Supremo sinaliza que vai emparedar Jair Bolsonaro para manter a democracia plena

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Charge do Bira Dantas (Arquivo Google)

Carlos Newton

Em confirmação ao que  venho anunciando aqui na Tribuna da Internet nos últimos meses, sempre com absoluta exclusividade, o Supremo Tribunal Federal começa a surpreender o país e daqui para a frente vai ser um festival. Agora, quando nossas informações enfim se comprovam, há quem proteste e denuncie a “Ditadura do Judiciário”, mas não é assim que a banda toca, como se dizia antigamente.

Reparem que a prisão do deputado ultrabolsonarista foi aprovada por uma unanimidade entusiástica, sem nenhum reparo dos ministros “garantistas”, bem diferente daquela unanimidade recalcitrante que aprovou há seis meses a obrigatoriedade de ações penais serem julgadas pelo plenário e não mais pelas turmas.

GUARDIÃO DA DEMOCRACIA – Ao contrário do que muita gente pensa, não são as Forças Armadas (leia-se: o Alto-Comando do Exército) que funcionam como guardiães da democracia. Isso non ecziste, diria o incisivo padre Quevedo.

O fato concreto é que, em democracia plena, como a hoje existente no Brasil, quem protege a democracia é o Poder Judiciário, representado pelo STF.

Portanto, em tradução simultânea, não está se formando uma “Ditadura do Supremo”. O que ocorre é justamente o contrário, com o STF atuando decididamente para manter a plenitude democrática e evitar que o Brasil se transforme numa falsa democracia de direita, como se fosse uma versão bufa de Cuba ou Venezuela.

INTENÇÕES CLARAS – O maior dogma da democracia é a obrigatoriedade da liberdade de imprensa, que o presidente Bolsonaro tenta desesperadamente derrubar, a propósito de combater o marxismo.

Em sua ignorância patética, Bolsonaro desconhece que Karl Marx e Friedrich Engels jamais defenderam censura à imprensa,  que é coisa de soviéticos e cubanos. Pelo contrário, Marx e Engels lutavam pela imprensa livre, contra a ditadura do imperador alemão Frederico IV.

E defendiam a tese de que a imprensa, em sua capacidade de crítica aos governantes, reflete sempre o nível de desenvolvimento da sociedade.  Assim, quanto mais politizada e crítica a imprensa, melhor para a sociedade.

RISCO À DEMOCRACIA – Qualquer idiota percebe que a democracia está em risco no Brasil. Na vida tudo precisa ter limites, mas Bolsonaro tem clara vocação ditatorial. Já demonstrou com abundância que não tem condições intelectuais e mentais de governar o país, ele próprio o admite (“Não consigo governar”), mas continua sonhando em ser ditador.

Alguém tem de pará-l0, com a máxima urgência. E essa missão cabe ao Supremo, não às Forças Armadas.

Falta pouco. Três inquéritos importantes contra Bolsonaro estarão conclusos em 15 de março e o ministro Alexandre de Moraes vai decidir se processa o presidente ou arquiva as acusações. Façam suas apostas.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
Essa revolta do Supremo é o fato político mais importante desde a vitória de Jair Bolsonaro. Realmente, um acontecimento destinado a ficar na História. Amanhã voltamos ao assunto. (C.N.)

28 thoughts on “Supremo sinaliza que vai emparedar Jair Bolsonaro para manter a democracia plena

  1. Reparem que a prisão do deputado ultrabolsonarista foi aprovada por uma unanimidade entusiástica, sem nenhum reparo dos ministros “garantistas”.

    “Toda unaminidade é burra.”
    Nelson Rodrigues

  2. Um simples TWIT de qualquer general será o suficiente para qualquer um desses bandidos de toga do P$TF sossegarem o facho e irem correndo para o banheiro limpar-se da c@g@neir@.

  3. Bolsonaro não foi vociferar, como uma fera, nenhum protesto sobre a prisão do deputado Daniel Miliciano.
    Logo agora, que a própria Justiça está zerando todas as pendências judiciais dos filhos zero um, zero dois, zero três….mísero filho?

  4. Todas essas ofensas, acusações, palavras de baixo calão proferidas pelo deputado Daniel contra o STF e ministros tem um responsável:
    Bolsonaro.

    No início foi a imprensa;
    Depois o Congresso;
    Mais tarde o STF.

    O presidente cometeu o erro mais clamoroso para um militar, ainda mais com a patente de capitão:
    Abriu três frentes de combate, e deixou entre elas um vasto espaço para sofrer uma operação de pinça, ou seja, ser cercado por duas delas porque impossível lutar em três frentes tão distantes uma das outras.

    Atualmente, Bolsonaro terá até o fim do seu mandato dois ferrenhos inimigos dispostos a manterem suas posições sem recuar, pelo contrário, contra-atacarão sempre:
    Mídia e STF.

    Os veículos de comunicação porque conduzidos por Bolsonaro a essa condição de inimigos do seu governo, diga-se de passagem, patético.
    O Supremo, pelo fato de o ex-deputado federal e ex-militar jamais ter tido uma boa relação com os ministros da Alta Corte, a ponto de criticá-los permanentemente, e ter colocado no STF o seu escolhido sem qualquer condição ética e moral, em legítima afronta à liturgia que move aquela instituição, de conduta ilibada e notórios conhecimentos jurídicos.

    Se for mesmo como escreveu Carlos Newton, que a garantia desta nossa falsa democracia é o Supremo e não as FFAA, Bolsonaro ficou sem chão, sem base, sem condições de concretizar a sua vontade de se tornar um ditador às avessas de Cuba e Venezuela.

    Conclusão:
    Aos poucos, o presidente está sendo devidamente “enquadrado” pelo STF, que chegou ao seu limite de suportar ofensas, agressões, insultos, ataques, e ainda ser responsabilizados pela pandemia no Brasil!

    Independente de o Supremo não agir a contento da sociedade ou conforme dele se espera em termos de puir os culpados, e não conceder-lhes liminares que os tiram das prisões, Bolsonaro deixou de lado até as aparências, e quis atropelar o STF com um trator, tipo aquele incidente com o irmão de Ciro Gomes contra os policiais em greve no Ceará.
    O trator não só era fraco, como o combustível não deu para seguir em frente, permanecendo estacionado às portas do Supremo sem conseguir invadi-lo.

    Por outro lado, há quem diga que a imunidade parlamentar não pode ser confundida com impunidade, logo, a questão referente à liberdade de expressão não é bem assim, ainda mais para quem exerce um cargo público, onde uma de suas obrigações é o respeito às instituições.

    O parlamentar detido extrapolou, excedeu-se, ultrapassou limites proibidos entre vizinhos, quando decidiu sambar, comer churrasco e beber cerveja, dentro do STF.

    Resultado:
    Que asse uma carne, tome a bebida que quiser, ouça as músicas que mais aprecie dentro da prisão, e não na casa dos outros.

    • Desde quando é atribuição do STF emparedar o Presidente? Desde quando é função do STF manter a democracia “plena”? De acordo com oArt. 102 da CR/88, compete ao STF, precipuamente, a guarda da Constituição. Só e somente só.

      Será que, após a posse do Bolsonaro, houve alguma mudança na Constituição? Sim, sim! A PEC para o STF “emparedar o PR” e “manter a democracia plena” foi aprovada unanimemente pela extrema-imprensa e referendada pelos vulturinos ministros, que preocupados em derrubar o PR, esqueceram da letra da Lei Maior e passaram sistematicamente a violá-la dia sim e, no outro, também. Tudo sob aplausos da imprensa venal e corrupta.

        • Não te preocupes, Turíbio.

          Entre nós, comentaristas deste blog, precisamos nos acostumar com o contraditório, com as diferenças, com as opiniões contrárias às nossas.

          Aproveito para deixar registrado a qualidade dos teus textos.
          Bem feitos, bem escritos, claros, tens o dom para escrever,

          Abraço.
          Saúde e paz.

      • Turíbio, a guarda da Constituição é exatamente para manter a democracia plena. É a Constituição quem rege (ou deveria reger) o comportamento do país para que seja mantido o regime político imaginado pelos constituintes em nome do povo, que, no caso do Brasil, é a democracia plena.
        Portanto é, sim, atribuição do Supremo “emparedar” qualquer um que atente contra ela, que é o que Bolsonaro tem feito repetidamente.

    • TÍTULO V
      DA DEFESA DO ESTADO E DAS INSTITUIÇÕES DEMOCRÁTICAS
      CAPÍTULO I
      DO ESTADO DE DEFESA E DO ESTADO DE SÍTIO
      SEÇÃO I
      DO ESTADO DE DEFESA
      SEÇÃO II
      DO ESTADO DE SÍTIO
      SEÇÃO III
      DISPOSIÇÕES GERAIS
      CAPÍTULO II
      DAS FORÇAS ARMADAS
      CAPÍTULO III
      DA SEGURANÇA PÚBLICA

      Prezado Bendl … os históricos do MDB, de maioria na Constituinte … colocaram as FFAA como defensoras do Estado Democrático e das Instituições Democráticas … não há como ter golpe … … … a declaração do General Villas Bôas foi muitíssimo infeliz e inadequada – isso só se revela na História e não com somente 3 anos … e foi justamente repreendido pelo Fachin e o Mendes.

      Sds.

    • A dois mil e vinte e um anos atrás um judeu loirinho 1,90 descendente de italianos de nome ג’איר ( tradução Jair) foi culpado por condenar um certo יֵשׁוּעַ (tradução Jesus).
      Pelo amor de Deus meu nobre Bendel .

  5. O ex-PGR Rodrigo Janot, entrou no P$TF armado disposto a fuzilar o Lagosta Gilmar Mendes. Sério que isso não foi uma ameaça grave contra os deuses do Olimpo?

    Então procurador-geral da República, ele conta que chegou a tirar a pistola da cintura e a engatilhá-la a dois metros de distância do ministro, mas desistiu
    https://veja.abril.com.br/politica/janot-revela-ter-ido-armado-ao-stf-para-matar-gilmar-mendes/

    Impren$a hipócrita!
    E$querda hipócrita!
    PGR hipócrita!
    Camara e Senado hipócritas!
    P$TF bandidos e hipócritas!

  6. Carlos Newton, escreveste no artigo a frase “O maior dogma da democracia é a obrigatoriedade da liberdade de imprensa, ..”. Penso que isso só tivemos no Brasil quando o chefe de Estado era D. Pedro II.

    No mais, desculpe, mas não vejo na composição do STF, material humano idôneo em número suficiente para ajudar o país com a aplicação justa do direito, pois temos registros que lá, nas decisões, têm predominado o interesse pessoal e o compadrio, quase nunca o interesse do cidadão e da cidadania.

    Por outro lado, no Brasil de hoje não conheço palavra mais usada e nas mais diversas (e até antagônicas situações) do que “democracia”. O mesmo ocorre com a expressão “estado democrático de direito”. A palavra e a expressão são usados conforme o interesse pessoal naquele momento.

    Aliás, um ditador da América Latina – que gostava de ser chamado de “presidente” e não de ditador – sempre dizia que em seu país funcionava a verdadeira democracia, pois lá todos faziam o que ele queria e, quando não faziam, os mandava prender.

    Qualque semelhança com a “Terra dos Papagaios” é mera coincidência …

  7. Bom dia, Newton!
    Concordo muito com seu escrito.
    O garantidor do Estado de Direito e da Democracia é o Supremo. Só poderia ser um Tribunal. Não o Presidente e muito menos os Militares.
    Quando atacam o Supremo questionando a competência de ter a última palavra na interpretação constitucional lembra aquela discussão que teve (e já comentei aqui) entre Carl Schimitt e Hans Kelsen a respeito de quem deveria ser o Guardião da Constituição. Para Kelsen, um Tribunal. E Schimitt, defendia que não. Na disputa de forças dos dois venceu Schimitt. E sabemos o resultado. A Constituição de Weimar continuou em vigor durante todo o regime nazista mas seu Guardião era o Fürher.

  8. Não pode virar hábito prender políticos pelas barbaridades que falam; tem que ser seletivo, valer só para alguns, senão Lula – solto pelo STF – vai voltar para a prisão.

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