
Charge reproduzida da revista Veja
Deborah Bizarria
Folha
O anúncio de tarifas de até 50% sobre produtos brasileiros, feito por Donald Trump sob a justificativa de “perseguição política” a Jair Bolsonaro, reacendeu a tensão entre Brasil e Estados Unidos. A medida foi interpretada como tendo apenas motivação política, permitindo ao governo Lula apresentar-se como alvo de uma articulação entre a oposição e o governo americano.
Desde então, analistas discutem se o episódio poderá ser usado para reforçar a coesão institucional e gerar ganhos eleitorais para Lula e o PT.
CASO A CASO – O que mostram outros episódios de sanções ou tarifas externas? Em alguns casos, gestos hostis vindos de fora estimulam apoio ao governo, especialmente quando a narrativa de soberania nacional é bem conduzida. Mas a literatura empírica mostra que a reação do eleitorado varia.
Quando os custos econômicos recaem sobre grupos articulados e não há compensação clara, a pressão externa pode se voltar contra quem governa, mesmo que o conflito tenha sido provocado por outros.
O exemplo mais recente é o do Canadá. Com o Partido Liberal em queda nas pesquisas e enfrentando uma campanha difícil contra os Conservadores, o anúncio de tarifas por Trump, acompanhado de insinuações sobre a soberania territorial, foi incorporado pela campanha como símbolo de agressão externa.
UNIDADE NACIONAL – O governo Trudeau ativou o discurso de unidade nacional, e Mark Carney passou a ser identificado como defensor da economia canadense. Pesquisas registraram aumento de aprovação e os Liberais venceram nas urnas.
No Irã, as sanções econômicas impostas pelos Estados Unidos durante o governo Trump foram enquadradas pelo regime como parte de uma ofensiva política contra o país.
Um estudo analisou cerca de dois milhões de postagens de influenciadores iranianos e observou que, após o endurecimento das sanções, houve aumento do apoio ao regime, inclusive entre opositores moderados. A retórica nacionalista pareceu se sobrepor ao custo material.
EXEMPLO DA RÚSSIA – Mas o mesmo padrão não se repete sempre. Na Rússia, as sanções ocidentais impostas após a anexação da Crimeia, em 2014, não resultaram em fortalecimento unânime do governo. Um estudo de Timothy Frye mostrou que a reação da população foi dividida.
Russos alinhados ao regime culparam o Ocidente e mantiveram seu apoio a Vladimir Putin. Mas em áreas urbanas afetadas pela deterioração econômica, houve queda de aprovação ao governo.
Já Alexseev e Hale mostraram que as sanções internacionais de 2014 contra a Rússia tiveram um efeito negativo modesto na aprovação de Putin. O patriotismo despertado pela anexação da Crimeia causou um aumento significativo no apoio ao governo, mas as sanções isoladas não geraram um reforço político —apenas um desgaste discreto.
EFEITOS NEGATIVOS – Um caso em retaliação comercial que gerou efeitos negativos vem dos Estados Unidos. Durante a guerra comercial com a China, iniciada no primeiro governo Trump, Pequim impôs tarifas sobre produtos agrícolas e industriais, atingindo diretamente redutos eleitorais republicanos.
Análises de Blanchard, Bown e Chor, e de Fetzer e Schwarz mostram que os condados mais afetados registraram queda significativa de apoio a candidatos republicanos nas eleições de meio de mandato em 2018.
As regiões mais prejudicadas eram as mesmas que haviam dado sustentação à eleição de Trump dois anos antes.
TUDO DEPENDE – A política tarifária do atual governo dos Estados Unidos recoloca esse impasse no Brasil. A medida anunciada por Trump tem claro conteúdo político e atinge diretamente setores exportadores.
Ainda não se sabe se o governo Lula conseguirá transformar esse episódio em capital político, como ocorreu no Canadá, ou se será interpretado como sinal de fragilidade internacional.
O que os estudos indicam é que os efeitos da pressão externa dependem do contexto, dos grupos afetados e da capacidade de reação. E nem sempre favorecem quem está no poder.
“…Lucro dos 3 maiores bancos privados do país sobe 22%, a R$ 74,8 bi em 2024…”
Sr. Newton,
Não vejo a hora da Guerra entre ricos e pobres começar….
Quero ver como os pretos, brancos, laranjas, pobres favelados, donas de casas , idosos aposentados (roubados pelo irmão do Narco-Ladrão)., vao entrar na guerra contra os banqueiros….
O que os banqueiros vão usar de armas contra os pobres.?
Será que vão atirar mais juros nos cartões de crédito.??
aquele abraço
Boa noite, gostaria sinceramente de saber o que grandes brasileiros do passado já falecidos diriam sobre nossa situação (geral, todos os aspectos) atual. O país está afundando. Vai naufragar mais uma vez e não enxergo ninguém que possa liderar após a tragédia que está posta. Apenas questão de tempo. Quanta pobreza moral das nossas pseudo lideranças !
Temos uma elite miúpe e mesquinha que não aceita dividir nada.
Com “ainda não se sabe”, “dependem do contexto” e “nem sempre”, a dona Bizarria parece não chegar a nenhum lugar.
Essa Débora é bizzara!
https://diariodopoder.com.br/brasil-e-regioes/xwk-brasil/pesquisa-306-apontam-lula-como-principal-responsavel-pelo-roubo-no-inss
Tem que estar VIVO para se candidatar,e isso com certeza não acontecerá.
https://www.instagram.com/p/DMBD9_pshLu/
Matéria típica do estilo morde-assopra. O leitor se enche de esperança, pronto para soltar um ‘enfim, alguém põe os pingos nos is’, mas ao final se pergunta: teria faltado tinta na impressora ou coragem à autora?