Tentativa de golpe de Bolsonaro encontra-se na estrada do tempo com a queda de Jânio Quadros em 1961

Charge do Gervásio (nocaute.blog.br)

Pedro do Coutto

É claro que o presidente Jair Bolsonaro tinha em mente (agora não sei se continua com a ideia) de fechar um golpe de Estado no país e partir para uma ditadura que se ajusta com o seu temperamento. Tanto tentou que, não encontrando respaldo do ministro da Defesa, Azevedo e Silva, e também do general Edson Pujol (Exército), do almirante Ilques Barbosa (Marinha) e do brigadeiro Antônio Carlos Moretti Bermudez (Aeronáutica), viu-se obrigado a nomear o general Braga Netto, o general Paulo Sérgio Nogueira, o almirante de esquadra Almir Garnier Santos, e o tenente-brigadeiro Carlos Alberto Baptista Júnior.

Evidentemente que tendo participado de manifestações contra o Congresso e contra o Supremo Tribunal Federal, o presidente da República estava desenvolvendo em sua mente uma ruptura totalitária. Foi impedido pelos militares que deixaram os postos. O episódio é transparente, afinal de contas, que outro motivo teria o chefe do Executivo para adotar medida tão drástica no segmento militar?  

FATO TRAUMÁTICO – Mas eu disse que o impulso de Bolsonaro se encontra através da estrada do tempo com a tentativa alucinada de Jânio Quadros que em 1961 desejava o poder absoluto. Sua renúncia em 25 de agosto, Dia do Soldado, decorreu de um fato traumático: o governador Carlos Lacerda, numa entrevista de primeira página, manchete do Jornal do Brasil, revelava ter sido convidado por Jânio Quadros para participar de um golpe de Estado.  

Imediatamente, Jânio partiu para fazer uma intervenção na Guanabara. Não encontrando respaldo do ministro da Guerra, Odylio Denys, do ministro da Marinha, Sílvio Heck e do ministro da Aeronáutica, Gabriel Grün Moss, renunciou de maneira espetacular, comunicando a sua iniciativa ao Congresso Nacional.

Os parlamentares advertidos pela entrevista de Lacerda ao JB aceitaram imediatamente a comunicação, inclusive o senador Auro de Moura Andrade. Afirmou que a renúncia é um ato individual de vontade, não está sujeito à apreciação pelo Poder Legislativo.

GESTO DE FIDEL – Jânio Quadros tentou repetir um gesto de Fidel Castro em 1960, quando uma multidão concentrada em Havana deu a ele o pretexto para retornar ao poder. Mas houve uma diferença fundamental: ninguém foi às ruas no país para apoiar Jânio Quadros. Sua renúncia encerrou um capítulo da história.  

Na edição de ontem de O Globo, Merval Pereira publicou mais um excelente artigo sobre a contradição de Jair Bolsonaro para consigo mesmo. Ele buscou uma solução apaziguadora escolhendo os novos chefes militares, como acentuou Igor Gielow na edição de ontem da Folha de São Paulo.  Inclusive, o general Paulo Nogueira ocupava um cargo de confiança na equipe do general Edson Pujol.  

GERADOR DE CRISES – Jair Bolsonaro, na minha opinião, é um gerador de crises e de contradições. Na tarde de quarta-feira, no Palácio do Planalto, ao assinar o calendário de pagamento do abono de emergência não usou máscara, ao contrário do que aconselha o ministro Marcelo Queiroga, e mostrou-se contrário às medidas restritivas, entre elas o distanciamento social.  

Disse haver dois inimigos no país: o vírus e o desemprego. “Não é ficando em casa que vamos solucionar esse problema”, afirmou. Ficar em casa tem sido um apelo constante dos cientistas e dos médicos que atuam no combate à Covid-19, entre eles o ministro Marcelo Queiroga.

MANIFESTO –  O governador João Doria, o apresentador da TV Globo, Luciano Huck, o ex-governador Ciro Gomes, o empresário João Amoêdo, o ex-ministro Henrique Mandetta e o governador Eduardo Leite lançaram um manifesto a favor do regime democrático, da liberdade de expressão, rejeitando qualquer iniciativa que se volte contra a democracia.

A matéria publicada na Folha de São Paulo, reportagem de Joelmir Tavares, e Vera Magalhães, O Globo, alcançou forte repercussão, aliás como era esperado. O ex-ministro Sergio Moro não foi convidado a se integrar na manifestação democrática.

DESEMPREGO – Reportagem de O Globo destaca texto divulgado pelo IBGE com base na pesquisa nacional por domicílios que revela ter subido para 14,2% o nível de desemprego em janeiro, atingindo assim o maior nível registrado desde 2012.

A pesquisa do IBGE colide com dados do governo divulgados na véspera informando ter havido um aumento de 460 empregos com carteira assinada regidos pela CLT no mês de fevereiro. Se em janeiro o desemprego estava subindo, qual a explicação lógica de terem sido feitas 460 mil contratações no mês seguinte, em fevereiro deste ano?

Aliás, para mim, é fácil elucidar a questão. Basta ver quantas novas contribuições foram registradas para o INSS e para o FGTS. Pois se os empregos tem vínculo com o INSS e o FGTS, é fácil saber se os depósitos estão sendo feitos para os dois órgãos.

DÍVIDA – Dívida do país sobre 0,6% em fevereiro. A informação é do Banco Central. Sobre ela na Folha de São Paulo escreveu Larissa Garcia. No Estado de São Paulo escreveram Eduardo Rodrigues e Fabrício de Castro. O endividamento atingiu assim 90% do Produto Interno Bruto brasileiro.

O PIB é de R$ 6,7 trilhões. A dívida alcançou R$ 6,1 trilhões. O governo continua emitindo títulos para aquisição pelo mercado. Os juros anuais são de 2,75%.  

PRESERVAÇÃO DA AMAZÔNIA – O Flamengo, matéria publicada pelo Estado de São Paulo, vai entrar em campo engajado contra o desmatamento e as queimadas da Amazônia, atuando assim com a camisa da cor verde que representa o meio ambiente.

O clube da maior torcida do Brasil firmou um contrato de publicidade com a empresa Moss que atua no setor de créditos de carbono vinculados à preservação do meio ambiente e contra o aquecimento global. A equipe rubro-negra é treinada por Rogério Ceni. Quem será o técnico do time contrário ? 

7 thoughts on “Tentativa de golpe de Bolsonaro encontra-se na estrada do tempo com a queda de Jânio Quadros em 1961

  1. O general “cotovelo” levou um belo de um pé na bunda. O mesmo pode-se dizer do general melancia domesticado pelo Tofolli. Bolsonaro implodiu as pontes com o STF. O Levy, pupilo de Gilmar Mendes, foi outro. Bye, bye Brasil!

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