Neste Brasil, onde a República é uma farsa, não há nem ordem, nem progresso nem lei

por: Latuff SOBERANIA NACIONAL #PutzGrilah #soberanianacional #constituiçãofederal #br #brasil #constituição1988 #charge #cartoon

Charge do Latuff (Brasil 247)

Luiz Felipe Pondé
Folha

Somos todos Custódios! Essa deveria ser a placa a ser carregada diante do STF que aí está. Você não sabe quem é Custódio? Explico. Eu poderia ser cruel com você e dizer “procure numa IA”. Mas vamos lá. Um ato de generosidade faz bem no começo da semana, meu caro leitor.

No romance “Esaú e Jacó”, de Machado de Assis, romance menos conhecido pelo grande público do que “Memórias Póstumas de Brás Cubas” ou “Dom Casmurro”, o personagem Conselheiro Aires —”Memorial de Aires” será o último romance de Machado, sendo este conselheiro Aires o mesmo conselheiro Aires do romance “Esaú e Jacó”— é procurado para aconselhar um apavorado Custódio, proprietário de uma confeitaria cujo nome é “Confeitaria do Império”.

NOVA FACHADA – Estamos nos dias da Proclamação da República. Custódio, mero mortal brasileiro, como todos nós — diferentemente dos “deuses” do STF, que podem fazer o que bem entenderem com a República brasileira —, acabou de fazer uma nova fachada para sua confeitaria, cujo nome é Confeitaria do Império.

Seu pânico é se, diante do golpe militar da República, ele deveria mudar o nome da confeitaria, e, por consequência, jogar todo o dinheiro gasto na nova fachada no lixo. E pior. Estaria ele em risco de ser caçado como inimigo da República? Machado, profeta.

Muitos já acusaram Machado de ser niilista, cínico, cético, alienado, incapaz de captar a luta de classes no Brasil do Segundo Império. Não, Machado era, sim, um profeta. Somos todos Custódios diante do fato de que, república ou império, tanto faz, somos todos vítimas da delinquência de nossos líderes que esmagam nosso dia a dia com sua verborragia, esta, sim, cínica e niilista. E, por que não dizer, esmagados pela corrupção de caráter que percorre o Estado brasileiro, seja ele república ou império, esquerda ou direita.

VIVER COM MEDO – Podemos reconhecer nesta singela passagem de que forma cidadãos comuns vivem com medo diante dos atos de seus líderes. No geral, trata-se de uma análise de toda relação entre o poder e seus infelizes. No caso particular do Brasil, a passagem remete ao fato, reconhecido pela ironia do Conselheiro Aires, de que, ao final, entre nós, tanto faz o regime, o país é sempre o mesmo: um pântano de delinquência política e moral.

Podemos afirmar, com segurança, que caso Machado voltasse hoje, ele reconheceria o país em que viveu, ainda que vivamos na era digital e da IA. No Brasil, a história não se move. Aliás, a máxima positivista “ordem e progresso” é uma gargalhada diante dos nossos olhos atormentados pela questão existencial “devo ou não mudar a fachada que acabei de refazer da minha confeitaria?”. No Brasil, não há nem ordem, nem progresso, nem lei.

O pequeno empresário Custódio, em diálogo com o Conselheiro Aires, cogita mudar o nome da sua confeitaria, cuja fachada foi recém-reformada, para Confeitaria da República. Mas, teme o Custódio —”e se o golpe da República sofrer um contragolpe e voltarmos ao Império?” Talvez fosse mais prudente, antes de gastar de novo toda aquela dinheirama, aguardar para ver se a tal República vai pegar ou não —seja lá o que isso implicar para o modesto cotidiano do pequeno negócio.

MUITAS DÚVIDAS – Mas, e se a pobre confeitaria de Custódio fosse lida pelos novos senhores do velho poder como uma tentativa de golpe contra a República? E se o pobre Custódio for preso pela República? Como ficarão os seus?

O sábio Conselheiro Aires propõe uma solução intermediária, genérica e um tanto cínica: Confeitaria do Governo. Não! Todo governo tem “oposição”, e, por isso mesmo, Custódio ficaria à mercê da “oposição”.

O pobre coitado gastou dinheiro, mas, como ele é, assim como todos nós, um pobre diabo nas mãos de nossos poderosos ministros de Estado, o resultado é ficar em choque diante das forças históricas e políticas que assolam nossas vidas. Forças essas muitas vezes citadas, assim como quem diz estar modernizando o país em nome do povo.

VELHACOS DE SEMPRE – Tais termos bonitos, que acadêmicos e políticos cunharam, nos seus gabinetes, servem para o exercício de poder dos velhacos de sempre do Estado decadente.

A República, fruto de um golpe militar empacotado para presente como “ordem e progresso”, de lá para cá, provou-se inútil. O espetáculo de humilhação do Brasil levado a cabo por seus políticos e pelo vergonhoso STF que, com sua corrupção de caráter, inaugura uma nova fase de tirania e destruição do país, prova que a República do Brasil é uma farsa ridícula.

Império ou República, tanto faz, o Estado brasileiro é governado por corruptos que fazem o que bem quiserem com o país. Enfim, uma terra sem lei.

Amiga de Lulinha mandou fazer depósitos para servidores do Ministério de Wellington Dias

Conselho do MPF analisará nesta semana o caso Gonet, citado nas mensagens de Vorcaro

Mendonça pede acesso integral ao inquérito das fake news e mira atos de Moraes

Briga entre ministros é passageira, eles logo estarão fazendo as pazes no STF

Arquivos STF - Página 7 de 11 - Blog do Ari Cunha

Charge do Duke (Arquivo Google)

Vicente Limongi Netto

A pantomima envolvendo o Supremo Tribunal Federal (STF) enche os pacotinhos. Esgota minha paciência. É preciso tolerância dobrada para ler, ouvir e conviver com a oceânica hipocrisia instalada no Brasil. O oportunismo político tomou conta do cotidiano.

Candidatos enchem a boca para exigir impeachment de fulano e beltrano. Venais de todos os coturnos berram e vociferam para falar em decência e patriotismo. Não conhecem estas virtudes nem de vista.

DURA REALIDADE – Seria excelente e confortante se os arrancas rabos entre ministros acabassem com a fome. Se os arroubos de empavonados candidatos a cargos eletivos abaixassem o preço do feijão, da carne e da gasolina.

Perto dos 82 anos, meus olhos, alma e retina conheceram crises verdadeiras. As instituições não racharam, permaneceram em pé. Raros são os argumentos sensatos sobre a crise na Suprema Corte. Quem mais lucra com as denúncias e acusações é um ex-banqueiro ladrão, envolvente e corrupto.

Preso, é beneficiado pelo vazamento de áudios e documentos. Acredita que, se estimulando brigalhadas entre ministros, acabará em liberdade. Mas permanecerá preso.

NADA MUDARÁ – Ministros do STF se agridem, se acusam, porém tudo ficará como dantes no quartel de Abrantes. A confraria da Suprema Corte juntará os cacos da quebradeira e sobrevirá a mais essa tempestade. Desunião entre os 11 donos da Pátria, que hoje são 10, é para inglês ver.

Passadas as eleições, veremos que a maioria esmagadoras dos alucinados candidatos que enchiam a boca e os pulmões contra Moraes, Mendonça, Dino e Nunes, foram rejeitados pelas urnas. Voltarão a suas insignificantes vidas.

Ano novo acenando e lembrando que o próximo presidente do Supremo Tribunal Federal será o ministro Alexandre de Moraes.

Num arrebatado poema, Ariano Suassuna entrega seu reino, em nome do amor

Ariano Suassuna, um romântico da arte...mas...tá errado? ❤️🔥 #arte # arianosuassuna #literatura #festa #frasePaulo Peres
Poemas & Canções

Ariano Vilar Suassuna, filósofo, dramaturgo, professor, romancista, artista plástico, ensaísta, poeta, político e advogado paraibano (1927-2014), no poema “A Mulher e o Reino”, exalta a amada, revolta-se contra a razão e imortaliza seu amor.

A MULHER E O REINO
Ariano Suassuna

Oh! Romã do pomar, relva esmeralda.
Olhos de ouro e azul, minha alazã,
Ária em forma de sol, fruto de prata.
Meu chão, meu anel , cor do amanhã

Oh! Meu sangue, meu sono e dor, coragem
Meu candeeiro aceso da miragem
Meu mito e meu poder, minha mulher

Dizem que tudo passa e o tempo duro
Tudo esfarela. O sangue há de morrer.

Mas quando a luz me diz que esse ouro puro
Se acaba pôr finar e corromper,
Meu sangue ferve contra a vã razão
E há de pulsar o amor na escuridão           

Dino sinaliza decisão do Supremo sobre R$ 44,8 bilhões em emendas após eleição

Ofensiva de Flávio pelo voto útil une rivais da direita contra o senador

China monitora Flávio e teme guinada do Brasil em direção aos EUA

A eleição não se decide apenas pela soma dos votos, é preciso haver apoio parlamentar

Direita acha que a democracia acabou, mas a esquerda diz que ela ainda nem chegou

Crise no Supremo trava delação de Vorcaro e deixa caso Master em banho-maria

Erros infantis estão fazendo Lula perder votos de evangélicos e a própria eleição

TSE dá andamento a ação que pede cassação da chapa Lula e Alckmin

Lula se apresenta como “Zé Pilintra” e pensa que está abafando

Carlos Newton

Na reta final do primeiro turno, Lula está cometendo graves equívocos em sua campanha, que diminuem expressivamente suas chances de vitória. Um desses terríveis erros de estratégia política é criticar o ministro André Mendonça, um dos poucos que estão lutando para moralizar e recuperar o Supremo Tribunal Federal.

Na última sexta-feira (18), por exemplo, Lula deu declarações nesse sentido à Rádio Tupi. Disse que cinco ministros do Supremo têm ligação “direta ou indireta” com o caso do Banco Master, sem mencionar os nomes deles, e afirmou que tudo deve ser investigado, com punição dos envolvidos.

ATAQUES A MENDONÇA – O presidente não citou o nome de André Mendonça, mas nem precisava, porque a imprensa amestrada se encarrega disso. E assim, cada entrevista de Lula passa a ser um ataque direto a Mendonça, nas versões divulgadas pelos repórteres, redatores e editores ligados ao PT.

Os ataques a Mendonça ganharam força quando o ministro tirou do sigilo as incriminadoras mensagens entre o banqueiro Daniel Vorcaro, do Master, e o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo.

Infiltrada nos maiores portais jornalísticos, a imprensa petista passou a fazer um comovente esforço de contorcionismo para envolver Mendonça em alguma irregularidade. Chegaram a ponto de inventar que Vorcaro pagara um terno de R$ 26 mil para o ministro, mas era tudo conversa fiada.

“TREMENDAMENTE” – Ao ser indicado  pelo presidente Jair Bolsonaro, Mendonça foi tido como “tremendamente evangélico”, mas na verdade é pastor protestante (presbiteriano), com formação em Teologia, e trabalha como voluntário na igreja, sem receber pagamento.

Apesar de não ser evangélico, o ministro do Supremo tornou-se o maior líder das seitas pentecostais e semelhantes, cujos seguidores serão decisivos nas próximas eleições.

Atacar Mendonça, mesmo indiretamente, como Lula tem feito, é um dos maiores erros que a campanha vem cometendo. Quando critica o STF, o presidente petista nem precisa citá-lo diretamente, porque os jornalistas amestrados logo dão um jeitinho de incluir ataques a Mendonça.

“ZÉ PILINTRA” – Outro erro é o uso do chapéu de palha. A ideia de jerico foi de Janja da Silva, que funciona como personal stylist do marido. Como é paranaense e teve educação insuficiente, ela não sabe e ninguém teve coragem de lhe dizer que Lula está fazendo campanha vestido de “Zé Pilintra”, uma das entidades espirituais mais importantes das religiões afro-brasileiras, como a Umbanda e o Catimbó-Jurema.

O culto a “Zé Pilintra” surgiu originalmente no Nordeste. Com a migração nordestina no século XX, a entidade ganhou força na boemia e nas ruas do Rio de Janeiro e de São Paulo, transformando-se em “patrono da malandragem”.

Como se sabe, os evangélicos pentecostais são exclusivistas e não aceitam as outras religiões. Para eles, “Zé Pilintra” é um personagem do mal, perverso e diabólico. Portanto, ao se vestir como ele, Lula está agredindo os eleitores evangélicos e perdendo votos decisivos.

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P.S.
Além da falta de cultura religiosa, o casal Lula e Janja da Silva também carece de educação social. Ninguém lhes ensinou que não se deve usar chapéu ou boné em ambientes fechados, principalmente por causa de regras tradicionais de etiqueta e respeito ao anfitrião ou ao espaço. Tirar o chapéu ao entrar em uma casa ou recinto fechado mostra consideração pelas pessoas presentes e pelo local. É claro que essas regras não valem para Lula, que hoje se considera um “socialista refinado”, embora não passe de um oportunista que gosta do destilado.

P.S. 2 – Nesta terça-feira, Lula escapou da gafe midiática e não discursou na ONU usando o chapéu, porque os diplomatas brasileiros fizeram o favor de lhe informar que seria um vexame mundial… (C.N.)  

Voo de Moraes e esposa em jato ligado a Vorcaro é estimado em R$ 350 mil

Para 57%, ausência de candidato em debate não influencia o voto, aponta pesquisa Quaest

Afinal, por que Joaquim Barbosa não aceitou ser a  tão ansiada terceira via?

Ao New York Times, Joaquim Barbosa descarta candidatura política - Espaço  Vital

Charge do Clayton (O Povo/CE)

Fabio Calsavara
Gazeta do Povo

Nos idos da década de 2010, o então ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Joaquim Barbosa parecia ser uma figura grande demais para desaparecer. Envergando sua toga, ele se tornou um dos rostos mais conhecidos do país ao comandar, como relator, o julgamento do caso do Mensalão. Alçado à condição de um quase herói nacional, Barbosa personificava a punição aos poderosos e como magistrado parecia ter amealhado um capital político raro aos seus pares.

 A promessa eleitoral como um nome forte no combate à corrupção, porém, nunca passou disso: uma promessa. Se antes Barbosa parecia alguém que conseguiria converter em realidade qualquer projeto político que abraçasse, há muito que o ex-ministro não desperta o mesmo furor de outrora. Antes cotado como um outsider na política com potencial de vitória, ele se converteu em um outsider da vida pública desde sua saída precoce do STF.

PRÉ-CANDIDATO – O último lampejo de Barbosa ocorreu em maio deste ano, quando foi apresentado como pré-candidato do Democracia Cristã à Presidência da República nas eleições de 2026. A apresentação foi feita por meio de uma animação gerada por inteligência artificial, na qual o ex-ministro — ostentando a toga quase como uma heroica capa — chamava os eleitores para “virarem a página”.

O vídeo divulgado pelo partido não teria sido aprovado por Barbosa nem submetido previamente à sua equipe de articulação política. Tratado como “clandestino” por Aldo Rebelo, outro potencial pré-candidato pelo DC, Barbosa não encontrou o apoio que esperava e desistiu da candidatura.

 Em 2018, Barbosa havia ensaiado sua primeira incursão na política. Filiado ao PSB, chegou a romper a barreira dos dois dígitos em pesquisas de intenção de voto. O ar novidadeiro e a aura de “terceira via” chegaram a empolgar o partido, mas não tardou para que a desistência fosse anunciada, em maio daquele ano.

PERFIL INOPERANTE – No último dia 16 de junho, o ex-ministro postou em sua conta oficial no X o anúncio de seu retorno às redes sociais. Desde então, nenhuma outra manifestação no perfil. Em resposta à postagem, um internauta questionou o fato de Barbosa ter se aposentado de forma precoce da Suprema Corte: “Se o senhor não tinha saúde sequer para ficar sentado no STF, terá para gerenciar o Brasil?”.

Fosse pelo critério da idade, Barbosa ainda poderia ter trajado a toga de ministro do STF até 2024, quando completaria 75 anos e atingiria o teto etário para o cargo. A decisão de sair da corte veio dez anos antes, em 2014. Na sessão de 29 de maio daquele ano, ele anunciou formalmente sua escolha em um discurso.

“Afasto-me não apenas da Presidência, mas do cargo de ministro. Tive a felicidade, a satisfação e a alegria de compor esta Corte, no que é talvez o seu momento mais fecundo, de maior criatividade e de importância no cenário político-institucional do nosso país”, disse o ministro.

LIVRE-ARBÍTRIO – O motivo da saída, além do notório problema de saúde na coluna — que o fazia participar de algumas das sessões em pé, apoiado em sua cadeira — foi, segundo Barbosa, o exercício de seu livre-arbítrio e de suas convicções republicanas. Mas registros da imprensa da época mostram que a decisão pode ter sido tomada por motivos bem menos nobres.

 Sua atuação no julgamento da Ação Penal 470, conhecida como o caso do Mensalão, rendeu-lhe uma série de ameaças públicas e pessoais, virtuais e no mundo real. Frequentador assíduo de um restaurante em Brasília, o então ministro se viu obrigado a mudar de hábitos depois de ter sido hostilizado por um grupo de militantes do PT na saída do estabelecimento.

Nas redes sociais sobravam postagens contrárias ao ministro. Em um perfil apócrifo investigado pela Polícia Federal, o autor dizia que Barbosa “morreria de câncer ou com um tiro na cabeça”. Em outro perfil, mais ameaças: “Contra Joaquim Barbosa toda violência é permitida, porque não se trata de um ser humano, mas de um monstro e de uma aberração moral das mais pavorosas. Joaquim Barbosa deve ser morto”.

CONTRA GILMAR – No STF, um de seus desafetos mais notórios foi o ministro Gilmar Mendes. Em uma altercação entre os dois, em 2009, Barbosa lembrou o colega de que era preciso sair às ruas. Diante da resposta de Mendes, que afirmou “estar na rua”, Barbosa disparou: “Vossa Excelência não está na rua. Vossa Excelência está na mídia, destruindo a credibilidade do Judiciário brasileiro. É isso. Vossa Excelência, quando se dirige a mim, não está falando com os seus capangas do Mato Grosso”.

Barbosa continuou aparecendo ocasionalmente — em entrevistas, eventos e declarações pontuais —, mas sem construir uma atuação política permanente. Em 2022, por exemplo, foi entrevistado por Pedro Bial e voltou a falar sobre o cenário político brasileiro. Nada, porém, que lembrasse a dimensão de sua presença pública durante o julgamento do Mensalão.

Dez anos depois de deixar o Supremo, fica a pergunta que ajudaria a explicar essa trajetória: onde foi parar Joaquim Barbosa — e por que o homem que chegou a ser tratado como uma das maiores esperanças de renovação da política brasileira nunca conseguiu, ou nunca quis, ocupar o espaço que lhe atribuíram?

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
Excelente matéria sobre Joaquim Barbosa, enviada por Mario Assis Causanilhas. É muito oportuna, ao traçar o retrato de um ministro de notório saber e reputação ilibada, que marcou época e que haje faz muita falta à Suprema Corte e também à política brasileira. (C.N.)

Lula agora resolve defender a reforma do Judiciário, em meio à crise do STF

Moraes se declara impedido e deixa relatoria de ação que envolve esposa e Vorcaro

Ministro foi sorteado relator do caso na sexta-feira

Fernanda Fonseca
CNN

O ministro Alexandre de Moraes, do STF (Supremo Tribunal Federal), se declarou impedido nesta segunda-feira (21) para relatar um processo que envolve sua esposa, a advogada Viviane Barci de Moraes, e o ex-banqueiro Daniel Vorcaro.

Como mostrou a CNN, Moraes havia sido sorteado relator da ação. Em despacho assinado nesta segunda-feira, porém, o ministro se declarou impedido de atuar no caso, com base no artigo 144, inciso IV, do CPC (Código de Processo Civil). Ele determinou o envio dos autos à Presidência do STF para a redistribuição do processo, conforme as regras internas da Corte.

ACESSO AOS REGISTROS – Na ação, o vereador de Curitiba Guilherme Kilter (Novo-PR) pede acesso aos registros de entrada no Senado Federal de diversas pessoas incluindo, além de Vorcaro e Viviane, nomes como Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, e Antônio Carlos Camilo Antunes, o Careca do INSS.

A ação foi inicialmente movida por Kilter na Justiça Federal do Paraná após o Senado negar, via LAI (Lei de Acesso à Informação), o acesso aos registros. No entanto, como o vereador apontou o presidente da Casa, Davi Alcolumbre (União-AP), como o responsável no processo judicial, o caso foi remetido ao STF.

Ao analisar o caso, a juíza da 1ª Vara Federal de Curitiba Thaís Sampaio Machado afirmou que a competência para julgar uma ação é definida pela autoridade apontada como coatora. Como Kilter indicou o presidente do Senado, que possui foro privilegiado, a magistrada entendeu que o processo deve ser julgado pelo STF.

INCOMPETÊNCIA – “Sendo o Presidente do Senado Federal o representante máximo e integrante da Mesa Diretora daquela Casa Legislativa, a competência originária para apreciar o presente mandamus contra ato a ele atribuído ultrapassa à jurisdição desta Justiça Federal de primeiro grau, recaindo exclusivamente sobre a Suprema Corte”, diz a juíza em despacho que reconheceu a “incompetência absoluta” da Justiça Federal do Paraná.

Com isso, o processo foi protocolado na Suprema Corte e, seguindo o rito usual, um relator foi sorteado entre os dez ministros. Esse seria o primeiro caso envolvendo sua esposa e Banco Master que Moraes atuaria, já que o processo sobre o banco tramita na Segunda Turma, colegiado do qual ele não faz parte.

A Primavera de Cecilia Meireles chegou numa crônica extremamente poética

A primavera chegará, mesmo que ninguém... Cecília Meireles - PensadorPaulo Peres
Poemas & Canções

A poeta, professora, pintora e jornalista carioca Cecília Meireles (1901-1964), tem na sua poesia uma das mais puras, líricas, bucólicas, belas e válidas manifestações da literatura contemporânea. A Primavera que se inicia hoje no Brasil, neste poema em forma de prosa, é descrita numa linguagem “onipotente”, imune a quaisquer condições que impeçam a sua chegada, ainda que efêmera, e implanta seus principais dogmas, que fazem uma festa na natureza.

PRIMAVERA
Cecília Meireles

A primavera chegará, mesmo que ninguém mais saiba seu nome, nem acredite no calendário, nem possua jardim para recebê-la. A inclinação do sol vai marcando outras sombras; e os habitantes da mata, essas criaturas naturais que ainda circulam pelo ar e pelo chão, começam a preparar sua vida para a primavera que chega.

Finos clarins que não ouvimos devem soar por dentro da terra, nesse mundo confidencial das raízes, — e arautos sutis acordarão as cores e os perfumes e a alegria de nascer, no espírito das flores.

Há bosques de rododendros que eram verdes e já estão todos cor-de-rosa, como os palácios de Jeipur. Vozes novas de passarinhos começam a ensaiar as árias tradicionais de sua nação. Pequenas borboletas brancas e amarelas apressam-se pelos ares, — e certamente conversam: mas tão baixinho que não se entende.

Oh! Primaveras distantes, depois do branco e deserto inverno, quando as amendoeiras inauguram suas flores, alegremente, e todos os olhos procuram pelo céu o primeiro raio de sol.

Esta é uma primavera diferente, com as matas intactas, as árvores cobertas de folhas, — e só os poetas, entre os humanos, sabem que uma Deusa chega, coroada de flores, com vestidos bordados de flores, com os braços carregados de flores, e vem dançar neste mundo cálido, de incessante luz.

Mas é certo que a primavera chega. É certo que a vida não se esquece, e a terra maternalmente se enfeita para as festas da sua perpetuação.

Algum dia, talvez, nada mais vai ser assim. Algum dia, talvez, os homens terão a primavera que desejarem, no momento que quiserem, independentes deste ritmo, desta ordem, deste movimento do céu. E os pássaros serão outros, com outros cantos e outros hábitos, — e os ouvidos que por acaso os ouvirem não terão nada mais com tudo aquilo que, outrora se entendeu e amou.

Enquanto há primavera, esta primavera natural, prestemos atenção ao sussurro dos passarinhos novos, que dão beijinhos para o ar azul. Escutemos estas vozes que andam nas árvores, caminhemos por estas estradas que ainda conservam seus sentimentos antigos: lentamente estão sendo tecidos os manacás roxos e brancos; e a eufórbia se vai tornando pulquérrima, em cada coroa vermelha que desdobra. Os casulos brancos das gardênias ainda estão sendo enrolados em redor do perfume. E flores agrestes acordam com suas roupas de chita multicor.

Tudo isto para brilhar um instante, apenas, para ser lançado ao vento, — por fidelidade à obscura semente, ao que vem, na rotação da eternidade. Saudemos a primavera, dona da vida — e efêmera.

Caso Master: o STF precisa explicar suas relações com o poder