Torquato Jardim precisa falar tudo o que sabe, pelo bem do Rio e da nação

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Torquato Jardim é um jurista muito respeitado

Jorge Béja

Torquato Jardim (Torquato Lorena Jardim) não é um alienado, débil mental, irresponsável ou coisa parecida. Este brasileiro nascido no Rio de Janeiro em 12.12.1949, hoje com 67 anos, foi aluno e é professor da Universidade de Brasília, cursou a Universidade de Michigan e entre outros relevantes serviços prestados ao país, foi ministro da Transparência e do Tribunal Superior Eleitoral. Não está ligado a partido político algum e é o atual ministro da Justiça — quiçá até hoje o único na era pós-ditadura — descompromissado com qualquer coisa ou pessoa que não seja limpa, de bem e proba. Jardim nem precisa do cargo. Também não pediu para ser ministro. Ele não tem o rabo preso e nada a temer e a perder. É independente.

Ou Michel Temer o exonera do cargo ou ele continua e o Rio (cidade e Estado) terá para com ele gigantesca dívida de gratidão. Talvez nem almeje ser governador, ainda que o eleitor fluminense queira vê-lo ocupando o Palácio Guanabara, onde pisam pés enormes e cabeças vazias.

DENÚNCIA GRAVÍSSIMA – O certo é que o que Torquato denunciou precisa ser esclarecido e investigado. O ministro não iria dizer o que disse irresponsavelmente. É verdade que o ônus da prova cabe a quem acusa ou alega, como se diz no meio forense. Mas quando o ministro diz que na Rocinha os bandidos faturam 10 milhões de reais por semana sujeitando os moradores à exploração criminosa com a venda disso e daquilo e tudo isso num local onde existe a presença de agentes da autoridade (UPP), que nada fazem para coibir, tanto é o bastante para que se dê a inversão do ônus da prova.

Por isso Torquato disse alto e em bom som: “Provem que eu estou errado”. O governo do Rio e as forças de segurança é que precisam, mesmo, provar o contrário e Torquato sabe disso. O ministro não é maluco ao ponto de dizer da existência de um deputado estadual envolvido, sem que seja verdade.

INTERPELAÇÃO? – Pezão disse que vai interpelar criminalmente o ministro no STF. A finalidade é arrancar do ministro o(s) nome(s) de envolvido(s) e detalhamento das denúncias dadas em entrevistas. Se nada disser e calar, o ministro será processado por prevaricação, calúnia, difamação e injúria, além da reparação cível por danos morais. É o que disse o governador Pezão. Prevaricação porque, sabendo a verdade, deveria agir e não agiu. Crimes contra a honra (calúnia, difamação e injúria) porque teria atingido os brios dos governantes. Danos morais pela suposta desmoralização causada à pessoa jurídica do Estado.

Que perigo! Não para o ministro, mas perigo para Pezão, pessoalmente ou através da Procuradoria do Estado. Esse ministro certamente sabe muito. Sabe e vai falar. Vai dar nomes aos bois. E a verdade virá à tona e nada de mau acontecerá ao ministro, que é ministro de Estado, ministro de um ministério nacional, ministro da União e esta não interveio no Estado do Rio, nem no todo, nem em parte. Portanto, Torquato Jardim está a salvo da imputação do crime de prevaricação que só poderia cometer caso o Estado do Rio estivesse sob intervenção federal e com Torquato Jardim, silencioso e de braços cruzados, à frente da pasta da Justiça. Não é o caso, evidentemente.

O ministro da Justiça está acima e fora desse contexto, desse quadro calamitoso e dramático que vive o povo do Rio. Ao menos enquanto não houver intervenção federal, com ele ministro da Justiça.

PELA CULATRA – Tudo indica que o tiro vai sair pela culatra. Ao ser interpelado — isso se não forem colocados, antes, panos quentes para que a interpelação não venha acontecer — o ministro vai dizer tudo o que sabe. E será uma bomba muito mais potente e destruidora do que as delações dos corruptos da Lava Jato.

Ministro Torquato, quando o senhor for interpelado, conte tudo. O povo do Rio não suporta mais viver neste inferno que outrora foi paraíso. E se Pezão recuar, vá em frente. O senhor não está cometendo crime de prevaricação, porque sua gestão é federal e o Rio não se encontra sob a intervenção federal de que trata o artigo 34 da Constituição do Brasil. Mas não será por isso que o senhor deixa de ter a obrigação social, moral, ética e solidária de prestar socorro ao povo do Rio.

E para se desincumbir desses primários deveres que são humanitários, vá, então, até a procuradora-Geral da República e, espontaneamente, preste um depoimento oficial e conte tudo, dê os nomes, mostre as provas. Isso e muito mais que seja necessário para que o povo do Rio volte a ter paz e as instituições do Estado sejam preservadas e higienizadas.

TODOS SÃO VÍTIMAS – As instituições também são vítimas. Mais de duzentos anos de existência da briosa Polícia Militar não podem ir para o lixo. Ou então procure o procurador-chefe do Ministério Público do Estado ou o convoque e faça o mesmo: denuncie tudo.

Ou se nada disso for suficiente, então convoque entrevista coletiva, em Brasília ou no Rio. E conte e prove tudo ao povo, o único destinatário de todas as atenções e cuidados de todas as instituições oficiais e do Estado Brasileiro, que deste é a razão de ser e existir. Ministro Torquato, adote seus conterrâneos cariocas e fluminenses, pois todos ficamos órfãos, abandonados, roubados e temos nossas vidas em permanente risco de perdê-las.

12 thoughts on “Torquato Jardim precisa falar tudo o que sabe, pelo bem do Rio e da nação

  1. o ministro já declarou que as informações que corroboram sua denúncia fazem parte de investigações da Abin e demais órgãos de inteligência e portanto são sigilosas e não podem ser anunciadas aos quatro ventos como desesperadamente querem o pezão, picciani e cia. E por que querem isso? Para descontruírem, junto com a mídia, as acusações e exterminarem provas, vivas ou materiais. Portanto ele simplesmente e legalmente não pode dar nomes aos bois, agora. O que ele fez foi antecipar que uma bomba de nêutrons está para desabar. Lembrem-se que o ministro fez toda a sua carreira pública nos governos militares (de 1972 a 86) e têm, com certeza, grandes amigos lá. Inclusive já foi acusado pela Veja, em setembro, de ter “loteado o ministério com militares em postos chave”. Como se colocar militar para comandar secretaria de presídios, justiça e segurança fosse anormal. Mas é a Veja fazendo Vejice. Continuando o raciocínio é animadora a possibilidade de que ele já tenha dicas de que as FFAA estão no limite do saco cheio e o embate se aproxima. Inevitavelmente.

    • Meu receio é que esse limite do saco dos militares não seja elástico e sujeito ao sistema de pesos e contrapesos citados pelo excelentíssimo generosíssimo general chefe do exército. Tivesse eu estrelas no ombro e poder para mandar, esses calhordas covardas já estariam em solitárias. Mas, sabe cumé, há alguns que nem saco têm!

  2. O estado de calamidade financeira e guerra civil que vive o Rio de Janeiro, é a maior prova de que esta tudo errado.
    O que acontece no estado é em função justamente
    do que o ministro acusa, caso contrário nada disso seria fato.
    O tempo que vão perder batendo boca com o ministro, deveria ser usado para justamente apurar as denúncias.
    Dizem até que a grande maioria dos coronéis da PM é aposentada por invalidez, talvez acometidos por doenças profissionais.
    A verdade é que a podridão esta fedendo, e muito.

  3. Houve uma enorme expectativa quando esse senhor assumiu o Ministério da Justiça.

    Lembro que foi duramente criticado porque se dizia que trocaria os delegados que trabalhavam na Lava Jato, que iria fragilizá-la …

    Pois este artigo muito interessante e esclarecedor do nosso advogado e articulista, dr. Béja, pedindo que o senhor Torquato esclareça para o público os envolvidos em crimes que colocam o Rio à mercê da violência é o clamor de uma sociedade acuada, perdida, sem saber o que fazer e a quem responsabilizar!

    Ora, na razão direta que o ministro detém consigo aqueles que transformaram o Rio em praça de guerra, em “front”, a sua obrigação tácita, ética e moral é dar satisfações ao povo, mais:

    Terá de informar ao cidadão como vai fazer para resolver a criminalidade na Cidade Maravilhosa, pois não bastará que dê nomes aos bois sem que estejam acompanhados das medidas necessárias e urgentes que resolvam os distúrbios gravíssimos existentes, principalmente aqueles que redundam nas mortes de policiais, que se aproximam de quase 120 PMs mortos pelos bandidos, e com a permissão do parlamento para esta carnificina!

    Inegavelmente a Tribuna da Internet é a vanguarda da imprensa neste tipo de notícias, diante da falta de compromisso da mídia para com a população, invariavelmente à disposição de políticos ou de partidos que ofereçam remunerações sobre as manchetes que devem ostentar os jornais!

    Parabéns ao nosso eminente jurista por mais este texto de suma importância, e a minha reverência ao Mediador pela presteza em colocar esse tipo de assunto imediatamente, tornando-se também como o blog dos grandes furos jornalísticos!

  4. Senhor, doutor, Jorge Beja.
    Do alto da minha ignorância, me atrevo a dizer que conhecendo o Brasil como conhecemos, nada acontecerá e tudo será em breve esquecido.

    Lamentável…..

  5. Glasnost (transparência)

    Denomina-se vulgo, plebe, turba, multidão. É formado pelos que murmuram, aplaudem, assobiam, pateiam, afirmam ou negam. Jamais tem rosto nem nome. VICTOR HUGO

    “Durante o governo de Gorbachev, em 1985, foi introduzida a Perestroika, uma reestruturação política da URSS (União das Repúblicas Socialistas Soviéticas) que, juntamente com a Glasnost (transparência), tinha o objetivo de reorganizar setores da sociedade soviética.”

    Eu não creio que o público saiba o que deseja; é a conclusão que tirei da minha própria carreira. CHARLES CHAPLIN

    http://mundovelhomundonovo.blogspot.com.br/2016/06/transparencia.html

  6. O que está acontecendo no Rio é o prelúdio do que está para acontecer a nível nacional, aliás, já acontece, só que essas coisas não vem a luz.

  7. Boa tarde.

    O mundo no qual vivemos hoje com tantas informações que veem a nos destruir com as necessidades de tomadas de decisões, nos fazem robôs.
    Somos obrigados a omitir opiniões muitas das vezes, inconscientemente direcionadas por propagandas e mensagens que mal sequer presenciamos (mensagens subliminares); exemplo disso é que a bem pouco tempo, “desacreditávamos do Ministro Torquato Jardim”.
    Ao emitirmos opiniões sem estudo aprofundado, ficamos a mercê destas opiniões, ficamos presos a elas.
    Diante do exposto, coloco com toda humildade que, palavras, sonhos, aspirações no sofá são apenas sonhos. Opiniões sem atitudes e dados sem aprofundamento da questão, são inócuos.
    Nenhum Ministro da Justiça, nem General do Exército, acredito eu, até o momento- opinião, ” jogam palavras ao vento”.
    Vamos aguardar, mas parece que a casa vai cair.
    Esta declaração não tem mais volta e assim queria quem as proferiu. CORAJOSO e parabéns. Esta é minha opinião, certa ou errada.

  8. Torquato boca de sabão,tem lá suas razões mas,só não foi macho,para denunciar o órgão mais corrupto do país,que é o sistema judiciário.
    Tivesse o Brasil um judiciário digno e decente,não haveria corrupção.

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