Trump mantém o boicote contra o sistema de saúde pública aos americanos pobres

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Se vencer, Trump encontrará uma forma de acabar com o Obamacare

Paul Krugman
Folha

Os pré-candidatos democratas à presidência dedicaram muito tempo a discutir o chamado “Medicare para Todos”, e alguns partidários de Bernie Sanders afirmam que qualquer político que não exija a implementação imediata de um sistema de saúde de pagador único é servo das grandes empresas, ou algo assim.

Mas a realidade é que, não importa que méritos a ideia tenha, um sistema de cobertura universal de saúde fornecido pelo governo não será adotado, pelo menos não no futuro previsível.

FALTAM VOTOS – Afirmo isso porque, mesmo que os democratas conquistem a Casa Branca e a maioria no Senado, os votos necessários a eliminar os planos de saúde privados não existiriam, e tampouco o apoio público esmagador que seria preciso para mudar o cálculo. Na prática, qualquer dos candidatos democratas – mesmo Sanders –, caso vitorioso,  terá de ampliar e melhorar o Obamacare.

Por outro lado, se Donald Trump vencer, ele provavelmente encontrará uma maneira de acabar com o Obamacare, privando dezenas de milhões de americanos de sua cobertura de saúde.

Vamos falar sobre o Obamacare, por um minuto. Existe uma espécie de aliança perversa entre os republicanos e alguns progressistas, e os dois grupos estão determinados, mesmo que por motivos diferentes, a encarar a Lei de Acesso à Saúde como fracasso.

RESPONSABILIDADE – Essas avaliações pessimistas são facilitadas pelo fato de que a Lei de Acesso à Saúde deixou aos estados muita da responsabilidade por sua implementação, e o desempenho nacional do sistema foi prejudicado pelos estados que fizeram todo o possível para sabotar a reforma da saúde.

Mas observe os estados que tentaram fazer com que a lei funcionasse, e o que encontrará é um imenso sucesso de política pública, ainda que incompleto. Um exemplo é a Califórnia. Em 2010, antes que a lei de reforma da saúde entrasse em vigor, 21% dos californianos não idosos estavam desprovidos de planos de saúde, uma média superior à nacional.

Em 2016, a porcentagem de pessoas desprovidas de seguro-saúde havia caído a 8%. E os californianos com problemas de saúde pré-existentes registraram imensa melhora em sua saúde e em sua segurança financeira.

AINDA É FALHO – Um percentual de 8% de pessoas desprovidas de cobertura de saúde ainda é alto demais, e mesmo as pessoas que dispõem de planos de saúde ainda enfrentam custos altos. Mas melhoras relativamente pequenas na lei, especialmente um aumento modesto nos subsídios ao custo de seguro-saúde, poderiam melhorar significativamente tanto a qualidade quanto a dimensão da cobertura.

Será que apontar a possibilidade de uma melhora gradativa significa abrir mão da possibilidade de um sistema de saúde verdadeiramente universal? Não. Devemos de fato tentar fazer de algo mais ambicioso, como o Medicare para Todos, um objetivo de longo prazo. Mas esse objetivo não deveria impedir que busquemos medidas capazes de beneficiar imediatamente Milhões de americanos, e de salvar milhares de vidas.

EXISTE BOICOTE – E enquanto debatemos o sistema de saúde ideal, não devemos esquecer que Trump e seus aliados continuam determinados a desfazer o progresso que conquistamos.

É verdade que as repetidas tentativas republicanas de destruir a Lei de Acesso à Saúde até agora fracassaram. Em 2012, a Suprema Corte rejeitou a teoria de que a lei era inconstitucional em sua íntegra.

Em 2017, os republicanos não conseguiram por pouco revogar o Obamacare no Congresso. E diversos esforços mais estreitos para solapar a reforma da saúde e colocar os mercados de planos de saúde em uma “espiral da morte” não conseguiram os resultados que eles esperavam. Os mercados parecem ter se estabilizado e, um a um, os estados que inicialmente rejeitaram a expansão do programa de saúde Medicaid estão mudando de ideia. Mas as pessoas interessadas em demolir o sistema de saúde dos americanos não desistiram.

NOVA TENTATIVA – A mais recente tentativa é um processo que afirma que o corte de impostos aprovado em 2017, que reduziu a zero a penalidade imposta a quem não tem planos de saúde, de alguma forma tornou toda a Lei de Acesso à Saúde inconstitucional. É uma interpretação ridícula, tanto em termos de substância – a lei subitamente seria constitucional se a penalidade fosse de um centavo de dólar? – quanto porque está claro que não era essa a intenção dos legisladores.

Mas o governo Trump agora é um dos proponentes do processo, e um juiz partidários dos republicanos de fato decidiu que a Lei de Acesso à Saúde deveria ser completamente invalidada.

O caso claramente está a caminho da Suprema Corte. Mas Trump não quer que ele seja julgado antes da eleição.

TUDO NA REELEIÇÃO – Por que Trump prefere deixar o processo pendente? Em parte porque seu lado provavelmente perderia. Como eu disse, o processo é ridículo, ainda que, dado o partidarismo dos juízes apontados pelos republicanos, existe uma possibilidade de que ele tenha sucesso.

Para além disso, no entanto, a estratégia política de Trump com relação ao sistema de saúde é a de mentir descaradamente sobre o que ele fez e está tentando fazer. Na segunda-feira, ele fez a gritantemente desonesta afirmação de que é “a pessoa que salvou os pacientes com problemas de saúde pré-existentes” – gritantemente desonesta porque ele tentou a cada passo remover as proteções aos pacientes com problemas de saúde pré-existentes estabelecidas pela Lei de Acesso à Saúde.

E AS MENTIRAS? – Embora Trump, que mente constantemente, muitas vezes pareça pagar pouco por suas mentiras, esta – que afeta as vidas de milhões de eleitores –seria exposta de maneira muito clara caso o processo fosse julgado pela Suprema Corte. Ele quer privar os cidadãos de seus serviços de saúde, mas não quer eles saibam disso até depois da eleição.

Assim, essa é a verdadeira questão quanto ao sistema de saúde, este ano. Teremos cobertura expandida sob um presidente democrata – provavelmente não faz muita diferença quem seja – ou teremos dezenas de milhões de americanos que passarão a não contar com planos de saúde, sob Trump? (Tradução de Paulo Migliacci)

6 thoughts on “Trump mantém o boicote contra o sistema de saúde pública aos americanos pobres

  1. Nós lemos alguns comentários que parecem marcianos como por exemplo o NOM (nova ordem mundial); mas, com o escrito acima parece que realmente querem adotar medidas nazistas para reduzir a população mundial de forma que o que restar seja para alguns.

  2. E será que os democratas tem intenção real de implantar tal utopia? Talvez no fundo eles estejam gratos pela simples existência dos republicanos que impossibilita a concretização de suas promessas. Num famoso episódio futurista dos Simpsons foi sugerido que os democratas não aprovariam suas reformas nem que tivessem todos os assentos do senado, à exceção de um, e a culpa disso seria do único republicano, naturalmente.
    https://www.youtube.com/watch?v=IkPcbvX5Fvo

  3. Trump está apenas tentando cumprir mais uma promessa de campanha, ele disse que acabaria com o obamacare, e foi eleito também por isso.

    A esquerda americana, igual a qualquer esquerdista no resto do mundo, quer apenas um motivo pra estatizar e arrancar mais dinheiro da população.

  4. ???????????????????
    “. Donald J. Trump é claramente um presidente pró-vida.
    Resumo da Notícia: “Trump: o Presidente Pró-Vida”, Canada Free Press, 15/1/2020.

    “Em 1973 quando a Suprema Corte, sob a presidência do juiz Warren Burger, virou a Constituição de cabeça para baixo, descobrindo um direito constitucional para matar os nascituros, o então presidente Nixon nem sequer fez um pronunciamento público… Desde então, elegemos vários presidentes que diziam publicamente ser pró-vida: Ronald Reagan, George Bush e George W. Bush. Todos os três tomaram algumas medidas para restringir o financiamento federal para o aborto e fizeram declarações públicas para condenar o aborto e fortalecer a posição pró-vida. Todos os três gravaram discursos de apoio para as maciças marchas anuais do Direito à Vida em Washington, repletas com valores e eleitores pró-vida.”

    “Logicamente, desde que a matança dos inocentes obteve o selo federal de aprovação, vimos todos os candidatos democratas defenderem a liberdade de escolher a morte. Dois deles chegaram à Casa Branca: Bill Clinton e Barack Obama. Depois que ambos abriram orgulhosamente a torneira do Tesouro para as clínicas de aborto, forçaram todos os contribuintes a derramar bilhões de dólares na eliminação em escala industrial de gerações de americanos.”

    “Então veio Trump.”

    “O presidente Trump trabalha diariamente para cumprir suas promessas de campanha… Aqui estão apenas algumas das realizações do presidente Trump e de seu governo.”

    “Indicar juízes pró-vida para a Suprema Corte.”
    “Ele nomeou cerca de 180 juízes (desembargadores) federais pró-vida para os Tribunais de circuito e distritais.”

    “Privou a indústria do aborto de bilhões de dólares:”
    “Assinou legislação que permite que os Estados retirem o financiamento da Planned Parenthood dos programas de planejamento familiar.”

    “Emitiu uma Ordem Executiva que deu aos Estados a opção de reter o dinheiro da Medicaid e outros fundos federais de organização que realizam abortos, incluindo a Parent Parenthood.”

    “Emitiu a Regra Proteger a Vida, que corta o financiamento dos programas de planejamento familiar no nível federal da Planned Parenthood e o restante da indústria do aborto.”

    “Trump modificou a regras de financiamento federal com relação à pesquisa. De acordo com as novas diretrizes, os fundos federais não podem mais apoiar pesquisa que usa partes de corpos de crianças mortas em abortos.”

    “Trump reinstalou e expandiu a “Política da Cidade do México”. Essa política da era Bush protegeu aproximadamente US$ 500 milhões em gastos… protege mais de US$ 8,8 bilhões em auxílio federal para outros países de financiarem o aborto.” (ênfase adicionada).

    “Ele encerrou o financiamento para o Fundo da População das Nações Unidas (UNFPA).”

    “O Departamento de Saúde e Serviços Humanos, sob a liderança do Dr. Ben Carson, na administração Trump, emitiu uma regra que requer que as seguradoras informem seus clientes se o plano de saúde que eles estão adquirindo cobre os custos com aborto.”

    “Trump criou um novo escritório no Departamento de Saúde e Serviços Humanos, para Consciência e Liberdade Religiosa. Agora, as pessoas que, dentro das regulamentações do seguro de saúde ObamaCare eram forçadas a participar no aborto, podem ter seus direitos explicados e protegidos mais efetivamente.”

    “Trump indicou fortes defensores pró-vida em toda sua administração.”
    “Há muito tempo buscávamos alguém que liderasse o movimento pró-vida em direção ao nosso objetivo de terminar com o massacre dos nascituros. Acredito que Deus não julga as sociedades pelo pecado que existe nelas, pois o mesmo pecado esconde-se dentro de todos os seres humanos. Acredito que, ao revés, Deus julga as sociedades pelos pecados que elas apoiam.”

    “O que nosso Pai Celestial nos diz? ‘Se o meu povo, que se chama pelo meu nome, se humilhar, e orar, e buscar a minha face e se converter dos seus maus caminhos, então eu ouvirei dos céus, e perdoarei os seus pecados, e sararei a sua terra.’ [2 Crônicas 7:14].”

    “Não se desespere. Ao contrário, alegre-se, pois finalmente temos um presidente que está nos tirando das trevas do infanticídio e nos levando de volta para a luz da vida. Assim, mantenha a fé, mantenha a paz, pois iremos vencer. Além disso, por que se preocupar se podemos orar?”

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