“Sinal Fechado”. um retrato do cotidiano, imortalizado pela sensibilidade de Paulinho da Viola

No coração de  – Rádio Batuta

Paulinho da Viola, um dos maiores nomes da MPB

Paulo Peres
Poemas & Canções

O cantor e compositor carioca Paulo César Batista de Faria, o Paulinho da Viola, é tido como um dos mais talentosos representantes da MPB. A canção “Sinal Fechado” foi escrita na década de 60, mas letra e melodia continuam tão atuais quanto na época. Apesar de ser um sambista tradicional, essa música é também experimental. Naquele tempo, se interpretava a letra como a dificuldade das pessoas se expressarem no período do AI-5. Hoje, esse clássico da MPB nos fala sobre o encontro de duas pessoas que já foram íntimas, mas não se veem a muito tempo e que por acaso se encontram em um sinal fechado.

A música “Sinal Fechado” foi gravada por Paulinho da Viola no LP Foi Um Rio Que Passou Em Minha Vida”, em 1970, pela Odeon.

SINAL FECHADO
Paulinho da Viola

Olá, como vai ?
Eu vou indo e você, tudo bem ?
Tudo bem eu vou indo correndo
Pegar meu lugar no futuro, e você ?
Tudo bem, eu vou indo em busca
De um sono tranquilo, quem sabe …
Quanto tempo… pois é…
Quanto tempo…
Me perdoe a pressa
É a alma dos nossos negócios
Oh! Não tem de quê
Eu também só ando a cem
Quando é que você telefona ?
Precisamos nos ver por aí
Pra semana, prometo talvez nos vejamos
Quem sabe ?
Quanto tempo… pois é… (pois é… quanto tempo…)
Tanta coisa que eu tinha a dizer
Mas eu sumi na poeira das ruas
Eu também tenho algo a dizer
Mas me foge a lembrança
Por favor, telefone, eu preciso
Beber alguma coisa, rapidamente
Pra semana
O sinal …
Eu espero você
Vai abrir…
Por favor, não esqueça,
Adeus…

3 thoughts on ““Sinal Fechado”. um retrato do cotidiano, imortalizado pela sensibilidade de Paulinho da Viola

  1. No mar revolto, revelam-se os exímios navegantes. As estradas estreitas e esburacadas também expedem CNH.
    Durante a ditadura, quem produzia artes era obrigado a aguçar a criatividade, para espremer aquilo que não poderia ser expresso ostensivamente. O uso de circunlóquios, insinuações, sentido duplo, gírias e falares de determinadas comunidades. Um exemplo de duplo sentido, valendo-se de homofonia, é a canção, Cálice, de Chico Buarque.
    Paulinho da Viola é craque, na arte de conscientizar, sem apelar para deboche ou obscenidade.

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