Só retirada de Marina abre espaço para Gabeira

Pedro do Coutto

Em declarações aos repórteres Cássio Bruno (O Globo) e Marcelo Auler (O Estado de São Paulo) publicadas simultaneamente a 13 de Janeiro, o deputado Fernando Gabeira admitiu que poderá rever sua posição e ser candidato ao governo do Rio de Janeiro  em Outubro. Mas desde que o PV, seu partido, aceite coligar-se com o PSDB, o DEM e o PPS. Se concorresse somente pelo PV, ele próprio disse, seu tempo na TV seria de 30 segundos. Muito pouco. Através DAC aliança projetada, teria em torno de 5 a 6 minutos. Uma diferença enorme, como se constata. Entretanto, a questão é complicada, não tão simples. Pela legislação em vigor, o candidato de uma legenda não pode formar uma aliança estadual diversa daquela que o partido a que pertence constituir no plano nacional. Traduzindo: o Partido Verde não pode se aliar aos tucanos no Rio se tiver a senadora Marina como candidata a presidente da República. Se coligado com o PSDB, teria que apoiar José Serra. A dualidade, pela lei é impossível. Assim, a viabilidade da candidatura de Gabeira a governador depende de uma decisão de Marina Silva de retirar sua candidatura à presidência, substituindo-a pela reeleição ao Senado por seu Estado, o Acre. Não existe outro caminho.

Exatamente por isso a situação é complicada. A aliança com Gabeira, sob o ângulo do PSDB, seria um fato positivo na medida em que forneceria um bom palanque a Serra no terceiro colégio eleitoral do país. Que poderá ser decisivo tanto no primeiro quanto no segundo turno.

A dificuldade, dificilmente removível, é esta. O destino da candidatura Gabeira, pelo PV, não depende só dele e dos demais partidos da oposição: está condicionada à vontade de Marina Silva.

Fernando Gabeira, provavelmente, ao rever sua negativa original, deve ter se motivado pela disposição de Wagner Montes ser candidato também ao governo, pelo PDT, desde que em aliança com o PR, partido pelo qual o senador Marcelo Crivela vai tentar a reeleição ao Senado. As pesquisas feitas até agora apontam uma boa posição de Montes junto aos grupos sociais de menor renda do eleitorado carioca e fluminense. Arrebataria –pode-se supor- tanto uma parte dos votos hoje na direção de Sergio Cabral, quanto os que se voltam para o ex governador Garotinho. O Datafolha, por exemplo, no seu levantamento mais recente assinalou 38 pontos para Sergio Cabr4al e 23 para Garotinho. Cenário sem Wagner Montes. Com este, como ficariam os dois percentuais? Eis aí uma pesquisa interessante. A nítida vantagem em favor do atual governador poderia diminuir? Como ficaria o potencial de intenções de voto em Garotinho? O efeito Montes seria capaz de abrir espaço para Gabeira, forte junto à classe média da capital. Porém, vale frisar, a cidade do Rio de Janeiro reúne apenas a metade do eleitorado estadual. Nas eleições para a Prefeitura, quando perdeu para Eduardo Paes, Gabeira teve 49% da votação. Mas parece ter pouca penetração no interior (25%) e uma incógnita na Baixada Fluminense, outros 25% em números redondos. Todas estas observações são hipóteses, desdobramentos. O quadro mais palpável, seja qual for o quadro, é o predomínio do governador Sergio Cabral, como as pesquisas sinalizam, reforçado pela influência natural da máquina administrativa principalmente junto a prefeitos do interior. Em síntese: a questão da candidatura de Gabeira depende de Marina Silva. Cabral e Garotinho só dependem deles mesmos.

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