PF quer acionar Interpol contra Vorcaro e rastrear recursos ligados ao Master

Rotular facções como terroristas não elimina estrutura do crime organizado

Limite imposto pelo STF não impede explosão de penduricalhos na Justiça paulista

Nunes Marques suspende divulgação de pesquisa que registrou queda de Flávio Bolsonaro

Dividido, STF enfrenta julgamentos que podem influenciar a eleição de 2026

Charge do Clayton (Jornal do Commercio)

Valdo Cruz
G1

Dividido, o Supremo Tribunal Federal (STF) tem decisões polêmicas pela frente nesta reta final de semestre. Essas decisões podem aprofundar essa divisão, ter influência na política em ano eleitoral e determinar a força do ministro André Mendonça no comando do inquérito do Banco Master.

Esses temas que envolvem, por exemplo, a prisão de parentes do banqueiro Daniel Vorcaro e mudanças na Lei da Ficha Limpa, podem, por outro lado, melhorar a imagem desgastada do STF.

LIMINAR –  O ministro Gilmar Mendes precisa devolver para julgamento a liminar de André Mendonça que determinou a prisão do pai e do primo de Daniel Vorcaro. A expectativa no STF é se o resultado dará mais força ao relator ou pode gerar um empate, caso Nunes Marques e Gilmar Mendes votem contra a prisão dos dois, o que teria reflexos em novas decisões de André Mendonça no inquérito do Master.

Gilmar Mendes também pediu vista no julgamento da ação contra a lei aprovada no Congresso que beneficia políticos que, hoje, estão inelegíveis; entre eles, Eduardo Cunha e José Roberto Arruda.

ELEIÇÃO NO RIO – O STF pode decidir antes do recesso como fica a eleição no Rio de Janeiro, depois de o TSE ter confirmado a inelegibilidade de Cláudio Castro, mas ter reconhecido sua renúncia; fica a dúvida, o Rio precisa ter uma eleição direta ou indireta, mas tudo leva a crer que vai ficar tudo como está, com o desembargador Ricardo Couto ficando no governo até o final do ano.

Além desses itens, outro assunto que gera tensão dentro do STF é a delação premiada do ex-dono do Banco Master, Daniel Vorcaro, que entra numa semana decisiva. A Polícia Federal e a Procuradoria Geral da República (PGR) devem dar resposta nesta semana se aceitam ou não a nova proposta de delação de Daniel Vorcaro, depois de a primeira ter sido rejeitada.

Os advogados de Vorcaro dizem que entenderam o recado e mandaram o seu cliente aprofundar nas revelações, o que deve incluir por que e como ele decidiu financiar o filme “Dark Horse”. A depender do que for dito, pode ter influência direta na campanha presidencial, atingindo o pré-candidato do PL, Flávio Bolsonaro.

EXPECTATIVA – Entre bolsonaristas, há uma expectativa que Daniel Vorcaro também conte sobre suas relações com o PT da Bahia e nomes de ex-assessores de Lula contratados pelo banqueiro, como Guido Mantega e Ricardo Lewandowski. Enquanto isso, investigadores continuam pressionando Daniel Vorcaro a contar mais e fazer adendos à sua segunda versão de colaboração premiada.

Seguem dizendo que ele não está contando tudo que sabe e precisa, se quiser mesmo um acordo, realmente colaborar. Em Brasília, o mundo da política continua torcendo para que a colaboração premiada seja recusada.

Big Techs travam nova batalha no STF em meio à ofensiva regulatória de Lula

Ninguém sabe qual será o time na estreia na Copa, daqui a quatro dias

Carlo Ancelotti pega pesado nos treinos do Brasil

Ancelotti precisa definir o time para poder treinar o conjunto

Tostão
Folha

Contra o Egito, o fato positivo foi a marcação por pressão mais eficiente do que nos jogos anteriores, embora aumente os riscos por deixar mais espaços na defesa se não houver a recuperação da bola. Assim saíram os dois gols do Brasil. No primeiro tempo, os quatro do meio campo (os volantes Casemiro e Bruno Guimarães e os meias Paquetá e Raphinha) atuaram muito centralizados deixando os laterais desprotegidos. O Egito criou também algumas chances de gols.

Após os amistosos contra Panamá e Egito, ninguém sabe qual será o time da estreia na Copa devido às muitas experiências feitas por Ancelotti. Os dois jogos não diminuíram nem aumentaram as esperanças de sucesso no Mundial. Tudo continua   incerto.

VAGAS EM DISPUTA – Além das dúvidas nas laterais, a seleção brasileira do meio para frente possui quatro titulares (Casemiro, Bruno Guimarães, Vinicius Junior e Raphinha). Alguns jogadores disputam as outras duas vagas, com diferentes posicionamentos em campo.

Quando Ancelotti fala que o time vai jogar no 4-4-2, independentemente da escalação, deduzo que se refere à fase defensiva, com quatro jogadores na proteção dos quatro defensores. Este é um conceito antigo, presente na maioria das atuais equipes, iniciado com a seleção inglesa campeã do mundo em 1966.

Muitas coisas vão e voltam no futebol. Evidentemente, o jogo hoje é muito mais veloz, intenso, compacto, com as equipes marcando e atacando com muitos jogadores.

DEBATES INÚTEIS – As frequentes discussões se a seleção brasileira deve jogar no 4-4-2, no 4-2-4 ou no 4-3-3 são obsoletas. Os jogadores não param de correr e, a cada instante, é formado um diferente sistema tático na prancheta.

 Os pontas são atacantes quando avançam e defensores quando recuam. Não há diferença entre 4-2-4 e o 4-4-2, vai depender do momento do jogo. Obviamente, as equipes possuem particularidades individuais e coletivas.

Outra discussão diária, desnecessária, é se o Brasil deve jogar com quatro atacantes ou com um terceiro jogador no meio-campo. Matheus Cunha é um armador ou um atacante, pois marca no meio-campo e chega à frente?

MESMA DISCUSSÃO – Antes da Copa de 70, o Brasil jogava com dois no meio-campo (Clodoaldo e Gerson), dois atacantes pelo centro (Pelé e Tostão) e dois pontas abertos e agressivos. Zagallo assumiu o comando e trocou o ponta esquerda Edu por mais um jogador de meio-campo (Rivellino).

As discussões eram as mesmas de hoje, se o time deveria jogar com três no meio-campo ou com quatro atacantes (4-3-3 ou 4-2-4) e se deveria ter um clássico centroavante (Roberto) ou um meia atacante (Tostão) ao lado de Pelé. Zagallo dizia, como muitos defendem hoje, que a equipe não poderia ter apenas dois no meio-campo contra as fortes seleções europeias.

A pressão feita por Pelé e outros jogadores para Zagallo me escalar não foi explicita como mostra a série “Brasil 70 — A Saga do Tri”, exibido pela Netflix. Se houve pressão, foi silenciosa, pelo olhar, nas entrelinhas e nas conversas ao pé do ouvido.

CENA INVENTADA – Gerson, que jogava no Botafogo sob o comando de Zagallo, conversava muito com o técnico. Eu não fui até Zagallo para dizer que eu tinha de ser o titular, como mostra a série. Diferentemente do que é mostrado, Pelé era um atleta consciente, equilibrado, bem-humorado e muito forte emocionalmente. Por isso e pelas condições físicas e técnicas era o Pelé, o maior da história.

A série é bem feita, prazerosa de se ver, emocionante, possui ótimos atores, com ótima reprodução dos principais lances e gols, mas há muitas cenas inventadas e sensacionalistas para dramatizar uma grande conquista esportiva.

Por fim, meus sentimentos à família de Leivinha, ídolo do Palmeiras, meu companheiro de ataque na seleção brasileira, campeã da Copa das Confederações, no Maracanã, em 1972. Leivinha ocupou o lugar de Pelé, que tinha se despedido da seleção.

Envelhecimento e queda de natalidade formam uma dança macabra no Brasil

Título – A dança macabra Ilustração de Ricardo Cammarota foi realizada em técnica de composição de recortes digitais. A imagem apresenta uma composição formada por diversas partes de esqueletos humanos recortadas e reorganizadas sobre pautas e notas musicais de uma partitura. O fundo é verde-claro e é atravessado por pautas musicais pretas com notas distribuídas por toda a superfície. Sobre elas, aparecem caixas torácicas, colunas vertebrais, pelves, braços, mãos, pernas e pés em tons de preto, branco e cinza. Os fragmentos ósseos estão dispostos em diferentes posições, orientações e escalas, ocupando quase toda a área da imagem e sobrepondo-se às linhas e símbolos musicais.

Ilustração de Ricardo Cammarota (Folha)

Luiz Felipe Pondé
Folha

Um dos grandes desafios contemporâneos é a longevidade como realidade histórica intransponível. No Brasil, o Estado empurra esse fato com a barriga, como tudo mais. O Estado brasileiro só lembra de você no circo da democracia —as eleições— ou para tirar o seu dinheiro.

Logo, alguém muito inteligente dirá que a longevidade é um problema de saúde pública ao qual se deve aplicar fórmulas epidemiológicas. Ao lado dela, e causada pelo mesmo fenômeno histórico-social conhecido como modernidade, a queda da natalidade — motivo até de um alerta atrasado e inútil da ONU — é o outro extremo da curva demográfica, descrevendo uma dança com tons macabros.

MUITOS MOTIVOS – Essa dança se refere ao encontro desses dois movimentos demográficos paralelos que, por serem consequência de processos sociais concretos, não devem desaparecer. Por um lado, há o avanço da medicina científica, gerando longevidade; do outro, o mundo da emancipação feminina gerando queda da natalidade.

Em breve, as famílias serão mais atomizadas e reduzidas na rede de proteção dos seus integrantes. Assim, muitos idosos abandonados de um lado, jovens em extinção do outro. Daqui a pouco a população de idosos vivendo em situação de rua será gigantesca.

Recentemente, num bairro de alto padrão da cidade de São Paulo, houve uma batalha inimaginável até tempos atrás. Uma associação de moradores iniciou um movimento, com vitórias iniciais, para expulsão de casas de repouso de longa duração para idosos da região, sob vários argumentos que soam bastante desumanos.

BRIGAS JURÍDICAS – Essas casas estariam fora do espectro permitido para bairros residenciais. O assunto deve ser resolvido —se assim o for— pela prefeitura, seus alvarás de funcionamento e os advogados do segmento.

Dizer que o aumento da longevidade é uma realidade histórica intransponível é dizer que a longevidade é algo que, em termos históricos, tem a consistência da lei da gravidade. Não há como contornar esse fenômeno. Só há como cuidar dele, criando melhores condições de vida em saúde —seguros saúde para idosos são impagáveis, o destino é o SUS—, cuidado psicológico e social. Falar é fácil, realizar são outros quinhentos.

As famílias seriam a instituição na primeira linha de combate. O Estatuto do Idoso exige, legalmente, o investimento das famílias na solução do fenômeno, com ameaça de criminalização dos entes familiares que não empenharem esforços no cuidado, criação de condições de vida digna e garantias do cotidiano do idoso.

ESTADO OMISSO – Como sempre, a lei no Brasil funciona no sentido de pressionar o cidadão para que o Estado, lave as mãos e siga seu caminho que é continuar espremendo a sociedade para que ela sustente os luxos de seus dignatários. Trocando em miúdos, a ideia é não gastar dinheiro público com os idosos e usá-lo apenas com viagens, eventos, jantares, emendas e afins.

O fato sociológico intransponível é que essa família quase não existe mais. Não há lugar nem dinheiro para as famílias atomizadas cuidarem dos seus idosos, o que não implica que eles não o mereçam.

As mulheres que sempre arcaram, na maioria dos casos, com a lida cotidiana dos idosos, estão em outra. Como filhas da modernização, elas querem liberdade, carreiras, estudos, viagens, enfim, querem ser felizes. E quem em sã consciência pode lhes tirar a razão? Não há lugar para os idosos, e, cada vez menos, para crianças.

ESPERA DA MORTE – Políticas públicas quase não saem do blábláblá, parecendo mesmo, às vezes, que a única política pública de fato é esperar —já que são idosos — que morram logo.

O resultado, como sempre, é que o mercado vem acudir essas famílias com um exército de cuidadoras, que muitas vezes se transforma em contencioso trabalhista.

Ou, ainda, empresas oferecem a essas famílias serviços terceirizados — muitas vezes, como forma de proteger dos conflitos trabalhistas essas mesmas famílias.

CASAS DE REPOUSO – Oferecem também casas de repouso de longa duração — essas mesmas que muita gente quer expulsar do seu bairro, em nome do valor imobiliário das suas residências; do cenário de ambulâncias e carros funerários na região; e dos gemidos e choros dos idosos, buscando empurrar essas instituições para a periferia da cidade. Enfim, aos indesejáveis, a periferia.

 

A verdade é que esses serviços que o mercado oferece são caríssimos, normalmente acima das condições financeiras das famílias atomizadas. Portanto, a exploração se instala. Não há rota de escape nem para as famílias, nem para os idosos.

Como sempre na selva disfarçada de país que é o Brasil, as hienas se instalam e gargalham, num constante salve-se quem puder.

Em forma de poesia, as reflexões de Millôr Fernandes sobre suas reflexões

Millôr: o humor como forma de indignação | Curso Enem Play | Guia do EstudantePaulo Peres
Poemas & Canções

O desenhista, humorista, dramaturgo, tradutor, escritor, jornalista e poeta carioca Milton Viola Fernandes (1923-2012), mais conhecido como Millôr Fernandes, no poema “Reflexão Sobre a Reflexão”, fala de suas decisões relacionadas ao ato de pensar.

REFLEXÃO SOBRE A REFLEXÃO
Millôr Fernandes

Terrível é o pensar.
Eu penso tanto
E me canso tanto
Com o meu pensamento
Que às vezes penso
em não pensar jamais.
Mas isto requer
ser bem pensado
Pois se penso demais
Acabo despensando
tudo que pensava antes
E se não penso
Fico pensando
nisso o tempo todo.

Entre Trump e o Pix, Lula está encontrando a bandeira que faltava para 2026

PF vê nova delação de Vorcaro como insuficiente e mantém resistência a acordo

Sidônio Palmeira enfrenta o desafio de transformar um governo em narrativa

Palmeira ocupa posição delicada no governo

Pedro do Coutto

A política contemporânea tornou a comunicação um dos principais centros de poder dentro dos governos. Em um ambiente marcado pela velocidade das redes sociais, pela fragmentação da atenção pública e pela disputa permanente de narrativas, governar já não basta. É preciso comunicar. E é justamente nesse ponto que cresce a relevância — e também a controvérsia — em torno do ministro da Secretaria de Comunicação Social da Presidência, Sidônio Palmeira.

Em extensa reportagem publicada por O Globo, a jornalista Jennifer Gularte descreve o fortalecimento da influência de Sidônio dentro do governo ao mesmo tempo em que aumentam as resistências à sua atuação nos corredores do Palácio do Planalto.

POSIÇÃO DELICADA – O fenômeno não é exatamente surpreendente. Em qualquer administração, especialmente em períodos pré-eleitorais, o responsável pela comunicação ocupa uma posição delicada: precisa converter ações administrativas em mensagens capazes de alcançar a população, mas depende inteiramente da qualidade, da velocidade e da coordenação das informações produzidas pelos ministérios e pelas empresas estatais.

Essa relação cria uma dinâmica inevitável. Quanto maior a necessidade de coordenar discursos e organizar mensagens, maior tende a ser a influência do comunicador. Ao mesmo tempo, cresce o desconforto daqueles que passam a ver a comunicação como um centro de poder concorrente.

A trajetória de Sidônio ajuda a compreender esse protagonismo. Publicitário responsável pela campanha presidencial vitoriosa de Lula em 2022, ele chegou ao governo com a missão explícita de reformular a comunicação oficial, após críticas recorrentes do presidente à dificuldade de fazer as realizações da gestão chegarem ao conhecimento da população. Sua nomeação para a Secom, em janeiro de 2025, representou justamente a tentativa de aproximar a comunicação institucional da lógica das campanhas eleitorais, incorporando estratégias de marketing político e monitoramento permanente da opinião pública.

AMPLO ESPAÇO – O papel desempenhado por Sidônio, porém, ultrapassa a simples produção de campanhas publicitárias. Relatos da imprensa mostram que ele participa de reuniões estratégicas, acompanha pesquisas de opinião, monitora tendências nas redes sociais e oferece sugestões que alcançam áreas tradicionalmente reservadas à articulação política. Essa ampliação de espaço gera desconforto entre aliados que consideram excessiva a influência de um ministro originalmente encarregado da comunicação.

O fenômeno é compreensível. Em governos que enfrentam desafios de popularidade, a comunicação deixa de ser uma atividade acessória para se tornar instrumento central da estratégia política. Afinal, não existe política pública capaz de produzir dividendos eleitorais se a população não perceber seus resultados. A comunicação, nesse contexto, deixa de ser apenas um canal de divulgação para se transformar em uma ponte entre gestão e percepção pública.

É justamente essa a principal missão de Sidônio Palmeira. Seu trabalho consiste em reunir permanentemente duas dimensões distintas, mas inseparáveis: aquilo que o governo efetivamente realiza e a forma como essas realizações são percebidas pelos cidadãos. O desafio é ainda maior porque o calendário político já aponta para a disputa presidencial de 2026. Embora o governo insista em diferenciar gestão e campanha, a realidade política demonstra que a construção da imagem presidencial ocorre diariamente, muito antes do início formal do processo eleitoral.

LIMITE –  Existe, contudo, um limite que nenhum marqueteiro consegue ultrapassar. A comunicação pode amplificar resultados, organizar mensagens e reduzir ruídos. Mas não consegue substituir entregas concretas. A experiência brasileira mostra que governos costumam fracassar quando acreditam que problemas de avaliação pública decorrem exclusivamente de falhas comunicacionais. Em muitos casos, a comunicação apenas reflete dificuldades mais profundas relacionadas à economia, aos serviços públicos ou às expectativas da sociedade.

Por isso, o crescimento da influência de Sidônio Palmeira revela algo mais amplo do que a ascensão de um ministro. Ele simboliza uma transformação estrutural da política moderna, na qual a disputa pela interpretação dos fatos passou a ser tão importante quanto os próprios fatos. Em um cenário de hiperconectividade e polarização permanente, o poder de construir narrativas tornou-se um ativo estratégico de primeira grandeza.

A questão que permanece em aberto é se a crescente centralidade da comunicação será suficiente para fortalecer a imagem do governo Lula diante do eleitorado. A resposta dependerá menos da habilidade do marqueteiro e mais da capacidade do governo de produzir resultados que possam ser convertidos em narrativas convincentes. Afinal, comunicação eficiente pode potencializar conquistas. Mas somente as conquistas são capazes de sustentar, no longo prazo, uma narrativa política vencedora.

STF volta do recesso sob clima de guerra interna e pressão do caso Master

Verdades indiscretas de um implicante que preferia mil vezes o Lula de antigamente…

Artigo: O sonho esmorece, em um dia triste, por Ancelmo Gois - Jornal O  Globo

Lula era um homem simples, carregando seu isopor de cervejas

 

Pedro Rogério Moreira
Metrópoles

Tomei emprestado para batizar este artigo o título de um livro de ensaios do mineiro Antônio Torres (1885-1934). Ele era vigário em Diamantina, deixou a paróquia por implicância ao bispo, e foi ser padre no Rio de Janeiro, onde implicou com o arce

bispo Arcoverde e acabou largando a batina. Virou jornalista implicante. Depois, diplomata no exterior, implicou com seu chefe em Hamburgo. Era um implicante profissional. Implicou até com o uso de barba pelos oficiais do Exército na Primeira República.

Cada qual com a sua implicância. O autor deste artigo implica com as leguminosas subterrâneas que infestam a horta política nacional.

ÚLTIMO REFÚGIO – O sábio Samuel Johnson disse há três séculos que o patriotismo é o último refúgio dos canalhas. A máxima política serviu a Jair Bolsonaro para sequestrar a camiseta da Seleção Brasileira e fazer do manto sagrado do nosso futebol o seu escudo para a trama golpista.

No ano da Copa do Mundo, milhares de torcedores envergonhados não a vestirão, para não serem confundidos com a canalha que manchava a camisa na porta dos quartéis.

Uma pena, porque nesse setor somos milhares de otimistas e damos força à boa estrela de Ancelotti antes de pôr fé nos jogadores que dão o melhor de si em seus clubes europeus do que vestindo o uniforme verde-amarelo. Argh!

LEGUMINOSAS – Assistindo à TV Senado, porém, vem a implicância com alguns tipos distintos de leguminosas unidas pela admiração ao Bolsonaro pai e agora carregando o andor do Bolsonaro filho.

O estropiado cantor de pagode gospel Magno Malta, o bizantino Mourão (em quem tanto, quando passou à Reserva, nutria-se uma esperança que se revelou vã) sempre ao lado de uma pastinha de burocrata onde guarda papéis inúteis, e o caladão Rogério Marinho fazendo um papel pedestre que não condiz com o nome de seu avô, o notável Djalma Marinho.

Se o ex-presidente lhes devotasse reconhecimento, haveria de tê-los convocado como auxiliares na trama golpista. Foram relegados, não porque fossem legalistas convictos, mas porque Bolsonaro não lhes dava a menor bola. Ao vice-presidente Mourão nem dava bom dia.

TRÊS MINISTROS – Magno Malta desejava, como um guri a um Kibon, ser ministro, que fosse das Relações Exteriores (como pediu), e ficou chupando o dedo. O Marinho, quando ministro, ainda guardava um quê de respeito à memória política do mestre Djalma; perdeu-o na derrota eleitoral do golpista.

Nem vou citar o masteriano Ciro Nogueira, famoso de outros carnavais, quaisquer, importando que estivesse no corso ao lado do Momo endinheirado ou poderoso do momento.

Para eles, ainda bem que mereceram o desdém de Bolsonaro, Deus seja louvado, ficaram de fora da bem aplicada Papudinha do Moraes, o mesmo Moraes que finge não ter nada a ver com nada da inacreditável revelação da implicante repórter Malu Gaspar de que a patroa ganhava um dinheirão do Vorcaro.

E O MORO? – Esqueci de implicar com alguém? Sim, esqueci do Moro! Ofendido e humilhado publicamente pelo Jair, no único momento alto de sua passagem pelo Ministério da Justiça, no desgoverno que maltratou o Brasil por quatro anos, Moro agora faz cara de paisagem no plenário azul das nulidades.

Esse legume ainda tem muito a purgar no inquérito do fim do mundo antes que o nosso mundo, o nosso Tayayá, acabe de vez.

Este implicante amador preferia mil vezes o Lula dos tempos de dona Marisa. Lembram-se? Ele carregava na cacunda o isopor de cerveja e camarão seco para enfrentar o domingo de classe média numa praia baiana, ela com a sobriedade e leveza de esposa de operário. Não tinha cara de não-me-toques de quem atingiu pela sorte da intimidade a culminância de primeira-dama. Dona Marisa caminhava junto, mas cedendo a primazia da dianteira ao marido. Isso é fotografia na parede. Fui.

ÁGUA DE BARRELA – Lula quis se tornar líder mundial, ora direis ouvir estrelas. Vive viajando para fora, numa gastação extraordinária de dinheiro e de energias, promove até conferências custosas em Belém do Pará sobre as águas do mundo, para tudo dar em água de barrela.

Queima querosene da FAB e exaure o seu dinamismo pessoal, quando bem que poderia arregaçar as mangas no quintal de casa, metendo pesticidas nas larvas que corroem a lavoura e faz brotar as pragas de Master, INSS et caterva, e de leguminosas subterrâneas, duras de roer, como as espécies alcolumbres e mottas.

Pode uma coisa dessas, o Lula metido a ombrear-se com os maiorais da Europa e da Ásia? Pode sim, uai, o uai para implicar com o nosso João das Regras da fonética nacional, o luso-brasileiro Gilmar Mendes. MONOGLOTA – Um crítico implicará: não pode não, nem falar inglês o analfabeto sabe. E daí? A defesa dos oprimidos tem idioma universal: é a palavra verdadeira, sincera, às vezes proferida em tom de revolta procedente. Lula sabe fazer isso, às vezes tropeçando, mas sabe.

Mas não precisava exagerar tanto, como nos últimos três anos, ao ponto de o sucesso nos palcos mundiais subir-lhe à cabeça e desejar até um topa-tudo com Stalone Trump. Tudo por causa da besta quadrada do outro filho do Jair que fugiu para ir futricar nos Estados Unidos em vez de vender hambúrgueres.

Ainda bem que existem craques no Itamaraty e no empresariado nacional para consertar o estrago do fujão traidor e do próprio Lula, esse querendo engavetar o dólar e dar vez ao yuan chinês.

BOM DE SELA – Mas Lula acha que é bom de sela. Não é, a alimária alucinada pelas esporadas recebidas de Lula mostrou há dias no rodeio do Senado que é capaz de atirar ao chão quem lhe monte sem dar um afago.

Não bastam as emendas secretas, as leguminosas subterrâneas não têm limites para sugar o esterco da pecúnia. Sobrou para o pobre coitado do Bessias, aquele mesmo leitor da Bíblia que assinava o besteirol da incompente (de mãos limpas) afastada pelo golpe parlamentar do Eduardo Cunha, esse mesmo que agora aguarda, confiante, a desmemória do eleitorado mineiro para voltar ao rodeio da Câmara dos Deputados.

Todo animal gosta de afago. Ora, custava colocar a pachecal figura no STF? Essa mesma figura saída de um velho volume do Eça, aquela figura que tem medo de enfrentar o energúmeno Zema, outra espécie de leguminosa que viceja na política, o candidato que deseja a legalização do trabalho infanto-juvenil, isto é, deseja que a molecada pobre abandone a escola para trabalhar nas vendas de beira de estrada de que é proprietário em Minas.

MEDO DAS URNAS – A pachecal figura teme detetizar a leguminosa tipo zema num prélio eleitoral, mas não teme sentar-se na cadeira que um dia foi de gente intimorata como seus conterrâneos Sepúlveda Pertence, Adauto Lúcio Cardoso, Victor Nunes Leal.

Lula podia até melhorar muito a indicação, oferecendo outro nome crescido no Senado, o Bruno Dantas, soprado pelos experientes próceres do MDB.

Sem falar que Lula poderia mirar no campo feminino, agora o dono da voz de comando. Voz que chega a cravar: tem de ser mulher e negra, ponto final, como disse outro dia a magister dixit Miriam Leitão.  E da próxima vez, será mulher e dos “povos originários”, como dizem afetadamente os apresentadores de TVs. Proibido dizer índio, indígena – silvícola então nem pensar!

PERDENDO TEMPO… – Não sei se há tempo de Lula corrigir o rumo que agradaria aos lulistas não-petistas, como o implicante leitor de Antônio Torres. O presidente poderia ter agido desde muito antes, se percebesse a Verdade Biden, que estava na cara.

Não que o homem esteja ruim da cabeça, a radioterapia ele vai tirar de letra. No campo político, está com dificuldade nos pés. Não chuta mais com os dois, como a imprensa mostrava que ele fazia nas peladas do Alvorada regadas a pinga e cerveja, no primeiro governo aplaudido, apesar do Mensalão.

A saída teria sido seguir o exemplo da figura paradigmática de todos os democratas sul-americanos, o uruguaio Pepe Mojica. Com esse não dá para implicar! Lula o amava sinceramente. Mas, com essa viajação para o estrangeiro, Lula o esqueceu.

SEM SUCESSOR – Ah, se tivesse trabalhado para fazer um sucessor ou sucessora! Ah, se lá atrás tivesse escalado um moço carismático como esse Camilo Santana, que sabe falar à juventude, ou deixar de ser prisioneiro do PT e apontado o dedo para outro jovem radiante de energias como o prefeito de Recife, João Campos, ou dado espaço e força a uma ministra de seu governo ou a um coroa experimentado nos coices da vida como o lúcido dono da palavra de fogo, Flávio Dino, mas para este agora é tarde.

O implicante está jogando a toalha? De maneira alguma, está só implicando, pois permanece o sonho de reconquistar a sequestrada camisa verde-amarela da Seleção, com ou sem a panturrilha do Neymar. Argh! Neymar? Melhor reler Antônio Torres.

Moraes precisa entender que a ação de Trump é contra ele e não contra o Brasil

Moraes prorroga investigação da PF sobre bloqueios em rodovias

Moraes insiste em envolver o Brasil no processo contra ele

Carlos Newton

Os estudiosos do Direito Internacional estão muito curiosos a respeito do processo movido nos EUA contra Alexandre de Moraes, ministro do Supremo Tribunal Federal, por violações à famosa Primeira Emenda da Constituição, que em 1791 foi fundamental para consolidar no mundo a democracia, nos critérios sugeridos quatro décadas antes pelo Barão de Montesquieu,  filósofo iluminista francês, consolidador da moderna Ciência Política.

Como não foram revelados os termos do processo apresentado à Justiça Federal da Flórida pela plataforma de vídeos Rumble e pela Trump Media, empresa do presidente Donald Trump, ainda não há informações concretas sobre as penas que estão sendo pedidas na condenação a Moraes. Mesmo assim, é possível avaliar essa possibilidade, com base na legislação norte-americana.

DOIS OBJETIVOS – Moraes está em péssima situação e surpreendeu o país ao pedir ao presidente do STF, Edson Fachin, que seja representado oficialmente pela Advocacia-Geral da União no processo a que responde na Flórida. Com isso, mostrou claramente ter dois objetivos.

O primeiro é deixar de contratar um escritório de advocacia americano e assim economizar um punhado de dólares na fortuna familiar, hoje calculada por volta de R$ 120 milhões, apesar de sua mulher, Viviane Barci, não ter conseguido receber os últimos R$ 50 milhões que restavam serem pagos pelo Banco Master.

E o segundo objetivo é engajar a Presidência da República na questão, como se fosse um processo contra a nação brasileira, embora isso nem possa ser cogitado, pois a ação é feita exclusivamente em nome de Moraes. Mesmo assim, ele insiste em que cabe à AGU contratar advogados na Flórida, e o prazo de 21 dias para contestação está correndo desde o dia 30 de maio.

CRIMES VARIADOS – As duas empresas americanas processam Moraes por abuso de autoridade ao silenciar  oposicionistas, por meio de ordens sigilosas para obrigar plataformas de vídeos e redes sociais americanas a banir contas, interferindo no funcionamento das empresas em território americano, com agravante de violações à liberdade de expressão e aos direitos humanos, incluindo pedidos de detenções arbitrárias sem garantia de julgamento justo. 

Nos Estados Unidos, esses delitos são considerados crimes graves, com penas de prisão, multa e indenização por prejuízos causados pelas ordens ilegais.

Além disso, em outro processo federal, Moraes está respondendo à Ordem Executiva 13818, que impõe a Lei Magnitsky, de responsabilização pelos direitos humanos, cujos efeitos (bloqueio de bens) estão suspensos, mas podem ser restabelecidos.

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P.S.
Pelo rito processual americano, as empresas que denunciaram Moraes são obrigadas a solicitar parecer da Procuradoria-Geral, e isso pode agravar a questão. Caso a PGR americana decida participar da ação judicial, isso pode significar condenação de até 10 anos de prisão, devido à gravidade da violação acintosa de direitos humanos e empresariais. Mas essa aceitação pela Procuradoria somente será conhecida quando o processo seguir adiante, após a contestação a ser feita
até o dia 20 pelos advogados a serem contratados pela AGU, para evitar que ele seja condenado sumariamente à revelia. Vamos aguardar. (C.N.)

Entenda por que Flavio Bolsonaro está entregando novamente a eleição a Lula

Flávio é Bolsonaro, Flávio é Rachadinha… #flaviorachadinha #bolsonaronacadeia #familicia #charge #desenholadino

Charge do Bruno Struzani (Instagram)

Roberto Nascimento

Os Estados Unidos, sob a gestão catastrófica de Donald Trump, estão se dando conta da progressiva perda de seu protagonismo político e econômico para a China. O Leão do Norte demonstra estar cansado, desdentado, mas busca a todo custo voltar a comandar sozinho a floresta.

Então, está rugindo para o mundo, porque ainda tem poderio econômico e um arsenal militar e nuclear suficiente para impor a força e o medo nos quatro cantos do globo terrestre.

FORTE CONCORRENTE – No meio dessa briga de gigantes, o Brasil acabou virando alvo de Trump, porque está se transformando num forte concorrente comercial, principalmente nas commodities agrícolas: soja, carne, laranja, açúcar, café, frutas e exportações de alimentos industrializados, além de produtos siderúrgicos, como aço e alumínio, assim como minerais estratégicos, notadamente o ferro e as terras raras.

Ideologia, eu quero uma para viver, como dizia o genial cantor e poeta Cazuxa, mas hoje em dia esses paradoxismos político-partidários são o que menos importa.

O X da questão é a economia, através do comércio mundial, que começa a ser liderado pela China, com a nova Rota da Seda e os investimentos na América Latina, na África e na Ásia.

AVANÇO CHINÊS – Os Estados Unidos estão assustados com o avanço da diplomacia e do comércio da China, que se tornou o maior mercado do mundo. Por essa razão, Donald Trump impõe tarifas absurdas a todos os concorrentes e a países estratégicos que tem comércio robusto com a China, caso do Brasil.

Nada do que ocorre na política externa é por mera coincidência. Trump tem de pressionar, devido às ligações com os Brics, grupo de países não-alinhados com os EUA e com a Europa, do qual o Brasil é fundador, junto com a China, a Rússia e a Índia.

Por essas circunstâncias é que a atuação dos irmãos Bolsonaro, ao se alinharem preferencialmente aos Estados Unidos, primeiro eles e nós, depois, significa uma traição nacional, pois o ideal seria uma postura brasileira de não-alinhamento político e comercial, porque não podemos perder exportações para os Estados Unidos nem para a China.

TODAS AS ARMAS – O momento é de grande preocupação, porque o governo Trump está usando todas as armas possíveis e imagináveis para forçar o alinhamento entre Brasília e Washington.

Mas não podemos adotar essa política ansiada pela despreparada família Bolsonaro, que age movida exclusivamente por motivos pessoais e ideológicos, sem analisar quais seriam os interesses do Brasil no intrincado xadrez da política internacional.

Se perdermos o comércio com a China e os 30 bilhões de dólares no superávit comercial, os Estados Unidos não comprarão nossos produtos na mesma proporção dos chineses e o Brasil entrará numa gravíssima crise econômica.

APOIO A LULA – Agindo com essa falta de visão econômica e de patriotismo, a família Bolsorano fará com que as classes produtoras da agricultura, da indústria e dos serviços apoiem a reeleição de Lula, por falta de alternativa.  Isso já aconteceu em 2022 e pode voltar a ocorrer agora.

Lembrem que em 2018, quando venceu a eleição, Bolsonaro tinha o economista conservador Paulo Guedes como conselheiro, apelidado de “Posto Ipiranga”.

Agora, o inexperiente e desqualificado filho Flávio se apresenta sozinho, sem ter apoio de um administrador político-econômico de experiência e confiabilidade. E isso fará com que as classes produtoras desistam de apoiá-lo, preferindo novamente Lula, que é um líder que se diz socialista mas sempre foi aliado aos banqueiros.

Piada do Ano! Fachin cria grupo para revisar os penduricalhos ilegais concedidos a juízes

Procuradoria diz que não há indícios de venda de sentenças no Supremo

Caso da venda de decisões no STJ é esvaziado

José Marques
Folha

A Polícia Federal e a PGR (Procuradoria-Geral da República) descartaram nos últimos meses suspeitas sobre autoridades com foro especial no STF (Supremo Tribunal Federal) em alguns dos principais inquéritos que tratam de vendas de decisões judiciais no STJ (Superior Tribunal de Justiça) e em outras cortes do país.

O caso, porém, foi mantido no Supremo porque há apurações paralelas que podem envolver essas autoridades — como ministros de tribunais superiores e parlamentares—, embora os inquéritos mais avançados rejeitem essa possibilidade. Uma parte dos inquéritos foi enviada pelo ministro Cristiano Zanin, relator do caso, a outros tribunais. Outra parte continua no Supremo, mas esvaziada e sem avançar em novas frentes.

DENÚNCIA – No dia 27 de maio, a PGR denunciou nove pessoas sob acusação de participarem de um esquema de acesso indevido e comercialização de decisões do STJ. Entre os acusados estão um lobista, um ex-chefe de gabinete e um ex-servidor da corte. Nenhum deles tem foro especial.

Essa é a primeira denúncia na investigação da Operação Sisamnes, iniciada em 2024 e que trata de suspeitas relacionadas ao segundo tribunal mais importante do país. Essa organização, afirmou a Procuradoria, era “voltada a pagamento e obtenção de vantagens pecuniárias ilícitas, em troca de interferências no resultado de decisões judiciais proferidas no bojo de processos com tramitação no Superior Tribunal de Justiça, mediante o concurso de funcionário público, valendo-se a organização criminosa dessa condição para a prática de infração penal”.

A denúncia do procurador-geral Paulo Gonet destaca que não há sinais de envolvimentos em irregularidades de duas ministras cujos gabinetes são investigados, Nancy Andrighi e Isabel Gallotti. “O desenvolvimento das apurações afastou qualquer elemento de vinculação subjetiva das referidas autoridades aos fatos examinados”, diz Gonet em manifestação que acompanha a denúncia. “Não há referência a seus nomes nos registros telemáticos coligidos nem indício de participação na dinâmica financeira relacionada à circulação de valores ilícitos”, acrescenta.

PERSISTÊNCIA – Apesar dessa consideração, Gonet pede a Zanin que o caso continue no Supremo por “persistência do vínculo de conexão com investigações que envolvem autoridades detentoras de foro por prerrogativa de função”.

Zanin acatou a solicitação e mantém o caso no STF. Inquéritos mais específicos sobre vendas de decisões em tribunais de Justiça foram enviados para análise de outras instâncias. Eles tratavam de eventuais irregularidades nas cortes estaduais de Mato Grosso, de Mato Grosso do Sul e do Tocantins.

As investigações foram remetidas para o STJ, onde desembargadores têm foro especial, e estão com diferentes relatores. A última delas, do Tocantins, foi enviada por Zanin em março.

SUSPEITAS – Essa investigação havia chegado ao Supremo por dois motivos: 1) havia suspeitas de vazamento de informações sigilosas em gabinetes do STJ, mas não foram encontradas provas; 2) as investigações encontraram referências a senadores e a uma ex-ministra do governo Jair Bolsonaro (PL), embora não haja indícios de crimes ou de irregularidades nessas menções.

As outras duas investigações foram enviadas para o STJ há mais tempo. Elas estavam com Zanin por suspeita de conexões com o inquérito principal, mas o ministro entendeu que eles tratam de outros possíveis episódios de irregularidades.

A investigação sobre o TJ-MT foi enviada em julho do ano passado para o STJ. Elas envolviam trocas de mensagens entre os magistrados e o advogado Roberto Zampieri, assassinado no fim do ano de 2023, que levantaram suspeitas de que houve pagamentos em troca de decisões judiciais favoráveis.

INDÍCIOS – O ministro entendeu que, no momento, não há indícios de que suspeitas sobre os desembargadores sejam as mesmas do esquema que envolveu decisões do STJ. Já o caso de MS foi enviado para o STJ em setembro do ano passado. Ainda não há denúncias ou pedidos de arquivamento do Ministério Público Federal sobre esses inquéritos.

O caso que envolve o assassinato de Zampieri, que também estava com Zanin, foi enviado ao Tribunal de Justiça de Mato Grosso. Em maio, o Ministério Público de MT apresentou denúncia contra suspeitos de serem mandantes e executores do crime.

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O CASO EM QUATRO PONTOS

1. OPERAÇÃO SIAMNES

Deflagrada em 2024, é uma investigação da Polícia Federal, sob relatoria do ministro Cristiano Zanin, do STF, para apurar um esquema de venda de sentenças, envolvendo o STJ. Essa operação, que já teve ao menos nove fases, se iniciou em Cuiabá (MT), a partir do assassinato do advogado Roberto Zampieri, em 2023, por uma disputa de terras. A perícia de seu celular gerou suspeitas sobre a existência do esquema.

2. PRINCIPAIS ENVOLVIDOS

As diferentes fases da operação resultaram em dezenas de mandados de busca e apreensão e diversas prisões. Entre os principais envolvidos estão Andreson de Oliveira Gonçalves, conhecido como lobista dos tribunais, e sua mulher, Mirian Gonçalves. Andreson foi apontado pela PF como intermediário na venda de sentenças. Também integram o núcleo das investigações Márcio José Toledo Pinto, ex-servidor do STJ que trabalhou em diversos gabinetes, e Daimler Campos, ex-chefe de gabinete da ministra Isabel Gallotti.

3. DENÚNCIA DA PGR

São quatro das nove pessoas que foram denunciadas, em maio, pela PGR. Gonçalves chegou a ser um dos presos na operação, mas, no momento, cumpre prisão domiciliar. Campos está afastado de suas funções e foi alvo de mandados de busca e apreensão. Em março, Pinto foi preso preventivamente pela PF. Em sua denúncia, Paulo Gonet destacou não haver indícios de envolvimento de ministras, cujos gabinetes são investigados, Isabel Galotti e Nancy Andrighi. Gonet pediu que o caso ficasse no STF.

4. ESVAZIAMENTO DO CASO

Zanin acatou o pedido de Gonet e manteve o caso no STF. Contudo, enviou inquéritos mais específicos para análise de outras instâncias. Uma outra parte continua Supremo, mas esvaziada e sem avançar em novas frentes. Ainda não há denúncias ou pedidos de arquivamentos do Ministério Público sobre esses inquéritos.

Fachin nega pedido de senadores e preserva Kassio na relatoria do caso Master

Senadores apontam relação de Nunes com Ciro Nogueira

Thaís Barcellos
O Globo

O presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Edson Fachin, negou um pedido formulado por quatro senadores para afastar o ministro Kassio Nunes Marques da relatoria da ação que pede a instalação da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Banco Master.

O pedido foi apresentado pelos senadores Eduardo Girão (Novo-CE), Alessandro Vieira (MDB-SE), Marcos Pontes (PL-SP) e Plínio Valério (PSDB-AM), que sustentavam que Nunes Marques têm uma relação “pública, histórica e notória” com o senador Ciro Nogueira (PP-PI), investigado pela Polícia Federal no caso Master.

ARGUMENTO – Na decisão, Fachin argumentou que a arguição é “manifestamente incabível”, pois foi apresentada mais de um mês depois do fim do prazo regimental, que é de 5 dias úteis após o sorteio do relator.

Segundo o presidente do STF, o processo foi distribuído a Nunes Marques no dia 26 de março, logo o prazo final para arguição de suspeição era 31 de março. No entanto, a ação só foi protocolada no dia 12 de maio. “Diante do exposto, nego seguimento a esta arguição de suspeição, em razão de sua intempestividade”, disse Fachin.

FATO GERADOR – O magistrado na decisão não analisou o mérito do pedido. Ciro Nogueira foi alvo da Operação Compliance Zero, autorizada pelo ministro André Mendonça, relator do caso Master no STF, no dia 6 de maio. No pedido, os senadores argumentaram que “o fato gerador da suspeição — embora já existente em razão da pública e notória amizade entre o Ministro Relator e o Senador Ciro Nogueira (PP/PI) — adquiriu nova e definitiva dimensão jurídica em 06 de maio de 2026”.

Segundo a Polícia Federal, Ciro é apontado como possível “destinatário central” de vantagens indevidas pagas por pessoas ligadas ao Banco Master. Os parlamentares afirmaram ainda que a investigação não é fato lateral, porque revelaria que Ciro “é hoje, formal e materialmente, sujeito ativo de medidas cautelares decretadas por esta Suprema Corte, no exato núcleo fático que constitui o objeto da Comissão Parlamentar de Inquérito cuja instalação se busca assegurar por meio do presente Mandado de Segurança”.

A fé sequestrada: o uso político da religião volta ao centro da disputa eleitoral