militar, graduou-se em uma universidade federal e ingressou na Universidade de Chicago com uma bolsa do governo federal. Sob esse ângulo, é um produto do Estado.

Mas, de fato, há um crescimento acelerado nas despesas obrigatórias (funcionalismo, Previdência e programas sociais) e cortes acentuados nos investimentos imprescindíveis para manter a máquina pública funcionando.

Muitos estados estão no mesmo caminho. Onze já consomem mais de 60% de sua receita corrente líquida com pessoal, descumprindo a Lei de Responsabilidade Fiscal, de 2000, que deveria limitar as despesas com servidores a esse percentual máximo.

SEM ILEGALIDADE – Embora extremamente permissivo, o aumento dos gastos com o funcionalismo no Brasil seguiu regras que foram sendo aprovadas e adaptadas para que isso ocorresse. Não houve ilegalidade.

Agora, na mão contrária, a Proposta de Emenda à Constituição 186 pretende instituir mecanismos de ajuste fiscal para União, estados e municípios para momentos em que as despesas ultrapassarem determinado patamar. Entre elas, haveria diminuição da jornada de trabalho com o correspondente corte na remuneração do servidor.

O projeto já é foco de forte reação da frente parlamentar do serviço público no Congresso, com 255 deputados, quase a metade dos 513. Uma linguagem mais apropriada do principal ministro do governo talvez ajudasse a mostrar o que está em jogo.

13 thoughts on “Servidores ‘parasitas’ de Paulo Guedes só existem porque as regras em vigor permitem

  1. O fim de todo estado socialista é o parasitismo.

    Assim foi na URSS com o socialismo-comunismo.

    No Brasil temos o socialismo-fascista, copiado da Itália de Mussolini por Getúlio em 35, com o nome de Estado Novo.

    No capítulo I até que ele funciona, o problema são os capítulos seguintes em que a máquina pública vai inchando e cada vez mais se precisa de impostos para sustentá-la. Aí acabam se transformando no que hoje é o Brasil, México e Argentina, que também adotaram este tipo de regime com Peron e a revolução mexicana.

    O melhor mesmo ou o menos pior é o regime em que o estado é pequeno com poucos impostos e não interfere no mercado; em que se pratica o capitalismo de mercado como nos EUA.

    • Ps. Para quem não sabe, não existe o NÃO CAPITALISMO.
      Nos regimes socialistas-comunista ele é controlado totalmente pelo estado.

      Nos regimes socialistas-fascistas como o nosso, o capitalismo é de compadres entre governos e empresas.

      Nos regimes capitalistas puros ou de mercado, este é regulado por quem trabalha e produz. Pelo mercado.

    • Esse inchaço do estado promovido pelos governos tucano-petralhas não é por acaso. É um dos instrumentos para inviabilizar e detonar o “estado burguês”. Eles seguem fielmente a cartilha revolucionária enquanto os isentões propagam o auto engano de que “o comunismo acabou”.

  2. Que inchaço é esse onde faltam professores profissionais de saúde ,saneamento entre outros de que parasita fala Fernando,falta pessoal para o atendimento vide INSS,faz uma matéria sem apresentar nenhum dado que compriove o que diz.Me aposentei em agosto depois de 43 anos como aux de enfermagem ganhando 4.500,00 com vários cursos patrocinados pelo M.da SAúde isso é ser parasita?

  3. Aqui em São José dos Campos tem procurador (advogado) da Prefeitura ganhando 38 mil por mês. Os altos salários estenderam para os municípios, não tem dinheiro para nada a não ser pagar o funcionalismo.

  4. “Em termos de rendimentos médios, o dos servidores é bastante superior ao da inciativa privada: R$ 11.842 ante R$ 1.960. A diferença, de quase R$ 10 mil, limitava-se a R$ 2.500 há 15 anos.”

    Verdade:
    “No primeiro trimestre de 2019, o rendimento médio dos empregados no setor público chegou a R$ 3.706, enquanto trabalhadores do setor privado ganharam, em média, R$ 1.960. É a maior diferença desde o início da série da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) Contínua, em 2012.”

    https://gauchazh.clicrbs.com.br/economia/noticia/2019/05/na-crise-so-salario-de-servidor-publico-cresce-e-distancia-para-setor-privado-e-recorde-cjvshdkkv04o501ll4d63u8mh.html

  5. Engracado, o torto falando do aleijado, este ministro da economia, so de jetons, segundo noticiario, recebeu mais de R$ 30 mil, alem do salario, ainda tem defensores que este “genio” e decente, fora as suspeitas de falcatruas nos fundos de pensao, quem era parasita e vivia das aplicacoes no mercado, dando prejuizo ao pais, infelizmente o Brasil ainda nao foi descoberto, tem potencial para ser grande, mas o capital internacional, influenciador de inocentes, co rinua ditando a politica do Brasil.

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