Caso Master: o STF precisa explicar suas relações com o poder

Lula articula reunião com ministros do STF e quer mudar foco para a campanha

Lula desafia os EUA na ONU: “O Brasil não cabe no quintal de ninguém”

Mendonça reage a Moraes e pede investigação do colega por abuso de autoridade

Um desesperado soneto de amor, criado por Aurélio Buarque de Holanda

Tribuna da Internet | Mestre das palavras, Aurélio Buarque de Holanda soube usá-las em versos

Aurélio começou a ensinar Português aos 14 anos

Paulo Peres
Poemas & Canções

O crítico literário, lexicógrafo, filólogo, professor, tradutor e ensaísta alagoano Aurélio Buarque de Holanda (1910-1989) era um intelectual que conhecia as palavras, , também usou as palavras para, nos belos versos do soneto “Amar-te”, exaltar um amor intenso e sem fim.

AMAR-TE
Aurélio Buarque de Holanda

Amar-te – não por gozo da vaidade,
Não movido de orgulho ou de ambição,
Não a procura da felicidade,
Não por divertimento à solidão.

Amar-te – não por tua mocidade
– Risos, cores e luzes de verão –
E menos por fugir à ociosidade,
Como exercício para o coração.

Amar-te por amar-te: sem agora,
Sem amanhã, sem ontem, sem mesquinha
Esperança de amor, sem causa ou rumo.

Trazer-te incorporada vida fora,
Carne de minha carne, filha minha,
Viver do fogo em que ardo e me consumo.

Por que demoram tanto a investigar os casos do Banco Master e do INSS?

Os governos petistas acumularam uma sucessão de escândalos de corrupção de  grande escala, revelados por investigações como o Mensalão, a Lava Jato e,  mais recentemente, novos episódios envolvendo aposentados e bancos privados.

Charge do Nando Motta (Arquivo Google)

Vicente Limongi Netto

Têm muito ainda a ser descoberto no caso dos inquéritos do INSS e do Banco Master. Existe grande número de documentos que o ministro André Mendonça está resistindo a entregar, apesar da pressão da maioria dos ministros do Supremo Tribunal Federal e do presidente da corte.

Vai  ter de entregar. Aliás, já está entregando a conta-gotas, pois Vorcaro não sai das manchetes da imprensa. Mesmo preso, todo dia solta uma maldade envolvendo ministros da Suprema Corte. Enquanto não for solto, as patifarias de Vorcaro chegarão de mão beijada à imprensa.

A verdade demora, mas vai aparecer. O ruim é que um ministro – ou, quem sabe, três ministros – peçam vista dos processos, para o julgamento ficar para o dia em que o sargento Garcia prender o Zorro.

DIZ O ACADÊMICO – O craque acadêmico e grande figura humana Ignácio de Loyola Brandão manda outra mensagem para este veterano repórter.

Desta vez focalizando meu artigo sobre dois abutres com DNA podre,  pai e filho, Jair e Flávio. O primeiro quase destrói o Brasil. O filho insiste em acabar o trabalho sujo.

“Vicente, este texto tem que percorrer o Brasil. Os partidos políticos, as academias, as universidades, igrejas, templos, terreiros, bares, prostíbulos, ongs, redes sociais, estádios, ginásios, sindicatos, associações, entidades e shows onde um, dois, três, milhões se reúnam”, disse o grande jornalista e escritor.

Contrato de R$ 427 milhões liga a “Turma do KN” a precatórios de Vorcaro

Master: planilha de Vorcaro registra pagamento de R$ 1 milhão a ex-cunhado de Gilmar

O voo de jatinho que mudou o peso político do caso Master no Supremo

Todo mundo entende por que Gilmar aponta a Máfia como exemplo ao STF

A declaração atribuída ao ministro Gilmar Mendes repercutiu nas redes sociais e chamou atenção pelo tom das palavras utilizadas. Na fala, Mendes teria afirmado: “Não se pode expor um colega, mesmo que

No afã de defender Moraes, Gilmar está falando asneiras

Affonso Ghizzo Neto
Estadão

Há momentos em que uma declaração pública merece ser analisada não pelo prisma político ou eleitoral, mas pela qualidade do argumento empregado. A frase atribuída ao ministro Gilmar Mendes — “até a máfia tem ética” — oferece justamente esse tipo de reflexão.

Independentemente de quem seja o alvo da manifestação ou das circunstâncias que a motivaram, é perfeitamente legítimo defender que ninguém seja submetido ao vale-tudo, à humilhação ou à exposição indevida. O problema está no recurso utilizado para sustentar essa defesa.

ÉTICA SUPREMA – Invocar a máfia como referência de “ética” é, no mínimo, uma escolha retórica contraditória e potencialmente intimidatória. Organizações criminosas não constituem parâmetro aceitável de comportamento moral ou institucional.

Associá-las a uma suposta noção de ética não torna o argumento mais razoável; ao contrário, desloca a discussão de seu ponto central e introduz uma referência marcada justamente pela violência, pela intimidação e pela transgressão da lei.

Uma crítica consistente não precisa de frases de efeito para adquirir autoridade. Se a questão é defender dignidade, respeito e limites na atuação de instituições e indivíduos, esses próprios princípios deveriam ser suficientes para sustentar a argumentação.

RESPONSABILIDADE – Há, ainda, uma questão de responsabilidade na linguagem utilizada por autoridades públicas. Quanto maior a autoridade de quem fala, maior é o peso de suas palavras — e maior, portanto, a responsabilidade por aquilo que comunica.

Especialmente em momentos de tensão, espera-se que a indignação não substitua a ponderação, muito menos seja expressa por meio de ameaças, agressões verbais ou referências que possam ser interpretadas como intimidação.

É possível condenar uma atitude considerada injusta, abusiva ou desrespeitosa sem recorrer a comparações que, em vez de esclarecer, produzem ruído, desqualificação e mais tensão no debate público.

EXEMPLO EQUIVOCADO – No debate institucional, a autoridade de um ministro do Supremo Tribunal Federal não deveria depender da intensidade da voz ou da contundência de uma frase, mas da solidez dos argumentos apresentados. A autoridade da função pública exige, sobretudo, responsabilidade na palavra.

Talvez essa seja a principal reflexão que o episódio permita fazer: para defender a ética, não é necessário buscar exemplos justamente onde ela não deveria ser procurada — em ambientes historicamente associados à violência, à intimidação e à criminalidade.

Criticar eventuais excessos com excessos raivosos pode produzir uma ironia involuntária: a forma da crítica acaba enfraquecendo o próprio princípio que se pretendia defender. Quando a intenção é defender limites, respeito e dignidade, a linguagem também precisa respeitá-los.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOGO artigo, publicado na coluna do Fausto Macedo, destrói com elegância a imagem de Gilmar Mendes, que vinha comandando o Supremo com rédea curta, não importa quem fosse o presidente, mas agora está completamente desmoralizado. (C.N.)

Assessora de Flávio tratou de emenda de R$ 199 mil com miliciano condenado pela morte de Marielle

Eleição de Lula está ameaçada, porque demorou muito a se descolar de Moraes, Gilmar etc.

Arquivos planalto - Blog da Denise

Charge do Caio Gomez (Correio Braziliense)

Carlos Newton

Esgotado pelo corre-corre da campanha eleitoral, que exige permanente e extenuante deslocamento pelo país, com efeito jet lag e tudo o mais, o presidente Lula da Silva (PT) está obrigado a pronunciar discursos diários e dar longas entrevistas chatíssimas, com a voz cada vez mais baixa e rouca, numa rotina que leva o petista a dizer cada vez mais bobagens e a seguir estratégias equivocadas.

Seu maior erro foi assumir a defesa dos envolvidos no caso do Master, atribuindo todos os problemas ao governo anterior de Bolsonaro, embora o banco, que realmente começou a funcionar em 2021, tenha se expandido e aplicado golpes na praça somente durante os  anos iniciais do atual governo Lula.

DE FININHO… –  O presidente deveria sair de fininho e se fazer de desentendido, para se livrar de qualquer relação com os envolvidos no caso Master, notadamente Alexandre de Moraes e Dias Toffoli, mas somente agora Lula começou a se descolar deles.

Porém, é tarde demais. No início de agosto, com a campanha eleitoral já em andamento, Lula adotou uma atitude verdadeiramente suicida, ao comparecer à mansão de Alexandre de Moraes, para se reunir num jantar  com os presidentes do Senado, Davi Alcolumbre, e da Câmara, Hugo Motta.

Naquela altura do campeonato, Moraes já estava completamente desmoralizado, por ter vendido “proteção” a Vorcaro. Portanto, Lula jamais deveria ter-se aproximado dele. No entanto, o petista fez pior, porque usou Moraes para fazer um novo conluio com Alcolumbre e Motta, em meio a um tremendo comes e bebes, como se dizia antigamente.

NOVA POSTURA – Com o agravamento da crise no Supremo, agora Lula resolveu mudar de postura e passou a criticar as relações atribuídas aos ministros Alexandre de Moraes e Dias Toffoli com o banqueiro Daniel Vorcaro, do Master.

“Ninguém está defendendo o contrato que o Alexandre Moraes fez com o Banco Master. Ninguém está defendendo o Toffoli, que fez acordo com o Banco Master”, assinalou Lula, criticando dois ministros do Supremo que sempre desfrutaram de sua intimidade.

O petista também disse que “quem quiser ir para a Suprema Corte não pode querer ser rico” e revelou que ainda existem informações do caso que não vieram a público.

DEMOROU DEMAIS – Lula tinha certeza da vitória, pois acreditava nas pesquisas que eram divulgadas e lhe davam vantagem cômoda contra o adversário Flávio Bolsonaro, que tem um passado tenebroso, enriquecido ilicitamente por rachadinhas e negócios imobiliários com dinheiro vivo, com lavagem de dinheiro em loja de chocolates. 

Cheio de si, Lula demorou demais a cair na real e somente agora tenta se descolar dos ministros do STF que  o apoiam claramente. Essa mudança de estratégia ocorre justamente quando seu maior aliado, Gilmar Mendes, perde as estribeiras com as notícias sobre seus relações com o banqueiro Daniel Vorcaro, mantidas através de seu ex-cunhado Chico Feitosa, de seu ex-sócio Paulo Gonet e da advogada Dalide Corrêa, ex-diretora de seu Instituto IDP. 

NOTA DA REDAÇÃO DO BLOGLula é esperto e tenta escapar de fininho. Mas é tarde demais. Suas ligações com os corruptos não podem ser esquecidas da noite para o dia. A eleição se aproxima e agora os institutos de pesquisa têm de apresentar números menos manipulados, para não perderem a boca livre política que ocorre a cada dois anos. Nesse clima, ainda é possível que Lula ganhe a eleição, mas os astros parecem estar contra ele. (C.N.)

Pesquisa Quaest indica: na eleição presidencial, o gato de Lula está subindo no telhado

O peso de Lula e Flávio Bolsonaro na disputa pelo governo do Ceará | Sobral  em Revista

Charge do Gilmal (Sobral em Revista)

Pedro Augusto Figueiredo
Estadão

O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) passa a frente do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), mas os dois seguem empatados tecnicamente em um eventual segundo turno na disputa pelo Palácio do Planalto, conforme pesquisa Quaest divulgada nesta segunda-feira, 21.

O candidato do PL tem 42% das intenções de voto, contra 41% do petista. Indecisos são 3% e brancos, nulos e quem não vai votar somam 14%. Na rodada anterior, divulgada no último dia 14, Flávio também aparecia numericamente à frente. Ele tinha 42% contra 40% de Lula.

EMPATE GERAL – Outros três candidatos também empatam tecnicamente com Lula em um eventual segundo turno. O petista tem 41% das intenções de voto contra 39% do ex-governador de Goiás, Ronaldo Caiado (PSD). Brancos e nulos são 16% e indecisos, 3%.

Renan Santos (Missão) também empata com Lula, porquw pontua 38% contra 41% do petista Lula. Neste caso, brancos e nulos são 17% e indecisos, 4%. O mesmo acontece com Augusto Cury (Avante). O atual presidente tem 39% contra 35% de Cury, o que significa empate no limite da margem de erro.. Brancos e nulos somam 21% e indecisos, 5%.

Por fim, Lula ganharia de Romeu Zema (Novo) por 46% a 32%. No cenário com o ex-governador de Minas Gerais, brancos e nulos são 18% e indecisos são 4%.

PRIMEIRO TURNO – Lula e Flávio agora estão empatados tecnicamente também no primeiro turno. O presidente tinha 36% e, agora, marcou 37%. Já o candidato do PL saiu de 31% para 33%. Com isso, a distância entre os dois caiu de cinco pontos porcentuais para quatro pontos porcentuais.

A rigor, as pesquisas não são diretamente comparáveis porque a rodada anterior não testou o nome do candidato Leonardo Avalanche (PRTB), que substituiu o inelegível Pablo Marçal (PRTB). Avalanche não pontuou.

A Quaest entrevistou 2.004 pessoas com 16 anos ou mais entre os dias 17 e 20 de setembro. A margem de erro é de dois pontos percentuais para mais ou para menos e o nível de confiança é de 95%. O levantamento foi contratado pelo grupo Globo e registrado no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sob o protocolo BR-06004/2026.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG –
Como estamos cansados de informar aqui na Tribuna da Internet, as pesquisas somente são confiáveis quando se aproximam as eleições. Detalhe desta pesquisa Quaest: Lula empata com Flávio, Caiado, Renan e Cury. Isso diz tudo. Ou seja, quem passar para o segundo turno (leia-se: Flávio) deve ganhar de Lula. (C.N.)

Demora na demissão de Eduardo Bolsonaro amplia tensão entre entre ministro da Justiça e STF

Demissão de Flávio foi publicada nesta segunda-feira

Bela Megale
O Globo

A demora do ministro da Justiça, Wellington César Lima e Silva, para oficializar a demissão de Eduardo Bolsonaro da Polícia Federal azedou ainda mais o clima entre ele e integrantes do Supremo Tribunal Federal (STF). A demissão do ex-deputado foi assinada na sexta-feira (18) e publicada apenas nesta segunda-feira (21) no Diário Oficial da União (DOU).

Ministros do STF vinham questionando a lentidão na conclusão do processo, destacando que a Polícia Federal já havia encerrado o procedimento administrativo há cerca de dois meses, recomendando a demissão de Eduardo Bolsonaro.

FALTAS SEM JUSTIFICATIVA – A medida encerra o processo disciplinar aberto contra o ex-deputado por ter faltado ao serviço sem justificativa por mais de 30 dias consecutivos, após deixar de reassumir suas funções na corporação.

Aliados do ministro da Justiça explicaram que a pasta precisou corrigir alguns aspectos técnicos antes da publicação oficial da demissão, o que teria influenciado na demora. Contudo, a demora provocou desconfiança e agravou as tensões entre o chefe da Justiça e o STF.

Ainda segundo fontes da pasta, Eduardo Bolsonaro pode ser alvo de um novo ofício de perda de cargo assim que for transitada em julgado a condenação no STF por coação no processo relacionado à trama golpista.

Na reta da eleição, a Indústria perde força e registra pior agosto desde 2015, aponta CNI

Intenção de investir é a menor em seis anos

Alexandro Martello
G1

A Confederação Nacional da Indústria (CNI) informou nesta segunda-feira (21) que o índice de evolução da produção industrial ficou em 46,3 pontos em agosto, com forte queda de 4,7 pontos na comparação com julho.

A chamada Sondagem Industrial foi feita com 1.403 empresas, sendo 587 pequenas, 487 médias e 329 grandes, entre 1 e 11 de setembro. Com o resultado, o indicador deixou o campo positivo e passou a sinalizar queda da produção industrial no período — por estar abaixo de 50 pontos.

PIOR RESULTADO – “Trata-se do pior resultado para o mês de agosto desde 2015, durante a crise econômica, quando o índice registrou 42,7 pontos. Destaca-se ainda que o resultado é contrário ao que é usualmente observado no período”, acrescentou a CNI.

A queda na produção industrial acontece em um momento de juros ainda elevados. Apesar de a taxa básica da economia, a Selic, ter recuado cinco vezes seguidas, para 13,75% ao ano, o juro real brasileiro ainda é um dos maiores do mundo.

INTENÇÃO DE INVESTIR –  De acordo com a CNI, o índice que mede a intenção de investimento da indústria caiu 1,3 ponto em setembro, de 52,6 pontos para 51,3 pontos, menor valor para o indicador desde agosto de 2020, durante a pandemia de Covid-19.

Essa é a quarta queda consecutiva do índice, que vem recuando desde maio deste ano. De lá para cá, o indicador acumula diminuiçã de 3,5 pontos. “A queda expressiva da intenção de investimento reflete um quadro que a gente já vem acompanhando de perda de ritmo da atividade industrial. Além disso, há um aumento das incertezas, o que também contribuiu para o resultado”, avaliou o gerente de Análise Econômica da CNI, Marcelo Azevedo.

Piada do Ano! Moraes se torna relator de ação sobre visitas de esposa e Vorcaro ao Senado

Quaest, 2º turno: Flávio Bolsonaro, 42%; Lula, 41%

Celular de Vorcaro vira mapa das conexões do Banco Master com autoridades de todo tipo

Crise do Supremo é apenas uma reação aos pecados de usura, orgulho e vaidade

charge de Thiago Lucas (@thiagochargista), para o Jornal do Commercio. #DiasToffoli #bancomaster #justiça #master #STF #lula #moraes #chargejc #chargejornaldocommercio #chargethiagojc #chargethiagolucas #chargethiagolucasjc *digital

Charge do Thiago Lucas (Jornal do Commercio)

Luiz Felipe Pondé
Folha

O conceito de pecado continua sendo um excelente operador para a análise do comportamento dos homens. Para os incautos, vale salientar que você não precisa ser religioso para entender o valor dos pecados como marcadores de vícios de comportamento.

O caso do STF é um exemplo gritante, entre outras causas, de corrupção e da ação dos pecados da usura, do orgulho e da vaidade. O STF caiu, como Adão e Eva, e vai pôr em risco a credibilidade da Justiça, se nada for feito contra esse processo de decadência.

FALTA DE CARÁTER – Que o caráter humano seja facilmente corruptível é óbvio. Alguém pode olhar para o lado numa situação de abuso de um representante do poder público ou numa empresa para não ser preso ou demitido — todos sabemos que a corrupção no Brasil é mais intrínseca ao tecido social do que a língua portuguesa.

Qualquer pessoa ou instituição que tenha poder no Brasil pode abusar de você se assim o quiser, e sua capacidade de defesa é quase nula. Se você tiver algum dinheiro, pode torrá-lo se defendendo; se não, sua saída é compactuar com o abuso e a humilhação.

Todo esse “blábláblá” em época de eleição é puro “bullshit”. Falar de soberania, combate ao crime organizado, desigualdade social, cidadania, no Brasil, é quase sempre fake. A luta pelo “bem político” no país é, na maioria dos casos, mero nicho para ganhar dinheiro e manipular o poder político e econômico a seu favor ou dos seus amigos. Hoje, o próprio crime organizado deve ganhar dinheiro combatendo o crime organizado.

DANO GIGANTESCO – Vejamos o caso recente da “queda do STF”. Quando essa dinâmica chega ao coração da República e do Estado democrático de Direito, como parece existir fortes indícios de que tenha ocorrido nos últimos anos, o dano é significativamente gigantesco. Ou a justiça é imparcial, ou é um dos mais violentos instrumentos de poder ilegítimo que existe. Quer ver uma comparação didática?

Você já viu filmes de faroeste antigos? Ou filmes em que aparecem estados da América Latina, muitas vezes inventados, ou do Leste Europeu, estes quase sempre citados de forma explícita, em que a polícia, o poder Judiciário, o Executivo e Legislativo, assim como os milionários, todos convergem num sistema de violência contra os cidadãos comuns?

Você já teve vontade de gritar para o mocinho ou para a mocinha “não confie nesse cara!”, ou “ela foi posta aí para te seduzir e te matar”? E, no caso do faroeste, o xerife e o latifundiário do gado roubam as terras dos pequenos criadores e, se não for pelo Clint Eastwood, você está ferrado?

NOSSA REALIDADE – Pois bem, essa é a realidade do Brasil hoje —sem nenhum Clint Eastwood à vista—, apesar de idiotas do Nelson Rodrigues, à direita e à esquerda, acharem que todos os escândalos ligados ao STF são jogadas políticas contra seus ídolos. Talvez pensar como um idiota do Nelson Rodrigues seja, para além da pura e simples má-fé, uma defesa regressiva e infantil contra a realidade nua e crua da miséria política e moral do país.

Pensar em um código de ética para o STF talvez não seja tão complicado assim, se partirmos dos pecados da usura, do orgulho e da vaidade. “Se achar” – ou deixar-se seduzir pela aspiração de ser celebridade e rico – é rota segura para a corrupção do caráter, matriz de toda forma de corrupção.

Quando você tem tão imenso poder, como os membros da corte suprema, você não pode ter os poucos privilégios que os fracos e comuns têm. A você não deveria ser permitido ter redes sociais. Frequentar festas do poder em Brasília deveria ser absolutamente interditado. Fazer palestras, jamais. Frequentar seminários ou festas literárias para quê?

CLÁUSULA PÉTREA – Criar institutos ou ser sócio de qualquer escritório de advocacia deveria ser cláusula pétrea de interdição. Jamais dar entrevistas. Não emitir qualquer opinião sobre o país e os fatos que acontecem à sua volta. Não deveríamos lembrar do seu nome, nem do seu rosto. Nenhuma selfie.

Sua vida financeira deveria ser totalmente acessível para a população. Ou o poder é transparente, ou será sempre ilegítimo. Aliás, pensando bem, esse tópico deveria ser regra para todo servidor público, e os seus, a partir de um certo posto da hierarquia, como presidentes, governadores, prefeitos, deputados, senadores, vereadores, ministros e secretários de Estado, membros do Ministério Público e da magistratura.

Você acha que tudo isso é demais? Muita proibição da vida privada? Não gostou? Sinto muito. Vá ganhar a vida no setor privado. Aliás, o modelo deveria ser próximo do monge. Quando os membros do STF foram seduzidos pelo status de celebridade, enterrou-se a ética do Supremo. O silêncio deveria ser seu elemento.

Foto de Gonet com Vorcaro amplia pressão e oposição pede afastamento ao STF

Presidenciáveis endurecem discurso contra PGR

Julliana Lopes
CNN

A divulgação da foto de Paulo Gonet ao lado de Daniel Vorcaro abriu uma nova frente de pressão sobre o procurador-geral da República. Neste sábado (19), o deputado e candidato Nikolas Ferreira (PL) encaminhou ao presidente do Supremo Tribunal Federal, Edson Fachin, uma representação para que a Corte analise o afastamento cautelar de Gonet.

Na representação, Nikolas sustenta que a fotografia, as mensagens extraídas do celular de Vorcaro e as referências ao PGR e a familiares no material da investigação justificam a análise de um possível conflito de interesses. O deputado pede que Fachin encaminhe o caso ao órgão competente do STF e que a discussão seja levada ao plenário.

ARGUMENTO – Um dos principais argumentos apresentados é a comparação entre a imagem e as explicações dadas por Gonet ao próprio Supremo. Na sessão do dia 15, o procurador-geral afirmou que não mantinha relação de proximidade com Vorcaro, citou um único encontro, em abril de 2024, e disse que uma ligação intermediada por advogado havia sido “brevíssima e banal”.

A fotografia, extraída pela Polícia Federal do celular de Vorcaro, mostra os dois em Londres durante um evento em 2024. A Procuradoria-Geral da República confirmou a autenticidade da imagem e afirmou que se trata do mesmo encontro já mencionado por Gonet, realizado com a presença de outras autoridades.

A iniciativa de Nikolas se soma à pressão que já vinha sendo feita pela oposição e ganhou força com a divulgação da foto. Entre os presidenciáveis, Romeu Zema foi o mais direto. O candidato do Novo defendeu neste sábado a renúncia de Gonet e voltou a relacionar a crise ao governo Lula, responsável pela indicação do procurador-geral.

REAÇÃO – Flávio Bolsonaro também reagiu à imagem. O candidato do PL publicou a foto nas redes sociais e afirmou que os envolvidos estariam “rindo da cara do povo sofrido”. A campanha de Flávio já vinha usando as revelações do caso Master para cobrar explicações de Gonet e de outras autoridades mencionadas nas mensagens de Vorcaro.

A CNN Brasil entrou em contato com a Procuradoria-Geral da República para solicitar um posicionamento a respeito da foto divulgada. O espaço segue aberto para manifestação.