Um desesperado poema de amor, na genialidade de Ariano Suassuna

Resultado de imagem para ariano suassunaPaulo Peres
Poemas & Canções

O escritor e poeta paraíbano Ariano Suassuna, no poema ‘A Mulher e o Reino”, exalta a mulher amada, revolta-se contra a razão e imortaliza o amor.

A MULHER E O REINO
Ariano Suassuna

Oh! Romã do pomar, relva esmeralda
Olhos de ouro e azul, minha alazã
Ária em forma de sol, fruto de prata
Meu chão, meu anel, cor do amanhã

Oh! Meu sangue, meu sono e dor, coragem
Meu candeeiro aceso da miragem
Meu mito e meu poder, minha mulher

Dizem que tudo passa e o tempo duro
tudo esfarela
O sangue há de morrer

Mas quando a luz me diz que esse ouro puro
se acaba pôr finar e corromper
Meu sangue ferve contra a vã razão
E há de pulsar o amor na escuridão

6 thoughts on “Um desesperado poema de amor, na genialidade de Ariano Suassuna

  1. Fragmento de uma entrevista:
    “O sr. já disse que se recusava a morrer e que toda morte é como um suicídio. Como essa experiência afetou o modo com que o sr. lida com ela?

    – Não afetou não. É claro que, objetivamente, eu sei que vou morrer. Não sei se você já notou, mas nenhum de nós acredita que morre, o que é uma bênção. A gente se porta a vida toda como se nunca fosse morrer, o que é muito bom. Porque se a gente for pensar na morte como uma coisa fundamental, inevitável e próxima, a gente vai perder o gosto de viver, vai perder o gosto de tudo. Eu digo isso procurando verbalizar uma inclinação que acho que é de todo mundo. A gente tem uma tendência a acreditar que não morre.”

  2. Cordel: A chegada de Ariano Suassuna no céu
    JOÃO PAULO CALDEIRA

    Do Portal Vermelho

    Por Klévisson Viana e Bule-Bule

    Nos palcos do firmamento
    Jesus concebeu um plano
    De montar um espetáculo
    Para Deus Pai Soberano
    E, ao lembrar de um dramaturgo,
    Mandou buscar Ariano.

    Jesus mandou-lhe um convite,
    Mas Ariano não leu.
    Estava noutro idioma,
    Ele num canto esqueceu,
    Nem sequer observou
    Quem foi que lhe escreveu.

    Depois de um tempo, mandou
    Uma segunda missiva.
    A secretária do artista
    Logo a dita carta arquiva,
    Dizendo: — Viagem longa
    A meu mestre não cativa.

    • Obrigado pela informação, Carmen Lins, mas é coincidência de nomes. Meu filho chamava-se Newton Ricardo. Erá músico e poeta.

      Abs.

      CN

  3. A esquerda e a direita segundo Ariano Suassuna

    “Quem, na sua visão do social, coloca a ênfase na justiça, é de esquerda. Quem a coloca na eficácia e no lucro, é de direita”.

    Ariano Suassuna, reproduzido da página do MST

    Não concordo com a afirmação, hoje muito comum, de que não mais existem esquerda e direita. Acho até que quem diz isso normalmente é de direita.

    Talvez eu pense assim porque mantenho, ainda hoje, uma visão religiosa do mundo e do homem, visão que, muito moço, alguns mestres me ajudaram a encontrar. Entre eles, talvez os mais importantes tenham sido Dostoiévski e aquela grande mulher que foi santa Teresa de Ávila.
    Como consequência, também minha visão política tem substrato religioso. Olhando para o futuro, acredito que enquanto houver um desvalido, enquanto perdurar a injustiça com os infortunados de qualquer natureza, teremos que pensar e repensar a história em termos de esquerda e direita.

    Temos também que olhar para trás e constatar que Herodes e Pilatos eram de direita, enquanto o Cristo e são João Batista eram de esquerda. Judas inicialmente era da esquerda. Traiu e passou para o outro lado: o de Barrabás, aquele criminoso que, com apoio da direita e do povo por ela enganado, na primeira grande “assembléia geral” da história moderna, ganhou contra o Cristo uma eleição decisiva.

    De esquerda eram também os apóstolos que estabeleceram a primeira comunidade cristã, em bases muito parecidas com as do pré-socialismo organizado em Canudos por Antônio Conselheiro. Para demonstrar isso, basta comparar o texto de são Lucas, nos “Atos dos Apóstolos”, com o de Euclydes da Cunha em “Os Sertões”.

    Escreve o primeiro: “Ninguém considerava exclusivamente seu o que possuía, mas tudo entre eles era comum. Não havia entre eles necessitado algum. Os que possuíam terras e casas, vendiam-nas, traziam os valores das vendas e os depunham aos pés dos apóstolos. Distribuía-se, então, a cada um, segundo a sua necessidade”.

    Afirma o segundo, sobre o pré-socialismo dos seguidores de Antônio Conselheiro: “A propriedade tornou-se-lhes uma forma exagerada do coletivismo tribal dos beduínos: apropriação pessoal apenas de objetos móveis e das casas, comunidade absoluta da terra, das pastagens, dos rebanhos e dos escassos produtos das culturas, cujos donos recebiam exígua quota parte, revertendo o resto para a companhia” (isto é, para a comunidade).

    Concluo recordando que, no Brasil atual, outra maneira fácil de manter clara a distinção é a seguinte: quem é de esquerda, luta para manter a soberania nacional e é socialista; quem é de direita, é entreguista e capitalista. Quem, na sua visão do social, coloca a ênfase na justiça, é de esquerda. Quem a coloca na eficácia e no lucro, é de direita.

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  4. A mulher e o reino apresenta a mulher com toda sua força, perante a eternidade do amor que pulsa mesmo na escuridão do tùmulo” “Meu sangue fica na razão/e há de pulsar na escuridão”
    Criticos literários identificam neste poema, a mullher do poeta, Zélia. que tinha olhos verdes, resultado de “Olhos de ouro e azul”.
    Sei que é um belo de poema do amor eterno.

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