Tarcísio de Freitas: “Empresários insuflaram caminhoneiros nos atos de 7 de setembro”

Ministro Tarcísio Gomes de Freitas não descarta candidatura em 2022

Tarcísio esqueceu que eram “empresários bolsonaristas”

Malu Gaspar
O Globo

O ministro da Infraestrutura, Tarcísio Gomes de Freitas, ganhou fama no mercado financeiro coordenando o programa de concessões de portos e aeroportos do governo federal. Mas sua função mais sensível no governo é monitorar os movimentos de caminhoneiros, base fiel do presidente Jair Bolsonaro.

Diariamente, ele e sua equipe acompanham mais de 40 grupos de WhatsApp de motoristas de todo o Brasil, mas mesmo assim não conseguiram detectar o acirramento dos ânimos que quase levou grupos de motoristas a ameaçar parar as estradas brasileiras no 7 de setembro em protesto contra o STF.

FOI ATO POLÍTICO – Entrevistado no episódio #25 do podcast A Malu Tá ON, Tarcísio diz que isso ocorreu porque os motoristas foram insuflados por empresários do agronegócio e de transportes.

“Não foi um movimento de caminhoneiros, mas político. Tinha outros agentes usando caminhão, como empresários de transporte e do agronegócio”, afirmou o ministro na conversa com Malu Gaspar. Tanto Bolsonaro como Tarcísio tiveram que gravar vídeos pedindo que os motoristas suspendessem a paralisação.

Na entrevista a Malu Gaspar, o ministro adiantou que o “bônus caminhoneiro”, que vai subsidiar a troca dos veículos velhos por novos, poderá ser financiado por recursos da Petrobras. Mas afirmou que a redução do número de caminhões nas estradas só vai se dar quando o Brasil de fato conseguir trocar as rodovias pelas ferrovias como eixo da matriz de transportes.

MINISTRO ELEGÍVEL – Caso raro de quadro bolsonarista que veio das gestões Dilma e Temer, Tarcísio angariou tanto prestígio com o presidente da República e seus aliados que vem sendo cotado para disputar vários postos diferentes em 2022 – de governador de São Paulo a vice de Jair Bolsonaro na disputa pela reeleição.

No podcast, o ministro sugere mirar o Senado. “O parlamento é bom, dá para voltar ao governo em um eventual segundo mandato”, explica.

Por ora, Tarcísio tem um desafio mais urgente: cumprir o cronograma de obras prometido em 2019. Ele já fez 74 leilões até agora, mas ainda não tem certeza se poderá realizar o “favorito”: a ferrovia Ferrogrão, que ligaria o Mato Grosso ao Pará.

SUSPENSO NO STF – Hoje, o projeto está suspenso por liminar do ministro do STF Alexandre de Moraes – fustigado por Bolsonaro nos atos de 7 de setembro, de que o próprio Tarcísio participou. Mas ele não se abala: “Temos bons argumentos jurídicos e um bom Direito do nosso lado. Acredito que é possível construir uma situação de sensibilidade com o Supremo.”

O ministro, que voltou recentemente de uma rodada de reuniões com investidores em Nova York, diz que não identificou preocupação com as ofensivas de Bolsonaro contra os instituições ou a democracia, mas sim com continuidade dos programas de concessão.

Numa declaração rara para um bolsonarista, ele diz que uma eventual transição de Lula para Bolsonaro não mudaria o rumo do programa. E garante que os contratos firmados sob o atual governo terão continuidade numa administração Lula. E sempre preocupado com imagem do Brasil no exterior, Lira quer votar projetos para mostrar na COP-26.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
O ministro disse o que todo mundo sabia. Mas agiu de forma parcial e ardilosa, ao atribuir a paralisação dos caminhoneiros a empresários dos transportes e do agronegócio, o que todo mundo também sabia, mas esqueceu de pontuar que se tratava de empresários bolsonaristas, a serviço do Planalto na construção do golpe que o Alto Comando do Exército abortou, aos 48 minutos do segundo tempo, digamos assim. Como diz a Bíblia, a verdade nos libertará, não se deve omiti-la. (C.N.)

3 thoughts on “Tarcísio de Freitas: “Empresários insuflaram caminhoneiros nos atos de 7 de setembro”

  1. Realmente os ministros do mito estão mesmo se superando quando o caso é de alopração. Felizmente quem quer se informar não perde mais tempo lendo jornais, revistas ou vendo telejornais, alguns são radicalmente contra o mito, e outros fanaticamente leais ao mito, defendendo-o até à morte. Felizmente existem as redes sociais, sem censura até não sei quando.

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