Surpreso com nova queda nas pesquisas, Lula vive ‘Adeus, Lênin!’ nos trópicos

PETROBRAS E DENÚNCIAS DE CINGAPURA: “SIM! APURA!” – IPUB – Instituto de  Psiquiatria da UFRJ

Charge reproduzida do Arquivo Google

Bernardo Mello Franco
O Globo

No filme “Adeus, Lênin!”, uma senhora da Alemanha Oriental sofre um infarto, passa meses em coma e acorda sem saber que o Muro de Berlim havia caído. Para protegê-la do choque, o filho esconde a notícia e se esforça para simular um país e de um regime que não existem mais.

Um observador que dá expediente no Planalto cita a comédia alemã como metáfora do momento atual do governo. Dois anos e meio depois de voltar ao poder, Lula ainda não teria despertado para as mudanças na sociedade e na política.

QUEDA NAS PESQUISAS – O descompasso ajudaria a explicar seu mau desempenho nas pesquisas. Na semana que passou, o petista voltou a amargar 40% de reprovação no Datafolha. É o pior patamar já registrado em seus três mandatos. No fim do segundo, em dezembro de 2010, ele era aprovado por 83% dos brasileiros. Só 4% diziam rejeitar sua gestão.

Anos atrás, a popularidade de um presidente costumava espelhar os resultados da economia. Hoje a dinâmica é outra, e Lula se mostra surpreso ao ver que a recriação de programas antigos e o crescimento do PIB e da renda não parecem capazes de tirá-lo das cordas.

Na última década, a tecnologia transformou o modo de fazer e discutir política. O debate migrou dos palanques, onde o petista era imbatível, para as redes sociais, onde a oposição vence quase todas. A revolução digital também mudou o Congresso. Deputados que se engalfinhavam por espaço na Voz do Brasil hoje estão mais interessados em gravar vídeos curtos para o Instagram e o TikTok.

SEM VOLTA AO PASSADO – O nível da conversa piorou, mas não adianta sonhar com uma volta ao passado. Enquanto o campo progressista reclamava, a extrema direita aprendeu a operar o algoritmo a seu favor.

Sem concorrência nas redes, o bolsonarismo montou o que o professor Marcos Nobre chama de partido digital, uma máquina de produzir engajamento e voto. Essa engrenagem tem dado sucessivas surras no governo, como se viu na crise do Pix, na chamada taxação das blusinhas e no escândalo do INSS.

Em entrevista recente, a primeira-dama Janja admitiu que as novas formas de comunicação não chegaram ao Alvorada. “Vocês sabem que o meu marido é analógico, né? Ele não sabe usar os termos que a gente está acostumado a usar nas redes”, disse.

CELULAR DESGRAÇADO – Na quinta-feira, Lula manifestou inconformismo com esse novo mundo. “Não é possível você imaginar que pode fazer política com o desgraçado de um celular”, protestou, em discurso em Minas Gerais. “Não é possível que as pessoas não percebam a diferença entre governo que trabalha e governo que fica no celular”, insistiu.

O presIdente acrescentou que “o povo gosta do celular porque vê coisa muito rapidinho”. “O povo, às vezes, não gosta de coisa séria. Todo mundo sabe a preguiça que, muitas vezes, o aluno tem de ficar ouvindo o professor”, disse. O petista foi a sexta autoridade a falar numa solenidade enfadonha, assistida por uma claque levada por prefeitos aliados e pela audiência raquítica dos canais oficiais.

Candidato ao quarto mandato em 2026, Lula tem pouco tempo se quiser atualizar o repertório e se reconectar com o eleitor. No filme de Wolfgang Becker, a senhora só percebe que as coisas mudaram quando vê um helicóptero transportar uma estátua de Lênin arrancada do pedestal.

11 thoughts on “Surpreso com nova queda nas pesquisas, Lula vive ‘Adeus, Lênin!’ nos trópicos

  1. “Política como negócio” engoliu a “política como bem comum”

    Nos bastidores do Congresso, pode-se dizer que a “política como negócio” engoliu a “política como bem comum”.

    A “política do bem comum” é pautada pelo idealismo, voltada ao interesse público e à responsabilidade. O político age comprometido com causas coletivas, guiado por uma vocação no sentido quase religioso ou pela ética da responsabilidade.

    Já a “política como negócio” é praticada como forma de ganhar a vida, buscar poder ou benefícios pessoais, faz da política uma profissão lucrativa ou meio de acesso a privilégios. Sua ética é determinada pelos objetivos, pela convicção, e não pela legitimidade dos meios.

    Hoje, como se sabe, a política como negócio é amplamente majoritária no Congresso, mas somente a turma do agronegócio põe a cara na reta e assume essa condição. A maioria dos nossos políticos diz que defende o bem comum. Será?

    Fonte: Correio Brasiliense, Política, 13/06/2025 – 08:10 Por Luiz Carlos Azedo

  2. Dois irrelevantes, apenas um viajou mas não sabe o que foi fazer lá no G-7…

    Para não fazer feio novamente , a Facção Criminosa decidiu não enviar a Primeira-Monga.

    Já pensou se a Mongona manda o Trumpete ir tomar café.??

    “”Janja decide não acompanhar Lula na viagem ao G7 no Canadá

    Primeira-dama Janja optou por ficar em Brasília e não acompanhar o presidente Lula durante a viagem ao Canadá para cúpula do G7…””

    aquele abraço

  3. “Não é possível você imaginar que pode fazer política com o desgraçado de um celular”, protestou, em discurso em Minas Gerais. “Não é possível que as pessoas não percebam a diferença entre governo que trabalha e governo que fica no celular”, insistiu.

    E o Narco-Vira-Latinha usando IPHONE ultimo modelo com a roupinha da Nike….

    È ou não é um desgraçado….

    vai para a ponte que caiu em Paris..

  4. QUEDA NAS PESQUISAS – O descompasso ajudaria a explicar seu mau desempenho nas pesquisas. Na semana que passou, o petista voltou a amargar 40% de reprovação no Datafolha.

    Até as capivaras que ficam nas margens do Esgoto Coveiro entre as Marginais, sabem que a Foice & Martelo & Paredòn tem um carinho especial pelo bandidão de estimação….

    deu aquele “maõzinha” para o Narco-Ladrão não ficar feio na foto

    podem por 3x mais nesses 40%……

    o resto é o mesmo papinho furado de sempre.

  5. Para um governo que ainda não iniciou e que continua viciado nas mesmas mentiras até que a aprovação do Lula está muito boa e muito acima do que deveria ser. Inflação em alta, juros mais altos ainda, universidades com as verbas cortadas e na paúra, aposentados roubados pelos sindicatos petistas com o envolvimento do irmão do presidente, apoio às facções criminosas, economia em frangalhos, nunca se desmatou e se queimou tanto a Amazônia. O maior número de empresas quebradas nos últimos dez anos e o déficit histórico das estatais. Essas são as coisas boas e podemos imaginar as ruins.

  6. Tudo é culpa de Lula? O Congresso derrubou vetos de Lula em jabutis que onerarão as contas de luz dos consumidores.

    Se não nos dermos conta que hoje o legislativo tem tanto ou mais poder que o executivo na governança do país, isso sem responsabilidades, a coisa continuará pior.

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