Procuradoria defende semiaberto para “Débora do Batom”, condenada a 14 anos pelo 8 de Janeiro

Cabelereira já cumpriu mínimo exigido pela lei para progressão

Gabriela Boechat
CNN

A PGR (Procuradoria-Geral da República) se manifestou nesta quarta-feira (23) a favor da progressão para o regime semiaberto da cabeleireira Débora Rodrigues dos Santos.

Ela ficou conhecida como “Débora do Batom” após escrever a frase “Perdeu, mané” na estátua da Justiça, em frente ao STF (Supremo Tribunal Federal). A frase havia sido dita pelo ministro aposentado Luís Roberto Barroso após Jair Bolsonaro (PL) perder as eleições de 2022.

PROGRESSÃO DE REGIME – Condenada pela Primeira Turma do STF por envolvimento nos atos de 8 de Janeiro de 2023, Débora cumpre pena de 14 anos de prisão. Em petição endereçada ao ministro Alexandre de Moraes, que é o relator da execução penal, a defesa pediu a progressão de regime e o reconhecimento de 281 dias de remição da pena. A remição é a redução do tempo de prisão por atividades como trabalho e estudo.

Sobre a progressão, a PGR afirmou que condenados por crimes cometidos com violência ou grave ameaça devem cumprir ao menos 25% da pena antes de avançar de regime. No caso de Débora, isso corresponde a 1.278 dias, período que, segundo a Procuradoria, já foi ultrapassado.

“Contabilizados os períodos de detração (742 dias) e remições (2 dias) já homologados, bem como as remições mencionadas nesta manifestação e o tempo de pena efetivamente cumprido até a data desta manifestação, Débora Rodrigues dos Santos cumpriu 1.287 dias. Verifica-se, assim, que a apenada alcançou a fração mínima legalmente prevista para a pena imposta”, afirmou a PGR. A defesa também pediu a remição de 4 dias de pena por leitura, 108 dias por trabalho e 100 dias por aprovação no Enem 2023, que foi acatada pela PGR.

Mulheres são 17,4% dos candidatos a governador; desse jeito, a paridade só chegará em 2090

André Mendonça desmonta as acusações ilícitas que Moraes “inventou” contra ele

Band Jornalismo on X: "Fachin nega pedido para julgar Mendonça junto de  Moraes na próxima terça https://t.co/2AlOzyup7q" / X

Charge reproduzida do portal da Band

Renan Ramalho
Gazeta do Povo

Uma série de vícios no procedimento adotado pelo ministro Alexandre de Moraes para investigar o ministro André Mendonça pode levar o presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Edson Fachin, a arquivar sumariamente as acusações.

Na defesa apresentada a Fachin nesta terça-feira (22), Mendonça sustentou que os erros formais no pedido de Moraes bastam para rejeitá-lo de plano. Trata-se de um juízo preliminar de admissibilidade, prerrogativa do magistrado ao receber denúncias ou representações criminais.

TRÊS ACUSAÇÕES – Moraes pede que o colega seja investigado por abuso de autoridade, improbidade administrativa e crime de responsabilidade. Ele acusa Mendonça de atuar com parcialidade nos casos do Banco Master e do INSS para persegui-lo — assim como ao presidente do Senado, Davi Alcolumbre — por interesse político e pessoal.

A representação baseia-se em um relatório da Polícia Federal — requisitado por Mendonça — que identificou 52 mensagens do banqueiro Daniel Vorcaro para Moraes, além de citações ao magistrado. Nos diálogos, Vorcaro pedia orientação para se livrar de investigações sobre fraudes bilionárias no banco. O documento também apontou que Moraes editou um contrato de R$ 131,2 milhões firmado entre a instituição financeira e o escritório de advocacia de sua família.

Além de rebater as acusações, Mendonça afirmou que Moraes agiu de forma irregular ao apresentar o pedido. O primeiro desvio apontado foi sua inclusão direta no inquérito das fake news, aberto em 2019 para apurar ofensas e ameaças a ministros nas redes sociais — objeto que não se aplica ao caso.

DIZ A NORMA – Regimentalmente, a inclusão de um integrante da Corte em inquérito exige aval do plenário do STF. Mendonça seguiu esse rito ao levar ao plenário o relatório da PF sobre as conversas com Vorcaro. Na sessão do dia 15, contudo, aliados de Moraes travaram a deliberação ao questionar a conduta de Fachin.

Mendonça contesta ainda a requisição e o uso de relatórios apócrifos de inteligência da PF, enviados a Moraes pelo diretor-geral da corporação, Andrei Rodrigues. Os documentos, sem data ou assinatura, criticam a atuação de Mendonça com base em avaliações subjetivas sobre suas motivações e conjecturam sobre uma suposta diferença de tratamento dada a investigados conforme a relevância política.

O ministro argumenta que os documentos são ilegais e configuram desvio de finalidade. Segundo ele, as ações de inteligência servem para subsidiar o Executivo em decisões de segurança do Estado, e não para instruir investigações criminais no Judiciário. Mendonça questiona como e por que Moraes teve acesso a peças internas da PF que lhe imputavam crimes graves.

FALSAS PROVAS – “As atribuições de conduta não são admissíveis como objeto de exame. O material, tal como requisitado e protocolado, não serve de elemento de informação contra este signatário, pelo vício do ato que o trouxe aos autos e independentemente de qualquer consideração sobre o seu conteúdo”, escreveu Mendonça.

 “Não se verifica, no caso, a mínima presença de elementos capazes de sequer cogitar haver justa causa para eventual deliberação colegiada sobre quaisquer condutas praticadas por este Ministro”, completou.

No fecho da peça, além de cobrar acesso ao inquérito das fake news, a investigação dos policiais autores dos relatórios e a apuração da conduta de Moraes, Mendonça pediu a rejeição da representação com base em três dispositivos legais.

OS ARGUMENTOS – O primeiro é o artigo 21, § 1º, do Regimento Interno do STF, que permite ao relator “negar seguimento a pedido ou recurso manifestamente inadmissível, improcedente ou contrário à jurisprudência dominante ou à súmula do Tribunal”.

 O segundo é o artigo 564 do Código de Processo Penal (CPP), que prevê nulidade por “incompetência, suspeição ou suborno do juiz” — tese em que Moraes seria suspeito por acusar o colega a fim de se esquivar das apurações contra si. Por fim, citou o artigo 157 do CPP que manda retirar dos autos as provas ilícitas.

Juristas consultados pela Gazeta do Povo avaliam que os vícios apontados por Mendonça, se acolhidos por Fachin, sustentam o arquivamento monocrático do pedido de Moraes. Por outro lado, observam que uma decisão do plenário pela inadmissibilidade daria maior peso institucional ao ato.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG –
Importante artigo, enviado por Mario Assis Causanilhas. O  fato concreto é que o Supremo está agindo com leniência e indulgência em relação a Moraes. Já existem mais de 131 milhões de provas, suficientes para pedir ao Senado o impeachment dele e para processá-lo criminalmente. O resto é folclore, como diria Sebastião Nery. (C.N.)

Datafolha: Lula tem 40% e Flávio Bolsonaro, 36% em 1º turno; rivais empatam em 2º turno

Lula e Flávio oscilaram para cima em relação à rodada anterior

Bernardo Mello
O Globo

Pesquisa Datafolha divulgada nesta quinta-feira, a dez dias para o primeiro turno, aponta que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL) estão tecnicamente empatados em uma simulação de segundo turno.

Lula aparece agora com 47%, enquanto Flávio marca 45%. Votos brancos e nulos somam 7% nesse cenário, enquanto 1% não souberam ou não quiseram responder. A margem de erro é de dois pontos. Na rodada anterior, divulgada no último dia 17, Lula aparecia com 46% na simulação de segundo turno contra Flávio, que marcava 44%.

REAJUSTE DO BOLSA FAMÍLIA – Este é o primeiro levantamento realizado pelo Datafolha após Lula ter anunciado um reajuste de 15% no Bolsa Família, na semana passada, e após o discurso do presidente na Assembleia-Geral da ONU, no qual fez uma série de críticas ao que chamou de “ingerência externa em processos eleitorais” – uma referência velada ao apoio de aliados do presidente dos EUA, Donald Trump, a Flávio.

O Datafolha entrevistou 2.002 eleitores entre terça e quinta-feira. O levantamento, contratado pela TV Globo e pelo jornal Folha de S. Paulo, está registrado na Justiça Eleitoral sob o protocolo BR-00304/2026. O índice de confiança do levantamento é de 95%.

OUTROS CENÁRIOS –  Lula pontua de forma semelhante em outros cenários de segundo turno simulados pelo Datafolha, com as candidaturas de Ronaldo Caiado (PSD), Romeu Zema (Novo), Renan Santos (Missão) e Augusto Cury (Avante). O quarteto, porém, aparece distante da hipótese de ultrapassar Flávio Bolsonaro para disputar um segundo turno.

Nas simulações, o atual presidente fica tecnicamente empatado com Caiado e Cury, e aparece quase dez pontos à frente de Zema e de Renan Santos.

PRIMEIRO TURNO –  Na pesquisa estimulada de intenções de voto para o primeiro turno, Lula oscilou um ponto para cima em relação à rodada anterior e agora aparece com 40%. Flávio Bolsonaro, por sua vez, segue com 36%.

Em patamar mais baixo, aparece o escritor Augusto Cury (Avante), com 5% das intenções de voto. Já Ronaldo Caiado (PSD) soma 4%, enquanto Renan Santos (Missão) e Romeu Zema (Novo) têm, respectivamente, 3% e 1%. O cenário é de estabilidade, considerando a margem de erro.

Suspeição de Gonet ameaça investigação do Banco Master e pode beneficiar Vorcaro

PT aciona STF e TSE contra Flávio e Eduardo por suposta interferência dos EUA

Relatório da Abin apontou ameaça de interferência americana

Anna Júlia Lopes
Folha

O jurídico da campanha do presidente Lula (PT) acionou nesta quarta-feira (23) o STF (Supremo Tribunal Federal) para pedir a adoção de medidas urgentes para investigar a possível interferência por parte dos Estados Unidos no processo eleitoral brasileiro.

Além do Supremo, o PT também ajuizou ação no TSE (Tribunal Superior Eleitoral) acusando o candidato à Presidência e senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e seu irmão, o ex-deputado Eduardo Bolsonaro (PL-SP), de abuso de poder político, econômico e dos meios de comunicação, alegando articulação com o governo Donald Trump com o suposto intuito de interferir nas eleições.

ATOS UNILATERAIS – A ação que tramita no Supremo foi ajuizada anteriormente pelo Instituto Brasileiro de Mineração e teve decisão que firma o entendimento de que atos unilaterais estrangeiros não admitidos pela ordem jurídica brasileira não eram eficazes no país. Além disso, também foi proibida a execução, no Brasil, de imposições ou instrumentos decorrentes desses atos.

Na petição protocolada pela campanha, o PT pede para que seja incluído como parte interessada no processo. O partido solicita ainda para que seja apurada a possível atuação de agentes no Brasil para dar eficácia a atos estrangeiros que o próprio STF teria declarado ineficazes.

Entre esses atos, a peça cita uma série de medidas tomadas pela Casa Branca nos últimos dois anos: o primeiro tarifaço, em 2025; a revogação dos vistos norte-americanos dos ministros do STF; a aplicação da Lei Magnitsky contra o ministro Alexandre de Moraes; o segundo tarifaço, em 2026; e a declaração do Comando Vermelho e do PCC (Primeiro Comando da Capital) como organizações terroristas.

INTIMIDAÇÃO – A campanha relaciona essa ação dos EUA aos filhos de Jair Bolsonaro, como a atuação de Eduardo para intimidar o Poder Judiciário brasileiro e o episódio em que Flávio propagou um dado falso sobre as urnas eletrônicas em uma reunião com embaixadores.

Na ação protocolada no TSE, a campanha também levou em conta esses fatos. Segundo a petição, o resultado da combinação das medidas tomadas pelos EUA e da conduta de Flávio e Eduardo é a criação de um ambiente de instabilidade institucional e eleitoral.

“Desse arranjo decorrem danos diretos à soberania nacional, à liberdade do voto e à normalidade do processo eleitoral brasileiro e, mais do que isso, a própria interferência externa no resultado do pleito”, diz o documento.

CASSAÇÃO – Além da inelegibilidade dos irmãos, o PT também pede para que os registros de candidatura de Flávio e de seu candidato a vice, o deputado federal Alfredo Gaspar (PL-AL), sejam cassados.

O PT ajuizou as ações após ser revelado pela Folha relatório produzido pela Abin (Agência Brasileira de Inteligência) que aponta a interferência dos EUA como uma das possíveis “ameaças ao processo eleitoral de 2026”.

Zanin barra pedido para obrigar Alcolumbre a instalar CPI do Banco Master

Flávio tentou falar com Vorcaro nos quatro dias antes da prisão do banqueiro

Número de prefeitos bolsonaristas presos em Santa Catarina chega a ser espantoso

Charge do Zé Dassilva: Refugiados daqui - NSC Total

Charge do Zé Dassilva (NSC Total)

Vicente Limongi Netto

Os bolsonaristas têm ódio da Justiça, em especial do Supremo Tribunal Federal pela quantidade de membros da direita condenados e envolvidos em vários crimes por tentativa de golpe e outros por corrupção. Só em Santa Catarina, 30 prefeitos foram presos em operação policial, sendo a maioria da direita, eleitos na onda bolsonarista, e tiveram de ser cassados. 

Estudos científicos mostram que os municípios onde Jair Bolsonaro teve a grande maioria dos votos, foram onde morreram mais pessoas por Covid 19. 

OUTROS CASOS – Com a corrupção do Banco Master e do INSS, a fila de bolsonaristas também é grande com forte risco de irem para a Papuda, junto com os demais envolvidos. Por isso, o ódio ao Supremo.

A campanha mentirosa ou distorcida contra instituições como o STF e o Executivo, sem motivos concretos nem provas conclusivas, tem apoio de parte da mídia, mas é uma preparação, quem sabe, para outra tentativa de golpe.

MÉRITOS – José Roberto Tadros foi reeleito, com votos unânimes das 28 federações estaduais, para novo mandato, até 2030, na presidência nacional do sistema Confederação Nacional do Comércio/Sesc/Senac. A posse será dia 19 de novembro.

“Nosso compromisso é com o trabalho, o resgate da cidadania e a melhoria das condições de vida dos trabalhadores”, disse o presidente do sistema Fecomércio-DF, José Roberto Freire, que foi mantido entre os três vice-presidentes, na nova gestão de Tadros. 

FRACASSO – Não vou atrapalhar meu sono para assistir uma seleção que já nasce fraca e medíocre. A começar pelo treinador, que depois do vexame na copa de 2026 já deveria ter sido demitido.

A atual direção da Confederação Brasileira de Futebol mostra ser duplamente burra, ao contratar o italiano com o maior salário do mundo ao mantê-lo depois de Ancelotti demonstrar que não serve para o cargo. 

CNJ manda cancelar R$ 4,7 bilhões em precatórios de usinas que venderam créditos ao Master

Decisão atende a um pedido da AGU

Pepita Ortega
O Globo

O corregedor nacional de Justiça, ministro Benedito Gonçalves, determinou o cancelamento de 16 precatórios do setor sucroalcooleiro, que somam R$ 4,7 bilhões, com a respectiva devolução dos valores aos cofres públicos. A decisão atende a um pedido da Advocacia-Geral da União (AGU) e atinge precatórios de usinas açucareiras que chegaram a vender parte de seus créditos ao Banco Master.

O montante estava depositado em contas judiciais desde dezembro de 2023, em razão de uma ordem expedida pela Justiça Federal do Distrito Federal um ano antes. O cancelamento não atinge os precatórios que o Master transferiu um mês antes de ser liquidado à à Entre Investimentos, empresa da teia do banqueiro Daniel Vorcaro e controlada pelo hoje delator Antônio Carlos Freixo Júnior, o “Mineiro”.

CONTESTAÇÃO – A AGU contestou o fato de os precatórios alvo da decisão do CNJ terem sido expedidos antes de ser concluída, totalmente, a ação na qual as usinas pediam a execução dos valores.

No último dia 10, a própria Justiça Federal cancelou a expedição dos precatórios, seguindo entendimento do Supremo Tribunal Federal (STF). No entanto, a presidência do Tribunal Regional Federal da 1ª Região (TRF-1) decidiu manter os valores bloqueados. Assim, a AGU recorreu ao CNJ para restabelecer o cancelamento dos precatórios e obter a ordem de devolução dos montantes.

Conforme a decisão, o Tribunal vai ter cinco dias para cancelar os precatórios e restituir os valores, com seus rendimentos, ao Tesouro Nacional. O despacho ainda proíbe qualquer levantamento, transferência, expedição de alvará ou pagamento de honorários sobre os casos até que a restituição seja concluída.

“TURMA DO KN” – O Master contratou para representá-los em disputas judiciais sobre precatórios os escritórios das advogadas Camilla Ramos, apontada em mensagens analisadas pela Polícia Federal como integrante da “turma do KN”, possível referência ao ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Kassio Nunes Marques, e de Dalide Corrêa, que trabalhou com o ministro Gilmar Mendes.

Procurado, Nunes Marques afirmou que nunca votou a favor de Vorcaro ou do Master, não trocou mensagens com o banqueiro nem pediu nada a ele. O ministro também afirmou que nunca autorizou ninguém a falar em nome dele e que são “irresponsáveis quaisquer tentativas de relacionar a atuação” dele “com os serviços prestados pelo filho ou quaisquer terceiros”. O magistrado acrescentou que o voto no STF refletiu a maneira como já se posicionava quando era desembargador e que a tese se aplicaria a “diversas empresas”, não especificamente ao banco.

O escritório de Camilla Ramos afirmou que tem contrato com o Master há quase três anos para atuar “nas ações judiciais especificadas no contrato” e não “recebeu valor algum de honorários do Banco Master”. A banca acrescentou que nenhum dos casos em que atua para o banco tramita no Supremo Tribunal Federal e nem tem vínculo com qualquer de seus ministros e que não tem conhecimento de negociações referentes aos precatórios pelo Master com terceiros. A defesa de Vorcaro não se manifestou, mas tem reiterado que ele está à disposição das autoridades.

A esperança de Augusto dos Anjos podia valer para todos, menos para o próprio-poeta…

CENTENÁRIO DA MORTE DE AUGUSTO DOS ANJOS – 12 DE NOVEMBRO DE 2014 – Sarau  Para TodosPaulo Peres
Poemas & Canções

O advogado, professor e poeta paraibano Augusto de Carvalho Rodrigues dos Anjos (1884-1914), mostra neste soneto que “A Esperança”, como a panaceia para todos os sentimentos e momentos da vida, pode servir para todos, menos para ele próprio.

A ESPERANÇA
Augusto dos Anjos

A Esperança não murcha, ela não cansa,
Também como ela não sucumbe a Crença.
Vão-se sonhos nas asas da Descrença,
Voltam sonhos nas asas da Esperança.

Muita gente infeliz assim não pensa;
No entanto o mundo é uma ilusão completa,
E não é a Esperança por sentença
Este laço que ao mundo nos manieta?

Mocidade, portanto, ergue o teu grito,
Sirva-te a crença de fanal bendito,
Salve-te a glória no futuro – avança!

E eu, que vivo atrelado ao desalento,
Também espero o fim do meu tormento,
Na voz da morte a me bradar: descansa!

Avanço de Flávio Bolsonaro leva Lula a reavaliar participação no debate da Globo

Púlpito reservado  ficará vazio em caso de ausência

Catia Seabra
Folha

Antes propenso a participar apenas no segundo turno das eleições, o presidente Lula (PT) avalia ir ao debate da Globo na quinta-feira (1º), diante do avanço de Flávio Bolsonaro (PL) nas pesquisas de opinião. O presidente ainda não tomou essa decisão, mas aliados insistem na participação do petista como forma de antecipar o embate que se dará em eventual segundo turno, apesar da avaliação de que ele será alvo dos demais participantes.

Como argumento a favor da presença dele está a necessidade de defesa do governo que estará sob ataque diante de uma audiência que atingiu 26 pontos no primeiro turno de 2022, além de proporcionar cortes de cenas para exibição nas redes sociais. O ministro-chefe da Secom (Secretaria de Comunicação da Presidência), Sidônio Palmeira, e o presidente do PT, Edinho Silva, estão entre os defensores da participação de Lula.

HORÁRIO DE PICO – O comando da campanha foi avisado que o púlpito reservado ao presidente ficará vazio caso ele falte ao debate. Outro argumento a favor é que ocorrerá no horário de pico de audiência, logo após o Jornal Nacional. Se Lula não comparecer, há uma avaliação de que Flávio Bolsonaro também deve faltar para não responder sobre sua relação com o escândalo do Banco Master.

Em maio, foi divulgado um áudio em que o senador pede dinheiro ao ex-banqueiro Daniel Vorcaro para concluir um filme sobre seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). Contra a presença do presidente no debate, petistas dizem que ele poderá virar alvo dos adversários, alinhados politicamente à direita, permitindo que o filho do ex-presidente Jair Bolsonaro faça dobradinha com os demais candidatos.

Além disso, não haveria garantias da presença de Flávio mesmo com eventual confirmação de Lula. Embora ele condicione sua participação à do presidente, o senador do PL poderá desistir em cima da hora. Os esforços do presidente para driblar a rouquidão também têm preocupado os assessores, por imprimirem um tom raivoso à fala de Lula.

ESTRATÉGIA – A ausência de presidentes em debates durante campanhas à reeleição é uma estratégia conhecida. Em 2006, quando concluía seu primeiro mandato, Lula decidiu não comparecer aos encontros do primeiro turno, confiando na ampla vantagem que tinha sobre o segundo colocado –o hoje vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB, à época no PSDB).

Em 1998, Fernando Henrique Cardoso (PSDB) também não compareceu a debates. Ele venceu a eleição já no primeiro turno. Neste ano, porém, as pesquisas apontam para um empate entre os líderes. A última pesquisa Datafolha mostrou que Lula tinha 39% e estava tecnicamente empatado com Flávio Bolsonaro, com 36%. A distância atual entre Lula e Flávio Bolsonaro no 1º turno é a mais curta desde a primeira quinzena de maio, quando o petista marcava 38%, ante 35% do adversário.

O primeiro debate presidencial da eleição de 2026, em 23 de agosto, teve três participantes: Ronaldo Caiado, Renan Santos e Augusto Cury. O número de presentes foi o menor num debate inaugural desde 1989, quando as emissoras passaram a promover eventos do tipo. Lula e Flávio Bolsonaro decidiram não comparecer, e Romeu Zema também anunciou desistência, atribuindo a decisão à ausência dos dois favoritos.

Fux manda Senado informar sobre as entradas de esposa de Moraes, Vorcaro e Lulinha

Decisão envolve registros de entrada e saída de oito pessoas

Fernanda Fonseca
CNN

O ministro Luiz Fux, do STF (Supremo Tribunal Federal), determinou nesta quarta-feira (23) que o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), preste informações, no prazo de dez dias, sobre os registros de entrada e saída de oito pessoas nas dependências da Casa desde fevereiro de 2019.

Entre os nomes estão a advogada Viviane Barci de Moraes, esposa do ministro Alexandre de Moraes, e o ex-banqueiro Daniel Vorcaro. A determinação também abrange Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, filho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT); José Ferreira da Silva, o Frei Chico, irmão do presidente; e Antônio Carlos Camilo Antunes, conhecido como Careca do INSS.

PARECER – Após a manifestação de Alcolumbre, o Ministério Público terá dez dias para emitir parecer sobre o caso. A decisão foi tomada em um mandado de segurança apresentado pelo vereador de Curitiba Guilherme Kilter (Novo), que questiona a negativa do Senado em fornecer os dados solicitados por meio da Lei de Acesso à Informação. A Casa havia recusado o pedido sob a justificativa de proteção de dados pessoais.

O processo foi inicialmente distribuído a Alexandre de Moraes, que se declarou impedido de atuar no caso na segunda-feira (21), por envolver sua esposa. Após a redistribuição, Fux foi sorteado como novo relator na terça-feira (22).

Miliciano ligado aos Brazão intermediou emenda de R$ 200 mil de Flávio Bolsonaro a ONG

Lula leva a disputa eleitoral à ONU enquanto o Brasil se despede de Zuenir Ventura

Trajetória de Zuenir é um marco na imprensa brasileira

Pedro do Coutto

A abertura da Assembleia Geral das Nações Unidas colocou a eleição brasileira no centro de um palco tradicionalmente dedicado à política internacional. Ao discursar em Nova York, Lula combinou a defesa da soberania, do multilateralismo e da democracia com referências que, embora não citassem nominalmente Flávio Bolsonaro, dialogavam diretamente com a disputa presidencial.

A poucos dias do primeiro turno, o presidente afirmou que os brasileiros terão de escolher entre “democracia e negacionismo” e alertou para os riscos da desinformação e de interferências externas no processo eleitoral.

POSIÇÃO DO BRASIL – O discurso teve, portanto, duas dimensões. Para o público internacional, Lula procurou reafirmar a posição do Brasil diante de um ambiente marcado por conflitos e disputas de influência. Para o eleitor brasileiro, a fala funcionou como extensão da campanha. A frase “o Brasil não cabe no quintal de ninguém” sintetizou a mensagem dirigida ao exterior, enquanto a oposição entre democracia e negacionismo ajudou a estabelecer o eixo político que Lula pretende levar para a reta final.

Há, nesse movimento, uma característica importante da eleição de 2026: a disputa não se resume ao confronto entre Lula e Flávio Bolsonaro. O campo da direita chega ao primeiro turno fragmentado entre diferentes candidaturas, entre elas as de Flávio, Ronaldo Caiado e Romeu Zema. Os levantamentos de setembro mostram uma disputa apertada entre Lula e Flávio nos diferentes cenários, embora os números variem conforme o instituto e a metodologia.

Essa fragmentação ganha importância na passagem do primeiro para o segundo turno. Os votos obtidos pelos candidatos que eventualmente não avançarem não constituem um bloco automático. Eleitores de Caiado e Zema podem se distribuir de maneiras diferentes entre os dois finalistas, assim como optar pela abstenção, pelo voto nulo ou branco. Não existe transferência integral e mecânica de votos.

COALIZÃO ELEITORAL – É justamente aí que a eleição ganha uma dimensão menos previsível. O primeiro turno mede a força das candidaturas; o segundo mede também a capacidade de ampliar uma coalizão eleitoral. O campo oposicionista a Lula possui pontos de convergência, mas não é inteiramente homogêneo. Caiado e Zema representam segmentos da direita que não necessariamente se identificam com todos os elementos do bolsonarismo. A forma como essas diferenças serão administradas poderá influenciar alianças e a distribuição dos votos.

O discurso de Lula revela que a campanha já entrou numa fase em que a disputa por identidade política se torna tão importante quanto a discussão sobre propostas. Ao falar em democracia, soberania, desinformação e interferência estrangeira, o presidente procura estabelecer uma moldura para a eleição. A campanha de Flávio reagiu ao pronunciamento acionando o Tribunal Superior Eleitoral para impedir o uso de imagens ou trechos do discurso na propaganda, sob o argumento de que a fala teria sido transformada em instrumento eleitoral.

A eleição, assim, aproxima política interna e política externa. A relação com os Estados Unidos, as manifestações de Lula sobre soberania, as críticas à interferência estrangeira e a presença de Flávio no debate internacional passaram a integrar a narrativa eleitoral. O contexto também ajuda a explicar por que o discurso na ONU adquiriu relevância muito além da diplomacia.

DEMOCRACIA E JORNALISMO – É nesse ambiente que a morte de Zuenir Ventura, aos 95 anos, acrescenta outra camada à discussão sobre democracia e jornalismo. O jornalista e escritor morreu na terça-feira, 22 de setembro, deixando uma trajetória de várias décadas na imprensa brasileira. Seu nome está especialmente ligado a 1968: O ano que não terminou, publicado em 1988, obra que reconstruiu um dos períodos mais turbulentos da ditadura militar. Zuenir havia sido preso depois da edição do AI-5, em dezembro de 1968.

Sua importância, porém, não se limita ao livro. Zuenir passou por algumas das principais redações do país, trabalhou no Jornal do Brasil e em O Globo e construiu uma obra que aproximou jornalismo, literatura e interpretação social. Na cobertura do assassinato de Chico Mendes, produziu uma série de reportagens premiada. Em Cidade partida, voltou-se para a violência e a desigualdade no Rio de Janeiro.

Sua relação com a ditadura não foi apenas a de quem posteriormente escreveu sobre aquele período. Zuenir viveu parte daquela história. Foi preso em 1968, assim como sua mulher, a jornalista Mary Akiersztein. Décadas depois, transformou aquela experiência em investigação jornalística e memória coletiva. Seu trabalho mostrou que a imprensa não apenas registra acontecimentos: em determinados momentos, ela também ajuda uma sociedade a reconstruir aquilo que tentou ser silenciado.

ASSOCIAÇÃO – É por isso que a coincidência entre a morte de Zuenir e o discurso de Lula na ONU produz uma associação inevitável, embora as duas histórias pertençam a planos diferentes. De um lado, um presidente candidato que apresenta a eleição como uma escolha entre democracia e negacionismo. De outro, a morte de um jornalista que dedicou parte fundamental de sua obra a registrar o que acontece quando a democracia é interrompida e os direitos são submetidos ao arbítrio.

A eleição de 2026 ocorre, evidentemente, em outro contexto histórico. O Brasil tem instituições democráticas funcionando, eleições periódicas e um sistema eleitoral consolidado. Mas a memória do passado voltou a ocupar espaço no debate político. Quando candidatos disputam o significado de democracia, liberdade e soberania, disputam também a interpretação que o eleitor fará do presente.

DEDICAÇÃO – Talvez essa seja a ligação mais forte entre os acontecimentos desta semana. Enquanto Lula usava o maior palco diplomático do mundo para afirmar que a democracia brasileira não deve sofrer interferências, o país se despedia de um jornalista que dedicou sua vida a contar como essa mesma democracia foi perdida, restringida e reconstruída.

Entre a ONU e a memória de Zuenir Ventura, o Brasil reencontra uma questão que permanece atual: democracia não é apenas uma palavra de campanha ou um capítulo da história. É também a possibilidade de que as instituições funcionem, que o jornalismo registre os fatos e que o eleitor faça sua escolha sem que o passado seja apagado ou o presente seja deformado.

Jato de Vorcaro usado por Moraes também levou Flávio Bolsonaro de Miami a Brasília

“Vamos precisar entrar na Justiça”: Vorcaro e advogado discutiram ofensiva contra o BC

Lula desiste do chapéu do “Zé Pilintra” e muda visual para parecer mais jovem

Lula grava material genérico para aliados que miram vaga na Câmara | VEJA

Lula estava fazendo sua campanha fantasiado de “Zé Pilintra”

Carlos Newton

Depois de a Tribuna da Internet ter criticado o visual de “Zé Pilintra”, criado para a campanha de Lula pela mulher dele, Janja da Silva, que fez o candidato do PT perder grande número de votos evangélicos indecisos, a excelente repórter Leticia Fernandes informa no Estadão que a cúpula do PT já conseguiu convencê-lo a adotar um visual mais descontraído, para tentar atrair o voto dos jovens nesta reta final.

“Com a queda do presidente Lula em pesquisas recentes, nas quais já aparece numericamente atrás de Flávio Bolsonaro (PL) no segundo turno, a campanha petista tenta fazer ajustes dos mais variados para aumentar o engajamento e recuperar o terreno perdido às vésperas das eleições”, relatou a repórter, que é filha de Rodolfo e neta de Helio Fernandes, dois extraordinários jornalistas que fazem muita falta.

“MALANDRAGEM” – Conforme explicamos na matéria aqui na Tribuna, o terno com chapéu de palha usado por Lula é o visual que caracteriza o “Zé Pilintra”, uma das entidades espirituais mais importantes das religiões afro-brasileiras, como a Umbanda e o Catimbó-Jurema.

O culto a “Zé Pilintra” surgiu originalmente no Nordeste. Com a migração da seca no século XX, a entidade ganhou força na boemia e nas ruas do Rio de Janeiro e de São Paulo, transformando-se em “patrono da malandragem”.

A publicação do artigo sobre o “Ze Pilintra” na Tribuna causou tumulto na cúpula do PT, que tenta recuperar o tempo e os votos perdidos com as intromissões de Janja da Silva. E ficou decidido que Lula não usará mais o terno e o chapéu da entidade umbandista.

CAMISA SOCIAL – A jornalista da Coluna do Estado revela que, nos próximos programas do horário gratuito, Lula vai aparecer com um estilo mais simples, usando apenas camisa social, sem gravata ou paletó, no modelito considerado mais moderno e “íntimo”, especialmente nas gravações para as redes sociais.

“Lula foi orientado a sair da defensiva e encampar a pauta de reforma do Judiciário – proposta que sequer consta em seu programa de governo – depois de ter a imagem abalada pela associação que o eleitor fez, de acordo com pesquisas, entre o presidente e o ministro Alexandre de Moraes” – informa Letícia Fernandes, acrescentando:

“A campanha de Lula também aconselhou o presidente a atacar o relator do Caso Master, o ministro André Mendonça, a quem o petista já acusou de usar a função para fazer política”,

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P.S.
– Em tradução simultânea, a verdade é que bateu o desespero na campanha de Lula, porque o candidato Flávio Bolsonaro está em tendência de alta e o petista entrou em tendência de baixa. E a perspectiva é de que a situação piore, porque Lula passou a atacar duramente o ministro André Mendonça, numa estratégia errada e que faz com que perca votos, porque hoje Mendonça desponta como herói nacional e atacá-lo não atrai voto dos indecisos, muito pelo contrário. (C.N.)

Após pedido de Flávio, Nunes Marques manda Lula retirar vídeo sobre o caso Master

Supremo prepara triagem das denúncias envolvendo ministros no caso Master

Charge do João Spacca (Canal Meio)

Bela Megale
O Globo

Ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) se reuniram na semana passada com o presidente da corte, Edson Fachin, para discutir uma estratégia diante da crise desencadeada pelas denúncias que envolvem o ex-banqueiro Daniel Vorcaro e magistrados do tribunal. A proposta central é realizar uma “triagem” detalhada do vasto material que conecta Vorcaro a membros do STF.

A ideia é dividir o material em duas frentes: os casos que configuram delitos administrativos e funcionais, e aqueles que podem resultar em ações penais. O objetivo, segundo ministros ouvidos, é demonstrar que o STF está tomando medidas concretas para lidar com as suspeitas que atingem seus integrantes.

JATINHO DE VORCARO – Um dos fatos que reforçam essa necessidade é a divulgação, pelo colunista Lauro Jardim, de um vídeo que mostra o ministro Alexandre de Moraes e sua esposa durante viagem em um jatinho pertencente a Vorcaro. A ala ligada a Moraes defende que a triagem inclua não só os casos dele, que trocou mensagens com o ex-banqueiro conforme o relatório da Polícia Federal, mas também as situações envolvendo todos os magistrados que tiveram contato com Vorcaro.

Além de Moraes, outros ministros como Kassio Nunes Marques também aparecem ligados a Vorcaro. Mensagens extraídas do celular do ex-banqueiro indicam que o advogado Kevin Marques, filho do ministro Nunes Marques, teria recebido pagamentos mensais de R$ 500 mil relacionados ao Banco Master.

ALUGUEL DE MANSÃO – O site “Metrópoles” também revelou mensagens que mostram que Vorcaro teria alugado uma mansão avaliada em R$ 250 milhões no Rio de Janeiro no Carnaval do ano passado para um ministro tratado como “KN”.

Dias Toffoli é outro envolvido, com vínculos que passam por negócios familiares em um resort no Paraná, com encontros frequentes e viagens em aeronaves ligadas ao grupo de Vorcaro.

A ala próxima a Moraes defende que a triagem considere ainda outros episódios, como o encontro do decano do STF, Gilmar Mendes, com Vorcaro para discutir uma causa do setor sucroalcooleiro, as mensagens trocadas entre Vorcaro e o filho do ministro Luiz Fux, Rodrigo Fux, e o repasse milionário feito por um ex-parceiro de Vorcaro ao instituto que pertencia a André Mendonça.