Tarso Genro, mais um do PT contra Sarney

Pedro do Coutto

Em declarações à repórter Larissa Guimarães, publicadas na Folha de São Paulo, de 29/07, o0 ministro Tarso Genro diretamente ampliou a cisão no governo e no PT, ao defender a Polícia Federal no caso das gravações que envolveram, não só o empresário Fernando Sarney, como também

O próprio José Sarney, presidente do Senado. O titular da Justiça afirmou taxativamente que não existe mais segredo (de justiça) no país. Assim agindo, colocou-se ao lado do senador Aloísio Mercadante que leu documento da bancada do PT pedindo o afastamento de Sarney e portanto contra a posição do ministro José Mucio Monteiro que, em nome do Planalto. Criticou o engajamento partidário na crise que transcorre. Tarso Genro caracterizou, de fato, a cisão que está acontecendo na legenda. Foi mais um impacto a abalar o panorama crítico no qual já se encontra aquele ex presidente da República. Não há mais segredo de justiça?

É o que Tarso Genro diz, inclusive argumentando que o Congresso até hoje não votou projeto de lei encaminhado pelo Ministério (da Justiça) regulamentando as escutas telefônicas. Tarso, que deixa a pasta em janeiro, segundo anunciou, para disputar em 2010 o governo do Rio Grande do Sul, reviveu o filme A Conversação, de Coppola, exibido há pouco mais de trinta anos, prevendo o fim da privacidade diante do avanço tecnológico das escutas e filmagens. Tornou-se também, por outro lado, personagem da peça Huis Clos, de Jean Paul Sartre, exibida no Rio em 1956, com Paulo Autran e Tônia Carrero nos papeis principais. Huis Clos foi traduzido como entre Quatro Paredes. A direção foi de Adolfo Celi. A expressão Huis Clos aplica-se aos processos que, na França, transcorrem em segredo de justiça.

Segredo no texto devassado de forma inevitável. Mas Coppola e Sartre são outras questões e pertencem ao universo da arte. No plano político, o ministro Tarso Genro, com a entrevista, procurou nitidamente solidarizar-se com Mercadante contra Mucio Monteiro, que no episódio expressava ou deveria interpretar a posição do presidente Lula. Neste caso, a cisão de correntes do Partido dos Trabalhadores não se refere apenas ao processo Sarney. É mais amplo. Refere-se à aliança PT-PMDB com reflexos na candidatura presidencial da ministra Dilma Roussef. Porque Tarso sabe muito bem que o código político (não só político, mas humano) é binário. Se você toca num ponto, o reflexo bate em outro. Até porque não existe ação sem reação. Talvez, entretanto, Tarso Genro considere que o apoio de Sarney à Dilma, em vez de acrescentar, diminui e usa o argumento para alertar o Planalto de que empenhar-se pela manutenção do atual presidente do Senado no posto não é o melhor caminho na estrada para 2010.

De fato, sem dúvida, o senador José Sarney a cada dia que passa vem se tornando um aliado pesado para o PT, que tem mais a perder com ele do que ganhar. Afinal de contas, por qual motivo Sarney é indispensável? A procura de uma resposta imediata é a melhor comprovação da dificuldade. O PMDB, que possui cinco ministérios no governo Lula, dele não vai se afastar se Sarney for substituído. Isso de um lado. De outro, que força política possui um governo que se sente na dependência de um só parlamentar? Não faz sentido. Se for esta a opção, é porque, aí sem, o executivo encontra-se enfraquecido e vulnerabilizado. Basta lembrar que  o mesmo governo afastou o ministro chefe da Casa Civil, José Dirceu, e nem por isso foi tragado por qualquer crise institucional. Pelo contrário. Livrou-se de um problema muito maior.

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