Vem, vamos embora, que esperar não é saber, quem sabe faz a hora…

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Vandré, com a cantora americana Joan Baez

Paulo Peres
Site Poemas & Canções

O advogado, cantor e compositor Geraldo Vandré, nome artístico utilizado pelo paraibano Geraldo Pedroso de Araújo Dia, em 1968 participou do III Festival Internacional da Canção com “Pra não dizer que não falei de flores”, mais conhecida por “Caminhando”. A música surgiu como um apelo nacional de mudança e veio ao encontro das aspirações do povo brasileiro que vivia um regime de opressão e instabilidade econômica, social e política. A letra trazia toda a força, inconformidade e chamado de luta e de mudança, características próprias da juventude. Ela fala em união, igualdade, integração e aborda os problemas sociais da época, a pobreza, a reforma agrária, a vida dos soldados nos quartéis, a inutilidade das guerras, conclamando a todos para uma ação conjunta de mudanças, sem demora.

A composição se tornou um hino de resistência do movimento civil e estudantil que fazia oposição à ditadura militar e foi censurada. O Refrão “Vem, vamos embora / Que esperar não é saber / Quem sabe faz a hora, / Não espera acontecer” foi interpretado como uma chamada à luta armada contra os ditadores, segundo os censores da época.

PRA NÃO DIZER QUE NÃO FALEI DE FLORES
Geraldo Vandré

Caminhando e cantando e seguindo a canção
Somos todos iguais braços dados ou não
Nas escolas nas ruas, campos, construções
Caminhando e cantando e seguindo a canção

Vem, vamos embora, que esperar não é saber,
Quem sabe faz a hora, não espera acontecer

Vem, vamos embora, que esperar não é saber,
Quem sabe faz a hora, não espera acontecer

Pelos campos há fome em grandes plantações
Pelas ruas marchando indecisos cordões
Ainda fazem da flor seu mais forte refrão
E acreditam nas flores vencendo o canhão

Vem, vamos embora, que esperar não é saber,
Quem sabe faz a hora, não espera acontecer.

Vem, vamos embora, que esperar não é saber,
Quem sabe faz a hora, não espera acontecer.

Há soldados armados, amados ou não
Quase todos perdidos de armas na mão
Nos quartéis lhes ensinam uma antiga lição
De morrer pela pátria e viver sem razão

Vem, vamos embora, que esperar não é saber,
Quem sabe faz a hora, não espera acontecer.

Vem, vamos embora, que esperar não é saber,
Quem sabe faz a hora, não espera acontecer.

Nas escolas, nas ruas, campos, construções
Somos todos soldados, armados ou não
Caminhando e cantando e seguindo a canção
Somos todos iguais braços dados ou não
Os amores na mente, as flores no chão
A certeza na frente, a história na mão
Caminhando e cantando e seguindo a canção
Aprendendo e ensinando uma nova lição

Vem, vamos embora, que esperar não é saber,
Quem sabe faz a hora, não espera acontecer.

Vem, vamos embora, que esperar não é saber,
Quem sabe faz a hora, não espera acontecer.

24 thoughts on “Vem, vamos embora, que esperar não é saber, quem sabe faz a hora…

  1. Mudar para onde ? Mudar apenas de endereço e de personagens, e manter o script e o enredo ? O Brasil, na verdade, revelou-se um complexo de ditaduras setoriais, sendo a ditadura o tempo a mais implacável delas, posto que pega geral sem dó e sem piedade, dai a ditadura da má-fé política, da bandidagem, da mídia, do capital velhaco, do establishment financeiro bandido, a ditadura do partidarismo eleitoral, do golpismo ditatorial e do seus tentáculos, velhaco$, dos sofismas, das bravatas, a ditadura do monopólio eleitoral, policial, da toga, do mercado, do estado, enfim são tantas ditaduras que só mesmo Cristos e Quixotes ousam desafiá-las. Trocando em miúdos, cerca de 70% da população, pelo menos, continua querendo a Revolução Redentora, o Projeto Novo e Alternativo de Política e de Nação, que, aliás, à época de Vandré e da rebeldia social dos anos de chumbo não tínhamos mas que agora temos, como propõe a RPL-PNBC-DD-ME, o novo caminho para o novo Brasil de verdade, porque evoluir é preciso, com Democracia Direta e Meritocracia Eleitoral. Mas, quem se interessa por isso, dentro do partidarismo eleitoral, do golpismo ditatorial e dos seus tentáculos, velhaco$, e a ditadura dos me$mo$ ?

  2. Aviso aos navegantes do partidarismo eleitoral, do golpismo ditatorial e dos seus tentáculos, velhaco$: desejo populacional represado é desejo multiplicado, impossível de ser contido a vida toda.

  3. O Vandré utilizou esta magnifica letra de música, propondo a pacificação e a união do povo Brasileiro, porém, a malícia esquerdopata, se aproveitou para pregar a luta armada, e não a realidade que Gandhi pregou na Índia, “Não violência”. Infelizmente tanto naquela época, como agora a imprensa Esquerdista prega o ódio de classes como o PT fez durante toda sua historia.

  4. Quando as pessoas entenderem que o melhor para o trabalhador é o emprego e para isso o melhor é facilitar a instalação de empresas, ao contrário do que se faz neste país social-fascista criado por Getúlio, a hora do povo vai chegar.
    A China, social-comunista, fez isso e se tornou a segunda potência do planeta.

  5. DESACORDONAR
    Geraldo Vandré

    “Compañeros
    les pido toda atención
    pagaré con esperanza distinta de la ilusión
    la vigüela cuando canta en contra de mi corazón
    no se reusa la historia
    aunque sea diversión.

    Y ahora la historia sigue al hombre del azadón
    que encontré en un sembrado
    sin tiempo para canción
    pero de su claridad y certeza y decisión
    del poco que habló conmigo
    recogí yo la expresión.

    Desacordonar compañeros,
    desacordonar compañeros,
    desacordonar, compañeros.

    Al hombre sigue la historia
    y al hombre, historia y canción,
    seguiran cuantos hubieren
    amantes de esta nación
    estudiantes, operarios
    soldados y obreros son
    desde cuando comprendieren
    que vida es transformación.

    Hasta ya cambió el cura
    enseñando su lección
    que somos todos del barro
    sembrador, mula y peón.

    Y la distinción que era, se adueño de mi rincón
    hasta ya cambió su traición a ese barro sin patrón.

    Desacordonar compañeros,
    desacordonar compañeros,
    desacordonar compañeros,

    Amante de la belleza
    cantador de profesión
    yo vengo aqui para darte en mi amor obligación
    por motiva el pensamiento del hombre del azadón
    no tal vez en las palabras si por cierto en la intención.

    Yo no soy si tu no eres y no voy si tu no vas.
    Yo no soy si tu no eres y no voy si tu no vas,
    los campos sin los payares son cual hombres sin mujeres
    son cantos sin pueblos atrás, son cantos sin pueblo atrás.
    Es como dividir la tierra y no compartirla en paz,
    es como dividir la tierra y no compartirla en paz.

    Desacordonar compañeros,
    desacordonar compañeros,
    desacordonar compañeros.

    Los hornos donde hacen pan
    son manos de hierro, son.
    Las gruas en construcción
    son manos de hierro, son.
    Y a veces en las escuelas, los libros también lo son.
    si ahora y siempre nos sirven a nuestra liberación.

    Romper las manos de hierro,
    de hierro no sangrarán,
    que sangre la dio el pueblo pa’ espaldas a prisión
    o en manos del mayordomo con trompo y al patrón
    sembrando la tierra entera sin goger la comprensión
    de que saber porque planta es más que una plantación.

    Desacordonar compañeros,
    desacordonar compañeros,
    desacordonar compañeros.

    Compañeros de las minas, facultades y oficinas,
    sembrando ahora en los valles, los regimientos y usinas
    y en las escuelas y calles, y en las escuelas y calles…
    la esperanza campesina que camina, que camina… que camina…
    tan ansiosa como niña, presintiendo la atraición
    que se organiza en la esquina.

    Desacordonar compañeros, a todos por esta niña.
    Y al que se ponga al frente, hay que probar y probar.
    La niña es toda la gente y no la voy a parar.

    Desacordonar compañeros,
    desacordonar…
    Y al dueño que está dolido, dile que ya va a pasar…
    la ira… la ira… la ira… la ira…”

  6. “Quero ver de novo
    ovo ovo ovo elo elo elo
    verde e amarelo
    na escola pública
    reinando o ensino
    igual quando eu era menino

    Quem sabe um dia
    todo mundo venha a ter a mesma alegria
    que tem o povo do Rio de Janeiro e da Bahia

    E a gente aprenda com São Paulo
    a fazer rolar o dinheiro
    também no Brasil inteiro

    Se fosse por nós
    a vida aqui seria uma beleza
    com pão e amor á mesa

    Mas o momento é deveras delicado,
    puxa…
    há tanto praticado que não traz chuva ao roçado.
    O consumismo, a violência,
    o uso inadequado da ciência,
    muita gente avançando o sinal,
    o desmatamento e o aquecimento global…

    mas vamos tocando o barco
    dando a remada inicial
    e deixando o resto
    com o rei da vela
    que, apesar de tudo
    a vida e boa
    e ainda e bela”

    Luís Galvão – Novos Baianos

  7. E para não nos perdermos na história, em plena DEMOCRACIA, quantos são os assassinados, castrados, violentados todos os dias em nossas cidades?

    Como querer esconder atrás de uma ditadura, uma democracia pobre, podre?

    Não existe regime perfeito. As pessoas são imperfeitas. A modelá-las, somente instituições justas, sólidas e permanentes.

    Admiro e agradeço a Vandré as belíssimas letras e músicas que nos deixou. lamento que aqueles que usaram suas mensagens tenham feito das piores formas possíveis.

    Uma bela e honrada bandeira, quando em mãos sujas e criminosas, se transforma em pano de limpar chão sujo!

    Fallavena

  8. ….

    “E foi sempre assim,
    e há de ser sempre assim
    um homem e uma mulher
    no mundo
    se perdendo
    ou se encontrando
    entre o céu e o inferno
    Orfeu e Oribes
    entre Capuletos e Mompetos
    Romeu e Julieta
    entre Gregos e Troianos
    Hares e Helena
    entre a Lei e o Agreste
    Cristino e Dadá
    Virgulino e Maria bonita

    João e Maria
    mais que todos
    perdidos no todo dia

    Gente do povo
    sem famílias tradicionais
    sem poderes especiais
    sem reinados
    sem exércitos
    e sem literatura

    Amor comum
    tão comum
    que súbito se confunde
    vai do nada
    pra o total
    de João
    e de Maria
    pra todos
    e por igual”

    Geraldo Vandre ao vivo em Goiania – 1968.
    Geraldo Vandré e Quarteto Livre, no Espetáculo: “Socorro – A Poesia Está Matando o Povo”

  9. Quer pior tortura do que ser desgovernados e roubados durante 14 anos por Lula e sua Canalha Petralha/Cleptômana/Corrupta Contumaz ??????? TRISTES TRÓPICOS !!!!!!

  10. Por volta de 2010 vi uma entrevista do Vandré; entrevista muito estranha. Não falava coisa com coisa. Não deu para entender o que ele dizia. Ele, que compôs aquela maravilhosa música para não dizer que não falei de flores “quem sabe faz a hora” e a outra “Disparada – Mas o mundo foi rodando/mas patas do meu cavalo/e nos sonho/que fui sonhando/as visões se clareando, as visões de clareando/até que um dia acorde”, músicas que claramente indicavam a sua insatisfação e a necessidade de uma reação. É um mistério sua entrevista, com uma conversa mole, não disse nem esclareceu nada. Talentoso, ninguém pode negar, mas seria que tinha tanto medo da tortura e mudou de lado para não passar por qualquer sofrimento?!
    Em setembro de 1968, Vandré concorreu com a música Disparada, interpretada por Cybele e Cynara do Quarteto em Ci, e Chico e Tom –concorreram com Sabiá. A preferida do público, era exatamente, Disparada (censurada pelos militares) Venceu Sabiá, que manda sutilmente, recado aos miliares enquanto a do Vandré ia direito. Foi uma vaia estrondosa dirigida aos vencedores – Chico e Tom. Vandré sai em defesa dos dois perdedores dizendo:
    A vida não se resume em festivais. “Antônio Carlos Jobim e Chico Buarque de Hollanda merecem o nosso respeito. A vida não se resume em festivais.
    Quem viu a entrevista não reconhece o Vandré – evasivo… Dizendo que não foi torturado, que não é antimilitarista. Ele fez até uma música homenageando a FAB “Fabiana”
    Mas não posso desmerecer sua poesia.Ele pode ter sido destruido, mas não derrotado.

    • Prezada Carmen,
      Não apenas ouvi/vi mascopiei. É um documento que precisa ser melhor analisado. Tomara tenha eu tempo e capacidade.
      Mas te afirmo: ouvindo as músicas e analisando as letras de várias delas, cheguei a conclusões um pouco diferentes.
      Acho que o autor/músico/intérprete também virou bastante artista!
      Tomara tenha mais alguns anos com saúde, a que restou.
      Fallavena

      • Fallavena, vou ou vamos aguardar sua análise que serpa valiosa. Vandré ficou conhecido por “Disparada” e por Caminhando ou Para não dizer que não falei de flores”. Entretanto, tem muitas músicas dele somente e com parceiros como Carlos Lyra, Vinicius, Baden Powel.Músicas variadas e simples, como Ventania – o homem que perdeu seu cavalo e continuou andando. “Quem quiser encontrar um amor”, com Carlos Lyra.

  11. https://youtu.be/qf6UdAwjUcU

    Fica mal com Deus
    Quem não sabe dar
    Fica mal comigo
    Quem não sabe amar (2X)

    Pelo meu caminho vou
    Vou como quem vai chegar
    Quem quiser comigo ir
    Tem que vir do amor
    Tem que ter pra dar

    Fica mal com Deus
    Quem não sabe dar
    Fica mal comigo
    Quem não sabe amar (2X)

    Vida que não tem valor
    Homem que não sabe dar
    Deus que se descuide dele
    O jeito a gente ajeita
    Dele se acabar

    Fica mal com Deus
    Quem não sabe dar
    Fica mal comigo
    Quem não sabe amar (2X)

  12. ‘Canção Nordestina’, de Geraldo Vandré

    “…Mas a chuva não vem não
    e esta dor no coração
    Aí quando é que vai se acabar,
    quando é que vai se acabar?”

    Cançãoi composta nos anos 60.Ha seca ainda, mas a realidade melhorou bastante. Muitas cisternas foram construida, A região nordestina está deixando de ser uma região abandonada; é celeiro de escritores, poetas e músicos.

  13. Sabe aquelas furadas que todos nós entramos na vida?
    Vandré , a respeito daquela época infanto- juvenil ideológica, disse que aquilo passou e que não vê motivo suficiente para reviver esse passado.

  14. Pois e, Mario Jr.,
    Se toda “furada” gerasse perolas imortais ou diamantes perfeitos como este:

    “Prepare o seu coração
    Pras coisas
    Que eu vou contar
    Eu venho lá do sertão
    Eu venho lá do sertão
    Eu venho lá do sertão
    E posso não lhe agradar

    Aprendi a dizer não
    Ver a morte sem chorar
    E a morte, o destino, tudo
    A morte e o destino, tudo
    Estava fora do lugar
    Eu vivo pra consertar

    Na boiada já fui boi
    Mas um dia me montei
    Não por um motivo meu
    Ou de quem comigo houvesse
    Que qualquer querer tivesse
    Porém por necessidade
    Do dono de uma boiada
    Cujo vaqueiro morreu

    Boiadeiro muito tempo
    Laço firme e braço forte
    Muito gado, muita gente
    Pela vida segurei
    Seguia como num sonho
    E boiadeiro era um rei

    Mas o mundo foi rodando
    Nas patas do meu cavalo
    E nos sonhos
    Que fui sonhando
    As visões se clareando
    As visões se clareando
    Até que um dia acordei

    Então não pude seguir
    Valente em lugar tenente
    E dono de gado e gente
    Porque gado a gente marca
    Tange, ferra, engorda e mata
    Mas com gente é diferente

    Se você não concordar
    Não posso me desculpar
    Não canto pra enganar
    Vou pegar minha viola
    Vou deixar você de lado
    Vou cantar noutro lugar

    Na boiada já fui boi
    Boiadeiro já fui rei
    Não por mim nem por ninguém
    Que junto comigo houvesse
    Que quisesse ou que pudesse
    Por qualquer coisa de seu
    Por qualquer coisa de seu
    Querer ir mais longe
    Do que eu

    Mas o mundo foi rodando
    Nas patas do meu cavalo
    E já que um dia montei
    Agora sou cavaleiro
    Laço firme e braço forte
    Num reino que não tem rei

    Na boiada já fui boi
    Boiadeiro já fui rei
    Não por mim nem por ninguém
    Que junto comigo houvesse
    Que quisesse ou que pudesse
    Por qualquer coisa de seu
    Por qualquer coisa de seu
    Querer ir mais longe
    Do que eu

    Mas o mundo foi rodando
    Nas patas do meu cavalo
    E já que um dia montei
    Agora sou cavaleiro
    Laço firme e braço forte
    Num reino que não tem rei!”

    Disparada – Geraldo Vandré

    hã…

    • Bem, foi o Vandré quem disse que esse passado passou e não lhe interessa mais.
      Ele tá certo, a vida é muito dinâmica e tudo muda; nós também.

  15. O caso de Vandré tem alguma semelhança com o de Belchior que, nem por dinheiro não aguentava mais ficar cantando seus hits, que diga-se de passagem, são lindos como os de Vandré.
    Mas com Vandré foi até pior, porque suas músicas eram muito definidas ideologicamente, em que se discorria sobre a relação do cidadão com o poder político, que, ao que tudo indica ele deixou de acreditar. Ou mudou de ideia.
    Enfim, nós cometemos muitos equívocos e muitas vezes também enjoamos de fazer a mesma coisa.

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